Honório Hermeto Carneiro Leão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
O Marquês do Paraná
Retrato por Emílio Bauch, c. 1855
Presidente do Conselho de Ministros Império do Brasil
Período 6 de setembro de 1853
a 3 de setembro de 1856
Monarca Pedro II
Antecessor(a) O Visconde de Itaboraí
Sucessor(a) O Duque de Caxias
Presidente da Província de Pernambuco
Período 2 de julho de 1849
a 8 de maio de 1850
Antecessor(a) O Marquês de Muritiba
Sucessor(a) O Visconde de Jaguari
Ministro da Justiça
Período 20 de janeiro de 1843
a 2 de fevereiro de 1844
Antecessor(a) O Visconde do Uruguai
Sucessor(a) O Visconde de Caravelas
Período 13 de setembro de 1832
a 14 de maio de 1833
Antecessor(a) O Marquês de Olinda
Sucessor(a) O Marquês de Sapucaí
Senador por Minas Gerais
Período 2 de janeiro de 1843
a 2 de fevereiro de 1844
Presidente da Província do Rio de Janeiro
Período 1 de dezembro de 1841
a 2 de março de 1843
Antecessor(a) Manuel José de Sousa França
Sucessor(a) João Caldas Viana
Vida
Nome completo Honório Hermeto Carneiro Leão
Nascimento 11 de janeiro de 1801
São Carlos do Jacuí, Minas Gerais, Brasil Colônia
Morte 3 de setembro de 1856 (55 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,  Brasil
Progenitores Mãe: Joana Severina de Lemos
Pai: Antônio Neto Carneiro Leão
Dados pessoais
Alma mater Universidade de Coimbra
Esposa Maria Henriqueta Neto
Partido Liberal (1830–1831)
Moderado (1831–1837)
Regressista (1837–1843)
Ordem (1843–1853)
Conservador (1853–1856)
Religião Catolicismo
Profissão Diplomata e magistrado
Assinatura Assinatura de Honório Hermeto Carneiro Leão
Títulos nobiliárquicos
Visconde do Paraná 26 de junho de 1852
Marquês do Paraná 2 de dezembro de 1854
}

Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês do Paraná (São Carlos do Jacuí, 11 de janeiro de 1801Rio de Janeiro, 3 de setembro de 1856) foi um político, diplomata e magistrado brasileiro. Paraná nasceu em uma família humilde da então capitania de Minas Gerais. Voltou para o Brasil depois de estudar na Universidade de Coimbra em Portugal e foi nomeado juiz em 1826 e depois elevado até um tribunal de apelação. Foi eleito em 1830 representante de Minas Gerais na Câmara dos Deputados, sendo reeleito em 1834 e 1838 e mantendo o cargo até 1841.

Uma regência foi criada para governar o Brasil após a abdicação de D. Pedro I e durante a minoridade de seu filho, D. Pedro II, porém ela logo entrou em caos. Paraná formou um partido político em 1837 que ficou conhecido como o Partido Regressista, que depois se tornou o Partido da Ordem no início da década de 1840 e então o Partido Conservador na década seguinte. Ele e o seus partidários defendiam incondicionalmente a ordem constitucional e ajudaram o país a superar a regência infestada de disputas entre facções e rebeliões que poderiam facilmente levar a uma ditadura. Ele foi nomeado em 1841 como Presidente da Província do Rio de Janeiro e no ano seguinte ajudou a acabar com uma revolta liderada pelo Partido Liberal. Ainda em 1842 foi eleito senador por Minas Gerais e nomeado por Pedro II para o Conselho de Estado. Paraná se tornou de facto em 1843 o primeiro Presidente do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, porém renunciou depois de se desentender com o imperador.

Depois de anos na oposição, Paraná foi nomeado em 1849 pelo governo nacional como Presidente da Província de Pernambuco a fim de investigar a Revolta Praieira do ano anterior e tentar realizar um julgamento justo para os rebeldes. Ele aceitou o posto depois de ter sido culpado por seus partidários pelos anos de oposição e tendo perdido muito de sua influência, acreditando que lá poderia reconquistar sua posição. A nação ficou pacífica internamente e Paraná foi enviado em 1851 ao Uruguai para formar uma aliança com o país e com as províncias argentinas rebeldes de Corrientes e Entre Ríos, com o objetivo de se opor à Confederação Argentina. A aliança foi um sucesso e Pedro II o elevou para a nobreza.

Ele foi nomeado novamente como Presidente do Conselho de Ministros em 1853, chefiando um gabinete muito bem sucedido e tornando-se o político mais poderoso do país. A reforma eleitoral que ele defendeu foi creditada como tendo minado os processos políticos nacionais e causando sérios danos para o sistema de governo parlamentar. Paraná enfrentou oposição da maioria de seus colegas, levando a uma divisão do partido Conservador sobre suas políticas. Ele morreu inesperadamente em 1856 de um estado febril desconhecido. Paraná é considerado como um dos políticos mais influentes de sua época.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Nascimento e infância[editar | editar código-fonte]

Honório Hermeto Carneiro Leão nasceu no dia 11 de janeiro de 1801 na freguesia de São Carlos do Jacuí, na então capitania de Minas Gerais, da colônia portuguesa do Brasil. Era filho de Antônio Neto Carneiro Leão e Joana Severina Augusta de Lemos.[1] Ele foi nomeado em homenagem a Santa Honorata.[2] [3] Pelo lado paterno era descendente da poderosa família portuguesa Carneiro Leão,[1] que se estabeleceu no Brasil no século XVII.[4] Entretanto, seu pai não era próspero quanto seus parentes. Na época ele era um oficial militar pobre que tinha a patente de furriel.[1] [2] O progresso de sua carreira foi frustrado por sua personalidade. Era temperamental e tinha uma personalidade forte que certa vez fez com que fosse preso por insubordinação.[5]

Honório Hermeto viveu primeiro em Paracatu e depois se mudou para Vila Rica (atual Ouro Preto), na época capital de Minas Gerais, onde passou sua infância e adolescência.[1] [6] Sua mãe morreu em 10 de fevereiro de 1806 e em 11 de janeiro do ano seguinte seu pai se casou com Rita de Cássia Soares do Couto, filha da irmã de sua falecida esposa.[1] [6] [7] Honório Hermeto considerava Rita de Cássia como sua mãe[8] e foi o pai dela, o coronel Nicolau Soares Couto, quem realmente o criou.[6] Ele tinha uma irmã mais velha chamada Balbina,[6] [9] além de três meia-irmãs e um meio-irmão, Nicolau Neto Carneiro Leão (depois Barão de Santa Maria) do segundo casamento de seu pai.[10]

Educação[editar | editar código-fonte]

Honório Hermeto foi comissionado aos dezesseis anos no 2.º Regimento de Cavalaria, 1.º Companhia, como tenente e porta-bandeira.[11] Seu pai se esforçou para que ele recebesse uma educação muito melhor do que seria esperado de uma família com limitações financeiras.[1] Antônio Neto foi promovido a capitão em 1819 e sua renda aumentou, permitindo que ele enviasse o filho mais velho para Portugal em 1820 a fim de estudar na escola de direito da Universidade de Coimbra, assim encerrando a breve carreira militar de Honório Hermeto.[12] [13] Ele era um excelente estudante[14] e ficou amigo de vários brasileiros em Coimbra, incluindo Paulino José Soares de Sousa (que se tornaria um de seus maiores aliados e mais tarde o Visconde do Uruguai) e Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho (mais tarde Visconde de Sepetiba).[15]

Ele apoiou os constitucionalistas durante a Revolução liberal do Porto, que defendiam uma constituição para limitar os poderes da monarquia portuguesa, contra os absolutistas, que preferiam uma monarquia absoluta. Não se sabe se ele participou ativamente da revolta e, se foi o caso, até que ponto.[16] Honório Hermeto também era membro de uma sociedade secreta chamada de A Gruta, fundada por estudantes brasileiros de Coimbra que tinham a intenção de transformar o Brasil em uma república. Seu republicanismo diminuiria com o tempo e ele acabaria se tornando um grande defensor da monarquia.[13]

Honório Hermeto recebeu em 1824 seu bacharelato em direito, conseguindo um mestrado em 18 de junho de 1825.[15] Ele trabalhou em uma firma de advocacia por alguns meses.[17] Ele voltou para o Brasil em 8 de agosto abordo de um navio com outros formandos de Coimbra, dentre eles Aureliano de Sousa e Joaquim José Rodrigues Torres (que posteriormente fundaria o Partido Conservador com Honório Hermeto e se tornaria o Visconde de Itaboraí).[8] O Brasil havia conseguido a independência durante o período que Honório Hermeto esteve em Portugal e agora era o Império do Brasil.[18]

Entrada na política[editar | editar código-fonte]

Magistrado e político[editar | editar código-fonte]

Honório Hermeto se casou em 20 de maio de 1826 com sua prima direta de dezessete anos Maria Henriqueta Neto, filha do irmão de seu pai João Neto Carneiro Leme.[19] Diferentemente do irmão, João Neto era um homem rico e influente.[20] [21] O casal teve cinco filhos: Honório, Henrique (mais tarde Barão do Paraná), Maria Emília, Maria Henriqueta e Pedro.[22] [23] O vantajoso casamento permitiu que Honório Hermeto virasse um dono de escravos,[24] assumindo os negócios do tio, que incluiam comércio de escravos,[21] e mais tarde na década de 1830 comprasse um engenho de café na província do Rio de Janeiro.[25] O café estava se tornando o mais importante produto exportador do Brasil e tinha colheitas extremamente lucrativas.[26]

Honório Hermeto foi atrás de uma carreira judicial, um curso de vida aberto para brasileiros do século XIX que se tornaram abastados através de conexões familiares e patronagens; havia também expectativas sobre entrar na política.[27] Ele foi nomeado Juiz de Fora (magistrado) em 14 de outubro de 1826 para um mandato de três anos,[28] tendo juristição sobre três vilarejos na província de São Paulo.[29] Dois anos depois em 25 de agosto deixou São Paulo quando foi promovido a Auditor da Marinha na cidade do Rio de Janeiro,[30] a capital do império. Seus períodos em São Paulo e no Rio de Janeiro lhe ajudaram a conseguir conexões.[21] O imperador D. Pedro I nomeou Honório Hermeto no final de 1828 para o cargo de Ouvidor[31] e um ano depois para Desembargador,[32] cargo que ele manteve até se aposentar em 1848.[33]

Depois de se estabelecer na capital, Honório Hermeto fez campanha em 1829 para a Câmara dos Deputados como representante de seu estado natal Minas Gerais. Ele foi eleito e seu mandato começou em abril de 1830.[34] Tornou-se membro do Partido Liberal, que se opunha a Pedro I e suas políticas. Ele teve uma papel discreto durante seus primeiros anos como deputado,[35] sendo ofuscado por Bernardo Pereira de Vasconcelos, o líder dos deputados de Minas Gerais.[21] Honório Hermeto era baixo, magro,[36] de cabelos escuros[23] e com um distúrbio da fala,[37] sendo assim uma figura pouco imponente à primeira vista. Entretanto, era temperamental, opinativo e, muitas vezes, mordaz, assim como o pai.[38] Más Honório Hermeto também tinha auto-confiança e um poderoso carisma, sendo enérgico, inteligente, perspicaz e um líder nato.[39] [40]

Defensor da constituição[editar | editar código-fonte]

A Câmara dos Deputados do Brasil no parlamento do império.

A posição política de Pedro I estava se enfraquecendo cada vez mais e ele abdicou do trono em 7 de abril de 1831, partindo então para a Europa.[41] A ala radical do Partido Liberal se separou já que não tinham mais uma causa comum na pessoa do ex-imperador, e o partido assumiu o nome de Partido Moderado.[42] [43] Enquanto isso, já que o novo imperador D. Pedro II era apenas uma criança de cinco anos, uma regência com pouca autoridade efetiva foi criada. Isso acarretou nove anos de caos, tempo em que o país foi atormentado por rebeliões e tentativas de golpe iniciadas por facções políticas descontroladas.[44] Honório Hermeto teve um papel importante na prevenção de duas grandes crises. A primeira ocorreu em 19 de julho de 1831, quando um grupo de oficiais militares radicais e insubordinados apresentou a Câmara dos Deputados uma lista de 89 pessoas, incluindo alguns senadores, quem eles queriam que fossem deportados.[45] Nesse momento Honório Hermeto se levantou e foi para o centro da câmara. Quando adulto, Pedro II se lembraria que seu "estilo de falar era deselegante, e ele tinha gagueira; mas desaparecia quando estava excitado e em todas as vezes seus argumentos eram bastante coesos, e alguém observou espirituosamente que o marquês de Paraná, quando gaguejava, balbuciava argumentos".[46]

Honório Hermeto evitou a ameaça ao realizar quatro discursos em apenas um dia, em que pediu para o governo recusar as exigências ilegais.[47] Ele falou que "mas nem o senador, nem o cidadão mais pobre da última classe pode ser deportado, sem ser convencido e sentenciado",[48] e concluiu afirmando que "a constituição estabelece direitos e obrigações, e os cidadãos para conservarem os primeiros devem satisfazer as segundas, assim como se cumprem com estas, ninguém pode privá-los dos primeiros. Ainda quando o cidadão for malvado devem respeitar-se os seus direitos, já que esses não pertencem a ele mas sim a todos".[49] Apenas um dos deputados não concordou com Honório Hermeto[50] e o incidente foi resolvido, com vários batalhões sendo dissolvidos.[51]

A segunda crise apareceu em 30 de julho de 1832. Uma emenda constitucional com grandes reformas foi votada e aprovada pela Câmara dos Deputados, porém ainda enfrentava oposição no Senado.[52] Diogo Antônio Feijó e Aureliano de Sousa, ambos Moderados, planejaram então um golpe de estado. A conspiração tinha Feijó assumindo poderes ditatoriais e implementando a emenda imediatamente, burlando assim o Senado completamente.[53] Alguns deputados moderados, trabalhando com Feijó, trouxeram uma proposta para a Câmara em que o parlamento fosse transformado em uma assembleia constituinte e que uma nova constituição fosse adotada.[21] [54] Honório Hermeto convocou seus colegas deputados para manterem a constituição e realizarem mudanças apenas através dos canais legais apropriados: "Nós não precisamos ferir a ordem legal e os princípios [constitucionais]: podemos criar leis justas ... e na respeitada constituição temos meios seguros e legais para dar a nação o que ela quer". Ele então pediu, "não vamos violá-la [a constituição], já que é nossa única salvaguarda".[55] Ele liderou os deputados e, ao derrotar a proposta inconstitucional, o golpe foi evitado e esmagado.[40] [55]

Conservadorismo[editar | editar código-fonte]

Gênese do partido[editar | editar código-fonte]

Escravos descançando à caminho das fazendas. O partido de Honório Hermeto tinha ligações próximas com famílias de fazendeiros e mercadores cuja escravidão era um componente chave dos negócios.

Então já um político de destaque, Honório Hermeto foi nomeado em 13 de setembro de 1832 como Ministro da Justiça,[56] efetivamente tornando-se o chefe do gabinete imperial.[57] Ele renunciou depois de oito meses para evitar ser envolvido no rescaldo de um tumulto em Minas Gerais em que um de seus parentes foi envolvido. Vasconcelos desafiou a posição de Honório Hermeto em seu distrito eleitoral, e ao circular rumores sobre seu envolvimento no tumulto acabou danificando sua reputação em casa e na câmara. Ele abriu mão do cargo em 14 de maio de 1833 para concentrar-se em fortalecer sua posição em Minas Gerais,[58] acabando por vencer outra eleição para deputado.[59]

Uma emenda constitucional conhecida como Ato Adicional, que realizava reformas ainda maiores que aquelas que serviram de catalizadores para a tentativa de golpe de 1832, foi promulgada em 12 de agosto de 1834.[60] O ato teve resultados catastróficos. Os governos locais criaram novos conflitos com os partidos políticos. As ambições de políticos locais foram apenas estimuladas quando mais poder foi cedido para os governos provinciais, com o resultado sendo rebeliões no norte e sul do império. Os partidos que dominavam as províncias ganharam controle sobre os sistemas político e eleitoral. Os partidos que perderam rebelaram-se e tentaram tomar o poder pela força já que não queriam ser excluídos.[61]

Honório Hermeto e vários outros Moderados votaram contra o Ato Adicional por acreditarem que tantas reformas iriam causar mais mau do que bem.[62] O Partido Moderado estava entrando em desordem. Quando Feijó conseguiu chegar a posição de único regente no início de 1835, Honório Hermeto foi levado a liderar os dissidentes conservadores a seceder do partido. Ele queria evitar aquilo que descreveu como o "triunfo do mesmo traidor que fez o 30 de julho [a tentativa de golpe de 1832] rasgar desonhorsamente a Regência que o havia nomeado".[63]

A oposição conservadora contra Feijó tinha ligações próximas com famílias fazendeiras de café e cana, além de mercadores do Sudeste e Nordeste do Brasil. Esse grupos possuiam grande influência política, social e econômica. Eles começaram a perceber que seus interesses estavam melhores alinhados com homens como Honório Hermeto, fazendeiros assim como eles – pessoas que apoiavam o comércio de escravos na África e desejavam um estado centralizado capaz de impor a ordem.[64] Honório Hermeto, muitas vezes teimoso, engoliu seu orgulho e colocou de lado sua inimizade com Vasconcelos a fim de conseguir uma aliança.[63] Chamado de Partido Regressista em 1837 por Feijó e seus aliados, a oposição conservadora nasceu no final de 1834 e foi a gênese daquilo que se desenvolveria no Partido da Ordem circa 1843 e finalmente no Partido Conservador por volta de 1853.[65]

Líder do partido na câmara[editar | editar código-fonte]

Honório Hermeto c. 1833.

A administração de Feijó foi incapaz de suprimir as revoltas no norte e no sul do país. A credibilidade e o apoio do seu governo desapareceram por volta de 1837.[64] [66] Feijó renunciou em agosto e o Regressista pernambucano Pedro de Araújo Lima (depois Marquês de Olinda) tornou-se regente interino, sendo no ano seguinte eleito para o cargo.[67] Ele nomeou seus colegas de partido para posições no ministério.[68] Honório Hermeto foi reeleito para outro mandato em 1838[69] e permaneceu na Câmara dos Deputados como líder do partido para apoiar o gabinete Regressista.[70] O Partido Moderado estava cada vez mais fraco e acabou se desfazendo,[71] e os aliados de Feijó foram para outros grupos que não partilhavam seus príncipios e ideologias.[72] Essas alianças se desenvolveram durante o final da década de 1830 e início da de 1840 até resultarem em um segundo Partido Liberal.[73]

O Partido Regressista começou passando a Lei Interpretativa do Ato Adicional, que foi seguida pela reforma do Código do Procedimento Criminal. Ambas as leis permitiriam que o governo nacional retomasse o controle da polícia e dos tribunais provinciais. Elas dariam meios para que as rebeliões fossem lidadas com mais efetividade e dariam ao governo nacional um maior domínio sobre os governos provinciais. Em troca, o partido no poder ganharia maior ascendência na política nacional através de patronagem a nomeações para cargos.[74] Os Liberais começaram a defender que Pedro II deveria chegar na maioridade mais cedo por temerem que seus adversários pudessem ficar no poder indefinidamente. Eles esperavam reconquistar sua influência ao descartar a regência e lidar diretamente com um jovem imperador manipulável.[75] O Partido Liberal acabou se aliando a Facção Áulica, liderada por Aureliano de Sousa (o aliado de Feijó na tentativa de golpe de 1832).[76]

Títulos e honras[editar | editar código-fonte]

Brasão do Marquês do Paraná: os brasões esquatrelados de Neto (I e IV) e Carneiro (II e III). Seu lema era Cor Unum Via Una (Um Coração, Um Caminho).[77]

Títulos[editar | editar código-fonte]

  • 26 de junho de 1852: Visconde do Paraná (com Grandeza)[78]
  • 2 de dezembro de 1854: Marquês do Paraná[79]

Honras[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Janotti 1990, p. 17
  2. a b Gouveia 1962, p. 17
  3. Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 292
  4. Gouveia 1962, p. 15
  5. Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 294
  6. a b c d Gouveia 1962, p. 18
  7. Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 293
  8. a b Teixeira Filho, Henrique Carneiro Leão. (1968). "O marquês de Paraná (Fragmentos)". Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro 278: pp. 18, 22. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional.
  9. Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, pp. 292–293
  10. Needell 2006, p. 329; Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, pp. 276, 294
  11. Janotti 1990, pp. 17–18
  12. Janotti 1990, p. 18
  13. a b Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 295
  14. Janotti 1990, p. 32
  15. a b Janotti 1990, p. 28
  16. Janotti 1990, pp. 31–32
  17. Janotti 1990, pp. 29–30
  18. Barman 1988, pp. 97–101
  19. Janotti 1990, pp. 32–33
  20. Janotti 1990, p. 33
  21. a b c d e Needell 2006, p. 48
  22. Needell 2006, pp. 169, 329
  23. a b Gouvêa 2009, p. 102
  24. Janotti 1990, p. 35
  25. Needell 2006, p. 120
  26. Barman 1988, pp. 167, 213, 218, 235, 241; Needell 2006, pp. 15, 18
  27. Barman 1988, p. 238
  28. Barman 1988, p. 22
  29. Janotti 1990, p. 34
  30. Barman 1988, p. 234
  31. Gouveia 1962, p. 21
  32. Needell 2006, p. 22
  33. Janotti 1990, p. 45
  34. Janotti 1990, p. 46
  35. Janotti 1990, p. 63
  36. Vieira, Hermes. A vida e época do Visconde do Rio Branco. São Paulo: T. A. Queiroz, 1991. pp. 90, 96. ISBN 978-85-7182-022-7.
  37. Gouveia 1962, p. 23
  38. Barman 1999, p. 162
  39. Gouveia 1962, p. 61; Nabuco 1975, p. 154
  40. a b Barman 1988, p. 174
  41. Barman 1988, pp. 158–159; Needell 2006, pp. 31–32
  42. Needell 2006, p. 42
  43. Barman 1988, p. 169
  44. Barman 1988, p. 160; Lira 1977, p. 21
  45. Janotti 1990, p. 120
  46. Barman 1999, p. 95
  47. Janotti 1990, p. 122
  48. Janotti 1990, p. 126
  49. Janotti 1990, p. 127
  50. Janotti 1990, p. 124
  51. Janotti 1990, p. 129
  52. Janotti 1990, p. 148
  53. Janotti 1990, p. 150
  54. Janotti 1990, p. 158
  55. a b Janotti 1990, p. 160; Needell 2006, p. 49
  56. Janotti 1990, p. 167
  57. Needell 2006, p. 50
  58. Needell 2006, p. 51; Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, pp. 313–314
  59. Needell 2006, p. 53
  60. Barman 1988, p. 177
  61. Barman 1988, pp. 179–181; Needell 2006, p. 61
  62. Needell 2006, p. 55; Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 314
  63. a b Needell 2006, p. 56
  64. a b Needell 2006, p. 62
  65. Needell 2006, pp. 2, 65, 75, 110, 135
  66. Barman 1988, pp. 183–185
  67. Barman 1988, pp. 190, 198
  68. Barman 1988, p. 190
  69. Gouveia 1962, p. 66
  70. Needell 2006, p. 72
  71. Barman 1988, p. 187
  72. Needell 2006, p. 78
  73. Needell 2006, p. 81
  74. Barman 1988, pp. 193, 201; Needell 2006, p. 100
  75. Barman 1988, pp. 204–205; Needell 2006, p. 83
  76. Barman 1988, pp. 206, 229; Needell 2006, pp. 92, 93, 112
  77. Gouveia 1962, p. 278
  78. Viana, Teixeira Filho & Calmon 1957, p. 346
  79. Gouveia 1962, p. 251
  80. a b c d Sisson, Sébastien. Galeria dos brasileiros ilustres. Brasília: Senado Federal, 1999. p. 24.
  81. a b Vainfas, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 343. ISBN 978-85-7302-441-8.
  82. Gouveia 1962, p. 272

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barman, Roderick J.. Brazil: The Forging of a Nation, 1798–1852. Stanford: Stanford University Press, 1988. ISBN 978-0-8047-1437-2.
  • Barman, Roderick J.. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press, 1999. ISBN 978-0-8047-3510-0.
  • Gouvêa, Fernando da Cruz. O Marquês do Paraná: o traço todo do conciliador. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009. ISBN 978-85-7315-553-2.
  • Gouveia, Maurílio de. Marquês do Paraná: um varão do Império. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1962.
  • Janotti, Aldo. O Marquês de Paraná: inícios de uma carreira política num momento crítico da história da nacionalidade. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990. ISBN 978-85-319-0512-4.
  • Lira, Heitor. História de Dom Pedro II (1825–1891): Ascenção (1825–1870). Belo Horizonte: Itatiaia, 1977. vol. 1.
  • Nabuco, Joaquim. Um Estadista do Império. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1975.
  • Needell, Jeffrey D.. The Party of Order: the Conservatives, the State, and Slavery in the Brazilian Monarchy, 1831–1871. Stanford: Stanford University Press, 2006. ISBN 978-0-8047-5369-2.
  • Viana, Hélio; Teixeira Filho, Henrique Carneiro Leão; Calmon, Pedro (1957). "Centenário do falecimento do Marquês de Paraná". Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro 236. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Honório Hermeto Carneiro Leão
Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Honório Hermeto Carneiro Leão


Precedido por
Pedro de Araújo Lima
Ministro da Justiça do Brasil
1832 — 1833
Sucedido por
Cândido José de Araújo Viana
Precedido por
Manuel José de Sousa França
Presidente da província do Rio de Janeiro
1841 — 1841
Sucedido por
João Caldas Viana
Precedido por
Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho
Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil
1843
Sucedido por
Paulino José Soares de Sousa
Precedido por
Paulino José Soares de Sousa
Ministro da Justiça do Brasil
1843 — 1844
Sucedido por
Manuel Alves Branco
Precedido por
Manuel Vieira Tosta
Presidente da província de Pernambuco
1849 — 1850
Sucedido por
José Ildefonso de Sousa Ramos
Precedido por
Visconde de Itaboraí
Primeiro-ministro do Brasil
1853 — 1856
Sucedido por
Duque de Caxias
Precedido por
Manuel Felizardo de Sousa e Melo
Ministro da Fazenda do Brasil
1853 — 1855
Sucedido por
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Precedido por
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Ministro da Fazenda do Brasil
1855 — 1856
Sucedido por
João Maurício Wanderley