Fernando Haddad
| Fernando Haddad | |
|---|---|
| Fernando Haddad em 2012 | |
| Prefeito de São Paulo |
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| Mandato | 1 de janeiro de 2013 a atualidade |
| Antecessor(a) | Gilberto Kassab |
| Ministro da Educação do Brasil | |
| Mandato | 29 de julho de 2005 até 24 de janeiro de 2012 |
| Antecessor(a) | Tarso Genro |
| Sucessor(a) | Aloizio Mercadante |
| Vida | |
| Nome completo | Fernando Haddad |
| Nascimento | 25 de janeiro de 1963 (50 anos) São Paulo, São Paulo, Brasil |
| Nacionalidade | |
| Cônjuge | Ana Estela Haddad |
| Partido | Partido dos Trabalhadores (PT) |
| Religião | Cristão Ortodoxo2 |
| Profissão | professor universitário |
Fernando Haddad (São Paulo, 25 de janeiro de 1963) é um advogado, acadêmico e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). É o atual prefeito da cidade de São Paulo3 . Foi ministro da Educação entre julho de 2005 e janeiro de 2012, nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef4 .
É professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo, universidade na qual foi diplomado em Direito, fez mestrado em Economia e doutorado em Filosofia 5 .
Trabalhou como analista de investimento no Unibanco. Em 2001, foi nomeado subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico pela então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, permanecendo no cargo até 2003.6
Integrou o Ministério do Planejamento durante a gestão Guido Mantega (2003-2004), quando elaborou o projeto de lei que instituiu no Brasil as Parcerias Público-Privadas (PPPs)7 .
Eleito prefeito de São Paulo pelo PT em 2012, vencendo no segundo turno contra o candidato José Serra do PSDB 1 .
Índice |
Vida
Família
Fernando Haddad é o segundo de uma família de três filhos. Seu pai, Khalil Haddad, imigrou do Líbano para o Brasil aos 24 anos, em 1947, vindo a estabelecer-se como comerciante atacadista de tecidos 8 9 . Sua mãe, Norma Thereza Goussain Haddad, filha de libaneses nascida no Brasil, formou-se no curso de Magistério no Liceu Pasteur10 e atualmente presta serviços filantrópicos, ocupando atualmente a presidência do Grupo Socorrista Maria de Nazaré 11 . Kardecista, D. Norma lia o Evangelho toda semana com Fernando e suas duas irmãs, Priscila e Lúcia, criando nas crianças o hábito da oração antes de dormir, que é mantido até hoje 12 .
A família Haddad cultiva como referência espiritual, Cury Habib Haddad, avô paterno de Fernando, que, ao ficar viúvo, tornou-se padre da Igreja Ortodoxa do Líbano. Naquele país, destacou-se como líder na luta contra o domínio francês, no período posterior à Primeira Guerra Mundial13 . Morreu em 1961 no Brasil.14 Fernando Haddad carrega sempre na carteira a foto do avô, que ele não chegou a conhecer 8 .
Infância e juventude
Passou a infância no bairro Planalto Paulista, onde desenvolveu a paixão pelo esporte nos campos de várzeas 9 . Cursou a Pré-Escola e o Ensino Fundamental no Ateneu Ricardo Nunes 15 , e o secundário no Colégio Bandeirantes 9 . Em 1981, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco , da USP 5 . Durante a graduação, Fernando Haddad dividiu-se entre os estudos e o trabalho com o pai no comércio atacadista de tecidos.9 12 13
Política estudantil
No terceiro ano da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, começou a militância estudantil. Em um período de distensão da ditadura militar, que acirrava o debate político nas universidades, Fernando Haddad fez uma imersão na leitura de Karl Marx, aplicando-se à crítica ao stalinismo e também ao trotskismo, que considerava apenas uma crítica moralista ao totalitarismo16 .
Nessa época, conectou-se com o pensamento da Escola de Frankfurt, identificando-se com as teorias críticas de Theodor Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse 10 17 . Associou-se a militantes de fora das duas facções que se revezavam na direção do Centro Acadêmico XI de Agosto - o Partido Comunista Brasileiro, alinhado à União Soviética, e a trotskista Libelu de crítica ao regime soviético 17 . Fernando apoiou a nova chapa que concorria ao centro acadêmico, ironicamente chamada The Pravda - escrita com a junção das logomarcas dos jornais The New York Times (EUA) e Pravda (URSS). Com a vitória, tornou-se em 1984 presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto.8 9 13 Na ação política, participou das passeatas e comícios do movimento Diretas Já, em favor do restabelecimento de eleições diretas para Presidente da República 18 .
Formação acadêmica
Formado bacharel em direito, mestre em economia (com a dissertação O caráter sócio-econômico do sistema soviético) desde 1990, e doutor em filosofia (com a tese De Marx a Habermas - O Materialismo Histórico e seu paradigma adequado, sob a orientação de Paulo Arantes) desde 1996. Obteve esses três graus pela Universidade de São Paulo (USP).5
No final de 1985 diplomou-se em Direito e, no ano seguinte, foi aprovado no exame da OAB. Em outubro de 1986, Haddad foi selecionado para o mestrado em Economia da Universidade de São Paulo (USP), que viria a concluir em 1990, depois de passar um ano (1989) elaborando a tese como aluno visitante da MacGill University 19 .
Prosseguiu a jornada acadêmica na USP cursando, entre 1991 e 1996, o doutorado em Filosofia. Nos dois níveis da pós-graduação defendeu teses de crítica ao socialismo real, adotando em ambas abordagens ancoradas na escola frankfurtiana.5 17
Casamento e filhos
Em 1988, aos 25 anos, casou-se com a dentista paulistana, Ana Estela Haddad16 20 , depois de dois anos de namoro e de uma amizade mantida desde que ele tinha 17 anos.
No Canadá, enquanto trabalhava na tese de mestrado, ela fazia estágio em Odontologia13 21 . Em 1992 nasceu o primeiro filho, Frederico, e em 2000, a filha Ana Carolina 8 22 .
Carreira
Em 1986, associou-se ao engenheiro Paulo Nazar, seu cunhado, para atuar no ramo da incorporação e construção.9 13 Em 1988, trabalha como analista de investimento do Unibanco.13 Em 1997, é aprovado no concurso para lecionar na USP, tornando-se, aos 34 anos, professor do departamento de Ciência Política.5 No mesmo ano, se desfaz do negócio da família em função do agravamento do estado de saúde de Khalil Haddad.12 A partir de 1998 trabalha como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, onde cria a conhecida Tabela Fipe.9 23
Prefeitura de São Paulo (2001-2003)
Em 2001, assumiu a função como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo.24 no início da gestão da prefeita Marta Suplicy, integrando-se à equipe encarregada de equacionar o desequilíbrio fiscal provocado pelas dívidas herdadas da gestão anterior 25 26 .
Na Secretaria, comandada por João Sayad, Haddad ajudou a montar uma estratégia de pagamento escalonado aos credores e a organizar as finanças municipais27 . Ao final de dois anos e meio, segundo fontes do Partido dos Trabalhadores (PT), o município teria alcançado o equilíbrio fiscal, incrementando a capacidade de investimento 28 29 . Haddad deixou a Secretaria junto com Sayad, no primeiro semestre de 2003. Haddad, no mesmo ano, assumiu a Assessoria Especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e Sayad, em 2005, foi convidado por José Serra, eleito prefeito, para assumir a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo.
Dados da nova gestão após o fim da administração de Marta Suplicy revelaram um quadro bastante diferente, com um déficit acumulado de 1,9 bilhão de reais somente no último ano da ex-prefeita Marta Suplicy, o que superou as dívidas com fornecedores deixadas pela gestão de Celso Pitta (1997-2000)30 . A dívida deixada pela gestão Marta Suplicy com credores ultrapassou a soma de dois bilhões de reais31 . Não obstante as acusações, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo aprovou todas as contas da gestão Marta Suplicy.
Governo Federal
Em 2003, Fernando Haddad foi convidado por Guido Mantega para integrar sua equipe do Ministério do Planejamento, em Brasília32 . Na função de assessor especial, formata a Lei de Parcerias Público-Privadas, as PPPs, destinada a estimular empresários a investir em áreas consideradas estratégicas pelo governo federal 16 33 . No ano seguinte, foi promovido ao cargo de Secretário-Executivo do Ministério da Educação, na gestão de Tarso Genro34 . Desenvolveu então o ProUni, transformando em lei federal o programa de concessão de bolsas de estudo em universidades privadas para estudantes de baixa renda 35 36 37 .
Haddad assumiu o cargo de Ministro da Educação do Governo Lula em 29 de julho de 200538 . Com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) de 200739 , inaugurou no MEC uma visão sistêmica da educação, que levou o Ministério a atuar da creche à pós-graduação40 41 42 43 . Ainda em 2007, instituiu o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que passa a medir a qualidade do ensino fundamental e médio44 . O novo indicador permite estabelecer metas de desempenho anual para cada escola, município e estado, bem como melhorar a distribuição dos recursos pela identificação das carências localizadas45 46 .
Em (2007), substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica- (FUNDEB)47 . A mudança ampliou o fundo de financiamento - antes restrito ao ensino fundamental - para toda a educação básica, incluindo creche, pré-escola, ensino médio e modalidades como alfabetização de adultos, educação no meio rural, entre outras48 . Com o Fundeb, os recursos transferidos da União para estados e municípios saltam de 500 milhões de reais (média no Fundef) para cinco bilhões ao ano49 50 . Em contrapartida, estabeleceu o piso salarial nacional para o professor, que passou a ser progressivamente adotado pelas unidades federativas51 52 53 .
Ao final da gestão Haddad, o Brasil havia aumentado o investimento público em educação de 3,9% para 5,1% do produto interno bruto54 .
Durante sua gestão no Ministério da Educação criou o programa "Universidade para Todos" (ProUni), que em janeiro de 2012 atingiu, segundo dados do Governo Federal, a marca de um milhão de bolsas de estudos concedidas a estudantes de baixa renda em universidades privadas 55 56 57 e o Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Também durante sua gestão foi regulamentado o piso salarial nacional do professor 58 , foi estipulado o ensino fundamental de nove anos 56 e criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) no País 59 , expandiu o acesso à universidade, criando catorze novas instituições e mais de 100 campi,56 aumentou de 139 mil para 218 mil o número de vagas nas universidades federais segundo dados do governo.40 Além de ter tornado o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a porta de entrada em universidades federais e privadas, por meio da criação do SiSU, o Sistema de Seleção Unificada para instituições públicas de ensino superior, que usa o desempenho do ENEM como critério 60 61 . Substituiu o Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental (FUNDEF) pelo Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) aumentando de 500 milhões para 5 bilhões de reais os investimentos ao ano da creche até o ensino médio, segundo dados da Câmara dos Deputados 62 .
Acesso à universidade
O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi um projeto criado durante a gestão de Haddad no MEC, que concede bolsas de estudo em universidades privadas para estudantes de baixa renda. O embrião do projeto surgiu quando ele integrava a Secretaria de Finanças na gestão Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, já havia proposto uma lei municipal que permitia a transformação de débitos tributários de instituições privadas de ensino em bolsas de estudos. Quando assessorou o então ministro do Planejamento Guido Mantega, prosseguiu discutindo com universidades particulares a proposta de trocar tributos por bolsas.
Quando foi secretário executivo do Ministério da Educação, em 2004, concretizou a ideia na forma de projeto de lei federal. E foi durante a sua gestão como ministro que o programa se expandiu até atingir a marca de um milhão de bolsas concedidas40 . Com o mesmo propósito de facilitar o acesso de estudantes de baixa renda à universidade, o ministro Haddad alterou as regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). Assegurou a redução dos juros, aumento de prazo de carência, dispensa de fiador e um mecanismo de remissão da dívida para professores da escola pública e médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), à razão de 1% por mês de exercício profissional.
Haddad instalou 14 novas universidades federais e concebeu e implementou a Universidade Aberta do Brasil e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Durante os seis anos e meio em que comandou o MEC, o número de vagas no ensino superior público federal passou de 139,9 mil em 2007 para 218,2 mil em 2010. Foram entregues ao país 126 campus universitários federais, 214 escolas técnicas e 587 polos de educação à distância. O número de formandos cresceu 195% nos últimos dez anos 40 .
ENEM
Em 2009 Haddad reformulou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A mudança amplia as funções do exame e, em 2011, 59 universidades federais e privadas já utilizavam a nota do ENEM para substituir o vestibular, à semelhança dos sistemas utilizados em outros países, como o SAT norte-americano, Baccalauréat francês e o Gāo Kǎo chinês 63 . O ENEM, de acordo com informações do Portal R7, é considerado o segundo maior exame do mundo, só sendo superado pelo exame aplicado na China64 .
O novo ENEM tem sido marcado pelo que os estatísticos chamam de lei dos grandes números. Nas primeiras edições do ENEM foram registrados problemas de diferentes magnitudes. No primeiro ano, em 2009, houve vazamento da prova, que foi adiada para a elaboração e reimpressão de novo teste. O consórcio Connasel, responsável pela aplicação do exame, foi condenado a ressarcir os prejuízos e os responsáveis pelo vazamento foram condenados a pena de reclusão65 . Em 2010 cerca de 3,5 mil provas – do total de 4,6 milhões - 66 tiveram problemas de impressão, como questões repetidas e cabeçalho da folha de respostas errado. Novas provas foram aplicadas aos estudantes prejudicados, sem custos adicionais para a União67 . Mas com enormes desgastes para os estudantes e demais envolvidos no processo. Em 2011 houve o cancelamento de 14 quesitos da prova para 600 alunos de um colégio de Fortaleza, que tiveram acesso antecipado às questões na fase do pré-teste68 .
Essas falhas, no entanto, não teriam afetado a credibilidade do ENEM, que vem crescendo continuadamente em participação69 . Em 2009, foram 4,15 milhões de inscritos no Enem. Em 2010, 4,61 milhões70 , e em 2011, o número de candidatos saltou para 6,22 milhões69 .
A condução de Haddad do ENEM foi duramente criticada por partidos de oposição e também por articulistas na imprensa, apontando que as falhas ocorridas repetidamente no exame serão um ponto fraco do ex-ministro durante a campanha para a prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 201271 .
Emendas constitucionais para a Educação
Haddad conseguiu apoio político[carece de fontes] para aprovar duas emendas constitucionais (nº 53 e nº 59) que alteraram oito dispositivos da Constituição, instituindo72 73 :
- Obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos;
- Fim do dispositivo de Desvinculação de Receitas da União (DRU) que retirava do orçamento do MEC, desde 1995, cerca de R$ 10 bilhões ao ano;
- Limite mínimo do investimento público em educação como proporção do PIB;
- Ensino fundamental de nove anos;
- Substituição do Fundef pelo Fundeb;
- Piso salarial nacional para os professores da rede pública;
- Extensão dos programas complementares de livro didático, alimentação, transporte e saúde escolar para toda a educação básica, da creche ao ensino médio.
Indicadores da educação
Indicadores nacionais e internacionais de avaliação constatam que, embora ainda haja muito a fazer para compensar o atraso histórico da educação brasileira, houve melhorias objetivas durante a gestão de Haddad no MEC. Segundo o Banco Mundial, o Brasil foi o país que mais avançou em aumento de escolaridade74 . Segundo o IDEB, a nota média dos alunos subiu acima das metas pré-fixadas como viáveis para o período entre 2005 e 2009. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1ª à 4ª série) a nota passou de 3,8 para 4,6 – a meta era de 4,2. Nos anos finais do ensino fundamental (5ª à 8ª série), subiu de 3,5 para 4,0 – a meta era de 3,7. No ensino médio, o Ideb subiu de 3,4 para 3,6 – a meta era de 3,575 . No indicador internacional – Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) –, o Brasil aparece entre os três países que mais evoluíram na educação básica, depois do Chile e de Luxemburgo76 . O avanço foi classificado no relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como "impressionante"77 .
Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha, logo após Haddad ser indicado pelo Partido dos Trabalhadores em janeiro de 2012 para se candidatar à Prefeitura de São Paulo, a pasta de educação do governo federal (MEC) foi a melhor avaliada pela opinião pública78 .
Distribuição de livros didáticos
Durante sua gestão, o Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) distribuiu mais de 700 milhões de livros gratuitos para estudantes do ensino fundamental e ensino médio. Foram atendidas 185 mil escolas em todas as regiões do Brasil79 . Desse total, 484 mil livros destinados a jovens e adultos foram alvo de grande polêmica em 2012. O livro intitulado Por uma Vida Melhor citava expressões como "nós pega os livro" e "os menino pega o peixe" para exemplificar que esta linguagem, coloquial em algumas regiões do país, não se adequa à norma culta da língua portuguesa80 . Inicialmente, a imprensa anunciou que foram distribuídos livros com erros de concordância verbal81 . O debate se prolongou com a discordância entre estudiosos sobre o ensino da língua nas escolas. Professores renomados como Pasquale Cipro Neto, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco e Dante Lucchesi se posicionaram a favor da obra82 , enquanto a Academia Brasileira de Letras emitiu uma nota pública contrária à aplicação do livro, argumentando que não cabe ensinar em sala de aula variedades da língua que não seja a padrão83 . Haddad prestou esclarecimentos sobre o livro no Senado Federal e a Defensoria Pública da União propôs uma ação judicial pedindo o recolhimento dos livros84 . A ação acabou sendo arquivada Ministério Público Federal, por considerar que o livro não propaga o estudo errado da língua portuguesa82 .
Em setembro de 2007, o livro Nova História Crítica de Mario Schmidt, que constava no Guia do Livro Didático do Ministério da Educação de 2002 até abril de 2007 e era distribuído em escolas do ensino fundamental, foi alvo de polêmica semelhante. Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, apontou que o livro teria como finalidade a doutrinação dos alunos para o socialismo. Para a historiadora Eliana Vinhaes, professora da UERJ, a polêmica não passou de uma "falsa questão", pois ninguém se mostrou incomodado pelas passagens do livro em relação ao negro e ao índio, que, segundo ela, também deixam a desejar.85 Apesar da polêmica, o livro de Schmidt para o segundo grau permaneceu no PNLD de 2008.
Programa Brasil Sem Homofobia
Em 2006, o Ministério da Educação elaborou o Programa Brasil Sem Homofobia, após as secretarias e entidades sociais concluírem de forma consensual que a homofobia incita o ódio e a violência, prejudica a imagem de alunos, professores e servidores, interfere no aprendizado e na evasão escolar86 . Como parte dessa política, o MEC vem capacitando professores para o combate à homofobia87 , financiando projetos em todas as regiões para promover o reconhecimento à diversidade sexual e trabalhando com instituições de ensino superior na produção de materiais didáticos de enfretamento ao problema88 .
Em 2008, a ONG Pathfinder, em parceria com outras entidades,89 produziu três vídeos com recursos de uma emenda parlamentar90 que foram liberados pelo MEC. Os vídeos integravam um kit de materiais pedagógicos que seriam distribuídos em seis mil escolas do ensino médio91 onde foram registrados casos de homofobia92 . Os críticos do programa batizaram-no de "Kit Gay", entendendo que o programa tinha a finalidade oculta de "ensinar o estilo de vida homossexual"93 .
Em 2011, os vídeos foram postados na internet antes de serem examinados e aprovados pelo ministério94 . O material provocou polêmica nos meios de comunicação. Programas de TV evangélicos e bancadas parlamentares religiosas da Câmara dos Deputados apontaram que os vídeos não apenas pretendiam combater a homofobia, mas estimulavam a prática homossexual nos alunos95 . Do outro lado, parlamentares progressistas, lideranças e entidades sociais defendiam o projeto das ONGs96 97 . A Unesco entrou no debate, declarando que o kit estava "adequado às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destina"98 .
A presidente Dilma Rousseff encerrou a polêmica, determinando que o material não fosse distribuído oficialmente99 . Haddad anunciou que o material seria refeito100 . Aloízio Mercadante, seu sucessor no MEC, afirmou que dará continuidade ao Programa sem o uso de vídeos101 . Em maio de 2012, o deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, admitiu que usou as denúncias de corrupção que pesavam contra o então ministro da Casa Civil Antonio Palocci para pressionar a presidente Dilma pela suspensão dos vídeos. A oposição ao governo federal propôs a criação de uma CPI para investigar as denúncias de enriquecimento ilícito que pesavam contra o então ministro, mas não obteve apoio suficiente devido à falta de adesão dos deputados da Frente Evangélica. Os deputados evangélicos teriam ameaçado a dar quórum para a abertura da CPI caso os vídeos fossem liberados para os alunos102 .
Invasão da reitoria da USP
Em 2 de novembro de 2011, a reitoria da USP foi invadida e tomada por estudantes e militantes de partidos de esquerda, em protesto contra a presença na Polícia Militar na Cidade Universitária. Na ocasião, a PM havia detido três estudantes que portavam maconha no campus. No dia 8, a PM cumpriu a decisão judicial de desocupação da reitoria, prendendo 72 estudantes.103 Provocado a se posicionar, em entrevista no dia, Haddad condenou a ocupação de prédios públicos,104 mas declarou que "não se pode tratar a USP como a Cracolândia, nem a Cracolândia como a USP".105 O secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, rebateu a declaração, dizendo: "Essa declaração mostra que o ministro Haddad não conhece o que se passou na USP nem na Cracolândia 106 . À época, uma série de operações policiais estava sendo realizada na região da Cracolândia, promovendo a retirada dos viciados das ruas, sem maiores preocupações com tratamentos hospitalares ou soluções efetivas para a questão das drogas.107
Transporte de familiares em aviões oficiais
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, nos anos de 2010 e 2011, Haddad fez 129 voôs em aviões da Força Aérea Brasileira acompanhado da mulher e da filha, de Brasília para São Paulo, completando pelo menos uma viagem de ida e volta por semana. O uso de aviões da FAB é regulamentado pelo decreto federal 4.244/2002, que prevê o transporte de ministros, além de outras autoridades, para agendas oficiais ou no deslocamento para casa, porém não há nada no texto sobre a extensão desse benefício a parentes ou conhecidos das autoridades. Entretanto, Haddad fixou residência em Brasília em 2005, ao assumir o ministério da Educação, e recebia mensalmente o auxílio moradia de 3.800 reais. Além disso, segundo o jornal, dezenas de voôs foram realizados nos finais de semana. Como exemplo o diário cita um voô realizado em fevereiro de 2011, em uma aeronave Embraer de 45 lugares que partiu de São Paulo para Brasília, em um domingo, só com Haddad e a filha.108 109
Eleições de 2012
Campanha
Em evento realizado em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores homologou a pré-candidatura de Fernando Haddad para concorrer a prefeitura de São Paulo nas eleições de 2012 110 .
No dia 18 de junho de 2012, o PT formalizou aliança municipal com o PP, partido da base de apoio aos governos Dilma e Alckmin, cujo apoio a José Serra era dado como certo.111 Tal aliança, em virtude da presença de Paulo Maluf na presidência estadual do PP, fez com que a candidata a vice, Luiza Erundina, desistisse de concorrer ao lado de Haddad, embora tenha deixado claro que faria campanha por Haddad por considerá-lo o melhor candidato.112 . PCdoB e PSB também se somaram a coligação de apoio a Haddad. Nádia Campeão foi anunciada como vice de Fernando Haddad no lugar de Luiza Erundina 113 .
Em julho, Haddad anunciou que pretende disponibilizar uma rede pública de bicicletários com empréstimos de bicicletas pela periferia da cidade de forma integrada com o Bilhete Único 114 . Dias depois pedalou com cicloativistas em um trajeto da Praça do Ciclista até o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores e assinou a “Carta de compromisso com a mobilidade por bicicletas” por iniciativa das associações de ciclistas, CicloBr e Ciclocidade. Ao final do evento apresentou seu Plano de Governo para o Sistema Cicloviário do Município de São Paulo 115 , o plano, intitulado "Sou + SP de Bicicleta", entre outros, teve a participação do cicloativista Henrique Boney em sua elaboração 116 e foi disponibilizado na internet pelo coordenador da área de transportes do seu programa de governo, Chico Macena 117 . O Plano chegou a ser elogiado pela sua oponente nas eleições, a ex apresentadora e vereadora Soninha Francine118 .
Em agosto, Haddad lança seu plano de governo, chamado de "Arco do Futuro". Haddad planeja redesenhar a cidade transformando todas operações urbanas em andamento e em projetos, em apenas uma única Operação urbana, cobrindo toda área no entorno deste "Arco" com estímulos fiscais, estruturais e sociais para atrair o desenvolvimento e a criação de novos pólos de empregos e serviços 119 120 .
Apuração das urnas
Em 7 de outubro recebeu 1.776.317 votos válidos, ficando em segundo lugar com 28,98%. Este resultado lhe permitiu continuar com a disputa pela Prefeitura de São Paulo no segundo turno 121 . Na votação do dia 28 de outubro, Fernando Haddad foi eleito prefeito de São Paulo, com 3.387.720 votos (55,57% dos votos válidos).122 123 124
Promessas de campanha
Logo após os resultados nas urnas que confirmaram a vitória de Fernando Haddad, a imprensa de São Paulo reuniu suas principais promessas anunciadas durante a campanha eleitoral para que fossem objeto de futura cobrança pela população 125 126 .
Transição de governo
No dia seguinte aos resultados das urnas, o prefeito eleito de São Paulo foi a Brasília para negociar com a presidente Dilma Rousseff as dívidas do município com a união 127 , e o atual prefeito, Gilberto Kassab, anunciou que o responsável em sua gestão pelo processo de transição será Nelson Hervey, seu secretário de governo 128 , enquanto o coordenador de transição de governo de Haddad será Antônio Donato 129 . Em meio ao processo de transição Haddad foi a París para defender a candidatura de São Paulo para receber a Expo 2020 130 .
Em novembro e dezembro Haddad anunciou os nomes dos primeiros secretários de seu goveno. A Secretaria de Goveno ficou com Antônio Donato, a de Finanças com Marcos de Barros Cruz, Desenvolvimento Urbano ficou com Fernando de Mello Franco, Planejamento com Leda Paulani , Luís Fernando Massonetto em Negócios Jurídicos 131 , Jilmar Tatto em Transportes, José de Filippi na Secretaria Municipal de Saúde 132 , Chico Macena na Coordenação das 31 Subprefeituras, João Antonio em Relações Governamentais, Eliseu Gabriel para a Pasta de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Netinho para a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Ricardo Teixeira para a Secretaria de Verde e Meio Ambiente (após a desistência do nome inicialmente escolhido, Roberto Tripoli), Marianne Pinotti para a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Luciana Temer na Secretaria de Assistência Social 133 ,Celso Jatene em Esportes, Desnise Motta Dau para a Secretaria de Mulheres, Nunzio Briguglio Filho para a Secretaria de Comunicação, Rogério Sotilli em Direitos Humanos, Paula Mota Lara para Controle Urbano, Cesar Callegari para a Secretaria de Educação e Leonardo Barchini para Relações Internacionais 134 .
Prefeito de São Paulo (2013-2016)
Em 1 de janeiro de 2013 Fernando Haddad foi empossado prefeito da cidade de São Paulo.
Cronologia

Publicações
Teses acadêmicas
- O Caráter Sócio-Econômico do Sistema Soviético. Mestrado em Economia. Orientador: Eleutério Fernando da Silva Prado 5 .
- De Marx a Habermas - O Materialismo Histórico e seu Paradigma Adequado. Doutorado em Filosofia. Orientador: Paulo Eduardo Arantes 5 .
Livros
- O Sistema Soviético e sua decadência, Scritta Editorial, São Paulo, 1992; ISBN 85-85328-18-5
- Em defesa do socialismo, Editora Vozes, Petrópolis, 1998; ISBN 85-326-1992-4
- Desorganizando o consenso, Vozes, Petrópolis, 1998; ISBN 85-326-1997-5
- Sindicatos, cooperativas e socialismo, Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2003; ISBN 85-86469-80-7
- Trabalho e Linguagem para a Renovação do Socialismo, Azougue Editorial, Rio de Janeiro, 2004; ISBN 85-88338-43-2
Artigos em periódicos acadêmicos e prefácios
- “Habermas leitor de Weber”, Lua Nova, n. 38, 1996.
- “Trabalho e classes sociais”, Tempo Social, número 9 (2), 1997.
- “Habermas: herdeiro de Frankfurt?”, Novos Estudos Cebrap, n.48, 1997.
- “Arrighi toma o elevador”, prefácio ao livro “A Ilusão do Desenvolvimento”, de Giovanni Arrighi, 1998.
- “Teses sobre Karl Marx”, Estudos Avançados, USP, 34, 1998.
- “Trabalho e Linguagem”, Lua Nova, n. 48, 1999.
- “Toward the redialectization of historical materialism”, Cultural Critique, University Of Minnesota Press, n. 49, Fall, 2001.
- “Dialética Positiva: de Mead a Habermas”, Lua Nova, no prelo.
Artigos publicados em jornais
- “Privatização e Déficit Público”, Jornal Folha de São Paulo, 26/7/1990.
- “Privatização e Eficiência”, Jornal Folha de São Paulo, 25/8/1990.
- “Nazismo sem Bala”, Jornal Folha de São Paulo, 26/6/1994.
- “50 anos em 5”, Jornal O Estado de São Paulo, 25/8/1997.
- “O embate Arrighi X FHC”, Jornal Folha de São Paulo, 30/11/1997.
- “Um 1999 sombrio”, Jornal Folha de São Paulo, 9/10/1998.
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Referências
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| Precedido por Gilberto Kassab |
Prefeito de São Paulo 2013 — 2016 |
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Ligações externas
- Página do Ministério da Educação
- Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores
- Plano de Governo de Fernando Haddad para o Sistema Cicloviário
- Nascidos em 1963
- Naturais de São Paulo (cidade)
- Líbano-brasileiros
- Ministros do Governo Lula
- Ministros do Governo Dilma Rousseff
- Ministros da Educação do Brasil
- Cientistas políticos do Brasil
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- Ex-alunos da Universidade de São Paulo
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