Cassiano Ricardo

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Cassiano Ricardo Academia Brasileira de Letras
Nascimento 26 de julho de 1895
São José dos Campos
Morte 14 de janeiro de 1974 (78 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Jornalista, poeta e ensaísta

Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.

Representante do modernismo de tendências nacionalistas, esteve associado aos grupos Verde-Amarelo e da Anta, foi o fundador do grupo da Bandeira, reação de cunho social-democrata a estes grupos, tendo, sua obra se transformado até o final, evoluindo formalmente de acordo com as novas tendências dos anos de 1950 e tendo participação no movimento da poesia concreta.

Pertenceu às academias paulista e brasileira de letras.[1]

Biografia e produção poética[editar | editar código-fonte]

Formou-se em direito no Rio de Janeiro, em 1917.[1] Rumando para São Paulo, trabalhou como jornalista em diversas publicações, e chegou a fundar alguns jornais. Aproximou-se de Menotti Del Picchia e Plínio Salgado, à época da Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1924 fundou A Novíssima, revista modernista. Em 1928 publicou Martim Cererê, importante experiência modernista primitivista-nacionalista na linha mitológica de Macunaíma (de Mário de Andrade) e Cobra Norato (de Raul Bopp).[1]

Afastando-se das ideias de Plínio Salgado, que por essa época já começavam a descaracterizar-se como nacionais e pareciam-se mais com imitações imperfeitas de dogmas nazistas, Cassiano Ricardo funda com Menotti del Picchia o grupo da Bandeira, em 1937[2] Neste ano ainda foi eleito para a cadeira número 31 da Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo modernista aceito na instituição (o primeiro havia sido Guilherme de Almeida, que foi encarregado de recebê-lo).

Em 1950 foi eleito presidente do Clube da Poesia de São Paulo, e entre 1953 e 1954 foi chefe do Escritório Comercial do Brasil em Paris, vindo a ocupar outros cargos públicos nos anos seguintes.

Sua obra passa por diversos momentos; inicialmente apresenta-se presa ao Parnasianismo e ao Simbolismo. Com a fase modernista, explora temas nacionalistas e depois restringe-se mais, louvando a epopeia bandeirante, detendo-se, em seguida, em temas mais intimistas, cotidianos, ou mais próximos da realidade observável.[1]

A partir da década de 1950, já no período daquelas tendências que têm sido chamadas por alguns críticos de segunda vanguarda, aproximando-se do grupo concretista das revistas Noigandres e Invenção, mostra claramente o seu espírito, desde sempre, vanguardista. Em Jeremias sem-chorar, de 1964, Cassiano Ricardo mostra sua grande capacidade de reciclar-se, produzindo poemas tipográficos e visuais, sempre utilizando-se das possiblidades espaciais da página escrita, sem perder suas próprias características. Nas palavras do poeta, na introdução do livro, "Situa-se o poeta numa linha geral de vanguarda, na problemática da poesia de hoje, mas as suas soluções são nitidamente pessoais"[3] .

Detalhes sobre sua participação em grupos e movimentos[editar | editar código-fonte]

Cassiano Ricardo declarou que, o verde-amarelismo, tendo resultado no Integralismo, não haveria mais nada a dizer-se a respeito. Eis aí uma causa de seu afastamento do verde-amarelismo e do grupo da Anta.[1]

Quando foi um dos editores da revista concretista "Invenção", sofria uma certa rejeição do grande grupo, por sua oposição, no passado, a Oswald de Andrade. Além disso, Cassiano considerava, compreensivelmente, em função das diferenças de fundo entre a poesia concreta e a sua, os poetas concretistas "radicais demais"[4] . Estes desacordos levaram ao seu afastamento do grupo.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Dentro da noite (1915)
  • A Flauta de Pan (1917)
  • Jardim das Hespérides (1920)
  • A mentirosa de olhos verdes (1924)
  • Vamos caçar papagaios (1926)
  • Borrões de verde e amarelo (1927)
  • Martim Cererê (1928)
  • Deixa estar, jacaré (1931)
  • Canções da minha ternura (1930)
  • Marcha para Oeste (1940)
  • O sangue das horas (1943)
  • Um dia depois do outro (1947)
  • Poemas murais (1950)
  • A face perdida (1950)
  • O arranha-céu de vidro (1956)
  • João Torto e a fábula (1956)
  • Poesias completas (1957)
  • Montanha russa (1960)
  • A difícil manhã (1960)
  • Jeremias sem-chorar (1964)
  • Os sobreviventes (1971)

Ensaio[editar | editar código-fonte]

  • O Brasil no original (1936);
  • O negro da bandeira (1938);
  • A Academia e a poesia moderna (1939);
  • Marcha para Oeste (1940);
  • A poesia na técnica do romance (1953);
  • O tratado de Petrópolis (1954);
  • Pequeno ensaio de bandeirologia (1959);
  • 22 e a poesia de hoje (1962);
  • Algumas reflexões sobre a poética de vanguarda (1964);
  • O indianismo de Gonçalves Dias (1964).

Referências

  1. a b c d e Cassiano Ricardo (em português). UOL - Educação. Página visitada em 13 de janeiro de 2013.
  2. Jornal de Poesia. Cassiano Ricardo -Biografia. Fonte: Academia Brasileira de Letras. Página visualizada em 18/06/2010.
  3. Ricardo, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio. 2 ed. 1968.
  4. Khouri, Omar. Noigandres e Invenção:porta-vozes da poesia concreta. Faap. 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Paulo Setúbal
Lorbeerkranz.png ABL - quarto acadêmico da cadeira 31
1937 — 1974
Sucedido por
José Cândido de Carvalho
Precedido por
Alceu Amoroso Lima
Intelectual do Ano (UBE)
1965
Sucedido por
Caio Prado Júnior