José Alencar

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José Alencar
Foto:Ricardo Stuckert/PR
24° vice-presidente do Brasil Brasil
Mandato 1º de janeiro de 2003 a
1º de janeiro de 2011
Presidente Luis Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Marco Maciel
Sucessor(a) Michel Temer
Ministro da Defesa do Brasil Brasil
Mandato 8 de novembro de 2004
até 31 de março de 2006
Antecessor(a) José Viegas Filho
Sucessor(a) Waldir Pires
Senador por Minas Gerais Minas Gerais
Mandato 1º de fevereiro de 1999
até 31 de dezembro de 2002
Vida
Nascimento 17 de outubro de 1931
Muriaé, Minas Gerais
Brasil
Falecimento 29 de março de 2011 (79 anos)
São Paulo, São Paulo
Brasil
Nacionalidade  Brasileiro
Cônjuge Mariza Campos Gomes da Silva
Partido Partido Republicano Brasileiro
Profissão Empresário

José Alencar Gomes da Silva (Muriaé, 17 de outubro de 1931São Paulo, 29 de março de 2011), também conhecido popularmente como José Alencar, o Batalhador ou o Forte, por sua luta e força de espírito contra o câncer, foi um empresário e político brasileiro.

Foi senador pelo estado de Minas Gerais e vice-presidente do Brasil de 1 de janeiro de 2003 a 1 de janeiro de 2011.

Foi um dos maiores empresários do estado de Minas Gerais. Construiu um império no ramo têxtil, sendo a Coteminas sua principal empresa. Elegeu-se vice-presidente da República do Brasil na chapa do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, conseguindo a reeleição em 2006, assegurando, portanto, a permanência no cargo até o final de 2010.

Índice

[editar] Biografia

[editar] Nascimento e vida

Nascido em Itamuri, no município de Muriaé, aos 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, começou a trabalhar com sete anos de idade, ajudando o pai em sua loja. Tinha 14 irmãos e irmãs. Quando fez quinze anos, em 1946, foi trabalhar como balconista numa loja de tecidos conhecida por "A Sedutora". Em maio de 1948, mudou-se para Caratinga, para trabalhar na "Casa Bonfim". Notabilizou-se como grande vendedor, tanto neste último emprego, quanto no anterior. Ainda durante sua infância, entrou para o movimento escotista.[1]

[editar] Carreira profissional e empresarial

Aos dezoito anos, iniciou seu próprio negócio. Para isto contou com a ajuda do irmão Geraldo Gomes da Silva, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros. Em 31 de março de 1950, abriu a sua primeira empresa, denominada "A Queimadeira", localizada na cidade de Caratinga. Vendia diversos artigos: chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas, sombrinhas, etc. Manteve sua loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo.

Iniciou seu segundo negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou - em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho - de uma fábrica de macarrão, a "Fábrica de Macarrão Santa Cruz".

No final de 1959 seu irmão Geraldo faleceu. Assumiu então os negócios deixados por ele na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, constituiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar Wembley Roupas S.A. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.

A Coteminas cresceu e hoje são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.

[editar] Carreira política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José de Alencar sobem a rampa do Palácio do Planalto, observados pelos Dragões da Independência e por milhares de pessoas que assistiam à cerimônia na Praça dos Três Poderes.

Na vida política, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura - CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, ao assumir o cargo em 2003, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.

Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até março de 2006. Nesta ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009[2].

Em 25 de janeiro de 2011, recebeu a medalha 25 de janeiro da prefeitura de São Paulo[3]. Ao entregar a medalha ao ex-vice-presidente, a presidente Dilma Rousseff ressaltou: “Eu tenho certeza de que cada brasileira e brasileiro deste imenso país gostaria de estar agora em São Paulo – esta cidade-síntese do espírito empreendedor do país que completa hoje 457 anos de existência – para entregar junto conosco a Medalha 25 de Janeiro ao nosso eterno vice-presidente da República, José Alencar.” Já, Alencar disse: "Não posso me queixar. A situação está tão boa que não tem como melhorar, todo mundo está rezando por mim". Apesar de estar em uma cadeira de rodas, ele ainda até brincou com o público dizendo: "Aprendi com Lula que os discursos devem ser como um vestido de mulher: nem tão curtos que possam escandalizar, nem tão longos que possam entristecer"[4][5].

[editar] Problemas de saúde e morte

Lula, Alencar e a Presidente Dilma no hospital Sírio-Libanês.
A viúva Mariza Gomes, o filho Josué Gomes da Silva, o ex-presidente Lula e sua esposa Marisa Letícia durante o velório.

José Alencar possuía um delicado histórico médico. A partir do ano 2000, enfrentou um câncer na região abdominal, tendo passado por mais de quinze cirurgias - uma delas com duração superior a 20 horas. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo. Em 2010, após repetidas internações e intervenções médicas, decidiu desistir de se candidatar ao Senado.

No final de seu mandato como vice-presidente da República, em 2010, apresentava um complexo estado de saúde, sendo necessária até mesmo a interrupção do tratamento contra o câncer. No dia 22 de dezembro de 2010, foi submetido a uma cirurgia para tentar conter uma hemorragia no abdômen.[6] No dia seguinte Lula e a então presidente eleita Dilma Rousseff visitaram-no no hospital Sírio-Libanês em São Paulo.[7][8]

Em 9 de janeiro de 2011, o sangramento é controlado e ele deixa a UTI. No final do mesmo mês, sai do hospital para receber uma honraria da Prefeitura de São Paulo, recebendo alta pouco depois para que continuasse o tratamento em casa. Em 9 fevereiro, retorna à UTI devido a uma perfuração intestinal, sendo liberado no mês seguinte.[9]

Voltou a ser internado em 28 de março, vindo a morrer no dia 29 devido a falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer na região abdominal.[10][11][12][13]


A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva, que no momento da morte de Alencar se encontravam em Portugal por motivo da atribuição de um doutoramento honoris causa ao ex-presidente do Brasil concedido pela Universidade de Coimbra, anteciparam o seu regresso para o dia 30 de março.[14] Dilma Rousseff ofereceu à família de Alencar o Palácio do Planalto para que o corpo seja velado e decretou um luto nacional de uma semana. Lula e Dilma acompanharam o velório em Brasília e Belo Horizonte.[15]

A família de Alencar optou por sua cremação, em cerimônia realizada no dia 31 de março no Cemitério Parque Renascer, em Contagem.[15]

Referências

  1. José Alencar: 'Estou mais é cansado de descansar' O Globo
  2. Época - NOTÍCIAS - Os 100 brasileiros mais influentes de 2009. revistaepoca.globo.com. Página visitada em 20 de Dezembro de 2009.
  3. http://blog.planalto.gov.br/uma-pessoa-que-o-nosso-povo-aprendeu-a-respeitar-admirar-e-amar-sem-limites/
  4. José Alencar é homenageado na Prefeitura de SP. G1 (25/01/2011). Página visitada em 1 de fevereiro de 2011.
  5. “Se eu morrer agora, será um privilégio”, diz Alencar. Valor Online (25/01/2011). Página visitada em 1 de fevereiro de 2011.
  6. 'José Alencar passa por momento mais difícil, diz médico' (em português).
  7. Agência Brasil: Lula e Dilma visitam Alencar no Sírio-Libanês. Acesso em 26 de dezembro de 2010.
  8. Agência Brasil:Estado de saúde de Alencar melhora, diz boletim médico. Acesso em 26 de dezembro de 2010.
  9. "Acompanhe a evolução da doença de José Alencar". Folha de São Paulo, 29 de março de 2011
  10. "Morre o ex-vice-presidente José Alencar". Jornal do Brasil, 29 de março de 2011
  11. "José Alencar não resiste e morre em SP". O Globo, 29 de março de 2011
  12. Ex-vice-presidente José Alencar morre aos 79 anos. G1 (29 de março de 2011). Página visitada em 29 de março de 2011.
  13. Morre aos 79 anos o ex-vice-presidente José Alencar. IG-Política. Página visitada em 6 de dezembro de 2011.
  14. publico.pt. Lula e Dilma antecipam regresso ao Brasil após morte de José Alencar. Página visitada em 30-3-2011.
  15. a b "Corpo de Alencar chega a BH para ser velado no Palácio da Liberdade". Folha de S. Paulo, 31 de março de 2011

[editar] Ligações externas

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