O Estado de S. Paulo

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O Estado de S. Paulo
O Estado de S. Paulo
Estado de são paulo.jpg
Primeira página de uma edição do Estadão
Periodicidade diário
Formato standard
Proprietário Grupo Estado
Fundador(es) José Maria Lisboa, Francisco Rangel Pestana e Américo de Campos
Presidente Francisco Mesquita Neto
Diretor Ricardo Gandour
Editor Roberto Gazzi
Fundação 4 de janeiro de 1875 (139 anos)
Sede São Paulo,
 Brasil
Página oficial www.estadao.com.br

O Estado de S. Paulo é um jornal brasileiro. Foi fundado com base nos ideais de um grupo de republicanos, em 4 de janeiro de 1875. Nessa época, o jornal se chamava A Província de São Paulo e foi o pioneiro em venda avulsa no país, fato pelo qual foi ridicularizado pela concorrência (Correio Paulistano, O Ipiranga e Diário de S. Paulo). A venda avulsa foi impulsionada pelo imigrante francês Bernard Gregoire, que saía às ruas montado num cavalo e tocando uma corneta para chamar a atenção do público — e que, décadas depois, viraria o próprio símbolo do jornal — aumentou a tiragem do jornal. Ao lado da Folha de S. Paulo, de O Globo e do Correio Braziliense, o Estado é um dos jornais mais influentes do Brasil.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Quando o jornal surgiu, tinha quatro páginas e uma tiragem de 2.025 exemplares.[2] O termo "Província" foi conservado até 31 de dezembro de 1889, um mês após a queda da Monarquia e instituição da República no Brasil.[2] Embora tivesse apoiado a troca de regime, o jornal se mostrou independente de qualquer partido político, recusando-se a servir aos interesses do ascendente Partido Republicano Paulista (PRP).

Quando o então redator-chefe Francisco Rangel Pestana se afastou para trabalhar no projeto da Constituição, em Petrópolis, o jovem redator Júlio Mesquita assumiu efetivamente a direção d'O Estado e deu início a uma série de inovações. A agência Havas, então a maior do mundo, foi contratada pelo jornal e deu mais agilidade às notícias internacionais.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Ao final do século XIX, o Estado já era o maior jornal de São Paulo, superando em muito o Correio Paulistano. Propriedade exclusiva da família Mesquita a partir de 1902, o Estado apoiou a causa aliada na Primeira Guerra Mundial, sofrendo represália da comunidade alemã na cidade, que retira todos os anúncios do jornal. Mesmo assim, Mesquita mantém a posição de seu diário. Durante a guerra, passa a circular a edição vespertina do jornal, conhecida como "Estadinho", dirigida pelo então jovem Júlio de Mesquita Filho.

Sede d'O Estado de S. Paulo, na Marginal do Rio Tietê, zona norte de São Paulo.

Em 1924, o Estado foi impedido de circular pela primeira vez, após a derrota do levante tenentista que sacudiu a cidade. Julio Mesquita, que tentara intermediar um diálogo entre os revoltosos e o governo, foi preso e enviado ao Rio de Janeiro, sendo libertado pouco depois.

Com a morte do velho diretor em 1927, seu filho Júlio de Mesquita Filho assumiu a redação com o irmão Francisco, este à frente da parte financeira do jornal.

Em 1930, o Estado, ligado ao Partido Democrático, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas pela Aliança Liberal. Vargas foi derrotado nas eleições, mas assumiu o poder com a Revolução de 1930, saudada pelo jornal como um marco do fim de um sistema oligárquico.

O chamado Grupo Estado assumiu em 1932 a liderança da revolução constitucionalista e, com sua derrota, boa parte da diretoria foi enviada ao exílio.

Anos depois, com a eclosão do Estado Novo, o jornal manteve a oposição ao regime e, em março de 1940, foi invadido pelo Dops e, numa farsa, armas foram "apreendidas" na redação. O jornal foi inicialmente fechado e logo depois confiscado pela ditadura, sendo administrado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) até 1945, quando foi devolvido pelo Supremo Tribunal Federal a seus legítimos proprietários. Os números publicados a partir da intervenção são desconsiderados na história do diário.

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Estado viu enorme progresso, com o aumento da tiragem e de seu prestígio nacional. Na década de 1950 foi construída uma nova sede, o edifício da rua Major Quedinho, que ainda abrigaria o Hotel Jaraguá. Foi a fase em que a editoria de Internacional, comandada pelo jornalista Giannino Carta e por Ruy Mesquita, passou a ser considerada a mais completa do jornalismo brasileiro.[carece de fontes?] O Estado, desse período até a década de 1970, ostentou em sua primeira página quase que exclusivamente o noticiário internacional.

República Nova e golpe de 1964[editar | editar código-fonte]

Durante a República Nova (1946–1964) o Estado perfilou-se à União Democrática Nacional de Carlos Lacerda e fez oposição a todos os governos, em especial o de João Goulart. Em 1962, o diretor Júlio de Mesquita Filho chegou a escrever o "Roteiro da Revolução", procurando unir a oposição civil aos militares, o chamado "partido fardado", que desde o início da República costumava intervir na política brasileira[carece de fontes?]. Em 1964, o Estado apoiou o golpe militar e a eleição indireta de Castelo Branco. No dia 1 de abril daquele ano publicou texto de apoio à derrubada de João Goulart, traçando um paralelo com a Revolução Constitucionalista de 1932:

Cquote1.svg Minas desta vez está conosco... Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições. Cquote2.svg
O Estado de S. Paulo[3]

Logo após o Ato Institucional Número Dois, que dissolveu os partidos políticos, o jornal rompeu com o regime.

Censura[editar | editar código-fonte]

Em 13 de dezembro de 1968, a edição do Estado foi apreendida em razão da recusa de Mesquita Filho de excluir da seção "Notas e Informações" o editorial "Instituições em Frangalhos", em que denunciava o fim de qualquer aparência de normalidade democrática. A partir de então, o jornal passou a contar com censores da Polícia Federal em sua redação, ao contrário dos outros grandes jornais brasileiros, que aceitaram se auto-censurar.[4]

Com a morte de Mesquita Filho, o Estado passou a ser dirigido, em 1969, por Júlio de Mesquita Neto. Nesse período o jornal ganhou visibilidade mundial ao denunciar a censura prévia com a publicação de trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, no lugar de matérias proibidas pelos censores. Em 1974 recebeu o Prêmio Pena de Ouro da Liberdade, conferido pela Federação Internacional de Editores de Jornais.

A partir da década de 1970 o jornal endividou-se para a construção de sua nova sede na Marginal Tietê e passou por severa crise financeira, disputando o mercado com o novo padrão de jornalismo representado pela Folha de S. Paulo.

Anos 1980[editar | editar código-fonte]

Em 1986, o Estado contratou o jornalista Augusto Nunes para assumir o posto de diretor de redação. Ele renovou o noticiário do jornal e empreendeu uma série de reformas gráficas, que redundariam na adoção, em 1991, de cores no jornal e de edições diárias - até então o Estado não circulava às segundas-feiras e dias seguintes a feriados.

Dos anos 90 aos dias de hoje[editar | editar código-fonte]

Em 1996, Júlio de Mesquita Neto morreu, e o jornal passou a ser dirigido por seu irmão, Ruy Mesquita, até então diretor do Jornal da Tarde, pertencente ao Grupo Estado.

Atualmente, o jornal é o quarto em circulação no Brasil, com uma média diária de 236 mil exemplares[5] em dezembro de 2010, e o segundo na Grande São Paulo, com média diária de 159,9 mil exemplares.[6]

Em 2009 o jornal foi impedido de publicar notícias sobre a Operação Faktor, que investiga Fernando Sarney, suspeito de fazer caixa dois na campanha de Roseana Sarney na disputa pelo governo do Maranhão em 2006. Posteriormente, Fernando Sarney desistiu da ação, mas o jornal não aceitou esse arquivamento, o que faz com que o impedimento imposto (qualificado pelo jornal como censura) continue em vigor até nova ordem judicial.

No dia 2 de outubro de 2010, a então colunista Maria Rita Kehl publicou o artigo "Dois Pesos...", que fala sobre as inúmeras correntes de e-mails enviadas pela internet que desqualificam os votos dos pobres das chamadas classes sociais D e E sob um argumento que já seria "familiar ao leitor" segundo Kehl: "os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos". Ela diz que, de acordo com tal argumento, os votos dos pobres das chamadas classes D e E "não são expressão consciente de vontade política" e "teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola".[7]

Além de refutar os argumentos de alguns e-mails que circularam bastante pela internet com ironias como "onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria?" e observações como "se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso", ela também elogiou o Bolsa-Família ao escrever: "Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200?"[7]

Ela terminou o artigo escrevendo que "quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus voto".[7]

Esse artigo gerou grande repercussão na internet e a colunista acabou demitida.[8] Para Maria Rita Kehl, o fato de ter sido demitida seria uma situação absurda: "Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?" Segundo a ex-colunista, o motivo de sua demissão foi o fato de o jornal ter considerado o texto um "delito de opinião".[9] O diretor do Estadão, Ricardo Gandour, em uma entrevista sobre o ocorrido disse que "não houve demissão", que "colunistas se revezam, cumprem ciclos". Ele disse também que "não houve censura, a coluna saiu integralmente, sem mexer em uma vírgula". Quando argumentado pelo entrevistador que, apesar de Ricardo Gandour negar o ato de censura, houve consequências para a colunista por expressar a sua opinião, como a sua saída do jornal, o diretor do jornal alegou que "o foco daquele espaço que era outro", era a psicanálise, entretanto "esse não era o enfoque que ela vinha praticando", mas admitiu que considerou que "a coluna de sábado foi uma coluna forte". Porém não foi esclarecido porque apenas após essa última "coluna forte" é que o jornal decidiu afastar a colunista e não anteriormente ou posteriormente, nem mesmo foi dito que ocorreu uma coincidência. Ele finalizou dizendo que lamenta "que esteja havendo uma leitura histérica disso".[10]

Grupo Estado[editar | editar código-fonte]

Depois de uma fracassada experiência no campo das telecomunicações, o Grupo Estado passou por uma restruturação em 2003, e a maior parte da família Mesquita deixou os cargos de direção. Demissões em massa ocorreram no grupo. Após o saneamento financeiro, o Estado empreendeu uma reformulação gráfica em outubro de 2004, com a criação de novos cadernos e tem recebido sucessivos prêmios de excelência gráfica.

Além do jornal O Estado de S. Paulo, o Grupo Estado publicava o Jornal da Tarde (1966) e detém controle sobre a OESP Mídia (1984), empresa que atua no ramo de Publicidade por meio de Classificados. Pertencem ao Grupo Estado as rádios Eldorado AM e FM (1958) e a Agência Estado (1970), maior agência de notícias do Brasil.

Visão política[editar | editar código-fonte]

Bernard Gregoire, símbolo do jornal

A mais antiga de todas as seções, conhecida como "Notas e Informações", sempre localizada na página 3, manteve a tradicional postura do jornal de unir, em seus editoriais, conservadorismo político e liberalismo econômico, sendo uma das colunas mais emblemáticas de O Estado de S. Paulo, identificado com o pensamento "conservador" ou "neoliberal" no Brasil. Entretanto, desde o golpe militar de 1964, e principalmente após 1968, o jornal vem tomando posições mais liberais também no âmbito social e político, como a defesa em editorial da legalização do aborto no Brasil, as críticas ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e ao presidente francês Nicolas Sarkozy, [11] além de apoiar a candidatura da ex-presidente de centro-esquerda do Chile, Michelle Bachelet.[12] [13] O Grupo Estado defende o sistema democrático de governo, o Estado de direito, a livre iniciativa, a economia de mercado e um Estado comprometido com um país economicamente forte e socialmente justo.[14]

Em 25 de setembro de 2010, em um editorial intitulado "O mal a evitar", o jornal declarou abertamente o seu apoio ao candidato José Serra na eleição presidencial no Brasil em 2010, afirmando que o candidato é "o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País", e criticando o presidente Luís Inácio Lula da Silva pelas suas acusações de que a imprensa brasileira estaria se comportando "como um partido político" e pela "escandalosa deterioração moral" de seu governo.[15]

O portal Brasil de Fato realizou um levantamento sobre o comportamento dos três jornais de maior circulação no Brasil ante a campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.[16] O estudo foi feito a partir das manchetes de primeira página publicadas por O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S. Paulo, entre os dias 28 de agosto e 27 de setembro. Nesses trinta dias, O Estado de S. Paulo produziu 22 capas negativas para a candidata petista. No mesmo período, o jornal trouxe somente uma capa com manchete positiva, ("Inquérito da PF esvazia tese de crime político na receita", no dia 16). Também houve três manchetes consideradas neutras e quatro abordando assuntos não ligados às eleições.

Colunistas[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. Media and Communications: Brazil (em inglês) Biblioteca do Congresso (30 de novembro de 2006). Visitado em 23 de julho de 2010.
  2. a b "133 anos de lutas pela democracia", Grupo Estado: Relatório de Responsabilidade Corporativa 2007, 2008, Grupo Estado, pág. 4
  3. O Estado de S. Paulo, 1º de abril de 1964.
  4. "Ruy Mesquita: O grande desafio da liberdade", entrevista a Eduardo Martins, Master em Jornalismo
  5. Economia Empresas: "Folha de S.Paulo" perdeu no ano passado liderança para jornal popular "Super Notícias" recuperado 3 de Agosto 2011 (pt)
  6. "Circulação dos jornais cresceu em 2007", O Estado de S. Paulo, 28/1/2008, pág. B9
  7. a b c Dois Pesos... (em português) Maria Rita Kehl, Estadão (2 de outubro de 2010). Visitado em 7 de outubro de 2010.
  8. Opinião sobre "Bolsa-Família" leva Estadão a demitir colunista Maria Rita Kehl (em português) UOL (7 de outubro de 2010). Visitado em 7 de outubro de 2010.
  9. Maria Rita Kehl: "Fui demitida por um 'delito' de opinião" (em português) Terra Networks (7 de outubro de 2010). Visitado em 7 de outubro de 2010.
  10. Diretor do Estadão: "Não houve censura a Maria Rita Kehl" (em português) Terra Networks (7 de outubro de 2010). Visitado em 7 de outubro de 2010.
  11. O incerto futuro da Libia estadao.com.br (Editorial) (22 de outubro 2011). Visitado em 27 de agosto 2013.
  12. A singularidade chilena estadao.com.br (Editorial) (17 de janeiro 2006). Visitado em 27 de agosto 2013.
  13. A fraqueza do Mercosul estadao.com.br (Editorial) (2 de abril de 2006). Visitado em 27 de agosto 2013.
  14. [1]
  15. Editorial: O mal a evitar (em português) Estadão (25 de setembro de 2010). Visitado em 25 de setembro de 2010.
  16. [2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]