Carlinhos Cachoeira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Nuvola apps kuser.svg
Este artigo ou seção é sobre uma pessoa envolvida em um evento atual.
A informação apresentada pode mudar rapidamente. Editado pela última vez em 14 de maio de 2014.
Carlinhos Cachoeira
Carlinhos Cachoeira durante depoimento na CPMI que investiga sua rede de influência
Nome Carlos Augusto de Almeida Ramos
Nascimento 3 de maio de 1963 (51 anos)
Anápolis, Goiás
Nacionalidade  brasileiro
Pseudônimo(s) Carlinhos Cachoeira
Crime(s) envolvimento com jogo do bicho, crime organizado e corrupção política
Situação sob investigação

Carlos Augusto de Almeida Ramos,[1] mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, também denominado pela imprensa de Carlos Augusto Ramos (Anápolis, 3 de maio de 1963[2] ), é um empresário brasileiro, preso sob acusações como envolvimento no crime organizado e corrupção.

O nome de Carlinhos Cachoeira ganhou repercussão nacional em 2004 após a divulgação de vídeo gravado por ele onde Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu, lhe faz pedido de propina para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro no Rio de Janeiro. Em troca, Diniz prometia ajudar Carlinhos Cachoeira numa concorrência pública carioca. A divulgação do vídeo se transformou no primeiro grande escândalo de corrupção do governo Lula[3] [4]

Escândalo em 2004: Caso Waldomiro Diniz[editar | editar código-fonte]

Cachoeira ganhou notoriedade da imprensa e opinião pública brasileira (com até repecussão internacional, pois chegou a ser chamado de "Charlie Waterfall", pelo New York Times)[5] em 2004, após a divulgação da fita gravada em 2002 por ele mesmo juntamente com outro empresário Waldomiro Diniz, divulgada pela Revista Época em 13 de fevereiro de 2004. Na gravação, Waldomiro Diniz aparece extorquindo Augusto Ramos para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro no Rio de Janeiro. Em troca, Diniz prometia ajudar Augusto Ramos numa concorrência pública.

No entanto, a ajuda de 2002 não ocorreu, razão na qual Cachoeira enviou a fita ao então senador Antero Paes de Barros, que por vez enviou ao Ministério Público de Brasília, na qual os reportéres da revista Época conseguiram a cópia divulgando-a, com isso milhares de pessoas que já trabalhavam nas casas de bingos perderam seus empregos e sua profissão não é mais reconhecida pelo sistema trabalhista.

Após a divulgação da denúncia, Waldomiro Diniz deixou o governo no mesmo dia, provocando a primeira crise política no Governo Lula. A oposição e até aliados do governo tentaram criar CPI dos Bingos, mas as manobras do presidente Lula barraram a criação, deixando o governo sob suspeita até o surgimento do Escândalo do Mensalão em 2005.

Durante o ano de 2004, a imprensa brasileira dedicou grande espaço para divulgar esta, que foi a primeira crise ética (ou política) do Governo Lula. A divulgação das imagens de entrega de propina enfraqueceu a posição política influente do então ministro José Dirceu no governo, pois Diniz era assessor direto e amigo pessoal de Dirceu por quase 12 anos (1992-2004). Em 2005, após surgimento do Mensalão e as graves acusações do envolvimento do ministro no esquema e ao caso não investigado de 2004, culminou no pedido do afastamento das dependências governamentais do Primeiro Ministro até então virtual .

Prisão em 2012[editar | editar código-fonte]

Em 29 de fevereiro de 2012, Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, operação que desarticulou a organização que explorava máquinas de caça-níquel no Estado de Goiás por 17 anos. Escutas da operação acabaram atingindo diretamente o senador da república Demóstenes Torres (DEM-GO), em conversas sobre dinheiro supostamente fruto de propina. Indiretamente, as investigações da PF atingiram também as administrações dos governos de Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo (PSDB-GO).[6] Revelaram também as relações de Cachoeira com o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja.[7]

Em 1º de março, um dia depois da prisão, foi transferido para presídio federal de segurança máxima em Mossoró, no Rio Grande do Norte, mas só foi noticiado somente no dia seguinte.[8] [9] Gerou polêmica a contratação do advogado Márcio Thomaz Bastos, que foi ex-ministro da Justiça no governo Lula, que entrou com pedido de Habeas Corpus para a soltura de seu cliente pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, mas foi negado. Em 9 de abril, Bastos entrou com segundo pedido de Habeas Corpus,[10] mas foi negado novamente. Em abril, foi transferido no Presídio da Papuda.

Novos fatos após a prisão[editar | editar código-fonte]

Após a prisão, surgiram denúncias pela imprensa, através de divulgações da Polícia Federal, em que Cachoeira tinha relação com o senador Demóstenes Torres, o governador Marconi Perillo (ambos de Goiás), cinco deputados federais (Sandes Júnior - PP, Carlos Alberto Leréia - PSDB, Stepan Nercessian - PPS, Leonardo Vilela - PSDB e Protógenes Queiroz - PCdoB) e a chefe de gabinete do governador Perillo, Eliane Pinheiro, que pediu demissão em razão das denúncias.[11] O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB), que afirmou em discurso no plenário da Câmara ser amigo pessoal de Carlinhos Cachoeira, foi flagrado nas escutas feitas pela PF durante a Operação Monte Carlo recebendo o código de segurança do cartão de crédito de Cachoeira, para que o deputado pudesse fazer uma compra na Internet.[2]

Em 9 de abril, é a vez de Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz pedir demissão após conversas suas aparecerem em gravações da PF.[12] Reportagens mostram ainda que a Polícia Federal relata a Construtora Delta, a maior empreiteira de obras do PAC do governo Federal e que teve José Dirceu como consultor, como provável envolvida com o esquema.[13]

Em 13 de abril, o blog do Paulinho, do jornalista Paulo Cezar Andrade Prado, afirmou que o comentarista e apresentador Jorge Kajuru, do TV Esporte Interativo, pediu dinheiro ao bicheiro em 2011. No mesmo dia, em defesa, Kajuru negou afirmando “se eu tivesse alguma relação com o Cachoeira, não teria dito semana passada publicamente em meu programa que já fui patrocinado por uma empresa dele (...). Fiz comercial de uma empresa do qual ele é proprietário, sem saber no que ele estava envolvido. Até porque se eu soubesse, não arriscaria meus 35 anos de carreira por um patrocínio de 5 mil” e acrescentou que se a Justiça prender todos que receberam patrocínio dele, “terão que prender a Globo, o SBT em Goiás e a própria IstoÉ, disse. Afirmou que o blogueiro o persegue há anos e diz que rompeu com ele, após publicar notícias ofensivas contra ex-jogador, atual apresentador da Bandeirantes e amigo pessoal, Neto, no nome do blog na qual Prado era responsável pela publicação e que vai processar bloqueiro.[14]

Andressa Mendonça, companheira de Carlinhos Cachoeira, também foi citada na Operação Monte Carlo como sendo suposta laranja de Cachoeira na aquisição de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria (a cem quilômetros de Brasília). Diálogos interceptados na operação mostram que Cachoeira planejava fracionar e revender pequenos lotes da propriedade, rendendo até R$ 58 milhões ao bicheiro.[15]

Andressa Mendonça foi detida pela Polícia Federal por ter tentado intimidar o juiz federal Alderico da Rocha Santos, em seu gabinete, alegando estar de posse de um dossiê contra ele, o qual teria sido elaborado pelo jornalista Policarpo Júnior, chefe da revista Veja em Brasília, e que tal dossiê seria veiculado pela Veja, caso Cachoeira não fosse libertado.[16] [17] [18] [19] Andressa foi liberada da PF após garantir fiança de R$ 100 mil. Andressa está sendo monitorada pela PF e está proibida de ter contato com Cachoeira ou pessoas vinculadas ao processo da Operação Monte Carlo. A PF apreendeu, na casa dela, computadores, tablets, celulares e documentos.[20]

Cquote1.svg Ela me perguntou se eu já tinha ouvido falar do Policarpo [Júnior]. Disse que ele tinha um dossiê contra mim, mas que tinha ligado pra ele, pedindo pra não divulgar enquanto ela não falasse comigo. Cquote2.svg
Juiz federal Alderico Rocha Santos, sobre a chantagem da esposa de Cachoeira[19]

CPMI[editar | editar código-fonte]

A gravidade e repercussão do caso levaram o Congresso Nacional a criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, denominada CPMI do Cachoeira. Quando convocado da prisão a depor na Comissão em 22 de maio, por orientação de seus advogados, permaneceu calado.[21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Processo: HC 238338 (0069275-30-2012.3.00.0000) (em português) STJ. Visitado em 10/04/2012. "Obs.: clicar em "PARTES E ADVOGADOS""
  2. a b Carlos Leréia diz em plenário que é amigo de Cachoeira (em português) Agência O Globo. Visitado em 03/05/2012.
  3. PF prende Carlinhos Cachoeira em operação contra jogos de azar Portal Circuito MatoGrosso (29 de fevereiro de 2012). Visitado em 5 de março de 2012.
  4. Operação da PF prende pivô do caso Waldomiro Diniz Portal iG São Paulo (29 de fevereiro de 2012). Visitado em 30 de julho de 2012.
  5. Escândalos - Caso Waldomiro Diniz Revista Veja. Visitado em 30 de julho de 2012.
  6. Folha de S. Paulo (29 de Fevereiro de 2012). PF prende Carlinhos Cachoeira em operação contra jogos de azar.
  7. Luís Nassif Online (28 de abril de 2012). Como Cachoeira utilizava a Veja.
  8. Carlinhos Cachoeira é transferido para presídio federal no RN (2 de Fevereiro de 2012).
  9. Andrei Meireles e Marcelo Rocha (2 de março de 2012). As ligações de Carlinhos Cachoeira com políticos Revista Época. Visitado em 30 de julho de 2012.
  10. Advogado de Carlinhos Cachoeira pede habeas corpus ao STJ Bahia Notícias (9 de Abril de 2012). Visitado em 11-04-2012.
  11. Cachoeira chega a Perillo Isto É (5 de Abril de 2012). Visitado em 09-04-2012.
  12. Chefe de gabinete de Agnelo pede demissão após revelação de grampo O Globo (9 de Abril de 2012). Visitado em 11-04-2012.
  13. Polícia Federal vê elo entre construtora Delta e Cachoeira Folha.com (7 de Abril de 2012). Visitado em 11-04-2012.
  14. Vanessa Gonçalves e Jéssica Oliveira (13 de abril de 2012). Blog afirma que Kajuru pediu dinheiro para Carlinhos Cachoeira; comentarista nega Portal Imprensa. Visitado em 24-04-2012.
  15. Agência O Globo (27 de julho de 2012). MP suspeita que Andressa é laranja de Carlinhos Cachoeira Yahoo! Notícias. Visitado em 30 de julho de 2012.
  16. Juiz acusa: Veja fez dossiê para soltar Cachoeira Jornal Brasil 247 (31 de julho de 2012). Visitado em 31 de julho de 2012.
  17. Atuação desastrada de Andressa Mendonça eleva prejuízo de Cachoeira e da revista Veja Correio do Brasil (31 de julho de 2012). Visitado em 31 de julho de 2012.
  18. Mulher de Cachoeira é detida sob suspeita de tentar corromper juiz Folha de São Paulo (31 de julho de 2012). Visitado em 31 de julho de 2021.
  19. a b Suposto dossiê de Veja foi usado em chantagem para soltar Cachoeira, diz juiz Portal de Notícias R7 (30 de julho de 2012). Visitado em 31 de julho de 2012.
  20. Estadão (30 de julho de 2012). Mulher de Cachoeira sai da Polícia Federal Yahoo! Notícias. Visitado em 30 de julho de 2012.
  21. Cachoeira fica calado e CPI antecipa fim de sessão Estadão (22 de maio de 2012).