Cinemateca Brasileira

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Fachada da Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira é a instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira. Desde 1940, desenvolve atividades em torno da divulgação e da restauração de seu acervo, com cerca de 200 mil rolos de filmes. Fisicamente, está localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, em São Paulo. Possui também um amplo acervo de documentos formado por livros, revistas, roteiros originais, fotografias e cartazes. Sua base de dados pode ser acessada através do seu site.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A Cinemateca Brasileira surgiu a partir da criação do Clube de Cinema de São Paulo. Primeiramente fundado em 1940, seus fundadores eram jovens estudantes do curso de Filosofia da USP, entre eles, Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e Antonio Candido de Mello e Souza. O Clube teve vida curta sendo fechado pelo Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP) o que o forçou a operar de forma clandestina na residência de Emilío Machado e Lourival Machado a partir de 1941.

Após várias tentativas de se organizarem cineclubes, foi oficializado em 1946, o segundo Clube de Cinema de São Paulo com diretoria composta por Almeida Salles, Múcio Porphyrio Ferreira e Rubem Biáfora, este por sua vez se tornaria o embrião da Cinemateca Brasileira. Seu acervo de filmes constituiu a Filmoteca do Museu de Arte Moderna (MAM), que viria a se tornar uma das primeiras instituições de arquivos de filmes a se filiar à FIAF (Fédération Internationale des Archives du Film), em 1948. Em 1984, a Cinemateca foi incorporada ao governo federal como um órgão do então Ministério de Educação e Cultura (MEC) e hoje está ligada à Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC). A mudança da sede para o espaço do antigo Matadouro Municipal, na Vila Mariana, cedido pela Prefeitura da cidade, ocorreu a partir de 1992. Seus edifícios históricos, inaugurados no século XIX, foram tombados pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo, e restaurados pela entidade.

Sociedade amigos da cinemateca[editar | editar código-fonte]

A SAC é uma entidade civil sem fins lucrativos, criada em 1962 por iniciativa de Dante Ancona Lopez, com o objetivo de se dedicar à difusão cultural e de auxiliar financeiramente a Cinemateca. Por muitos anos, ficou instalada numa pequena sala do Cine Belas Artes, onde promovia retrospectivas de filmes nacionais e estrangeiros. A SAC desenvolveu um importante trabalho de formação de público cinematográfico por meio da realização de festivais e mostras de filmes inéditos na Sala Cinemateca . Atualmente, promove exibição de filmes, palestras, debates, cursos, pesquisas históricas e artísticas, exposições, produção e edição de livros. Também é responsável pela captação de recursos, por meio da Lei Rouanet e de convênios com a Prefeitura de São Paulo e com a União, para realizar projetos especiais, o restauro de filmes e a digitalização de cartazes; obras e compras de equipamentos diversos.

Restauração[editar | editar código-fonte]

Desde 1978, a Cinemateca Brasileira possui um Laboratório de Restauração devidamente equipado que foi reconhecido pela FIAF como um exemplo para as cinematecas latino-americanas. Entre as suas atividades permanentes está a restauração de filmes do acervo em estado de deterioração, a transferência de materiais em suporte de nitrato de celulose para suporte de segurança (poliéster) e a confecção de cópias (matrizes ou reproduções para empréstimo).

O que diferencia o Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira dos demais são equipamentos como o copiador óptico, capaz de processar filmes 35 mm com até 4% de encolhimento, a mesa de comparação com 4 pistas e a moviola-telecine para filmes 35 e 16 mm que, ao contrário de copiadores normais, faz projeção de filmes em estado de alta deterioração. É também um dos poucos que faz controle sensitométrico de cópias em 35 e 16 mm.

Projetos[editar | editar código-fonte]

Além de cuidar da recuperação de materiais do acervo da Cinemateca Brasileira, o Laboratório de Restauração também está envolvido em projetos externos, que são fruto de parcerias com produtores e pesquisadores.

Acervo Glauber Rocha-Cooperação técnica para a restauração do acervo Glauber Rocha. Atualmente, estão sendo trabalhados os longas-metragens Barravento e A idade da terra.

Sala Cinemateca[editar | editar código-fonte]

A Sala Cinemateca foi inaugurada em 10 de março de 1989, no espaço onde funcionava o Cine Fiametta, na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. O filme em cartaz era "A Paixão de Joana D’Arc", de Carl Dreyer.

Durante oito anos, mais de 200 mil pessoas assistiram a retrospectivas variadas promovidas pela Sociedade Amigos da Cinemateca, muitas vezes formadas por obras inéditas.

O público pode conhecer o estilo de importantes autores estrangeiros, como Charles Chaplin, Orson Welles, David Griffith, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, François Truffaut Jean Renoir, Fritz Lang, Friedrich Murnau, Carl Dreyer, Yasujiro Ozu, Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Roberto Rosselini, Andrei Tarkovski, entre outros.

Em 5 de novembro de 1997, a Sala Cinemateca foi transferida para a sede oficial da entidade, na Vila Mariana. As novas instalações têm capacidade de 100 lugares e possuem equipamentos modernos de projeção e som que proporcionam uma exibição de alta qualidade técnica.

A programação da Sala mescla a exibição de obras do acervo da Cinemateca com produções expressivas de outros acervos, proporcionando a união do clássico e do moderno. Além disso, oferece, todas as terças-feiras, uma programação especial gratuita para escolas, além de sessões de curtas-metragens e um curso de história do cinema.

Anexo à Sala Cinemateca está o Espaço de Exposições Paulo Emílio Salles Gomes.

Imagens em movimento[editar | editar código-fonte]

A Cinemateca Brasileira possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. Ele é formado por cerca de 200 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos. São obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares, nacionais e estrangeiros, produzidos desde 1895.

As coleções mais significativas de cinejornais são as do Cine Jornal Brasileiro, Carriço e Bandeirantes da Tela, todos feitos a partir da década de 1930, em nitrato de celulose.

Também pertence ao acervo a coleção de imagens da extinta TV Tupi – a primeira emissora de televisão brasileira. Em 1985, a instituição herdou 180.000 rolos de filme 16 mm com reportagens veiculadas nos telejornais da emissora, além de fitas de vídeo com a programação de entretenimento.

Os filmes e vídeos são incorporados à Cinemateca Brasileira através de depósito, doação e depósito legal. O depósito de filmes e outras mídias é regido pelo Contrato de Depósito.

Prédios históricos[editar | editar código-fonte]

Os prédios da cinemateca foram construídos em 1887 para receber o antigo matadouro da baixada do Humaitá (que existia desde 1856) e que a partir de 1992, passaram a abrigar a Cinemateca Brasileira[2] .

Artigos relacionados[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Portal Brasil, Cultura, Centros de Cultura, Cinemateca Brasileira, Fundações e Institutos [em linha]
  2. Ruas de São Paulo no século XIX-Rios vermelhos de sangue Folha de São Paulo