Salvador de Mendonça

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Salvador de Mendonça Academia Brasileira de Letras
Nascimento 21 de julho de 1841
Itaboraí
Morte 5 de dezembro de 1913 (72 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Advogado, jornalista, diplomata e escritor

Salvador de Menezes Drummond Furtado de Medonça (Itaboraí, 21 de julho de 1841Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 1913) foi um advogado, jornalista, diplomata e escritor brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e um dos idealizadores do Movimento Republicano no país.

Biografia[editar | editar código-fonte]

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Salvador de Mendonça era filho do Comendador Salvador Furtado de Mendonça (oriundo dos Açores) e de Amália de Menezes Drummond (de família escocesa). Com a mãe recebeu os primeiros ensinamentos, aprendendo línguas, música e desenho, até seus doze anos.

Em 1853 foi para o Rio de Janeiro, então capital do Império. Na Corte estudou no Colégio Marinho e no Curiácio, este último mantido pelo Barão de Tatuphoeus que, quando findou-lhe os estudos preparatórios, o levou até a presença do Imperador Pedro II, como prêmio por seu desempenho.

Manteve desde cedo amizade com Machado de Assis e Casimiro de Abreu, tendo conhecido também escritores mais velhos, como Joaquim Manoel de Macedo que, quando da fundação do Silogeu brasileiro, haveria de escolher por seu Patrono da cadeira 20.

Em 1859 ingressou na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, a fim de cursar Direito. Colabora na Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano, e publica o poema "Singairu, lenda das margens do Piraí, 1567", espécie de épico dos primórdios da História do Brasil.

Fundou em 1860, junto a Teófilo Ottoni Filho, um jornal, chamado "A Legenda", iniciando a carreira jornalística escrevendo críticas sociais e políticas. Teria continuado este labor, não tivesse, ao final deste mesmo ano, perdido os pais e tendo de cuidar dos oito irmãos, dentre eles o futuro idealizador da Academia Brasileira de Letras, Lúcio de Mendonça. Somente voltaria à capital paulista, para concluir o curso, no ano de 1867, graduando-se dois anos depois.

Colabora como redator no "Diário do Rio de Janeiro", órgão pertencente a Saldanha Marinho.

Em 1861 casou-se com Amélia Clemência Lúcia de Lemos, sua primeira esposa.

Mendonça entra para o magistério, lecionando Latim, além de publicar em outros periódicos, tais como o Jornal do Commercio (fazendo crítica teatral) e "Correio Mercantil". Escrevia, concomitantemente, suas peças teatrais.

Passa a lecionar Corografia e História do Brasil, no Colégio Pedro II, a convite do Marquês de Olinda, substituindo Manuel de Macedo, no ano de 1865.

De volta ao Rio, tendo finalmente bacharelado-se, exerce a advocacia ao lado de Saldanha Marinho, que já lhe dera apoio anteriormente e, com este, participa da fundação do "Clube Republicano", do qual participou também Quintino Bocaiúva. O Clube publica o "Manifesto de 70", com um capítulo escrito por Salvador de Mendonça - Manifesto este que veio a desencadear no país o movimento republicano[1] No jornal "A República" fizeram parte, também, Aristides Lobo, Lafayette Coutinho, Pedro Soares de Meireles e Flávio Farnense.

Durante alguns anos laborou Mendonça como tradutor, para a Casa Garnier e, em 1875 publicou aquele que seria seu único romance, intitulado "Maraba" - ano em que falece sua esposa e parte para os Estados Unidos, nomeado pelo Imperador cônsul em Baltimore.

Em 3 de maio de 1876 Mendonça foi promovido a Cônsul-Geral do Brasil nos Estados Unidos. Em 1877 casou com a norte-americana Maria Redman.

Em 6 de julho de 1889 foi enviado como ministro plenipotenciário do Brasil nos Estados Unidos, onde estava quando foi proclamada a República. Tendo sido um dos seus mais ardorosos defensores, além de um dos artífices do movimento, cuidou de fazer com que o novo regime fosse internacionalmente aceito, devendo a ele o rápido apoio norte-americano.

Continuou exercendo missões diplomáticas nos Estados Unidos, voltando a ter papel importante quando da Revolta da Armada, em 1893, assegurando a neutralidade daquele país.

Em 3 de março de 1898 foi nomeado para Lisboa, mas o senado rejeitou a indicação, sendo considerado desde aquele ano em disponibilidade, por ato de Rodrigues Alves de 10 de setembro de 1903.

Defendeu a imigração de chineses para o Brasil, ao tempo em que condenava a imigração alemã no sul.

Dedica-se à tradução e, perto de sua morte, tendo ficado cego, ainda escrevia artigos comentando a diplomacia brasileira e rememorando sua própria atuação em Washington, DC.

Diplomacia[editar | editar código-fonte]

O papel diplomático de Salvador de Mendonça é considerado crucial, por sua atuação junto à embaixada em Washington. Com destaque para a consolidação das relações amistosas entre as duas nações, o tratado de comércio celebrado por seu intermédio em 1891 entre Brasil de Estados Unidos é tido como um marco deste relacionamento, junto à ampliação da presença naval[2] .

Alguns historiadores, como o estadunidense Topik, consideram que o tratado comercial de 1891 fora um esforço diplomático voltado à composição de uma aliança política entre setores nordestinos e o governo de Deodoro da Fonseca, à margem dos interesses cafeeiros. Como o café já dispunha de isenções tarifárias, que, de resto, seriam apenas prolongadas pelo documento, o açúcar seria o maior beneficiado - encontraria espaço naquele mercado. Assim, os produtores de açúcar do Nordeste, recuperando seu poder econômico, poderiam contrabalançar os desígnios dos cafeicultores do Oeste Paulista. À época, esses cafeicultores opunham-se ao governo do marechal Deodoro da Fonseca e acenavam para Floriano Peixoto, que, por exemplo, chegaria a ser ovacionado no Congresso Nacional.

O tratado não atingiu quaisquer de seus objetivos: não houve um surto de importações de bens estadunidenses, como esperara o presidente McKinley; nem garantiu reserva ao açúcar brasileiro nos Estados Unidos. Representou, porém, uma ruptura com a "tradição antitratadista" do Império.

Salvador de Mendonça foi o precursor do americanismo pragmático do Barão do Rio Branco: a relação bilateral com os Estados Unidos poderiam ser instrumentalizadas em favor da solução de litígios fronteiriços com os vizinhos.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Além de nomear diversos logradouros pelo país, o Colégio Estadual Salvador de Mendonça é uma das mais importantes e tradicionais escolas públicas de Itaboraí, sua terra natal.

Biblioteca Nacional[editar | editar código-fonte]

Doou importante acervo de livros e documentos, que integram hoje o acervo da Biblioteca Nacional, em seção intitulada "Coleção Salvador de Mendonça"[3]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Seu papel na literatura brasileira não é relevante. A maioria das historiografias e obras especializadas sequer lhe cita o nome, a exemplo da Apresentação da Poesia Brasileira, de Manuel Bandeira, ou a História da Literatura de Marques da Cruz. Pouco antes de sua morte publicara "Coisas do Meu Tempo" e "A Situação Internacional do Brasil", reunião de artigos que publicara em jornais. José Veríssimo, entretanto, consagra-lhe uma linha, no capítulo de sua História da Literatura Brasileira, que trata dos livros propagandísticos: "São exemplo dessa literatura subsidiária da propaganda abolicionista Trabalhadores asiáticos, de Salvador de Mendonça, e Garantia de juros e Agricultura nacional, de André Rebouças." [4]

Sua obra é centrada, essencialmente, na política e na crítica teatral e musical, publicada na imprensa, além da tradução de várias obras estrangeiras. Seus livros publicados foram:

  • Singairu, poesia (1859);
  • O Romance de um Moço Rico, teatro (1860);
  • A Herança, teatro (1861);
  • Joana de Flandres, ou A Volta do Cruzado, Ópera (1863);
  • Regeneração, panfleto (1866);
  • A Verdade Democrática, capítulo do Manifesto de 1870;
  • Marabá, romance, (prefácio de José de Alencar - 1875);
  • Cartas Americanas, escritos na imprensa (1878-1883);
  • Cartas dos Estados Unidos, escritos na imprensa (1880-1881);
  • Imigração Chinesa, escritos na imprensa (1881);
  • A Revolta da Armada (1893);
  • Lendas da Serra e da Baixada, poesia (1910);
  • Coisas do Meu Tempo, escritos na imprensa (1913);
  • A Situação Internacional do Brasil, escritos na imprensa.

Poesia[editar | editar código-fonte]

Seus poucos versos, a maioria deles ainda da época juvenil, afiliam-se ao romantismo, em sua fase final, embora já se notem a presença de elementos do naturalismo, retratando pessoas da terra e paisagens brasileiras.

Teatro[editar | editar código-fonte]

No teatro sua obra mais famosa é o libreto da ópera "Joana de Flandres", musicada por Carlos Gomes, fundamentado em seu próprio argumento, e que estreou em 15 de setembro de 1863.[5]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Suas críticas teatrais eram consideradas exemplares e fundamentadas. Sobre essa sua especialidade, registrou Gilberto Freire: "crê que possuímos no Brasil críticos de teatro. Que tivemos um, e excelente, em Salvador de Mendonça, é inegável. Salvador possuía gosto, cultura, critério pessoal Ainda hoje constitui um regalo folhear as páginas amarelecidas de "O Mosquito" à procura da coluna de crítica teatral de Salvador. É delícia certa, sua leitura."[6]

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Quando da fundação do novo Silogeu, em 28 de janeiro de 1897, foi indicado para ocupar a cadeira 20 da Academia, que tem por patrono Joaquim Manuel de Macedo, como seu fundador, a quem coube escolher o nome do patrono, fazendo-o na pessoa do escritor que conhecera ainda na juventude.

Salvador de Mendonça figura, ainda, como um dos grandes doadores para o acervo da biblioteca da ABL.

Referências

  1. "Em 1870 Quintino Bocaiúva, Saldanha Marinho e Salvador de Mendonça fundaram no Rio o primeiro Clube Republicano e o jornal A República, que publicou o manifesto republicano. Pouco depois, constituía-se o Partido Republicano Paulista, e reunia-se, em Itu (1873), a memorável "Convenção", que assinalou o desenvolvimento da propaganda." in:História do Brasil, de Joaquim Silva e J. B. Damasco Penna. Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1967.
  2. "O labor diplomático de Salvador de Mendonça durante o longo período de sua permanência em Washington (1890-98), muito contribuiu para a aproximação entre os dois países. Além de assegurar a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos, o ministro procurou afinar a diplomacia brasileira às premissas do pan-americanismo."[1]
  3. "Coleção Salvador de Mendonça - Doada por Salvador de Mendonça, cônsul do Brasil em Nova York, em 1884. Constituem-na 122 obras em 215 volumes, sete manuscritos e numerosas estampas. Destaca-se, no conjunto, o material referente ao Domínio Holandês no Brasil, peças da maior raridade, impressas no século XVII."[2]
  4. Obra em domínio público [3]
  5. Os versos do libretista Salvador de Mendonça são acusados de estarem repletos de erros "horrores, inferno e de ta, te, ti, to, tu," sílabas que destroem as notas harmoniosas de Carlos Gomes transformando a ópera Joanna de Flandres em "Joanna Funileira". Polêmica publicada no Jornal do Commercio em 1863.[4]
  6. FREYRE, Gilberto. 60. Diário de Pernambuco. Recife, 13 ago. 1922. Coluna: Da outra América. Artigo publicado em: FREYRE, Gilberto. Tempo de aprendiz: artigos publicados em jornais na adolescência e na primeira mocidade do autor 1918-1926. São Paulo: IBRASA, 1979. v.1, p. 228-231.[5]

Para saber mais[editar | editar código-fonte]

  • MENDONÇA, Carlos Sussekind de. Salvador de Mendonça: democrata do Império e da República. Rio de Janeiro, INL/MEC, 1960, 375p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Joaquim Manuel de Macedo
(patrono)
Lorbeerkranz.png ABL - fundador da cadeira 20
1897 — 1913
Sucedido por
Emílio de Meneses


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