Cristovam Buarque

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Cristovam Buarque
Foto:Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Senador pelo Distrito Federal Distrito Federal (Brasil)
Mandato 1 de fevereiro de 2003
até a atualidade
(2 mandatos consecutivos)
Ministro da Educação do Brasil Brasil
Mandato 1 de janeiro de 2003
até 27 de janeiro de 2004
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Paulo Renato Souza
Sucessor(a) Tarso Genro
10.º Governador do Distrito Federal Distrito Federal (Brasil)
Mandato 1 de janeiro de 1995
1 de janeiro de 1999
Antecessor(a) Joaquim Roriz
Sucessor(a) Joaquim Roriz
Vida
Nascimento 20 de fevereiro de 1944 (70 anos)
Recife, Pernambuco
Dados pessoais
Esposa Gladys Pessoa de Vasconcelos Buarque
Partido PT (1990-2004)
PDT (2004-presente)
Profissão Engenheiro mecânico
Economista
Professor

Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque (Recife, 20 de fevereiro de 1944) é um engenheiro mecânico, economista, educador, professor universitário e político brasileiro filiado ao PDT.

Atualmente é senador pelo Distrito Federal. Foi Ministro da Educação entre 2003 e 2004, no primeiro mandato de Lula. Foi reeleito nas eleições de 2010 para o Senado pelo Distrito Federal, com mandato até 2018.

É casado e tem duas filhas.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Graduado em engenharia pela Universidade Federal de Pernambuco em 1966, envolveu-se na mesma época com a política estudantil, tendo sido militante da Ação Popular, um grupo ligado à Igreja Progressista de Esquerda. Após o golpe militar de 1964, devido às perseguições da ditadura, seguiu para um autoexílio na França, onde obteve o doutorado em Economia pela Universidade de Sorbonne (Paris), em 1973.[1]

Trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre 1973 e 1979, tendo ocupado postos no Equador, em Honduras e nos Estados Unidos.[2]

Foi reitor da Universidade de Brasília (o primeiro por eleição direta, após a ditadura militar[1] ), governador do Distrito Federal, ministro da educação e atualmente é senador, tendo sido eleito em 2002 com 674.086 votos (30% dos válidos). Foi reeleito, juntamente com Rodrigo Rollemberg, em 2010 com 833.480 votos, (37,7% dos votos válidos).

Também foi consultor de diversos organismos nacionais e internacionais no âmbito da ONU. Presidiu o Conselho da Universidade para a Paz da ONU e participou da Comissão Presidencial para a Alimentação, dirigida por sociólogo Herbert de Souza. Buarque também é membro do Instituto de Educação da Unesco.[2]

Criou a ONG Missão Criança, que patrocina um programa de bolsa-escola para mais de mil famílias, com recursos oriundos da iniciativa privada.[3]

Foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura de 1995, na categoria Ciências Humanas.[4] A intenção de promover uma "revolução… pela educação" é uma ideia que segue a linha de pensamento de importantes intelectuais brasileiros, como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Leonel Brizola.

Governo do Distrito Federal (1995-1999)[editar | editar código-fonte]

Buarque em 2007.

O projeto bolsa-escola, implementado no Distrito Federal durante seu governo, foi premiado no Brasil e no exterior. Apesar de ter obtido 58% de aprovação (notas ótimo e bom) em pesquisa do instituto Datafolha realizada ao final de seu mandato – tendo sido classificado como o quarto governador de estado mais popular à época – não conseguiu a reeleição, perdendo para Joaquim Roriz (PMDB) por pequena margem de votos. Cristovam atribuiu a derrota à promessa que Roriz fez em campanha, de conceder um grande aumento salarial de 28% para o funcionalismo público do Distrito Federal. A promessa não foi cumprida por Roriz.[5]

Programas implementados[editar | editar código-fonte]

Bolsa-escola[editar | editar código-fonte]

A bolsa-escola assegura um salário mínimo a cada família carente que tenha todas as suas crianças entre 7 e 14 anos matriculadas na escola pública. São critérios para recebê-la:

  • Renda per capita mensal da família deve ser igual ou inferior a meio salário mínimo.
  • Todas as crianças da família devem ter uma frequência mensal mínima às aulas de 90%.
  • A família deve residir no Distrito Federal há pelo menos cinco anos.
  • Existindo algum membro adulto da família desempregado, ele deverá estar inscrito no Sistema Nacional de Emprego (SINE).

O programa atingiu, em 1997, 44.382 crianças de 22.493 famílias, com um gasto de R$ 32 milhões, ou seja, menos de 1% do orçamento do Distrito Federal. Com esse programa, a evasão escolar, que era de cerca de 10% em 1994, caiu para 0,4%.

Cristovam Buarque dá entrevista depois do almoço oficial com a rainha Sílvia, da Suécia. (Foto: José Cruz - ABr).
Poupança-escola[editar | editar código-fonte]

Funciona como um programa complementar à bolsa-escola, visando diminuir a evasão e a repetência. O aluno bolsista, a cada ano em que é aprovado, tem depositado em uma conta especial o valor de um salário mínimo, que será aplicado no Fundo de Solidariedade do Distrito Federal (Funsol). Após completar a quarta e a oitava séries do primeiro grau, o aluno poderá sacar metade do valor depositado na poupança. Na conclusão do segundo grau, o saldo é liberado integralmente. Se o aluno for reprovado por dois anos consecutivos, será eliminado do programa e o saldo revertido para o governo. O programa custa 10% do custo médio anual de um aluno na rede pública, o que faz com que, ao reduzir significativamente a repetência (caiu de 29,8% em 94 para 16,45% em 97), represente uma economia considerável para o governo, além do ganho social e educacional.

Saúde em casa[editar | editar código-fonte]

As famílias beneficiadas por esse programa recebem regularmente a visita de equipes de saúde, treinadas para prestar serviços básicos na área a todos os membros da família, diminuindo sua necessidade de deslocamento aos hospitais e centros de saúde. Cada equipe, sediada numa Unidade de Saúde em Casa, é composta por um médico, um enfermeiro, três auxiliares de enfermagem, quatro agentes comunitários de saúde e um auxiliar de serviços gerais, e cobre uma região com cerca de mil famílias. Esse programa já está implantado em onze regiões atingindo, através das 101 equipes da Secretaria de Saúde, cerca de 800 mil pessoas.

Mala do livro[editar | editar código-fonte]

Consiste em minibibliotecas (caixas-estantes), instaladas em residências de Agentes Comunitários de Leitura, para empréstimo de livros à vizinhança. Cada biblioteca domiciliar tem um acervo de cerca de 150 volumes, composto de: livros didáticos e de apoio escolar, literaturas infantil, brasileira e estrangeira. Os livros são emprestados por sete dias. A cada dois meses, as caixas-estantes são trocadas, dando novas opções de leitura. O programa já tem quinhentas "malas do livro" atingindo um universo de cerca de 50 mil pessoas.

Cristovam Buarque (então Ministro da Educação) e Fidel Castro.
BRB-Trabalho[editar | editar código-fonte]

Seu principal objetivo é democratizar o acesso ao crédito e aos serviços bancários, beneficiando microprodutores rurais e urbanos, como artesãos, feirantes, pequenos prestadores de serviços e trabalhadores do setor informal, bem como cooperativas e microempresas. O teto do valor financiável é de R$ 5 mil por pessoa e de R$ 25 mil no caso de formas coletivas de produção e trabalho. Estes recursos são destinados à compra de máquinas e equipamentos bem como ao financiamento de capital de giro. O programa presta também assessoria empresarial e promove cursos para a capacitação técnica e gerencial dos beneficiados.

Para se candidatar ao crédito, o interessado precisa residir no Distrito Federal há pelo menos cinco anos, ter experiência na profissão ou empreendimento a que se candidatou, não ter nenhum tipo de restrição cadastral e apresentar um avalista nas mesmas condições. Quando o cadastro é preenchido, um agente de crédito da Secretaria do Trabalho vai visitar o candidato para verificar as condições de produção, a qualidade do produto/serviço e as expectativas de geração de emprego. Após a visita, o Comitê de Crédito aprova ou não a solicitação, com base no laudo apresentado pela Secretaria do Trabalho. Nas datas previstas, o beneficiado deposita, em qualquer agência do BRB, o valor da parcela do empréstimo. Ao quitar um financiamento, todo aquele que pagou em dia poderá obter um novo crédito.

Temporadas populares[editar | editar código-fonte]

Iniciado em 1995, o "Temporadas Populares" leva a todas as cidades do Distrito Federal, durante os meses de janeiro e fevereiro, artistas locais e nacionais. Em um ano foram apresentados 220 espetáculos de música, teatro e dança, com ingressos vendidos a R$8,00, que foram assistidos por 100 mil pessoas.

Paz no trânsito

Programa de educação no trânsito que reduziu drasticamente o número de acidentes no Distrito Federal e em sua capital, que era uma das campeãs de acidentes de trânsito.

A filiação ao PDT[editar | editar código-fonte]

Cristovam Buarque foi nomeado ministro da Educação por Lula, no dia 1º de janeiro de 2003, mas foi demitido do ministério no início de 2004 via telefone por Lula – com o envolvimento do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.[6] Sobre sua saída do PT, declarou: "Eu não sai do PT, foi o PT que saiu de mim. Este é o grande crime do PT. O partido é de gente honesta, mas acomodada. A corrupção é de alguns petistas."

Após cogitar sua permanência no senado como "independente", decidiu ingressar no PDT, com o qual tem afinidades antigas desde que participou da campanha presidencial de Leonel Brizola em 1989.

Sua proposta de transformar a educação em grande prioridade nacional é uma continuidade das ideias de Darcy Ribeiro, que foi um importante formulador das políticas educacionais do PDT.[7]

Candidatura presidencial[editar | editar código-fonte]

O senador Cristovam Buarque, em 2007.

Cristovam foi o candidato do PDT à presidência da República em 2006, com o senador amazonense Jefferson Peres como candidato à vice-presidência. A principal bandeira de sua campanha foi a federalização de uma educação pública de qualidade para o nível básico (ensino pré-escolar, fundamental e médio), vista como pré-requisito para a solução de todos os demais problemas brasileiros a médio e longo prazos. Para alcançar esse objetivo, propôs a federalização de alguns aspectos da área como, por exemplo, a definição de padrões mínimos para a infraestrutura educacional (prédio, equipamentos etc.), currículos dos cursos e formação de professores.

Cristovam obteve a 4ª colocação no primeiro turno atrás de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL) ao obter 2.538.834 votos (2,64% dos votos válidos e 2,42% dos votos totais). Personalidades como Juca Kfouri, José Trajano, Caetano Veloso,[8] Fernanda Torres, Ricardo Noblat e Manoel Carlos declararam publicamente terem votado em Cristovam.

No segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin, Cristovam declarou em uma entrevista à TV ter votado no tucano.

Possível candidatura ao governo do Distrito Federal[editar | editar código-fonte]

No dia 10 de março de 2010, em uma reunião com líderes de 7 partidos o senador Cristovam admitiu pela primeira vez a possibilidade de concorrer ao cargo de governador do Distrito Federal. Afirmou também que o principal motivo para favorecer sua candidatura seria a presença do ex-governador Joaquim Roriz entre os oponentes os sete partidos que participaram da reunião disseram que são contra a volta de Roriz ao poder.[9]

2014[editar | editar código-fonte]

Cristovam participou, durante o período de campanha eleitoral nos municipios em 2012, de uma passeata no Recife em apoio ao candidato Geraldo Júlio do Partido Socialista Brasileiro, apoiado pelo pré-candidato à presidente da República, Eduardo Campos. No dia seguinte, foi publicada uma nota no Jornal do Commercio, periódico de grande circulação em Pernambuco, cogitando Cristovam como candidato a vice na chapa de Eduardo.

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

Cristovam publicou livros sobre Economia, História, Sociologia e sobretudo educação.

  • A Borboleta Azul (2008)
  • O Berço da Desigualdade (2005)
  • Um livro de Perguntas
  • Astrícia (2004)
  • Os Instrangeiros
  • Admirável Mundo Atual
  • A Segunda Abolição
  • Os Tigres Assustados
  • A Cortina de Ouro
  • O Tesouro na Rua
  • O que é Apartação (1993)
  • A Revolução nas Prioridades
  • A Aventura da Universidade (2000)
  • Os Deuses Subterrâneos (1995; romance)
  • A Revolução na Esquerda e a Invenção do Brasil
  • O Colapso da Modernidade brasileira
  • A Desordem do Progresso
  • A Eleição do Ditador
  • Avaliação Econômica de Projetos (1984)
  • A Ressurreição do General Sanchez
  • O Semeador de Utopias
  • Sou Insensato (2007)
  • O que é o Educacionismo (2007)

Referências

  1. a b Um pouco da trajetória de Cristovam Buarque. Cristovam.org.br. Página visitada em 27 de junho de 2009.
  2. a b Cristovam ainda prega Abolição. Do 'apartheid social'. UOL Eleições. Página visitada em 27 de junho de 2009.
  3. Eleições 2006 - CRISTOVAM BUARQUE (PDT). G1. Página visitada em 27 de junho de 2009.
  4. Autor de Livros, Artigos e Ideias. Cristovam.org.br. Página visitada em 27 de junho de 2009.
  5. Entrevista com Cristovam Buarque. Globo.com (9 de agosto de 2006). Página visitada em 27 de junho de 2009.
  6. Cristovam Buarque é demitido por telefone. Folha Online (23 de janeiro de 2004). Página visitada em 27 de junho de 2009.
  7. Cristovam Buarque fala sobre o piso salarial. Educar para Crescer. Educarparacrescer.abril.com.br (2 de abril de 2009). Página visitada em 27 de junho de 2009.
  8. Caetano roqueiro. ISTOÉ Online. Página visitada em 27 de junho de 2009.
  9. Cristovam admite possibilidade de concorrer ao Palácio do Buriti caso Roriz seja candidato. Correiobraziliense.com.br.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
José de Souza Martins / Guiomar Namo de Mello / Maria Alice Rosa Ribeiro
Prêmio Jabuti - Ciências Humanas
1995
Sucedido por
Jurandir Freire Costa / Nachman Falbel / Isabel Maria Loureiro / Octávio Ianni
Precedido por
Joaquim Roriz
Governador do Distrito Federal
19951999
Sucedido por
Joaquim Roriz
Precedido por
Paulo Renato Souza
Ministro da Educação do Brasil
20032004
Sucedido por
Tarso Genro