Praça Roosevelt
A Praça Roosevelt é um logradouro situado na área central da cidade brasileira de São Paulo, entre as ruas da Consolação e Augusta. Nela há um conjunto arquitetônico de concreto construído na década de 1960 sobre a passagem subterrânea entre o Elevado Costa e Silva e a Ligação Leste-Oeste. A praça já foi conhecida também como Praça da Consolação.[1]
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[editar] História
A área onde hoje fica a praça pertencia a Dona Veridiana Prado no século XIX.[2] A praça foi criada em uma chácara[3], ao lado de onde funcionava, no início do século XX, o Velódromo de São Paulo, primeiro estádio de futebol do Brasil, desapropriado em 1915 para dar lugar à Rua Nestor Pestana. Na década de 1920 foi construída a Igreja Nossa Senhora da Consolação, de frente para a Rua da Consolação.[3] Criada originalmente sem planejamento, a praça foi asfaltada na década de 1950 sem o devido nivelamento de terreno, o que passou a causar deslizamentos que acabavam com parte do asfalto.[4] Foi a partir dessa urbanização que nos registros oficiais da cidade passou a constar o nome do logradouro como Praça Roosevelt.[2] A área livre atrás da igreja passou a ser um estacionamento para setecentos carros.[5] No local também passou a funcionar uma feira livre às quartas-feiras e aos sábados; nos outros dias da semana o trecho asfaltado servia como um grande estacionamento.[1] A feira da quarta-feira seria extinta em maio de 1961, com a intenção de melhorar o trânsito da região.[1] Já a partir dos anos 1950 o bairro em torno da praça começou a ver seus casarões ser demolidos[3], embora tenha tido árvores até antes do projeto[6] de que seria alvo no final da década de 1960. Ao longo dos anos 1960 a região viveu sua "fase áurea", com cinemas de arte e boates frequentadas por artistas.[5] "A Roosevelt era uma comunidade", lembrou em 2011 a atriz e diretora Dulce Muniz. "Na ditadura, fizemos daqui o nosso reduto. Todas as pessoas ligadas à arte vinham aqui. Com a construção da praça, a região foi decaindo."[5]
[editar] Projeto e inauguração
Nos anos 1960 o prefeito da cidade, José Vicente Faria Lima, decidiu construir no local um grande conjunto arquitetônico[7], em projeto de urbanização anunciado em 1967[8], que incluía um centro cultural com auditório para duas mil pessoas e um conjunto educacional.[5] O projeto foi realizado pelo paisagista Roberto Coelho Cardozo, português radicado no Brasil e professor de paisagismo na FAUUSP.[9] O conjunto é formado por duas grandes estruturas de concreto. O projeto, com muito concreto e pouco verde, foi criticado desde sua concepção[3], como pela revista Veja em São Paulo, que em 1985 classificou-o de "monstrengo arquitetônico"[10], e pelo jornal Folha de S. Paulo, que em 2006 chamou-o de uma "intervenção desastrada"[11]. Em matéria sobre obras "equivocadas" em São Paulo, o projeto da Praça Roosevelt foi criticado novamente pela Veja em São Paulo em 1987: "O problema está mesmo na superfície. A praça tem excesso de cimentos, de escadas, de becos e construções. É feia. Não tem árvores nem jardins."[12] Essa mesma matéria traz uma declaração de Paulo Mendes da Rocha, então presidente da sede paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil: "A Praça Roosevelt é um bom exemplo do que nunca deve ser uma praça.[12] Em maio de 2010 a praça foi qualificada como "ociosa" e "um ponto abandonado em meio a avenidas importantes da cidade" pelo portal Último Segundo.[13]
Quando Jânio Quadros assumiu a prefeitura de São Paulo pela segunda vez, em 1986, anunciou a ideia de construir garagens subterrâneas sob diversas praças da cidade, e a Praça Roosevelt foi citada como precedente negativo durante a polêmica que se criou.[6] Em matéria publicada pelo portal R7 em maio de 2010, Rita Gonçalves, gerente de intervenção urbana da Emurb, disse que a praça "ficou a desejar em questão de conservação".[14] Ela também criticou a falta de acessibilidade do projeto, que teria sido pautado apenas por uma "reinvenção da paisagem", característica dos projetos da época em que as estruturas de concreto foram erguidas.[14]
Numa das estruturas, mais próxima à Rua da Consolação e ao lado da Igreja Nossa Senhora da Consolação — que quase foi demolida quando da reforma[3] —, há duas rampas em formato cilíndrico que rodeiam um respiradouro da Ligação Leste-Oeste[15] e dão acesso ao nível superior, batizado de "Praça dos Pombos", onde estavam projetados um pombal, um lago e muita vegetação[16]. A outra estrutura, com 4.409,21 metros quadrados[16] e em um nível acima da "Praça dos Pombos", é chamada de "Praça Pentagonal" e tem alguns bancos de concreto. Para dar lugar às estruturas foram demolidos casarões que existiam nas laterais da igreja.[3]
A nova versão da praça foi inaugurada em 25 de janeiro de 1970, dia do aniversário de 416 anos da cidade, com a presença do então presidente Emílio Garrastazu Médici, mas, na verdade, apenas o espaço de 65 mil metros quadrados para passeio foi entregue. Outros itens do projeto, como um restaurante, quatro lojas, um estacionamento, um bar, um supermercado, uma agência de banco e um mercado de frutas e hortaliças ainda não estavam prontos.[16] Entre os eventos do dia da inauguração houve uma exposição de obras do pintor Cândido Portinari, uma apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, regida pelo maestro Donald Johanos (o "quarto mais famoso do mundo" então)[17], da sinfônica de Dallas, e uma exposição de esculturas ao ar livre, com obras de Cláudio Tozzi e Nicolas Vlavianos, entre outros.[16][18]
Quando o estacionamento foi aberto, por um mês não foi cobrada tarifa dos usuários, sendo a concessão depois entregue à Serviços Automáticos Boa Viagem Ltda.[15] Não demorou para a praça ser fechada para reformas por causa de infiltrações.[8]
[editar] Degradação e revitalização
Nenhum dos empreendimentos instalados na praça a partir de sua inauguração deu certo.[19] Apesar da intenção de que a praça virasse um marco da cidade[3], ela sofreu um processo de degradação a partir da década de 1980.[20] Ao longo dessa década muitas das casas de show deixaram a praça, que, por outro lado, foi "descoberta" por skatistas como ponto de encontro para manobras.[5] A escola que havia no local passou a ser constantemente invadida e depredada depois da desativação, e mesmo um emparedamento não resolveu o problema.[21] O último a deixar a praça foi o supermercado Pão de Açúcar, em 2006[22], e sua saída é considerada pela vizinhança como um dos motivos para a praça ter virado "esconderijo e marginais, drogados e moradores de rua".[23]
Já na década de 1990 o jornal O Estado de S. Paulo escreveu que a praça era "um dos locais mais criticados pela população paulistana por causa da sujeira e do barulho".[1] A praça, com rachaduras nas estruturas de concreto que causavam goteiras no espaço inferior[24], passou a ser tomada por mendigos e viciados em drogas, que ficam embaixo da rampa ao lado da igreja durante a madrugada, deixando o local quando da chegada da Guarda Civil Metropolitana.[25] "Se você der uma volta hoje por aqui, encontrará goteiras, moradores de rua e muita sujeira", disse o comerciante João Medeiros do Nascimento, que tem um estabelecimento no local, ao Jornal da Tarde em abril de 2007.[26] Em novembro de 1997 tentou-se instalar na praça os 1,2 mil camelôs e artesãos que participavam de uma feira na Praça da República havia 20 anos[27], mas os artesãos protestaram e a iniciativa não foi para a frente[24]. Nessa época, já falava-se em "demolição total da praça a partir de janeiro de 1998", com o plantio de árvores e canteiros e a construção de uma pista de cooper.[19] "A praça tem construções de concreto acima do nível das ruas", explica José Eduardo Lefèvre, responsável pelos projetos de revitalização apresentados em 2005. "Você não enxerga o que tem dentro e não é atraído para entrar."[28]
O primeiro teatro, do grupo Os Satyros, chegou à praça em 2000, "para disputar espaço com traficantes e prostitutas", segundo relatou a revista Sãopaulo em 2011.[5] "A praça estava destruída", contou Rodolfo Vázquez, um dos fundadores do grupo, em 2011. "A rotina com os traficantes era muito difícil. Eles quebravam as luzes das calçadas e ninguém queria passar por aqui. O primeiro período foi heroico. Ninguém que frequentava a região aceitava a gente."[5] Em 2001 uma reforma de emergência, em que foram gastos 150 mil reais, facilitou o acesso de pedestres com a demolição de algumas muretas e o reparo de alguns gradis, e foram também retirados bancos com a intenção de impedir a presença moradores de rua.[29] No ano seguinte um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) previa investimentos na recuperação de quatro praças na região central, uma delas a Roosevelt, que acabou sendo a única entre as quatro a não ser revitalizada, sob alegação de falta de uma discussão em audiência pública.[23] Segundo Vázquez, a última vez que recebeu ameaças de traficantes foi em 2005, uma época em que os espetáculos apresentados nos teatros da praça começaram a fazer sucesso.[5] Em junho desse mesmo ano, quando a praça era uma das "vitrines" do prefeito José Serra[29], então recém-empossado, e depois em abril de 2007 a prefeitura anunciou um plano de demolição da "Praça Pentagonal", para deixar a Praça Roosevelt totalmente plana, com a construção de um jardim, que ficaria pronto em abril de 2009[26], mas em abril de 2008 a licitação ainda não tinha sequer sido feita[30] e, em junho, o Jornal da Tarde decretava, em manchete, que a reforma tinha "virado lenda"[31].
Um dos fatores que teriam atrasado a obra foi o entulho que se acumulou sob a laje da "Praça Pentagonal", retirado em setembro de 2008.[32] A demora na concretização dos projetos levou o secretário de Educação da gestão Gilberto Kassab, Alexandre Schneider, a classificar a praça como "calcanhar de Aquiles do governo", o que causou mal estar entre os governistas, embora depois o secretário tenha voltado atrás na declaração.[33] Embora a estrutura de concreto seja considerada o principal motivo da degradação do local, muitos moradores são contra a demolição.[34] Com a estrutura ainda degradada, em agosto de 2009 a casa noturna Kilt, na esquina da praça com a Rua Nestor Pestana, foi declarada de utilidade pública, com a intenção de transformar o local em área verde[35], mas até maio de 2010 ainda não tinha sido notificada oficialmente da desapropriação, apesar de a área da boate My Love, em frente à Kilt, também ter sido declarada de utilidade pública no dia 13.[36] Entre as pessoas ouvidas pelo portal R7 à época, houve quem dissesse que as casas noturnas traziam segurança à área e quem dissesse exatamente o oposto.[36]
A repercussão de um assalto em 5 de dezembro de 2009 à sede do grupo de teatro Parlapatões, que deixou o dramaturgo Mário Bortolotto ferido, deu origem a novas especulações sobre a sempre adiada revitalização da praça, cujo início passou a ser previsto para junho de 2010.[29] Donos de estabelecimentos situados na praça usaram o espaço na mídia que obtiveram com o caso para reclamar da segurança e reivindicar uma maior presença policial na área, pois para eles ladrões estariam se misturando aos moradores de rua.[37] Seis dias depois o BID anunciou que até o final de janeiro de 2010 poderia liberar quarenta milhões de reais para a reforma.[29] "Estamos confiantes de que desta vez o projeto vai sair do papel", comemorou Raul Barretto, um dos fundadores dos Parlapatões, ao JT. "Existe um entendimento do poder público de que a praça precisa ser revitalizada."[29] Um dos novos projetos divulgados foi a transformação de um prédio de onze andares localizado na Rua Martinho Prado, à margem da praça, na São Paulo Escola de Teatro, cujo orçamento está previsto em 4,2 milhões de reais, com previsão de entrega no segundo semestre de 2010.[38]
O edital para concorrência pública saiu em 12 de janeiro de 2010, com previsão de demolições, obras de recuperação e reforço estrutural, reforma de espaços, construção de novas estruturas e implantação de ações de adequação, requalificação arquitetônica e paisagística da praça[8], além do plantio de duzentas árvores de espécies nativas.[39] O projeto de revitalização elaborado pela Emurb previa, além da demolição das estruturas de concreto, a colocação de árvores e bancos no mesmo local, como incentivo para a ocupação do espaço, uma luminária para cada quinze metros quadrados, todas mais baixas que as copas das árvores para impedir sombras à noite[14], embora projeto divulgado três meses depois falasse apenas em diminuir o número de andares da estrutura de concreto, com construção de rampas e escadarias para melhorar o acesso[40]. Para transformar a praça em um "espaço de convívio com segurança", está no projeto a implantação de um posto policial em local estratégico e a instalação de câmeras de segurança.[14] A previsão era de um custo total de quarenta milhões de reais, com as obras durando 24 meses, embora não houvesse ainda previsão para o início.[8] O Plano de Metas da Prefeitura de São Paulo prevê a conclusão para maio de 2011[41], mas em maio de 2010 a Secretaria Municipal de Planejamento previa a conclusão para dois anos após o início das obras.[14]
A expectativa era que as obras começassem em setembro, com o mínimo de intervenção possível nas ruas adjacentes e na avenida que passa por baixo da praça.[40] "Não há como parar a Ligação Leste–Oeste, seria um transtorno enorme", explicou um diretor da Paulitec, empresa vencedora da concorrência para tocar o projeto.[40] "Vamos fazer uma demolição cirúrgica. É uma obra complicada estrutural e operacionalmente."[42] Moradores e comerciantes do entorno, entretanto, já não diziam mais acreditar que a reforma sairia do papel. "Ah, meu filho", explicou uma funcionária de uma das floriculturas da praça ao JT em agosto, "ano de eleição é sempre assim: prometem que vão fazer a reforma e não acontece nada."[40] Outra moradora fez coro à descrença: "Tudo o que fizeram foi para pior. Tiraram o supermecado, a escola, botaram grade. Agora está vazio, você vê rato passando, um horror."[40] O contrato foi assinado em 1 de setembro, com um orçamento de 36,8 milhões de reais, depois de aprovado pelo BID, que emprestaria 85% do valor da obra, com o restante sendo bancado pela Prefeitura.[43]
O início das obras acabou ocorrendo apenas em outubro[44], com previsão oficial de término para setembro de 2012, fez com que os comerciantes da região começassem a se preocupar com uma possível invasão de ratos em seus estabelecimentos, embora a Prefeitura tenha informado que não encontrou ratos na obra nem recebeu reclamações formais a respeito.[45] O grupo Ação Local Roosevelt propôs que os tapumes colocados em volta da praça pudessem receber uma pintura com a história do local, o que, segundo representantes, seria melhor que pichações.[45] Foram convidados 122 grafiteiros, que deixaram sua marca nos tapumes de alumínio que envolvem a praça durante a reforma.[46] As demolições necessárias devem ser feitas manualmente, para não danificar as estruturas da Ligação Leste–Oeste[45], que serão mantidas, assim como as duas garagens[47]. A primeira etapa previa a demolição do pentágono, assim como da antiga escola e do antigo supermercado; depois seriam demolidas as bases da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar e a ONG Centro de Informação da Mulher.[48] A mudança da PM causou alguns atrasos na segunda fase de demolições, pois a corporação teve dificuldades para deixar a área que ocupava.[49] Em janeiro de 2011 um dos engenheiros responsáveis pela obra estimou que 70% da demolição estivesse concluída, incluindo a maior parte do Pentágono.[47] Moradores do entorno da praça aproveitaram as obras para solicitar melhorias, como calçadas ecológicas, plantio de árvores frutíferas e lixeiras mais resistentes.[50] "A Roosevelt foi colocada em um buraco negro por muito tempo, e caberá aos moradores fazer alguma coisa para mudar essa triste realidade", reclamou uma moradora ao Jornal da Tarde em março.[50] A Prefeitura, entretanto disse não ter recebido tais reivindicações.[50] Em reunião na semana seguinte com os moradores, ela apresentou algumas das mudanças previstas, embora nenhuma delas estivesse entre as reivindicações citadas pelo JT.[49] A igreja também passou a ter problemas com roubos e quebras de vitrais, e seus representantes culpavam a pouca visibilidade devido aos tapumes das obras.[5]
Os efeitos da reforma em andamento começaram a ser sentidos um ano antes da previsão de entrega da nova praça.[5] A livraria HQ Mix, por exemplo, viu o valor do aluguel do imóvel onde ficava mais que dobrar e teve de deixá-lo em novembro.[5] O dono do imóvel explicou que o aluguel que cobrava era mais baixo por causa da situação da praça quando ele adquiriu o imóvel, em meados dos anos 1990: "Quando cheguei tudo era muito barato e me achavam excêntrico por morar aqui. Hoje tenho de cobrar um preço mais real. Era uma situação válida quando não havia interessados. Agora há."[5] Os teatros, que são considerados um dos principais motivos para a revitalização, passaram a se preocupar com o aumento dos aluguéis, já que apenas um deles é proprietário do imóvel que ocupa.[5]
[editar] Vida cultural
Antes da construção das estruturas de concreto, era na Praça Roosevelt que se encontravam expoentes da Bossa Nova em São Paulo.[20] No restaurante Baiúca, que ficava na Praça, reuniam-se nomes como Johnny Alf e Zimbo Trio ao longo das décadas de 1950 e 1960.[20] O primeiro show de Elis Regina na cidade foi no bar Djalma's, também localizado na praça, em 5 de agosto de 1964[20], que lhe valeu um cachê de cinco cruzeiros[51]. Até fins da década de 2000 o bar, já com outro nome, ainda recebia fãs de Elis.[52] "O ambiente da praça era propício", contou a cantora Alaíde Costa ao JT em 2008. "Parecia que todo mundo gostava e entendia de música por lá. A Praça Roosevelt foi um lugar inesquecível."[20] Completa o musicólogo Zuza Homem de Mello: "A Praça Roosevelt tinha música na veia."[20]
Foi também na praça que surgiu o Cine Bijou, o primeiro cinema de arte da cidade.[53] Inaugurado em 1962, passou a ser uma das principais salas exibindo filmes de arte na cidade, mas entrou em decadência junto com a praça.[54] Com isso, os filmes de arte deram lugar a títulos mais comerciais, mas isso não impediu que o cinema fechasse as portas nos anos 1990.[54] No prédio do cinema passou a funcionar o Teatro Studio 184.[54] Parte do prédio, entretanto, voltou a exibir filmes de arte quinzenalmente a partir de 2011.[54]
Além dos eventos culturais realizados quando da inauguração das estruturas de concreto, em 25 de janeiro de 1970, naquele dia foi aberta uma exposição de escultuas monumentais ao ar livre, segundo a revista Veja para "sondar a capacidade inventiva dos artistas e a reação do público".[55] O Colégio Visconde de Porto Seguro funcionou na Praça Roosevelt até a década de 1970; o prédio hoje é ocupado por um dos desmembramentos da Escola Estadual Caetano de Campos — o outro, que manteve o mesmo nome, fica no bairro da Aclimação.[56]
No começo do século XXI a chegada de grupos teatrais, como os Parlapatões e os Satyros, deu novos ares culturais à praça, sem, no entanto, aliviar a degradação social das estruturas de concreto.[31] "Quando chegamos à praça, em dezembro de 2000, a Roosevelt era considerada um dos locais mais perigosos do centro de São Paulo, comparável à Cracolândia em violência e número de assassinatos", contou Rodolfo García Vázquez, fundador dos Satyros, à Folha de S. Paulo em 2007. "Com o decorrer dos anos, pela ação dos teatros principalmente, a praça passou a ser uma área de cultura e arte, rodeada de vários bolsões de prostituição e tráfico."[57] Para o JT, "a praça se tornou um dos endereços alternativos da classe artística de São Paulo".[29] Diogo Viana, diretor do mesmo grupo, comparou em 2009 os dois momentos da Praça ao Jornal da Tarde: "No começo aqui era um depósito de lixo. Os traficantes de droga viviam ameaçando a gente. Hoje a Roosevelt virou um espaço para o teatro underground. Um teatro veloz, onde tudo pode acontecer."[52] Os Satyros criaram em 2005 as Satyrianas, um festival de artes cênicas que foi incorporado pelo calendário oficial de eventos da cidade.[58] Inicialmente realizado na própria praça, com diversas apresentações teatrais atravessando a madrugada com preços de ingressos ditados por cada espectador, em 2010 foi realizada a um quarteirão dali, na esquina das ruas Augusta e Caio Prado, por causa das reformas.[58]
Os teatros fizeram outros ramos florescer no entorno, como os bares.[59] A livraria HQ Mix, especializada em quadrinhos, também instalou-se na praça e passou a fazer até seis lançamentos mensais, apostando no movimento noturno gerado pelos teatros.[32] A poucos metros da praça, a Rua Avanhandava tornou-se na mesma época um polo de restaurantes sofisticados.[60] Os bares foram motivo de polêmica em abril de 2010, quando reportagem do Jornal da Tarde flagrou mesas colocadas pelo bar dos Satyros entre os canteiros e jardins da praça nas noites entre quarta e sábado.[41] O grupo teatral disse ter autorização da Subprefeitura da Sé para ocupar a praça com atividades culturais, mas o órgão da prefeitura alegou que a autorização para colocar mesas e cadeiras era para apenas um evento e que o estabalecimento poderia ser multado e até fechado.[41] Pessoas ouvidas pelo JT tinham opinião dividida, com alguns reclamando da ocupação de um espaço público por uma empresa particular e outros aprovando a iniciativa, por causa da alegada inoperância do poder público em fazê-lo.[41] Em maio as mesas e cadeiras já haviam sido retirados, mas o bar dos Satyros informou à época que entrara com novo pedido na Subprefeitura da Sé para fazer atividades culturais em junho, com a intenção de renová-lo todos os meses.[2]
A Praça Roosevelt tem sido também o ponto final de concentração da Parada do orgulho LGBT de São Paulo.[61] Ela serviu ainda de inspiração para a dramaturga alemã Dea Loher, que escreveu a peça A Vida na Praça Roosevelt (Das Leben auf der Praça Roosevelt, em alemão), formada por esquetes, muitos baseados em fatos reais.[62] "Descobri a praça com os olhos deles", contou a dramaturga à Folha de S. Paulo em 2004, referindo-se aos fundadores dos Satyros. "Eles abriram esse microcosmos para mim como modelo miniatura da sociedade, com as hierarquias e os conflitos. De repente, pareceu quase lógico escrever sobre a praça."[62]
Em setembro de 2009 os estabelecimentos comerciais da praça receberam uma exposição de jornais franceses raros da segunda metade do século XIX. As reproduções, com gravuras da classe artística foram espalhadas por diversos estabelecimentos, da loja de produtos para animais ao carrinho de pipoqueiro que costuma ficar na frente dos teatros.[63] "A intenção é unir os moradores e frequentadores da praça, tão degradada, em torno do que lhe é mais característico, o teatro, a arte", disse o organizador, Dario Bueno, ao Jornal da Tarde. "Fui tão bem acolhido, não queria deixar ninguém de fora. Bati de porta em porta e o interesse foi geral."[63] Quatro meses depois, quando do aniversário de quarenta anos da nova praça, Bueno organizou nos mesmos moldes uma exposição com fotos da reforma.[39] Na Virada Cultural de 2010 a praça sediou a "Dimensão Nerd", com RPG, cosplay e fãs de histórias em quadrinhos e ficção científica.[64] Segundo o sítio do jornal O Estado de S. Paulo, comerciantes da região disseram que moradores de rua resistentes teriam sido tirados à força da praça por guardas municipais na véspera do evento.[65]
Referências
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[editar] Ligações externas
- Página da praça no site de Veja São Paulo (em português)
- Galeria de imagens dos 40 anos da Praça Roosevelt (em português) no Terra Notícias