Roberto Mangabeira Unger

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Roberto Mangabeira Unger
Em 19 de junho de 2007, na posse como ministro-chefe da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (depois ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos). Foto:Fabio Pozzebom/ABr
Ministro de Assuntos Estratégicos do Brasil
Mandato outubro de 2007
até junho de 2009
Antecessor(a)
Sucessor(a) Daniel Barcelos Vargas (interino)
Vida
Nascimento 1947 (64–65 anos)
Rio de Janeiro
Partido MDB, PMDB e PRB
Profissão Professor, filósofo, político
linkWP:PPO#Brasil

Roberto Mangabeira Unger (Rio de Janeiro, 1947) é um filosofo, pensador, e um destacado teórico social da atualidade. Desde 1971 ensina na Universidade de Harvard (www.law.harvard.edu/unger ). Sua obra de filosofia, teoria social e direito é utilizada em várias partes do mundo e por intelectuais do porte de Jurgen Habermas, Richard Rorty, Zyhuan Cui e Perry Anderson. Este último o descreveu como “uma inteligência filosófica do terceiro mundo que vira a mesa para se tornar crírico e profeta do primeiro mundo”.[1]

Paralelamente ao desenvolvimento de seu projeto teórico, Mangabeira tem atuado na política brasileira desde a abertura política durante o regime militar na década de 70.[2]

Em 2007, após ter sido um crítico do primeiro mandato do governo petista, passou a integrar o ministério do governo Lula, de outubro de 2007 a junho de 2009 foi ministro de Assuntos Estratégicos do Brasil. Deixou a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) para retornar às suas atividades na Universidade de Harvard.

Nomeado por Lula em 2008, antes de assumir a coordenação do plano Amazônia sustentável, falou:

Cquote1.svg Quem acha natural que o desenvolvimento da Amazônia seja assumido por um Ministério do Meio Ambiente simplesmente não entende que a Amazônia é mais do que uma floresta. Um Ministério de Meio Ambiente carece dos instrumentos para lidar com todos os muitos problemas de transporte, energia, educação e indústria que são necessários para formular e implementar um programa abrangente de desenvolvimento. Cquote2.svg
Mangabeira Unger, em 16 de maio de 2008, apoiando o presidente Lula na escolha do seu nome para coordenar o PAS.[3]

Índice

[editar] Trajetória

[editar] Primeiros anos

Nasceu no Rio de Janeiro em 1947, filho da poetiza e jornalista Edyla Mangabeira e do advogado alemão naturalizado estadunidense Artur Unger. Seu avô, o famoso político baiano Otávio Mangabeira – cuja carreira política consta postos como o de Governador, Senador, Chanceler e Ministro – sempre foi o seu grande exemplo. Através dele Mangabeira conheceu e fascinou-se pelo mundo político. Educado nos Estados Unidos e no Brasil, experimentou desde muito cedo o contraste dos sistemas educacionais e das culturas dessas duas sociedades.[4]

Formou-se em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e continuou seus estudos nos Estados Unidos da América, na Universidade de Harvard, onde leciona desde o início da década de 1970. Em 1991, foi professor do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.[5]

Nos Estados Unidos Mangabeira percorreu, desde o final dos anos 60, notável percurso acadêmico, alcançando muito jovem a posição de professor titular da universidade de Harvard, e, desde meados da década de 80, a de membro vitalício eleito da Academia Americana de Artes e Ciências, uma das mais prestigiadas instituições daquele país.[6]

A amplitude e a profundidade de seus interesses no plano da teoria social contemporânea, assim como o impacto de suas formulações no pensamento jurídico americano, “mudando o currículo de muitas de nossas escolas de direito e a auto-imagem de muitos de nossos advogados”, segundo Richard Rorty[7], acompanhada por uma excepcional erudição que lastreava seus primeiros trabalhos, logo deixavam evidentes - não só nos Estados Unidos, mas também em vários círculos acadêmicos da Europa - que surgia um scholar de extração superior que o tempo só fez confirmar.[8]

[editar] Projeto Intelectual

O escopo de seu projeto teórico e político é ambicioso. Trata-se de uma reflexão que tem como meta principal reconstruir os estudos sociais a partir de novas perspectivas metodológicas e, em decorrência disso, propor arranjos institucionais que promovam uma “reforma revolucionária” da sociedade[9]. A repercussão de sua obra tem provocado reações contundentes que chegam a descrevê-lo como o autor “da teoria social mais poderosa da segunda metade do século vinte[10], segundo Geoffrey Hawthorn, professor da Universidade de Cambridge (Inglaterra).

A dimensão filosófica do pensamento de Mangabeira se exprime de maneira clara na idéia de que o novo é possível, o tempo é real e a história é aberta. Tal concepção é desenvolvida de maneira sistemática, por exemplo, em seu livro The Self Awakaned: Pragmatism Unbound.

A formulação da teoria social e política de Mangabeira se desenvolveu em duas direções bem definidas. Na parte explicativa, esta teoria procura levar às últimas conseqüências a idéia da contingência das instituições contemporâneas. Na parte programática, ela investiga as formas institucionais alternativas do pluralismo político, econômico e social. Paralelamente a esse esforço teórico, tem desenvolvido um trabalho de interpretação do Brasil e de debate programático acerca de suas alternativas.[11]

Alguns de seus principais livros estão publicados no Brasil: Conhecimento e Política (Forense), Paixão – Um Ensaio sobre a Personalidade (Editora Boitempo), Política (Editora Boitempo), O Direito e o Futuro da Democracia (Editora Boitempo), Democracia Realizada (Editora Boitempo) e O Que a Esquerda Deve Propor (Editora Civilização Brasileira).

[editar] Política

A idéia de construir uma sociedade com instituições econômicas e políticas próprias tem emprestado sentido a toda atuação de Mangabeira no Brasil. A sua imersão na política brasileira ocorreu no final do regime militar quando atuou no antigo MDB, sendo inclusive o responsável pela redação do manifesto de criação do PMDB. Em seguida assessorou Leonel Brizola em suas duas tentativas de se eleger Presidente da República em 1989 e 1994. A partir de então se associou a Ciro Gomes com quem participou das eleições presidenciais de 1998 e 2002[12]. Em 2006, tentou se candidatar a presidência da República, obtendo apoio de Caetano Veloso, um dos entusiastas de sua ação pública no Brasil[13].

Todo o engajamento de Mangabeira no debate político nacional tem se pautado pela busca incessante de uma alternativa que interrompa a lógica de transferência maciça de riqueza das mãos de trabalhadores e produtores para os bolsos de rentistas. Mas que não seja apenas mais uma forma de "humanizar o inevitável" por meio de políticas sociais compensatórias e assistencialistas.[14]

Em suas formulações programáticas atuais, Mangabeira tem procurado operar simultaneamente em dois planos: “rebelião nacional e organização internacional”. De um lado, propõe formas alternativas de “globalização” - a reorientação do regime internacional do comércio, a reorganização das instituições multilaterais do sistema Bretton Woods e um conjunto de entendimentos entre as potências médias (China, Rússia, Índia e Brasil) que permitiriam pouco a pouco transformar a natureza da hegemonia americana. Tudo isso para criar uma forma de “globalização” mais propicia ao pluralismo.[15] De outro lado, sustenta que a energia para lutar por essa reconstrução do regime global tem de vir da tentativa de reorientar os projetos nacionais. A construção de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na ampliação de oportunidades econômicas e educacionais para a maioria dos brasileiros tem sido o principal sentido de sua ação na vida pública brasileira ao longo de mais de trinta anos.

[editar] Plano Amazônia Sustentável (PAS)

Em 8 de maio de 2008, o ministro recebeu do presidente Lula a responsabilidade de coordenar o Conselho Gestor do Plano Amazônia Sustentável (PAS)[16] em detrimento da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Essa decisão do presidente causou, 5 dias após a apresentação do PAS, a renuncia da ministra.[17]

Cquote1.svg É a primeira vez em nossa história nacional que a Amazônia está no centro da atenção coletiva e há uma grande convergência no país sobre a tese do desenvolvimento sustentável. Há muito poucos brasileiros que entendem que a Amazônia deva ser preservada como um santuário vazio de gente e de atividades. E também, felizmente, muito poucos que julgam que o preço do desenvolvimento da Amazônia deva ser a entrega da região a atividades econômicas predatórias. A grande maioria insiste na reconciliação da preservação com o desenvolvimento. Nós vamos trabalhar dia e noite pra isso. O ambiente é de mobilização total. Cquote2.svg
Em 17 de junho de 2008, na primeira reunião do Grupo Executivo do PAS[18]

[editar] Livros publicados em português

[editar] Próprios

  • O Direito na Sociedade Moderna
  • A Alternativa Transformadora
  • Conhecimento e Política, Editora Forense, 1978.
  • Paixão: um Ensaio Sobre a Personalidade, Boitempo Editorial, 1998. ISBN 8585934212
  • Democracia Realizada: a Alternativa Progressista, Boitempo Editorial, 1999. ISBN 8585934425
  • A Segunda Via: Presente e Futuro do Brasil, Boitempo Editorial, 2001. ISBN 858593459X
  • Política: os Textos Centrais, Boitempo Editorial, 2001. ISBN 8585934794
  • O Direito e o Futuro da democracia, Boitempo Editorial, 2004. ISBN 8575590057
  • Necessidades Falsas, Boitempo Editorial, 2005. ISBN 8575590677
  • O que a Esquerda deve propor, Civilização Brasileira, 2008. ISBN 978-85-200-0844-7

[editar] Parcerias

[editar] Ver também

Referências

  1. Perry Anderson. Afinidades Seletivas. [S.l.]: Boitempo, Janeiro 1999. 194 p.
  2. Revistas Caros Amigos. . [S.l.: s.n.], Janeiro 2009. Entrevista
  3. O Globo Online; Reuters. Mangabeira diz que Lula agiu certo ao lhe confiar a coordenação do Plano Amazônia Sustentável (em português). Página visitada em 17 de maio de 2008.
  4. Revista Playboy. . [S.l.: s.n.], Junho 2008. Entrevista
  5. Estadão Online; Talita Eredia (4 de novembro de 2008). Mangabeira Unger elogia Barack Obama, seu ex-aluno (em português). Página visitada em 12 de novembro de 2008.
  6. Robin Lovin. Critique e Construction: a symposium on Roberto Unger's politics. [S.l.]: Cambridge University Press, 1987.
  7. Richard Rorty. Escritores Filosóficos. [S.l.]: Relume-Dumará, 1999. 237-238 p. Vol. 2
  8. Carlin Romano. The Chronicle Review. [S.l.: s.n.], 2008.
  9. André singer. Caderno Mais!. [S.l.]: Folha de Sao Paulo, 16/09/2001.
  10. Geoffrey Hawthorn. Pratical reason and social democracy: reflections on Unger's passion and politics. [S.l.]: Cambridge University Press, 1987.
  11. Carlos Sávio Teixeira. Experimentalismo e democracia em Unger. [S.l.]: Lua Nova, 2010. 80 p.
  12. Consuelo Dieguez. . [S.l.]: Revista Piauí, Agosto 2007. Entrevista
  13. Caetano Veloso. . [S.l.]: O Globo, 5/12/2010.
  14. . [S.l.]: Folha de Sao Paulo. Entrevista
  15. [Http://direitorio.fgv.br/node/1258 Título não preenchido, favor adicionar]. FGV/RJ (08/12/2010).
  16. Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE). Ministro é coordenador do Conselho Gestor do PAS (em português). Página visitada em 17 de maio de 2008.
  17. O Globo Online; Miriam Leitão. O abate e o fogo (em português). Página visitada em 15 de maio de 2008.
  18. Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE). Grupo Executivo do PAS faz primeira reunião (em português). Página visitada em 3 de julho de 2008.
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[editar] Ligações externas

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