José Dirceu

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José Dirceu
Ministro-chefe da Casa Civil do Brasil
Mandato 1 de janeiro de 2003
até 21 de junho de 2005
Antecessor(a) Pedro Parente
Sucessor(a) Dilma Rousseff
Deputado federal por  São Paulo
Mandato 1 de janeiro de 1991
até 1 de dezembro de 2005
Deputado estadual de  São Paulo
Mandato 1 de janeiro de 1987
até 1 de janeiro de 1991
Vida
Nascimento 16 de março de 1946 (65 anos)
Passa-Quatro (Minas Gerais)
Brasil
Alma mater PUC-SP
Partido Partido dos Trabalhadores
Profissão Advogado

José Dirceu de Oliveira e Silva (Passa-Quatro, 16 de março de 1946) é um político e advogado brasileiro, com base política em São Paulo.

Foi líder estudantil entre 1965 e 1968, ano em que foi preso em Ibiúna, no interior de São Paulo, durante uma tentativa de realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em setembro de 1969, com mais quatorze presos políticos, deportados do país, em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, foi deportado para o México. Posteriormente exilou-se em Cuba. Fez plásticas e mudou de nome para não ser reconhecido em suas tentativas de voltar ao Brasil após ser exilado, e voltou definitivamente ao país em 1971, vivendo um período clandestinamente em São Paulo e em algumas cidades do Nordeste e, quando teve novamente sua segurança ameaçada, retornou a Cuba. Em 1975 retornou ao Brasil, estabelecendo-se clandestinamente em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná.

Com a redemocratização, em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, do qual foi presidente nacional durante a década de 1990. Exerceu vários mandatos: entre 1987 a 1990 foi deputado estadual constituinte por São Paulo, e, em 1991, 1998 e 2002 elegeu-se deputado federal. Em janeiro de 2003, após tomar posse na Câmara dos Deputados, licenciou-se para assumir o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, onde permaneceu até junho de 2005, quando deixou o Governo Federal acusado, por Roberto Jefferson de ser o mentor do Escândalo do Mensalão. Retornando à Câmara para se defender, Dirceu teve seu mandato de deputado federal cassado no dia 1º de dezembro de 2005, tornando-se inelegível até 2015.

Foi sucedido na presidência do PT por José Genoíno. Genoíno, por sua vez, foi substituído por Tarso Genro, que completou o mandato de Dirceu. Depois disso, Ricardo Berzoini foi eleito o novo presidente do PT. Atualmente, o presidente do PT é Rui Falcão, substituindo José Eduardo Dutra no cargo de Presidente do Partido.

Índice

[editar] Biografia

José Dirceu (o segundo em pé, da esquerda para a direita), junto com os demais prisioneiros políticos libertados em troca do embaixador norte-americano. Fotografia efetuada antes do embarque do grupo para o exílio.

José Dirceu iniciou sua militância política no movimento estudantil em 1965, ano em que iniciou seus estudos de Direito na PUC-SP, sendo vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) no período de 1965-66. Ainda em 1966 rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ajudou na formação paulista das chamadas "Dissidências", em São Paulo a sigla era "DI-SP" (esta organização acabou tendo enorme afinidade política com o grupo de Carlos Marighella, que mais tarde viria formar a Ação Libertadora Nacional). No entanto, Dirceu nunca fez parte dos quadros da ALN. Em 1967 Dirceu, que era conhecido pelo codinome de "Daniel", presidiu a União Estadual de Estudantes (UEE), firmando-se como líder estudantil. Em 1968 foi preso em Ibiúna, no interior de São Paulo, durante uma tentativa de realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em 1969 os grupos guerrilheiros marxistas-lenistas conhecidos como MR-8 e ALN seqüestraram o embaixador dos Estados Unidos da América, Charles Burke Elbrick. Os revolucionários exigiram a libertação de uma lista de prisioneiros políticos, entre eles José Dirceu. O incidente do seqüestro do embaixador foi contado no livro "O Que É Isso, Companheiro?" (1979), de autoria do deputado Fernando Gabeira (PV), posteriormente transformado em filme (Bruno Barreto, 1997). Em 2007, o diretor Silvio-Da-Rin lançou o documentário "Hércules 56", onde os protagonistas relatam em detalhes sobre o episódio do sequestro e da libertação dos 15 presos. O filme dá voz também a todos os que foram trocados pelo embaixador norte-americano e que ainda estão vivos.

Os presos trocados pelo embaixador, deportados do Brasil, seguiram para o México, a bordo do avião do exército Hércules 56. De lá seguiram para Cuba e Paris. Dirceu foi para Cuba. Durante o exílio, trabalhou, recebeu treinamento militar, estudou na ilha.

Retornou ao Brasil em 1971, vivendo clandestino em São Paulo e em algumas cidades do Nordeste. Em 1975, em Cuba, alterou sua aparência através de uma cirurgia plástica e retornou ao Brasil, com o nome falso de "Carlos Henrique Gouveia de Mello", instalando-se na cidade de Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Lá casou-se com sua primeira esposa, Clara Becker, e passou a viver em total clandestinidade, omitindo seu passado e sua verdadeira identidade até mesmo de sua esposa, para preservá-la de riscos. Em Cruzeiro, reservadamente, acompanhava os acontecimentos políticos do país.

Em 1979, com a anistia, retornou a Cuba, desfez a cirurgia plástica e, em dezembro de 1979, voltou definitivamente para o Brasil, onde passou a participar das atividades políticas em curso, que deram origem ao PT.

Em 1986, foi eleito deputado estadual constituinte em São Paulo pelo PT, exercendo mandato entre 1987 e 1991. No período, notabilizou-se pela forte oposição à administração do então governador Orestes Quércia.

Em 1992, no exercício do mandato de deputado federal, foi o autor - ao lado do senador Eduardo Suplicy - do pedido para a instalação da CPI que levou o então presidente Fernando Collor de Mello ao impeachment. Dois anos depois foi o candidato petista ao governo de São Paulo, mas acabou ficando em terceiro lugar atrás de Mário Covas (PSDB) e Francisco Rossi (então no PDT).

Em 1995, foi indicado por Lula para disputar o encontro nacional do partido e ganhar a presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, cargo para o qual se reelegeria em 1997 e 2001 (esta por eleições diretas entre filiados do PT).

[editar] Apogeu e queda

José Dirceu foi Ministro-Chefe da Casa Civil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 1 de janeiro de 2003 até 16 de junho de 2005, quando pediu demissão do cargo de ministro, e voltou a seu antigo cargo de deputado federal por São Paulo (era até então deputado licenciado) do Partido dos Trabalhadores.

Ocupou o principal posto da coordenação política do governo, sendo tratado pela imprensa como o verdadeiro homem forte da administração federal, a quem caberiam efetivamente as decisões, como um super-ministro e "primeiro-ministro".

Sua demissão ocorreu em meio à crise política que surgiu após denúncias de corrupção nos Correios e em outras empresas estatais, vindas à tona após acusações do deputado Roberto Jefferson. Reassumiu, então, seu mandato de deputado federal.

Embora a oposição tenha afirmado diversas vezes que o presidente tenha demitido o ministro por reconhecer a culpa do mesmo, Lula nunca assumiu publicamente a hipótese.

No dia 1 de dezembro de 2005, aproximadamente à meia-noite e meia, José Dirceu teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. O placar da votação foi de 293 votos a favor da cassação e 192 contra; com isso, José Dirceu ficou inelegível até 2015. O relator do processo de cassação de José Dirceu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados foi Júlio Delgado.

No dia 30 de março de 2006, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF), quarenta pessoas, entre políticos e empresários, participantes do esquema do mensalão. O procurador indiciou por crimes graves, como corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato os ex-ministros do governo Lula José Dirceu (Casa Civil), Anderson Adauto (ministro dos transportes) e o ex-ministro dos transportes Luiz Gushiken (Comunicação Estratégica). Dirceu saiu do governo federal por ser insustentável a sua permanência na Casa Civil, pressão esta exercida pelo escândalo em que estava envolvido. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa (nomeado por Lula), atribuiu a liderança no esquema do "mensalão" a José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira.

Após ser o principal alvo das investigações do mensalão do PT, Zé Dirceu tornou-se - para o público interno do PT - um símbolo de resistência por reproduzir a imagem de perseguido.[1]

Mesmo cassado, ele "volta à direção do PT, ignora as decisões do partido, cria confusão com aliados, é repreendido por Lula e diz que isso não tem importância".[2]

Em 23 de fevereiro de 2010, a Folha de S.Paulo cita que Dirceu foi contratado por ao menos R$ 620 mil pela principal empresa do grupo empresarial privado beneficiado com reativação da estatal Telebrás. O dinheiro teria sido pago entre 2007 e 2009 pelo dono de uma companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.[3] A oposição defende que a reativação da estatal teria sido comandada por Dirceu para beneficiá-lo.[4]

Em seu blog, Zé Dirceu comenta que "a Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e me atingir".[5]

Em palestra no dia 13 de setembro de 2010 para sindicalistas do setor petroleiro em Salvador, José Dirceu teria declarado que "o problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa".[6] A fala, divulgada no site do diretório do PT da Bahia, foi posteriormente desmentida por Dirceu, que negou ser de sua autoria. O presidente do diretório baiano atribuiu sua divulgação a um "equívoco da assessoria de imprensa do partido".[7]

[editar] Atividade política

  • 1981-1986: Assistente Jurídico, Auxiliar Parlamentar e Assessor Técnico na Assembleia Legislativa de São Paulo.
  • 1981-1983: Secretário de Formação Política do PT
  • 1987-1993: Secretário-Geral do Diretório Nacional do PT
  • 1984: Integrante da Coordenação da campanha pelas eleições diretas para Presidente da República do Brasil
  • 1986: Deputado estadual em São Paulo pelo PT
  • 1989: Constituinte Estadual de São Paulo
  • 1989: Integrante da Coordenação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva
  • 1990: Deputado federal por São Paulo pelo PT
  • 1991-1995: deputado membro das Comissões de Constituição e Justiça, Defesa Nacional, Reforma da Legislação Eleitoral e Partidária, Ciência, Tecnologia e Comunicações
  • 1994: candidato ao Governo de São Paulo. Ficou em terceiro lugar com 14,86% dos votos válidos
  • 1994: Integrante da Coordenação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva
  • 1995: Presidente do PT
  • 1997: Presidente do PT
  • 1998: Deputado federal por São Paulo pelo PT
  • 1998: Integrante da Coordenação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva
  • 1999: Presidente do PT
  • 2001: Presidente do PT
  • 2002: Deputado federal por São Paulo pelo PT. Segundo deputado mais votado do Brasil.
  • 2002: Coordenador-geral da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva
  • 2003: Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República
  • 2005: Reassume seu mandato como deputado federal.
  • 2005: É cassado pelo plenário da Câmara dos Deputados ficando inelegível até 2015.

Fonte: [carece de fontes?]

Referências

  1. NASSIF, Maria Inês. (14 de abril de 2010). Dirceu reduz consultoria por campanha de Dilma. Jornal Valor Econômico
  2. Zé Dirceu, o indomável - Isto É, 12 de fevereiro de 2010 (visitado em 25-2-2010).
  3. Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás - Folha de S. Paulo, 23 de fevereiro de 2010 (visitado em 23-2-2010).
  4. Mais uma do Dirceu - Isto É, 23 de fevereiro de 2010 (visitado em 25-2-2010).
  5. Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e me atingir- Blog do Zé Dirceu, 23 de fevereiro de 2010 (visitado em 23-2-2010).
  6. Tiago Décimo (15 de setembro de 2010). Dirceu vê mídia com 'excesso de liberdade'. O Estado de São Paulo. Página visitada em 15 de setembro de 2010.
  7. Márcio Falcão (15 de setembro de 2010). Presidente do PT ironiza Serra por ameaça de abandonar entrevista. Folha.com. Página visitada em 20 de setembro de 2010.

[editar] Referências

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[editar] Ligações externas

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Ministro chefe do Gabinete Civil
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