Departamento de Imprensa e Propaganda

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O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado no Brasil em dezembro de 1939, em substituição ao DNP "Departamento Nacional de Propaganda" criado em 1938, este havia se originado do "Departamento de Propaganda e Difusão Cultural" (DPDC) que, em 1934, havia substituído ao Departamento Oficial de Propaganda (DOP), cuja estrutura obsoleta obrigou ao governo a ampliar sua abrangência. O DIP foi extinto em 1945, de modo que a criação, o objetivo e a história de todos esses departamentos se confundem com a Era Vargas. O DIP serviu para promover propagandas da política populista de Getúlio Vargas.

O DOP e seu sucessor DPDC existiam desde 1931, mas tinham grandes limitações, eram antiquados e lentos, subordinados diretamente ao Gabinete do Presidente da República. O novo departamento, o DIP, era dirigido pelo jornalista e intelectual Lourival Fontes que já era diretor do DNP. Depois de extinto, foi substituído pelo Departamento Nacional de Informações (DNI), que, por sua vez, seria substituído mais tarde pelo Serviço Nacional de Informações (SNI).

Abrangência[editar | editar código-fonte]

A abrangência do DIP era infinitamente maior do que a do DOP. Seu poder de penetração na sociedade também. A mudança de nome e funções, com a centralização da informação, o controle e a função de censor de todas as manifestações culturais do Brasil, davam-lhe superpoderes.

História[editar | editar código-fonte]

O Estado Novo[editar | editar código-fonte]

Getúlio Vargas, quando instituiu o Estado Novo, tornou-se presidente do Brasil sem sequer fazer parte de um partido político. O DIP foi criado para controlar, centralizar, orientar e coordenar a propaganda oficial, que se fazia em torno de sua figura. Abrangia a imprensa, a literatura, o teatro, o cinema, o esporte, a recreação, a radiodifusão e quaisquer outras manifestações culturais. Os meios de comunicação oficial associavam a figura do presidente a feitos que eram de interesse de grande parte da população: os trabalhadores. As práticas do Governo Vargas, da mesma forma, traziam benefícios para estas pessoas. A Legislação Trabalhista e a crescente organização do mercado de trabalho acabaram com regimes de exploração laboral no Brasil. As cargas horárias de trabalho, que antes de seu governo eram comumente de 14, 16 horas diárias, passaram a ser de 48 horas semanais. Foram instituídas as férias remuneradas. Tais medidas, com efeito, têm caráter semelhante a feitos do Estado de Bem-Estar Social, desenvolvido em décadas subsequentes na Europa. Considerado por certos setores da atualidade um departamento de vigilância do pensamento dos brasileiros, o DIP era o mecanismo oficial de aproximação do presidente das camadas menos favorecidas economicamente, camadas estas que ganharam direitos de cidadania durante o seu governo.

A inspiração do modelo publicitário[editar | editar código-fonte]

Foi inspirado em modelos de outras ditaduras mundiais da década de 1930, cujo primeiro papel era fazer propaganda e cultuar a personalidade do ditador, através do caudilhismo, para a classe menos favorecida intelectualmente da população, impondo e fabricando notícias para alcançar a classe formadora de opinião, mais preparada intelectualmente, mas não menos susceptível a esses métodos de publicidade recém aplicados mundialmente.

O uso da máquina administrativa, e a mitificação do líder[editar | editar código-fonte]

Além do DIP, esse objetivo era perseguido utilizando-se a máquina administrativa do Ministério da Educação. Gustavo Capanema, então Ministro da Educação, no entanto, utilizava-se de métodos mais sutis para mitificar a imagem do ditador, havendo contratado intelectuais do porte de Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, e, Candido Portinari, equipe ideologicamente bastante heterogênea, para trabalhar no ministério.

Um dos subterfúgios de Vargas para promover sua figura foi o decreto-lei de 8 de março de 1940, que uniformizou o ensino, e instituiu a obrigatoriedade da disciplina Educação Moral e Cívica nas escolas. Além disso, os alunos das escolas passaram a ter que participar de paradas, desfiles, e manifestações diversas de patriotismo, em datas comemorativas como Dia da Independência, Dia da Juventude, Dia do Trabalho, Dia da Raça, Dia do Soldado e Dia da Bandeira, dentre outros. Nessas manifestações, a efígie do caudilho também se tornou obrigatória, fazendo-o "onipresente", semelhante ao personagem de George Orwell da obra 1984, o Grande Irmão.

As distorções[editar | editar código-fonte]

A História do Brasil passou a ser escrita de maneira muitas vezes distorcida e tendenciosa, com a saudação de eventos como o surgimento do Estado Novo, uma agressão à verdade e à liberdade que passou a fazer parte do cotidiano escolar das crianças e adolescentes da década de 1940.

Os livros de História do Brasil também deixaram de falar de conflitos regionais e questões regionais mostrando um país unido e enalteciam também os heróis da pátria. Os livros escolares de literatura mostravam também textos que enalteciam a pátria.

O DIP criou cartilhas para serem distribuídas às crianças nas escolas e para a imprensa, curtas para exibição obrigatória antes dos filmes nos cinemas e o programa radiofônico nacional "Hora do Brasil", retransmitido em horário nobre, antes das radionovelas ouvidas por praticamente toda a classe média e alta brasileira.

O DIP tornou obrigatória a presença da foto oficial de Getúlio em lugar de destaque em todos os estabelecimentos comerciais do país (padarias, boticas, armazéns, etc), divulgando e impondo a figura do ditador em todas as instâncias da vida política e social do Brasil, numa reprodução dos métodos implantados na Alemanha nazista por Joseph Goebbels, mentor de Filinto Muller, torturador e colaborador de Vargas.

Além de implantar no Rio de Janeiro a revista Cultura Política, revista mensal de estudos brasileiros, a revista tinha como propostas principais a promoção da nova concepção de cultura, além de apresentar explicações sobre os rumos das transformações político-sociais em curso no país.

Para fazer propaganda do governo, o DIP instituiu o dia 19 de abril, aniversário do presidente Getúlio Vargas, como o "Dia do Presidente" e, por intervenção direta ou por meio da censura, obriga a imprensa a fazer propaganda da ditadura.[1]

A censura e extinção[editar | editar código-fonte]

A censura executada pelo DIP era de extrema eficiência. Agia em todos os segmentos da sociedade e, muitas vezes, os "censores" eram pessoas respeitáveis da sociedade que, envolvidos pelo clima da época, "entregavam", até inconscientemente, as manifestações culturais que por acaso demonstrassem ideias contrárias ao governo, que eram censuradas.

Em 1940, o DIP executou uma intervenção no Jornal O Estado de São Paulo, destituindo sua direção e assumindo seu controle, com a determinação de usá-lo como instrumento de propaganda. Essa intervenção perdurou até 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, que coincide com o fim do Estado Novo. Quando extinto, neste mesmo ano, o DIP foi substituído pelo Departamento Nacional de Informações (DNI), que, por sua vez, seria substituído mais tarde pelo Serviço Nacional de Informações (SNI).

Referências

  1. Turner Publishing, Inc. e Century Books, Inc. Nosso Tempo, Volume I; pg. 278. Editora Klick. 1995

Ligações externas[editar | editar código-fonte]