Exame Nacional do Ensino Médio

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Logotipo do exame.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova realizada pelo Ministério da Educação do Brasil. Ela é utilizada para avaliar a qualidade do ensino médio no país. Seu resultado serve para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras, através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), assim como em algumas universidades públicas portuguesas.

O Enem é o maior exame do Brasil (reconhecido oficialmente pelo RankBrasil – Recordes Brasileiros)[1] e o segundo maior do mundo, atrás somente do vestibular da China,[2] e conta com mais de 7 milhões de inscritos divididos em 1.661 cidades do país.[3]

A prova também é feita por pessoas com interesse em ganhar bolsa integral ou parcial em universidade particular através do ProUni (Programa Universidade para Todos) ou para obtenção de financiamento através do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). Desde de 2009, o exame serve também como certificação de conclusão do ensino médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), antigo supletivo, substituindo o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

A prova foi criada em 1998, sendo usada inicialmente para avaliar a qualidade da educação nacional. Teve sua segunda versão iniciada em 2009, com aumento do número de questões e utilização da prova em substituição ao antigo vestibular. O exame é realizado anualmente e tem duração de dois dias, contém 180 questões objetivas (divididas em quatro grandes áreas) e uma questão de redação.

História[editar | editar código-fonte]

Ano Nº inscritos
2013 7.173.574
2012 6.497.466
pré-inscritos
5.790.989
confirmados
2011 6.221.697
pré-inscritos
5.366.780
confirmados
2010 4.611.505
2009 4.576.126
2008 4.018.070
2007 3.568.592
2006 3.742.827
2005 3.004.491
2004 1.552.316
2003 1.882.393
2002 1.829.170
2001 1.624.131
2000 390.180
1999 346.953
1998 157.221
Tab. 1: Número de Inscritos
no Enem por ano[4] [5] [6] [7] [8] [3]
Participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ainda com o modelo antigo, em Brasília, no ano de 2007.

Criado em 1998 durante a gestão do ministro da educação Paulo Renato Souza, no governo Fernando Henrique Cardoso, o Enem teve por princípio avaliar anualmente o aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o ministério na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria do ensino brasileiro através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Médio e Fundamental, promovendo alterações nos mesmos conforme indicasse o cruzamento de dados e pesquisas nos resultados do Enem. Foi a primeira iniciativa de avaliação geral do sistema de ensino implantado no Brasil.

Primeira versão do Enem[editar | editar código-fonte]

O primeiro modelo de prova do Enem, utilizado entre 1998 e 2008, tinha 63 questões aplicadas em um dia de prova. A prova na época não servia para ingresso em cursos superiores, exceto no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir bolsa de estudo em faculdades particulares pelo ProUni.

Segunda versão do Enem (novo Enem)[editar | editar código-fonte]

Em 2009 foi introduzido um novo modelo de prova para o Enem, com a proposta de unificar o concurso vestibular das universidades federais brasileiras.

O novo Enem passou a ser realizado em dois dias de prova, contendo 180 questões objetivas e uma questão de redação.[9] Além disso, foi adotada a Teoria da Resposta ao Item (TRI) na formulação da prova, que permite que as notas obtidas em edições diferentes do exame sejam comparadas e até mesmo utilizadas para ingresso nas instituições de ensino superior.

O exame começou a ser utilizado como exame de acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras através do SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Através do SiSU, os alunos poderiam se inscrever para as vagas disponíveis nas universidade brasileiras participantes do sistema. Como a utilização do Enem e do SiSU pelas universidade brasileiras é opcional, algumas universidades ainda utilizam concursos vestibulares próprios para seleção dos candidatos às vagas.

A prova também começou a ser utilizada para a aquisição de bolsa de estudo integral ou parcial em universidade privada universidades particulares através do ProUni (Programa Universidade para Todos) e para obtenção de financiamento através do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). Além disso, o exame passou a servir também como certificação de conclusão do ensino médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), antigo supletivo, substituindo o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

A segunda versão do Enem sofreu muitas críticas em relação à correção da redação. Em função disso, foram alterados em 2012 os critérios para correção das redações. Foi diminuída a discrepância necessária entre as notas dos dois corretores para que a redação seja corrigida por um terceiro corretor.

Edições no Enem[editar | editar código-fonte]

Enem 2009[editar | editar código-fonte]

Devido a fortes suspeitas de vazamento da prova, que teve cadernos furtados em uma das gráficas que a produziu, o exame que estava planejado para ser realizado em outubro de 2009 foi adiado.[10]

Com as datas remarcadas para 5 e 6 de dezembro de 2009, do total de 4,1 milhões de inscritos 37,7% abstiveram-se de realizar as provas no primeiro dia [11]

Desde que se tornou exame de principal acesso as instituições de ensino superior, o Enem tem passado por alguns problemas que causam descrença e temor entre estudantes.[12] [13] O primeiro problema foi o furto de provas ocorrido em 2009, que fez com que fosse remarcado para mais adiante.[14] [15] Posteriormente, o gabarito da prova foi divulgado com erros.[16]

Enem 2010[editar | editar código-fonte]

Protestos contra irregularidades do exame na Avenida Paulista, cidade de São Paulo.

Em 2010, vazaram informações sigilosas e pessoais de inscritos do Enem na Internet. [17] [18]

Imediatamente após a realização do Enem 2010, uma série de erros em um dos cadernos de provas, culminou a Justiça do Ceará a suspender os exames em todo o território nacional. Com o Ministério querendo reaplicar a prova para todos os prejudicados, a Justiça alegou que novas provas apenas para os que usaram os cadernos incorretos poderia prejudicar todos os outros inscritos no exame. [19] Por causa de todo este imbróglio, certas instituições de ensino desistiram de usar o Enem como parte de sua nota.[20] O Ministro da Educação, Fernando Haddad declarou que uma segunda prova seria aplicada aos alunos prejudicados pelos erros de impressão verificados em 0,3% das 10 milhões de provas impressas – erros que foram admitidos pela gráfica responsável, a RR Donnelley – a maior empresa gráfica do mundo. Dos 33 mil cadernos com erro, 21 mil foram efetivamente distribuídos. A RR Donneley considera que esse índice de falha está dentro da margem de erro admitida para esse tipo de processo industrial. [21] [22] [23] As novas provas do Enem serão aplicadas na primeira quinzena de dezembro, segundo o Ministério da Educação.[24]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Segundo o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, "só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem." Sobre a entrevista do ministro Fernando Haddad ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, questionou: "Como jornalistas que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como o sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!" [25]

Enem 2011[editar | editar código-fonte]

A edição de 2011 foi marcada pela constatação de que alunos do colégio particular Christus[26] de Fortaleza, tiveram acesso antecipado a cerca de 14 questões que foram cobradas no exame. Tal vazamento pode ter ocorrido durante um "pré-teste" do INEP realizado por alguns alunos daquela instituição no ano de 2010 ou no próprio Inep.[27] Somente as provas do 639 alunos do colégio em questão foram canceladas, tendo sido refeitas posteriormente pelos mesmos.[28] Houve ainda, notícias de que o tema da redação, referente ao "mundo digital" e às "redes sociais", tivesse sido vazado pelo repórter Lauro Neto do jornal O Globo às 13h59 de domingo, ao que o Inep afirmou na segunda (dia 24) que abriria uma investigação para apurar o ocorrido.[29] [30] Porém, esse vazamento ocorreu uma hora após o início da prova, ou seja, antes que os participantes pudessem deixar as salas de prova.[31] As abstenções (um em cada quatro alunos faltou às provas, de acordo com o MEC) foram menores do que as do ano anterior, totalizando cerca de 1 milhão e 370 mil faltas,[32] e custaram ao governo federal cerca de R$ 61 milhões de reais - quando calculado um valor de 45 reais por aluno inscrito (aqueles que não frequentam escola pública).[31] Em alguns estados, como Pernambuco, a prova garantiria também carteira de motorista (pré-requisito para o mercado de trabalho) aos candidatos que tivessem um bom desempenho.[33]

A primeira prova do Enem 2011, trazendo 90 questões de ciências humanas e ciências naturais, apresentou questões sobre revoltas árabes (como a Guerra Civil Líbia), impeachment de Collor, internet e o papel social das redes, crise econômica e ecologia (biodiesel e outros combustíveis).[34] A prova de português e literatura trouxe autores recentes em cena e focou na interpretação de textos, enquanto a de matemática priorizou leitura de gráficos e interpretação de tabelas.[34] A presidente Dilma Rousseff, no programa semanal Café com a Presidente, concluiu dizendo: "A aplicação da prova é um esforço de grandes dimensões que ocorreu este ano em 1.602 cidades de todo o país. E mobilizou 400 mil profissionais, entre professores, policiais, funcionários dos Correios e fiscais. Tudo isso nos ajuda a democratizar o acesso à universidade."[35] As notas da prova do Enem 2011 foram disponibilizados pelo INEP no dia 21 de dezembro do mesmo ano, antecipadamente a data prevista, que era só em janeiro.

O Ministério Público Federal no Ceará entrou em dezembro de 2011 com ação contra o exame por falta de transparência.[36]

Em São Paulo um estudante também conseguiu na Justiça a revisão da nota obtida na redação do Enem de 2011.[37] [38] A prova do aluno que estuda no colégio particular Lourenço Castanho tinha sido anulada, mas depois que a Justiça concedeu uma liminar para que ele pudesse ter acesso à correção, a nota passou de zero para 880 pontos (em uma escala que vai de zero até mil).[39] [40]

Em janeiro de 2012, três estudantes do Rio de Janeiro conseguiram na Justiça o direito de saber como foi a correção de suas redações do Enem.[41] As decisões ainda garantiram direito de revisão da nota, caso seja comprovado erro.[42] [43] Os três, todos vestibulandos de Medicina, discordaram da avaliação que tiveram.[44] [45]

Enem 2012[editar | editar código-fonte]

Na edição 2012 do exame, um número recorde: 6.497.466 pré-inscritos,[7] na qual 5.790.989 estavam com inscrição confirmada para participar do exame.[8] A maior de todas as edições até então. As provas foram realizadas em 3 e 4 de novembro, o gabarito divulgado em 7 de novembro e o resultado final em 28 de dezembro.

O esquema de segurança para evitar possíveis fraudes e mudanças na correção custou R$ 266 milhões ao governo federal, ao custo por aluno de R$ 46, de acordo com o Inep.[46] Lacres eletrônicos foram usados para o fechamento das maletas contando as provas.[47]

Estima-se que o exame seja aplicado em 15.076 locais de prova distribuídos em 1.615 municípios em todas as regiões.[46]

Em janeiro de 2013, a Justiça Federal no Rio Grande do Sul suspendeu o Sisu.[48] [49] [50] [51]

Diversas divergências na correção das redações desta edição fizeram gerar desconfiança na forma como as avaliações foram realizadas.[52] Também, um candidato que escreveu uma receita de miojo na redação, e recebeu 560 pontos, gerou desconfiança por parte dos estudantes que alegarem terem redigido uma boa redação com uma nota igual ou inferior a esta.[53] [54]

Enem 2013[editar | editar código-fonte]

O Ministério da Educação registrou um novo recorde: 7.173.574 candidatos inscritos.[3] Neste ano houve uma liminar em que garantia aos estudantes acesso ao espelho da redação.[55] Logo em seguida foi derrubada essa liminar, pois segundo o procurador responsável, seria impossível logisticamente mostrar o espelho das redações a todos os candidatos que quissessem este ano.

Se tratando de segurança, assim como no ano passado, malotes com lacre eletrônico foram usados. Elas foram guardadas em um quartel do Exército em São Paulo.

Nos dias das provas não foram registrados incidentes graves, mas o Ministério da Educação registrou diversos casos de estudantes que publicaram fotos e comentários em redes sociais de dentro dos locais de prova, o que é proibido. Automaticamente, 36 candidatos foram excluídos do exame por esse motivo, de acordo com o MEC, que estava monitorando as redes sociais no momento das provas.[56]

Usos[editar | editar código-fonte]

Pelos participantes[editar | editar código-fonte]

A nota do Enem pode ser utilizada como acesso ao ensino superior em universidades brasileiras que aderiram ao Enem como forma única ou parcial de seleção. Cada universidade tem autonomia para aderir ao novo Enem conforme julgue melhor. Nos mesmos moldes do ProUni, o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) é totalmente online e permitirá ao estudante escolher cursos e vagas entre as instituições de ensino superior participantes que utilizarão o Enem como unica forma de ingresso.

A nota também é utilizada por pessoas com interesse em ganhar pontos para o Programa Universidade para Todos (ProUni).

A participação na prova serve como certificação de conclusão do ensino médio para pessoas maiores de 18 anos de idade.

Pelo governo[editar | editar código-fonte]

Os resultados do Enem são utilizados pelo governo do país como ferramenta para avaliar a qualidade geral do ensino médio no país, orientando as políticas educacionais do Brasil. Os dados apontados por essas avaliações têm mostrado, por exemplo, a distância entre o nível do ensino público e o particular. Mesmo numa prova que avalia habilidades e competências, em detrimento da memorização de conteúdos, a diferença de notas entre alunos de um e outro sistema de ensino é de 62% de diferença nas notas em 2005.

Assim como o Brasil utiliza o Enem como método para avaliar a qualidade da educação no país, outros países como a Colômbia, através de seu Instituto Colombiano para Avaliação da Educação (ICFES) [57] também aplica exames os estudantes que terminam o ensino fundamental e médio (secundário). Desta forma a qualidade da educação na América Latina pode ser monitorada pelo governo, sendo-lhe possível por exemplo avaliar, promover e investigar sobre a situação real da educação do país, fornecendo informação que sirva para que os órgãos responsáveis tomem decisões que melhorem a qualidade no setor.

A prova[editar | editar código-fonte]

Dia Duração Área do conhecimento Componentes curriculares Questões
4h 30m Ciências da Natureza e suas Tecnologias Biologia, Física e Química 45
Ciências Humanas e suas Tecnologias História, Geografia, Filosofia e Sociologia 45
5h 30m Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Língua portuguesa, Literatura, Língua estrangeira (Espanhol ou Inglês), Artes, Educação Física e Tecnologias da informação e Comunicação 45
Redação Redação dissertativa-argumentativa 1
Matemática e suas Tecnologias Matemática 45

O Enem é uma prova diferente dos vestibulares tradicionais aplicados pelas próprias universidades, pois tem como característica a transdisciplinaridade. O conceito de transdiciplinaridade consiste em formular questões que dependem do uso de duas ou mais disciplinas aprendidas no ensino médio para obter sua resposta.

Muitas faculdades e universidades usam a nota do Enem em seus processos seletivos. Isso tem feito com que cada vez mais alunos participem anualmente da prova. Em Portugal, a Universidade de Coimbra[58] e a Universidade da Beira Interior[59] , na Covilhã, aceitam a nota do Enem para seriar os candidatos.

O novo modelo de prova do Enem, utilizado desde outubro de 2009, conta com 180 questões e uma redação, 45 para quatro partes, excluindo a redação, realizados em dois dias, sendo a prova dividida em 5 partes (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Redação). No primeiro dia, são 90 questões com 4h 30min de duração, com mais 90 questões no outro dia com 5h e 30min de duração, o que dá uma média de 3 minutos para os alunos responderem os questionários e preencherem os gabaritos.[9] As provas são realizadas preferencialmente aos sábados e domingos.[60]

As questões são de múltipla escolha com 5 alternativas (de A a E). Para evitar fraude, a prova é realizada em 4 versões identificadas por cores (amarela, branca, rosa e azul). O que difere uma prova da outra é a ordem das questões e alternativas. No entanto, as questões e textos das provas são os mesmos.

Por objetivar avaliar competências e não informações, a prova não é dividida em matérias. Também não é indicada a competência a ser avaliada em cada questão. Portanto, as questões são colocadas em uma seqüência sem qualquer tipo de agrupamento. O novo Enem mantém a exigência de compreensão dos enunciados mas cobra mais domínio sobre o conteúdo do Ensino Médio e valoriza o lado lógico e de interpretação do aluno, em um método totalmente diferente daqueles que os vestibulares geralmente utilizam fazendo com que o aluno decore fórmulas e datas. O Enem visa avaliar a capacidade de raciocínio e as idéias do aluno.

Ciências da natureza e suas tecnologias[editar | editar código-fonte]

A avaliação de ciências da natureza e suas tecnologias engloba Biologia, Física e Química.[61] Não raro, o Enem busca temas capazes de unir diferentes disciplinas em uma mesma pergunta para testar se o aluno tem domínio de conceitos das três matérias para responder um único enunciado.[61] Um exemplo é a energia, presentes nestas três áreas científicas, além de temas atuais propagados pela mídia, como lei seca, bafômetro, petróleo, biotecnologia, etc.[61]

Ciências humanas e suas tecnologias[editar | editar código-fonte]

Essa avaliação engloba História, Geografia, Filosofia e Sociologia.[62] Como na prova anterior, uma mesma questão pode vir carregada com um tema disponível em todas essas disciplinas. Tais competências pretendem avaliar o comportamento ético e a visão de mundo dos candidatos; geralmente na prova de ciências humanas e suas tecnologias o Enem se utiliza de gravuras históricas, documentos, cartas, trechos de livros para realizar perguntas concernentes a identidade e cultura, território, Estado, direito, evolução tecnológica, revolução comportamental, cidadania e democracia, entre outros.[62]

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias[editar | editar código-fonte]

Esta prova apresenta questões relacionadas à Língua portuguesa, Literatura, Língua estrangeira, Artes e Educação Física; junto a ela é anexada a prova de Redação.[63] As questões de Literatura concentram-se na leitura obrigatória indicada pelos processos seletivos, que se dividem principalmente entre os principais autores e movimentos da literatura brasileira e da literatura portuguesa. As questões da disciplina Educação Física abordam temas relacionados a esportes, qualidade de vida, cultura folclórica, dança, entre outros; sendo assim, destacada a aplicação cotidiana da atividade física, levando em consideração a fisiologia do exercício e seus benefícios, além dos seus aspectos sociais e culturais. Outro quesito considerado relevante no Enem é a articulação da Educação Física com a linguagem, a arte e a expressão corporal.

Matemática e suas Tecnologias[editar | editar código-fonte]

Esta prova apresenta questões relacionadas à Matemática propriamente dita.[64] Como se prevê, pode trazer tópicos como a aritmética, a geometria, etc. em enunciados relacionados ao cotidiano.[65]

Redação[editar | editar código-fonte]

As provas de redação do Enem
1998: Viver e aprender
1999: Cidadania e participação social
2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?
2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo
2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação
2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira
2006: O poder de transformação da leitura
2007: O desafio de se conviver com as diferenças
2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar
2009: O indivíduo frente à ética nacional
2010: O trabalho na construção da dignidade humana
2011: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado
2012: Movimento imigratório para o Brasil no século XXI
2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
Fonte: enem.vestibulandoweb.com.br
Disponível aqui. Consulta: 29/10/2013.

A prova de redação exige do candidato um texto dissertativo-argumentativo de no máximo 30 linhas e um mínimo de 7 ou 8 linhas. Prezando o ensino analítico, o Enem dá especial importância ao raciocínio, à reflexão e à análise crítica. São comuns as escolhas de grandes debates abertos e aquecidos pelas variadas mídias, como o de 2009, que sugeriu aos estudantes uma redação sobre a ética em face da ampla abordagem nacional pela imprensa de diversos escândalos de corrupção na política brasileira.[66]

O Enem oferece um espaço para rascunho e entre suas instruções está a de que não é avaliada qualquer produção—rascunhos, planos de texto, etc.—fora do espaço destinado à redação.[67] Também é comum as instruções virem acompanhadas de um enunciado sugerindo o tema, algumas questões a serem desenvolvidas pelo candidato, e talvez uma antologia de textos ou desenhos produzidos por artistas nacionais para auxílio do reconhecimento do tema a ser abordado.[67] Apresentada a situação-problema, que pode ser de ordem política, social e/ou cultural, pede-se que o candidato reflita, argumente e apresente uma solução para o problema proposto.[68]

Provavelmente, o critério mais importante para uma redação do Enem é justamente o posicionamento do candidato diante do tema proposto. Esse posicionamento é revelado não só através de um conhecimento teórico mas também de seu repertório, que pode incluir leitura de jornais, livros, revistas e noticiários televisivos, a fim de construir uma argumentação convincente a favor de seu ponto de vista.[66] Entre outras diretrizes básicas já apresentados no site do Enem para uma boa redação, estão os eixos cognitivos (aqueles comuns a todas as áreas do conhecimento), que incluem os itens enunciados na seção abaixo de competências e habilidades, como dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas.[69]

Cada redação passa pela vista de dois corretores que não conhecerão a nota atribuída pelo outro; a nota final, que vai até mil pontos, corresponde à média aritmética simples das notas dos dois corretores.[70] Caso ocorra discrepância na nota dos corretores de 200 ou mais pontos no total, ou de 80 ou mais pontos em qualquer uma das competências, a redação em questão é corrigida por um terceiro corretor.[70] Se a nota do terceiro corretor for discrepante, a redação é avaliada por uma banca composta por três novos corretores, que corrige a redação e dá uma nova nota final.

Além dos critérios aqui já explicados, outras das principais características que uma redação precisa ter para ser aprovada pelos corretores é a de conter ideias pró-direitos humanos, meio ambiente, cidadania e justiça social.[71]

Competências e habilidades[editar | editar código-fonte]

O Enem é estruturado[72] a partir de 5 competências – definidas como modalidades estruturais da inteligência, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer – e 21 habilidades, definidas como decorrentes das competências adquiridas e que se referem ao plano imediato do “saber fazer”, articulando-se por meio das ações e operações.

Competências

I Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso da linguagem matemática, artística e científica.

II Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

III Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.

IV Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.

V Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os direitos humanos e considerando a diversidade sociocultural.


Habilidades

1 Dada a descrição discursiva ou por ilustração de um experimento ou fenômeno, de natureza científica, tecnológica ou social, identificar variáveis relevantes e selecionar os instrumentos necessários para sua realização ou interpretação.

2 Em um gráfico cartesiano de variável socioeconômica ou técnico-científica, identificar e analisar valores das variáveis, intervalos de crescimento ou decréscimo e taxas de variação.

3 Dada uma distribuição estatística de variável social, econômica, física, química ou biológica, traduzir e interpretar as informações disponíveis ou reorganizá-las, objetivando interpolações ou extrapolações.

4 Dada uma situação-problema, apresentada em uma linguagem de determinada área de conhecimento, relacioná-la com sua formulação em outras linguagens e vice-versa.

5 A partir da leitura de textos literários consagrados e de informações sobre concepções artísticas, estabelecer relações entre eles e seu contexto histórico, social, político ou cultural, inferindo as escolhas dos temas, gêneros discursivos e recursos expressivos dos autores.

6 Com base em um texto, analisar as funções da linguagem, identificar marcas de variantes lingüísticas de natureza sociocultural, regional de registro ou de estilo e explorar as relações entre as linguagens coloquial e formal.

7 Identificar e caracterizar a conservação e as transformações de energia em diferentes processos de sua geração e uso social e comparar diferentes recursos e opções energéticas.

8 Analisar criticamente, de forma qualitativa ou quantitativa, as implicações ambientais, sociais e econômicas dos processos de utilização dos recursos naturais, materiais ou energéticos.

9 Compreender o significado e a importância da água e de seu ciclo para a manutenção da vida, em sua relação com condições socioambientais, sabendo quantificar variações de temperatura e mudanças de fase em processos naturais e de intervenção humana.

10 Utilizar e interpretar diferentes escalas de tempo para situar e descrever transformações na atmosfera, biosfera, hidrosfera e litosfera, origem e evolução da vida, variações populacionais e modificações no espaço geográfico.

11 Diante da diversidade da vida, analisar, do ponto de vista biológico, físico ou químico, padrões comuns nas estruturas e nos processos que garantem a continuidade e a evolução dos seres vivos.

12 Analisar fatores socioeconômicos e ambientais associados ao desenvolvimento, às condições de vida e saúde de populações humanas, por meio da interpretação de diferentes indicadores.

13 Compreender o caráter sistêmico do planeta e reconhecer a importância da biodiversidade para preservação da vida, relacionando condições do meio e intervenção humana.

14 Diante da diversidade de formas geométricas planas e espaciais, presentes na natureza ou imaginadas, caracterizá-las por meio de propriedades, relacionar seus elementos, calcular comprimentos, áreas ou volumes e utilizar o conhecimento geométrico para leitura, compreensão e ação sobre a realidade.

15 Reconhecer o caráter aleatório de fenômenos naturais ou não e utilizar em situações-problema processos de contagem, representação de freqüência relativa, construção de espaços amostrais, distribuição e cálculo de probabilidades.

16 Analisar, de forma qualitativa ou quantitativa, situações-problema referentes a perturbações ambientais, identificando fonte, transporte e destino dos poluentes, reconhecendo suas transformações, prever efeitos nos ecossistemas e sistema produtivo e propor formas de intervenção para reduzir e controlar os efeitos da poluição ambiental.

17 Na obtenção e produção de materiais e insumos energéticos, identificar etapas, calcular rendimentos, taxas e índices e analisar implicações sociais, econômicas e ambientais.

18 Valorizar a diversidade dos patrimônios etnoculturais e artísticos, identificando-a em suas manifestações e representações em diferentes sociedades, épocas e lugares.

19 Confrontar interpretações diversas de situações ou fatos de natureza históricogeográfica, técnico-científica, artístico-cultural ou do cotidiano, comparando diferentes pontos de vista, identificando os pressupostos de cada interpretação e analisando a validade dos argumentos utilizados.

20 Comparar processos de formação socioeconômica, relacionando-os com seu contexto histórico e geográfico.

21 Dado um conjunto de informações sobre uma realidade histórico-geográfica, contextualizar e ordenar os eventos registrados, compreendendo a importância dos fatores sociais, econômicos, políticos ou culturais.


Resultados[editar | editar código-fonte]

Melhores desempenhos em 2008 nas capitais[73]
Região Cidade Maior
Pontuação
Sudeste Vitória 57,20
Sul Florianópolis 56,63
Centro-Oeste Brasília 52,67
Nordeste Natal 51,38
Norte Belém 48,95

O resultado do Enem de determinado ano sai apenas no ano seguinte. Logo, em 2009, levou-se em consideração a pontuação do ano de 2008.

As notas de cada escola vão de 0 a 100, de acordo com a média das notas dos alunos de cada instituição que participaram do exame.

Há críticas quanto ao sistema de pontuação do Enem, já que a pontuação de cada escola não necessariamente reflete a qualidade da mesma. Do mesmo modo, a classificação melhor ou pior não necessariamente indica que uma escola é melhor ou pior do que outra. [74] [75] [76] .

Como a nota média da escola é reflexo do desempenho de seus alunos, devemos considerar que: nem todos os alunos prestam o ENEM, se apenas os alunos bons prestarem o ENEM, a nota média da escola será alta, apesar da sua qualidade não ser a melhor, simplesmente pelo fato que aos alunos com baixo desempenho foram excluído do cálculo da média. Outro ponto a se destacar é que a escola agrupa indivíduos parecidos, em termos socioeconômicos. Isto quer dizer que uma escola com nota média muito alta é reflexo muito mais das características socioeconômicas de seus alunos, como renda familiar e nível educacional dos pais, do que a do aprendizado que a escola proporciona.

Com base no ENEM 2008[77] , podemos[quem?] afirmar que entre os fatores sociodemográficos que influenciam negativamente na nota do ENEM, podemos citar a idade do candidato, o fato de trabalhar, possuir irmãos que dividam os recursos disponíveis para a sua educação, estudar no período noturno. Com relação ao sexo, no ENEM 2008, os homens foram melhor na prova objetiva e as mulheres na prova de redação. Quanto à cor de pele, pretos e pardos obtiveram nota média inferior a brancos e amarelos.

O nível educacional da mãe e a renda familiar são os determinantes mais fortes do desempenho do aluno, pelo fato de estarem correlacionados com o nível de recursos disponíveis para serem gastos com educação. A quantidade de moradores no domicílio, no entanto, diminui a quantidade desses recursos disponíveis para o jovem em idade escolar, fazendo o seu desempenho no exame desinflar.[carece de fontes?]

Os estudantes da rede federal de ensino obtiveram notas muito superiores às demais redes, seguida pela rede privada de ensino e, por último, as redes estadual e municipal. Dentre as regiões metropolitanas, a de Belo Horizonte se destaca como que possui a maior nota média regional, seguida por Porto Alegre e São Paulo.

Em todo o Brasil, a média das pontuações de todas as escolas foi 43,930. A instituição com a melhor nota nacional em 2008 foi o Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro.[78]

Notas e referências

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  5. Inep divulga resultados do Enem 2008 Site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) (21 de novembro de 2008).
  6. Inscrições ao Enem 2009 terminam com mais de 4,5 milhões de inscritos Site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) (20 de julho de 2009).
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Ver também[editar | editar código-fonte]

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