Lêdo Ivo
| Lêdo Ivo |
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|---|---|
| Nascimento | 18 de fevereiro de 1924 (88 anos) Maceió, Alagoas |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta |
Lêdo Ivo[1] (Maceió, 18 de fevereiro de 1924), filho de Floriano Ivo e Eurídice Plácido de Araújo Ivo é um jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta brasileiro.
Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.
É membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.
Índice |
[editar] Discurso de Posse
Lêdo Ivo foi eleito em 13 de novembro 1986, na sucessão de Orígenes Lessa e recebido em 7 de abril de 1987 pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Eis o 1º parágrafo de seu discurso de posse[2], já como membro da Academia Brasileira de Letras:
-
- "Numa tarde de outono, um homem caminha pelas ruas de Londres. O frio e o vento o obrigam a encolher-se no seu sobretudo. Sozinho e desconhecido na metrópole que Verlaine comparou à Babilônia, esse homem é um exilado, expulso de sua pátria por um caudilho taciturno. E enquanto ele marcha entre as folhas que caem, em seu espírito flui a interminável reflexão sobre o seu país que, no outro lado do oceano, vive as turbulências do dissídio e do desencontro.
- Esta é a imagem que me ocorre de Rui Barbosa, o fundador da Cadeira nº 10: a do exilado."
[editar] Bibliografia
Conjunto da obra de Lêdo Ivo[3]
[editar] Poesia
- As imaginações. Rio de Janeiro: Pongetti, 1944;
- Ode e elegia. Rio de Janeiro: Pongetti, 1945;
- Acontecimento do soneto. Barcelona: O Livro Inconsútil, 1948;
- Ode ao crepúsculo. Rio de Janeiro: Pongetti, 1948;
- Cântico. Ilustrações de Emeric Marcier. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1949;
- Linguagem: (1949-19041). Rio de Janeiro, J. Olympio, 1951;
- Ode equatorial. Com xilogravuras de Anísio Medeiros. Niterói: Hipocampo, 1951;
- Acontecimento do soneto. Incluindo Ode à noite. Introdução de Campos de Figueiredo. 2. ed. Rio de Janeiro: Orfeu, 1951;
- Um brasileiro em Paris e O rei da Europa. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1955;
- Magias. Rio de Janeiro: Agir, 1960;
- Uma lira dos vinte anos (contendo: As imaginações, Ode e elegia, Acontecimento do soneto, Ode ao crepúsculo, A jaula e Ode à noite). Rio de Janeiro: Liv. São José, 1962;
- Estação central. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1964;
- Rio, a cidade e os dias: crônicas e histórias. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965;
- Finisterra. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972;
- O sinal semafórico (contendo: de As imaginações à Estação central). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1974;
- O soldado raso. Recife: Edições Pirata, 1980;
- A noite misteriosa. Rio de Janeiro: Record, 1982;
- Calabar. Rio de Janeiro: Record, 1985;
- Mar Oceano. Rio de Janeiro: Record, 1987;
- Crepúsculo civil. Rio de Janeiro: Topbooks, 1990;
- Curral de peixe. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
- Noturno romano. Com gravuras de João Athanasio. Teresópolis: Impressões do Brasil, 1997;
- O rumor da noite. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000;
- Plenilúnio. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
- Réquiem, Rio de Janeiro: A Contracapa, 2008.
- Poesia Completa - 1940-2004. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
- Réquiem. Com pinturas de Gonçalo Ivo e desenho de Gianguido Bonfanti. Rio de Janeiro: editora Contra Capa, 2008.
[editar] Antologias
- Antologia Poética. Rio de Janeiro: Ed. Leitura, 1965.
- O Flautim. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1966.
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: MEC, 1966.
- Central Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1976.
- Os Melhores Poemas de Lêdo Ivo. São Paulo: Ed. Global, 1983. (2.a edição, 1990).
- 10 Contos Escolhidos. Brasília: Ed. Horizonte, 1986.
- Cem Sonetos de Amor. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1987.
- Antologia Poética. Organização de Walmir Ayala; introdução de Antonio Carlos Vilaça. Rio de Janeiro: Ediouro, 1991.
- Os Melhores Contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global Editora, 1995.
- Um Domingo Perdido (contos). São Paulo: Global Editora, 1988.
- Poesia Viva. Recife: Editora Guararapes, 2000.
- Melhores Crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global Editora, 2004.
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2004.
- Cem Poemas de Amor. São Paulo: Escrituras Editora, 2005.
- O vento do mar. Rio de Janeiro: Contracapa/ABL, 2010.
[editar] Romance
- As alianças (Prêmio da Fundação Graça Aranha). Rio de Janeiro: Agir, 1947; 2.a ed., Rio, Editora Record, 1982; 3.a ed., Coleção Aché dos Imortais da Literatura Brasileira. São Paulo: Editora Parma, 1991; 4ª edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.
- O caminho sem aventura. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1948; 2.a ed. revista (com xilogravuras de Newton Cavalcanti), Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1958; 3.a ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 1983.
- O sobrinho do general. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964; 2.a ed., Editora Record, 1981.
- Ninho de cobras (V Prêmio Walmap). Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1973; 2.a ed., Editora Record, 1980; 3.a ed. Editora Topbooks, 1997; 4ª ed. Maceió: Editora Catavento.
- A morte do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Record, 1984; 2.a ed., São Paulo: Círculo do Livro, 1990; 3ª Edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.
[editar] Conto
- Use a passagem subterrânea. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1961;
- O flautim. Rio de Janeiro: Bloch, 1966;
- 10 [dez] contos escolhidos. Brasília: Horizonte, 1986;
- Os melhores contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global, 1995;
- Um domingo perdido. São Paulo: Global, 1998.
[editar] Crônica
- A cidade e os dias. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1957;
- O navio adormecido no bosque. São Paulo: Duas Cidades, 1971;
- As melhores crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global, 2004.
[editar] Ensaio
- Lição de Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1951;
- O preto no branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1955;
- Raimundo Correia: poesia (apresentação, seleção e notas). Rio de Janeiro: Agir, 1958;
- Paraísos de papel. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961;
- Ladrão de flor. Capa de Ziraldo Rio de Janeiro: Elos, 1963;
- O universo poético de Raul Pompéia. Em apêndice: Canções sem metro, e Textos esparsos [de Raul Pompéia]. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1963;
- Poesia observada. (Ensaios sobre a criação poética, contendo: Lição de Mário de Andrade, O preto no branco, Paraísos de papel e as seções inéditas Emblemas e Convivências). Rio de Janeiro: Orfeu, 1967;
- Modernismo e modernidade. Nota de Franklin de Oliveira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1972;
- Teoria e celebração. São Paulo: Duas Cidades, 1976;
- Alagoas. Rio de Janeiro: Bloch, 1976;
- A ética da aventura. Rio de Janeiro: F. Alves, 1982;
- A república da desilusão. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
- O Ajudante de mentiroso. Rio de Janeiro:Educam/ABL, 2009.
- João do Rio. Rio de Janeiro: ABL, 2009.
[editar] Autobiografia
- Confissões de um poeta. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1979;
- O aluno relapso. São Paulo: Massao Ohno, 1991.
[editar] Literatura Infanto-juvenil
- O canário azul. São Paulo: Scipione, 1990;
- O menino da noite. São Paulo: Companhia. Editora Nacional, 1995;
- O rato da sacristia. São Paulo: Global, 2000;
- A história da Tartaruga. São Paulo: Global, 2009.
[editar] Edição Conjunta
- O Navio Adormecido no Bosque (reunindo A Cidade e os Dias e Ladrão de Flor). São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1971.
[editar] Traduções
Traduções de títulos internacionais feitas por Lêdo Ivo
- AUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger. Rio de Janeiro: Editora Pan-Americana, 1944. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1982.
- MAUPASSANT, Guy de. Nosso Coração. São Paulo: Livraria Martins, 1953.
- RIMBAUD, Jean-Artur. Uma Temporada no Inferno (Une Saison en enfer) e Iluminações (Illuminations) (tradução, introdução e notas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1957. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 2004.
- DOSTOIEVSKI, Fiodor M. O Adolescente. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1960.
- GOES, Albrecht. O Holocausto. Rio de Janeiro: Agir, 1960.
[editar] Sobre Lêdo Ivo
Conjunto de obras que falam sobre Lêdo Ivo
- RENNÓ, Elizabeth. A Aventura Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1989. (Coleção Afrânio Peixoto, vol. 11.)
- SANT’ANA, Moacir Medeiros de. Lêdo Ivo de Corpo Inteiro. Maceió: Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, 1995.
- NUNES, Cassiano. Multiplicidade de Lêdo Ivo. Penedo: AL. Fundação Casa de Penedo, 1995.
- ALMEIDA, Leda. Labirinto de Águas. Imagens literárias e biográficas de Lêdo Ivo. Maceió: Edições Catavento, 2002.
- FRIAS, Rubens Eduardo Ferreira. A Raposa sem as Uvas. Uma leitura de Ninho de cobras de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004. (Coleção Austregésilo de Athayde, vol. 17.)
- BRASIL, Assis. A Trajetória Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.
- FERNANDES, Ronaldo Costa. Considerações sobre um poeta: Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: separata da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras, 2008.
- MICCOLIS, Leila. Passagem de Calabar. Rio de Janeiro: Topbooks, 2009.
[editar] Condecorações
- Ordem do Mérito dos Palmares, no grau de Grã-Cruz
- Ordem do Mérito Militar, no grau de Oficial
- Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador
- Medalha Manuel Bandeira
- Cidadão honorário de Penedo, Alagoas
- Grande Benemérito do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro
- Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Alagoas
- Pertence ao PEN Clube Internacional, sediado em Paris
[editar] Manifesto
Durante a reunião da Academia Brasileira de Letras em 4 de Agosto de 2011, Lêdo Ivo leu aos colegas um libelo, um manifesto contra a inquietação na plateia promovida por seu desafeto, o também imortal Eduardo Portella[4] durante um discurso que fez dias antes, numa conferência em homenagem a Gonçalves de Magalhães. Eis o discurso na íntegra[5]:
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- Sr. Presidente,
- Senhoras Acadêmicas,
- Senhores Acadêmicos,
-
- Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.
- Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.
-
- Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.
- Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.
-
- Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.
- Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.
-
- Momentos antes, Sr. Presidente, V. Exa. exarava o seu zelo por esta Casa versando sobre a quilometragem exorbitante de um dos táxis que servem aos acadêmicos do plenário e que, em seu alto juízo, golpeava as burras fartas desta Academia, a mais rica do mundo.
- Momentos antes, Sr. Presidente, V. Exa. exarava o seu zelo por esta Casa versando sobre a quilometragem exorbitante de um dos táxis que servem aos acadêmicos do plenário e que, em seu alto juízo, golpeava as burras fartas desta Academia, a mais rica do mundo.
-
- Esse zelo, que é louvável, ou extremamente louvável, se cingiu na sessão de quinta-feira última, a um inquietante item monetário, e não voltou a florescer quando um dos mais antigos integrantes desta Casa discorria sobre Gonçalves de Magalhães.
- Esse zelo, que é louvável, ou extremamente louvável, se cingiu na sessão de quinta-feira última, a um inquietante item monetário, e não voltou a florescer quando um dos mais antigos integrantes desta Casa discorria sobre Gonçalves de Magalhães.
-
- Entendo que era dever inarredável de V. Exa. impor então ao auditório o silêncio de praxe, exercendo plenamente a sua Presidência. Esse entendimento, aliás, não é só meu -mas ainda o de outros companheiros que, finda a sessão, e ao longo da semana, estranharam a omissão, leniência ou tolerância de V. Exa.
- Entendo que era dever inarredável de V. Exa. impor então ao auditório o silêncio de praxe, exercendo plenamente a sua Presidência. Esse entendimento, aliás, não é só meu -mas ainda o de outros companheiros que, finda a sessão, e ao longo da semana, estranharam a omissão, leniência ou tolerância de V. Exa.
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- Houve até companheiros que me externaram a opinião de que eu deveria ter suspendido a minha palestra, já que ela fluía num ambiente toldado pela enxurrada de grasnidos a que já aludi. E não posso nem devo esconder que outros confrades, apreciadores das soluções surpreendentes ou belicosas que quebram a monotonia da vida e das instituições, me interpelaram, surpresos, desejosos de saber onde estava a minha alagoanidade, que não se manifestara.
- Houve até companheiros que me externaram a opinião de que eu deveria ter suspendido a minha palestra, já que ela fluía num ambiente toldado pela enxurrada de grasnidos a que já aludi. E não posso nem devo esconder que outros confrades, apreciadores das soluções surpreendentes ou belicosas que quebram a monotonia da vida e das instituições, me interpelaram, surpresos, desejosos de saber onde estava a minha alagoanidade, que não se manifestara.
-
- A todos esses companheiros fiéis à tradição de urbanidade e conviviabilidade desta Academia, onde estou há 25 anos, expliquei o ter lido o meu texto até o fim.
- A todos esses companheiros fiéis à tradição de urbanidade e conviviabilidade desta Academia, onde estou há 25 anos, expliquei o ter lido o meu texto até o fim.
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- Deus, em sua infinita generosidade, assegurou-me, aos 87 anos, o timbre de voz de minha juventude. Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio. Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia -que é a compaixão suscitada pela miséria alheia - e da piedade, que é dó e comiseração.
- Deus, em sua infinita generosidade, assegurou-me, aos 87 anos, o timbre de voz de minha juventude. Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio. Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia -que é a compaixão suscitada pela miséria alheia - e da piedade, que é dó e comiseração.
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- Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta.
- Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta.
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- Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade.
- Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade.
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- Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares.
- Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares.
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- Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de "tintureiros de si mesmo".
- Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de "tintureiros de si mesmo".
-
- No episódio em pauta, o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.
- No episódio em pauta, o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.
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- Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano, mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.
- Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano, mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.
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- Encerro esta palesta com um verso de Lucrécio:
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- "É doce envelhecer de alma honesta".
- "É doce envelhecer de alma honesta".
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- Deus guarde V. Exa., Senhor Presidente, e os demais integrantes desta Casa.
- Deus guarde V. Exa., Senhor Presidente, e os demais integrantes desta Casa.
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- Tenho dito
| Precedido por Orígenes Lessa |
1986 — atualidade |
Sucedido por — |
Referências
- ↑ | Biografia completa de Lêdo Ivo na Academia Brasileira de Letras. Acesso em: 6 de Agosto, 2011.
- ↑ | Discurso de posse de Lêdo Ivo na Academia Brasileira de Letras (na íntegra). Acesso em: 6 de Agosto, 2011.
- ↑ | Relação completa das obras de Lêdo Ivo. Academia Brasileira de Letras. Acesso em: 6 de Agosto, 2011.
- ↑ | Site do jornal "Extra". Acesso em: 6 de Agosto, 2011.
- ↑ | Portal "Terra Magazine". Acesso em: 6 de Agosto, 2011.