Rodrigues Alves

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Rodrigues Alves
5º presidente do Brasil Brasil
Período de governo 15 de novembro de 1902
a 15 de novembro de 1906
Vice-presidente Afonso Pena
Antecessor(a) Campos Sales
Sucessor(a) Afonso Pena
Senador por  São Paulo
Período de governo 3 de maio de 1916
a 14 de novembro de 1918
Período de governo 3 de maio de 1897
a 30 de abril de 1900
Período de governo 3 de maio de 1893
a 14 de novembro de 1894
9º Presidente de São Paulo
Período de governo 1 de maio de 1912
a 1 de abril de 1916
Antecessor(a) Manuel de Albuquerque Lins
Sucessor(a) Altino Arantes
5º Presidente de São Paulo
Período de governo 1 de maio de 1900
a 13 de fevereiro de 1902
Antecessor(a) Fernando Prestes
Sucessor(a) Bernardino de Campos Júnior
Presidente da Província de São Paulo
Período de governo 19 de novembro de 1887
a 13 de fevereiro de 1902
Antecessor(a) O Conde de Parnaíba
Sucessor(a) Dutra Rodrigues
Vida
Nome completo Francisco de Paula Rodrigues Alves
Nascimento 7 de julho de 1848
Guaratinguetá, São Paulo,
 Brasil
Morte 16 de janeiro de 1919 (70 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
 Brasil
Dados pessoais
Alma mater Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
Cônjuge Ana Guilhermina Borges
Partido Conservador (até 1889)
Republicano Paulista (1889–1919)
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de Rodrigues Alves

Francisco de Paula Rodrigues Alves (Guaratinguetá, 7 de julho de 1848Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1919) foi um advogado, político brasileiro, Conselheiro do Império, presidente da província de São Paulo, presidente do estado, ministro da fazenda e quinto presidente do Brasil.

Governou São Paulo por três mandatos: 1887 - 1888, como presidente da província, e como quinto presidente do estado de 1900 a 1902 e como nono presidente do estado de 1912 a 1916.

Rodrigues Alves foi o último paulista a tomar posse como presidente do Brasil. Foi eleito duas vezes, cumpriu integralmente o primeiro mandato (1902 a 1906), mas faleceu antes de assumir o segundo mandato (que deveria se estender de 1918 a 1922).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início da carreira política[editar | editar código-fonte]

Filho do português Domingos Rodrigues Alves (natural de Ponte de Lima[1] ) e de Isabel Perpétua Marins, estudou no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. O pai viera para o Brasil em 1832, fixando-se em Guaratinguetá; abandonou a vida de comércio e se dedicou à lavoura, tornando-se plantador de café. Contratou casamento com a filha de Antônio de Paula e Silva, de antiga família local, Isabel; a outra filha de Paula e Silva, Guilhermina, se casou com o filho do Visconde de Guaratinguetá, José Martiniano de Oliveira Borges. Viviam no Largo do Rosário, hoje Praça Conselheiro Rodrigues Alves, e tiveram 13 filhos. Domingos Rodrigues Alves morreu aos 94 anos.

Depois de estudos, passou para o Colégio Pedro II, e ali permaneceu sete anos no internato. Era colega de Joaquim Nabuco, que dizia nunca ter tirado o primeiro lugar por culpa de Rodrigues Alves! Bacharelou-se em letras e diplomou-se na tradicional Academia do Largo de São Francisco (Academia de Direito de São Paulo, hoje USP), na turma de 1870. A ela, em determinado período, pertenceram também Rui Barbosa, Aureliano Coutinho, Castro Alves e Afonso Pena. Também pertenceu a essa privilegiada turma o paranaense Brasílio Itiberê da Cunha, autor da modinha A Sertaneja, a primeira manifestação nacionalista na música brasileira. Itiberê foi destacado diplomata, honrando seu grupo acadêmico. Segundo Afonso Arinos foi a turma mais gloriosa que jamais cursou qualquer faculdade de direito brasileira.

Em 1875 casou-se com Ana Guilhermina de Oliveira Borges, neta de Francisco de Assis e Oliveira Borges, Visconde de Guaratinguetá, cuja propriedade principal era a Fazenda das Três Barras.

O visconde era de humilde extração, diz Afonso Arinos. Filho de pais pouco abonados, a fortuna veio a princípio da primeira esposa. No decorrer da sua existência, pelas suas qualidades pessoais e pelo seu amor ao trabalho, transformou-se em verdadeiro potentado. Falecido em 1879, sendo Rodrigues Alves advogado da viúva e inventariante, verificou-se que devia ser um dos homens mais ricos do Brasil no Segundo Reinado. O monte-mor partilhável foi a mais de mil contos, fortuna gigantesca pois correspondia a meio por cento de toda a circulação monetária do país.

A carreira política de Rodrigues Alves começou apoiada em dois importantes e sólidos pilares: primeiro, a influência que lhe passou o poderoso visconde, chefe conservador da província, escolhido justamente por representar na época a região que, em razão da enorme produção cafeeira, era a mais rica de São Paulo. Segundo, o fato de pertencer à Burschenschaft ou Bucha como chamavam os estudantes, misteriosa sociedade secreta que existiu por muitos anos no Largo de São Francisco. De seus quadros saíram um sem número de estadistas com fortíssima influência na política brasileira do final do Império e na República Velha.

Foi juiz de paz, promotor e vereador em Guaratinguetá, deputado provincial e geral pelo Partido Conservador. Empresário de sucesso do ramo do café, tornou-se a terceira maior fortuna do país; a fazenda onde morava tinha 400 cômodos e as refeições eram servidas em talheres de vermeil.

Governo de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Governou São Paulo entre 1887 e 1888 como presidente da província e foi conselheiro do império, título que usou até o fim da vida, sempre chamado de "Conselheiro Rodrigues Alves", e pela alcunha de Chiquinho de Paula. Seu filho, Oscar Rodrigues Alves e seu irmão Virgílio Rodrigues Alves, também se destacaram na política paulista.

Com o advento da República filia-se ao Partido Republicano Paulista (PRP) ao qual permaneceria afiliado até o fim da vida. Em 1890 foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte e em 1891 foi nomeado ministro da Fazenda do governo de Floriano Peixoto. Em 1893 foi eleito senador por seu estado, renunciando em 1894 para ocupar novamente a pasta da Fazenda no governo Prudente de Morais. Rodrigues Alves foi o negociador da consolidação dos empréstimos externos com os banqueiros ingleses da Família Rothschild.

Rodrigues Alves foi presidente do estado de São Paulo em 1900, antes de assumir a presidência da República em 1901, época na qual inaugurou a primeira usina hidrelétrica da São Paulo Light, a Usina de Santana de Parnaíba, conhecida como Barragem Edgard de Souza.

Neste seu 2º governo em São Paulo, em 1901, explodiu uma revolta em Paranaíba no sul do Mato Grosso do Sul que ameaçou o oeste de São Paulo levando Rodrigues Alves a enviar tropas estaduais para a região, e houve neste governo grandes surtos de febre amarela e outras doenças fatais.

Presidente da República[editar | editar código-fonte]

Presidente Rodrigues Alves.

Rodrigues Alves foi eleito presidente da república em 1 de março de 1902, obtendo 592.039 votos contra 42.542 de seu principal competidor Quintino Bocaiúva. O vice-presidente eleito foi Francisco Silviano de Almeida Brandão, que faleceu, sendo substitituído por Afonso Pena.[2]

Seu governo foi destacado pela campanha de vacina obrigatória (que ocasionou a Revolta da Vacina), promovida pelo médico sanitarista e ministro da Saúde Osvaldo Cruz, e pela reforma urbana da cidade do Rio de Janeiro, realizada sob os planos do prefeito do Rio de Janeiro, o engenheiro Pereira Passos, que incluiu, além do remodelamento da cidade, a melhoria de estradas de ferro e a construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ocorreu também em seu governo a chamada revolta da Escola Militar. Houve também o Convênio de Taubaté, que foi a primeira política de valorização do café. Esse convenio reuniu São Paulo,Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os três estados decidiram que o governo federal compraria e estocaria as sacas de café para evitar a queda de preço.Também determinaram um imposto de três francos por saca exportada.

Sua administração financeira foi muito bem sucedida. O presidente dispunha de muito dinheiro, já que seu governo coincidiu com o auge do ciclo da borracha no Brasil, cabendo ao país 97% da produção mundial. Em 1903, Rodrigues Alves comprou a região do Acre da Bolívia, pelo Tratado de Petrópolis - processo conduzido pelo então diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior (barão do Rio Branco). Deixou a presidência com grande prestígio, sendo chamado "o grande presidente".

Após Rodrigues Alves, nenhum paulista governou o Brasil, exceto por alguns dias apenas Ranieri Mazzilli, Ulisses Guimarães e Michel Temer.

O último governo em São Paulo e a reeleição para Presidente do Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1912, foi novamente eleito presidente do estado de São Paulo, ficando vários meses afastado por motivo de doença, e, em 1916, encerrado o mandato de Presidente de São Paulo, voltou a ocupar uma cadeira no Senado Federal. Dado o prestígio de Rodrigues Alves em todo o Brasil, o Presidente Hermes da Fonseca não se arriscou a declarar a intervenção federal em São Paulo, como fizera com os outros estados que não apoiaram sua candidatura em 1910, na sua Política das Salvações.

Neste governo iniciou a restauração do Rodovia Caminho do Mar, chamada de Estrada do Vergueiro, construiu a Ponte no Rio Tietê em Barra Bonita, que existe até hoje.

Em 1912, reorganizou o Gabinete de Investigações e Capturas criado em 1910, o que modernizou e reequipou a Polícia Civil de São Paulo.

Também em 1912, a lei 1357, implantou a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, atual Faculdade de Medicina da USP, sendo que as primeiras aulas foram dadas já em 1913.

Foi eleito para o segundo mandato como presidente em 1 de março de 1918 com quase a totalidade dos votos: 386.467 votos contra 1.258 votos obtidos por Nilo Peçanha.

Contraiu a gripe espanhola e não tomou posse na presidência da república em 15 de novembro de 1918.[3] O vice-presidente eleito Delfim Moreira assumiu interinamente a presidência no dia 15 de novembro de 1918. Em virtude do falecimento de Rodrigues Alves, ocorrido em janeiro de 1919, Delfim Moreira assumiu, em definitivo a presidência. De sua posse em 15 de novembro até o falecimento de Rodrigues Alves, Delfim Moreira sempre o visitava para pedir sua orientação e conselhos.

Rodrigues Alves morreu em sua casa, na Rua Senador Vergueiro, no bairro do Flamengo. Seu corpo embalsamado foi velado na capela do Palácio do Catete e depois sepultado em Guaratinguetá[4] , no Cemitério da Irmandade do Senhor dos Passos.

É homenageado dando seu nome à cidade de Presidente Alves.

Composição do governo[editar | editar código-fonte]

Conselheiro Rodrigues Alves e quatro de seus filhos.
Ministros

Cronologia sumária[editar | editar código-fonte]

  • Vereador em Guaratinguetá - 1886 — 1870
  • Deputado provincial de São Paulo - 1872 — 1884
  • Deputado Geral - 1885 — 1887
  • Presidente da província de São Paulo - 1887 — 1888
  • Conselheiro do Império - 1888
  • Deputado Federal Constituinte - 1891 — 1893
  • Senador da República - 1893 — 1899
  • Ministro da Fazenda - 1891 — 1892 e 1894 — 1896
  • Presidente de São Paulo - 1900 — 1902 e 1912 — 1916
  • Presidente da República - 1902 — 1906

Referências

  1. Geneall Geneall.net.
  2. PORTO, Walter Costa, O voto no Brasil, Editora Topbooks, 1999
  3. Frank D. McCann (2004), Soldiers of the Pátria: a history of the Brazilian Army, 1889-1937, Stanford University Press, ISBN 978-0-8047-3222-2
  4. Fiéis visitam túmulo vazio no interior de SP (O Estado de S. Paulo) (2/11/01). Visitado em 18/01/2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AMARAL, Márcio Tavares do, MELO FRANCO, Afonso Arinos, A Vida dos Grandes Brasileiros - Rodrigues Alves, Editora Três, 1974.
  • BARBOSA, Francisco de Assis. Retratos de Família. Livraria José Olympio editora, Rio de Janeiro, 1954.
  • CHALITA, Gabriel, Org.. Vale do Paraíba: Política e Sociedade. Aparecida: Editora Santuário, 1993.
  • COELHO, Benedito Carlos Marcondes. O Pacote da Saúde no Governo de Rodrigues Alves.
  • GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Centenário do Conselheiro Rodrigues Alves. São Paulo: Editora Secretaria de Fazenda, 1951.
  • KOIFMAN, Fábio, Organizador - Presidentes do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Rio, 2001.
  • MELO FRANCO, Afonso Arinos de. Rodrigues Alves: Apogeu e Declínio do Presidencialismo. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1973, 2 vols.
  • RICARDO, Cassiano. Centenário do Conselheiro Rodrigues Alves. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1951.
  • RODRIGUES ALVES, Francisco de Paula. Mensagem ao Congresso do Estado, anos de 1888, 1900, 1901, 1902, 1912, 1913, 1914, 1915, 1916.
  • SILVA, Gastão Pereira da. Rodrigues Alves e Sua Época. São Paulo: Ed. A Noite, s.d..

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Antônio de Queirós Teles
Presidente da província de São Paulo
18871888
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Ministro da Fazenda do Brasil
18911892
Sucedido por
Antão Gonçalves de Faria
Precedido por
Antão Gonçalves de Faria
Ministro da Justiça do Brasil
18911892
Sucedido por
Inocêncio Serzedelo Correia
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Alexandre Cassiano do Nascimento
Ministro da Fazenda do Brasil
1894
Sucedido por
Bernardino José de Campos Júnior
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Fernando Prestes de Albuquerque
Presidente de São Paulo
19001902
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Brasil Presidente do Brasil
19021906
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Afonso Pena
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Manuel Joaquim de Albuquerque Lins
Presidente de São Paulo
19121916
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Altino Arantes
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Venceslau Brás
Brasil Presidente do Brasil
não tomou posse (1918)
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Delfim Moreira