Correio Braziliense
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Correio Braziliense, na atualidade, é um jornal de Brasília, fundado no dia 21 de abril de 1960 por Assis Chateaubriand, juntamente com a inauguração da cidade. O nome veio do histórico Correio Braziliense ou Armazém Literário, editado em Londres a partir de 1808 por Hipólito José da Costa.
Índice |
[editar] O Correio de 1808
O Correio Braziliense ou Armazém Literário, mensário publicado por Hipólito José da Costa em Londres, é considerado o primeiro jornal brasileiro e circulou de 1 de junho de 1808 a dezembro de 1822, contando 175 números editados no total.
Através desse veículo, remetido clandestinamente para o Brasil, Hipólito da Costa defendia idéias liberais como a de uma monarquia constitucional e o fim da escravidão, dando ampla cobertura à Revolução Pernambucana de 1817 e aos acontecimentos de 1821 e de 1822 que conduziriam à Independência do Brasil.
O periódico era dividido em segmentos dedicados à Política, ao Comércio e Artes, à Literatura e às Ciências e Miscelânea.
O desconforto causado à Coroa Portuguesa pela publicação do periódico levou a que a mesma patrocinasse, à época, também em Londres, a publicação d'O Investigador Portuguez em Inglaterra, visando diminuir a sua influência. Posteriormente, a partir de 1813, a Coroa viria a pagar mil libras esterlinas por ano (equivalentes a 500 assinaturas) a Hipólito da Costa, por meio de um amigo seu, Heliodoro Jacinto de Araújo Carneiro, o que teria abrandado o tom das críticas do jornalista a partir de então.
Após a independência, da Costa encerrou a publicação do jornal, visto que já não fazia sentido editar um jornal no exterior com o país independente.
[editar] O Correio de 1960
Em 1960, aceitando um desafio do presidente Juscelino Kubitschek, os Diários Associados, então maior conglomerado de mídia no Brasil, se propuseram a lançar um jornal na nova capital federal, Brasília. Descobrindo nos escritos de Hipólito José da Costa idéias favoráveis à transferência da capital do Rio de Janeiro para o interior, o então diretor dos Diários Associados Assis Chateubriand decidiu retomar o título, aproveitando o termo brasiliense que começava a ser empregado como adjetivo pátrio de Brasília.
Mesmo após a morte de Chateubriand, o Correio continuou a pertencer aos Associados, e representa na atualidade, o principal jornal da Capital Federal.
[editar] Design gráfico
Na gestão do editor executivo Ricardo Noblat, o Correio Braziliense foi o jornal brasileiro com o design gráfico mais premiado pela "Society for News Design" (SND) (a mais importante sociedade internacional de design de jornais). O então editor executivo de arte, Francisco Amaral, foi o profissional que arquitetou as mudanças de design do jornal. O projeto gráfico criado por Amaral também foi premiado pela SND.
Da década de 1990 até 2003, o Correio Brazilense liderou no design de jornais brasileiros, seguindo o conceito de um jornal aberto às mudanças de linguagem nas publicações editoriais. O exemplo mais claro dessa visão está no projeto da primeira página do jornal, valorizando um ou dois temas principais e utilizando uma sofisticada hierarquia tipográfica para as chamadas e manchetes.
[editar] Bibliografia
- DOURADO, Mecenas. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. Rio de Janeiro: F. Bastos, 1957.
- FERREIRA JUNIOR, José. Capas de jornal: a primeira imagem e o espaço gráfico visual. Senac São Paulo.
- LUSTOSA, Isabel. O Nascimento da Imprensa Brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
- NOBLAT, Ricardo. O que é ser Jornalista. Rio de Janeiro: Record, 2004.
- RIZINNI, Carlos de Andrade. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1957.
- SOBRINHO, Barbosa Lima. Antologia do Correio Braziliense. Rio de Janeiro: Editora Cátedra, 1977.

