Sousa Dantas
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Nota: Para outros significados, veja Sousa Dantas (desambiguação).
| Sousa Dantas | |
|---|---|
| Nascimento | 21 de fevereiro de 1831 Inhambupe |
| Morte | 29 de janeiro de 1894 (62 anos) Rio de Janeiro |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Advogado, político |
Manuel Pinto de Sousa Dantas, também conhecido pelo nome de Senador Dantas (Inhambupe, 21 de fevereiro de 1831 — Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1894), foi um advogado e político brasileiro.
Foi um dos governantes do Brasil (32º Gabinete), e governou também as províncias da Bahia e Alagoas. Foi pai de Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas e avô de Luís Martins de Sousa Dantas.
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[editar] Biografia
Bacharel em direito pela Faculdade de Direito do Recife, foi deputado provincial e deputado geral pela Bahia em diversos mandatos. Em Salvador foi provedor da Misericórdia e juiz de órfãos.
Foi membro do Conselho de Estado (que governava o Brasil), ocupando a vaga no Senado pela morte do conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos, em 1878, em cujo Gabinete (22º) ocupou o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (de 1866 a 1868).
Foi ministro da Justiça entre 1880 e 1882, e interinamente Ministro do Império, no 28º Gabinete, presidido pelo Conselheiro José Antônio Saraiva.
Manuel Pinto de Sousa Dantas organizou e presidiu o 32º Gabinete, governando o país de 1884 a 1885, ocupando também o Ministério da Fazenda e, interinamente, o dos Estrangeiros. O marco de seu governo foi o grande impulso que deu ao abolicionismo, ideário que ultrapassava a bandeira da libertação dos escravos. Sustentava uma ampla reforma social, a abranger uma gama de assuntos, entre eles reforma agrária e democratização do ensino.
Projeto Dantas - Em 1884, premido pela exigência de ações mais efetivas com relação à escravidão, o imperador Dom Pedro II o nomearia chefe de Gabinete, encarregando-o de buscar uma solução para o problema. O senador contava com a amizade e o talento do deputado Rui Barbosa, a quem convidou para integrar o novo Gabinete. A Constituição, porém, determinava que, ao abrir mão de sua vaga na Assembléia, um deputado tinha que se submeter a uma nova prova eleitoral e, se derrotado, perderia o mandato e a pasta. Em conflito com os escravistas e Igreja, Rui Barbosa não pôde garantir sua reeleição e ficou fora do ministério. Entretanto, continuou a colaborar com o antigo chefe, com quem iniciara sua carreira de advogado, e foi por ele encarregado de redigir o Projeto Dantas, a partir das idéias do senador.
O projeto começava por definir algumas diretrizes para a emancipação: pela idade do escravo; pela omissão da matrícula; e por transgressão do domicílio legal do escravo. Ao fixar 60 anos como idade limite para o escravo, não prevendo qualquer tipo de indenização aos proprietários, desencadeou uma onda de protestos antes mesmo do projeto ser apresentado à Câmara. Fundamentar a emancipação pela omissão de matrícula era aparentemente inofensivo. Mas, na verdade, ao obrigar que todos os escravos fossem novamente registrados e identificados com minúcias no prazo de um ano, representaria a libertação quase imediata de todos os menores de catorze anos com base na "Lei do ventre livre". E, graças à prova de filiação, aqueles trazidos ao Brasil depois da proibição do tráfico, em 1831, ou que eram filhos de escravos contrabandeados, também seriam homens livres.
Por fim, ao vedar a transferência de domicílio, evitava que províncias como Ceará e Amazonas vendessem negros para grandes centros de mão-de-obra escrava no sudeste do país. Uma das maiores novidades, contudo, consistiu na previsão de assistência ao liberto, mediante a instalação de colônias agrícolas para os que não obtivessem empregos. Determinava, ainda, regras para uma gradual transferência de terra arrendada do Estado para ex-escravo que a cultivasse, tornando-o proprietário.
Com todas essas propostas ousadas, o Projeto Dantas causou muita polêmica. Dividiu os liberais e provocou a ira dos conservadores e escravistas. Submetido a uma moção de desconfiança, mas com apoio do Imperador, o Gabinete Dantas dissolveu a Assembléia e convocou novas eleições. Foram as mais violentas do Império, vencidas por deputados apoiados pelos grandes escravocratas. Não conseguindo apoio, o Gabinete Dantas caiu e o Imperador nomeou o conselheiro Saraiva para dar prosseguimento à questão. Saraiva promoveu emendas fundamentais no projeto, que acabou aprovado por um terceiro Gabinete, o de Cotegipe. Afinal aprovada, a Lei Saraiva-Cotegipe, ou dos Sexagenários, era muitíssimo menos abrangente do que o projeto original de Sousa Dantas.
Manoel Dantas é primo carnal de Cícero Dantas, barão de Jeremoabo. Embora primos, ambos disputavam o poder na Bahia, sendo o senador do Partido Liberal e o barão do Partido Conservador. Mas como o senador ficava mais no Rio, o barão tomou conta da região, e tornando-se o mais poderoso chefe político. Dr. Cícero é trisavô de Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity.
[editar] Governo da Bahia
Sousa Dantas presidiu a Bahia de 24 de julho de 1865 até 1866.
Em sua fala à Assembléia Provincial (1866), Dantas expressou seu pensamento:
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- "O País não se contenta com vãs promessas. Elas não lhe dão a liberdade prática, nem o bem real a que tem direito."
[editar] Orientação política
Era de orientação Liberal, tendo na Bahia uma sólida base política, inclusive fazendo de seu filho, Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, deputado e ministro no Segundo Reinado.
[editar] Livros e trabalhos
- Correspondência do Conselheiro Manuel Pinto de Sousa Dantas 1831-1894. (Organização e Notas de Américo Jacobina Lacombe)
[editar] Homenagens
Sousa Dantas foi comendador da Imperial Ordem de Cristo.
[editar] Gabinete de 6 de junho de 1884
Foi presidente do Conselho de Ministro e simultaneamente ministro da Fazenda
- Ministro dos Negócios do Império: Filipe Franco de Sá
- Ministro da Justiça: Francisco Maria Sodré Pereira
- Ministro dos Estrangeiros: João da Mata Machado
- Ministro da Marinha: Joaquim Raimundo de Lamare
- Ministro da Guerra: Cândido Luís Maria de Oliveira
- Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas: Antônio Carneiro da Rocha
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- Biografia no sítio do Ministério da Fazenda do Brasil
- Relatório com que o exmo. sr. dr. Manuel Pinto de Sousa Dantas, presidente da província das Alagoas, entregou a administração da mesma província no dia 24 de abril de 1860 ao 1º vice-presidente, dr. Roberto Calheiros de Melo
- Relatório apresentado à Assembléia Legislativa Provincial da Bahia pelo exmo. presidente da província, o comendador Manuel Pinto de Sousa Dantas, no dia 1 de março de 1866
- Relatório apresentado à Assembléia Geral Legislativa na 1ª sessão da 13ª legislatura pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas Manuel Pinto de Sousa Dantas, em 22 de maio de 1867
- Relatório apresentado à Assembléia Geral Legislativa na 2ª sessão da 13ª legislatura pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas Manuel Pinto de Sousa Dantas, em 15 de maio de 1868
- Relatório apresentado à Assembléia Geral Legislativa na 3ª sessão da 17ª legislatura pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Justiça Conselheiro de Estado Manuel Pinto de Sousa Dantas, em 15 de maio de 1880
- Relatório apresentado à Assembléia Geral Legislativa na 1ª sessão da 18ª legislatura pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Justiça Conselheiro de Estado Manuel Pinto de Sousa Dantas, em 19 de janeiro de 1882
- Relatório apresentado à Assembléia Geral Legislativa na 1ª sessão da 18ª legislatura pelo Ministro e Secretário de Estado Interino dos Negócios do Império Conselheiro de Estado Manuel Pinto de Sousa Dantas, em 19 de janeiro de 1882
| Precedido por Roberto Calheiros de Melo |
Presidente da província de Alagoas 1859 — 1860 |
Sucedido por Pedro Leão Veloso |
| Precedido por Luís Antônio Barbosa de Almeida |
Presidente da província da Bahia 1865 — 1866 |
Sucedido por Ambrósio Leitão da Cunha |
| Precedido por Antônio Francisco de Paula Sousa |
Ministro dos Transportes do Brasil e Ministro da Agricultura do Brasil 1866 — 1868 |
Sucedido por Joaquim Antão Fernandes Leão |
| Precedido por Lafayette Rodrigues Pereira |
Ministro da Justiça do Brasil 1880 — 1882 |
Sucedido por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas |
| Precedido por Lafayette Rodrigues Pereira |
Primeiro-ministro do Brasil (28º Gabinete) 6 de junho de 1884 — 6 de maio de 1885 |
Sucedido por José Antônio Saraiva |
| Precedido por João da Mata Machado |
Ministro das Relações Exteriores do Brasil 1884 — 1885 |
Sucedido por João Lustosa da Cunha Paranaguá |
| Precedido por Lafayette Rodrigues Pereira |
Ministro da Fazenda do Brasil 1884 — 1885 |
Sucedido por José Antônio Saraiva |
- Mortos em 1894
- Ministros da Justiça do Brasil
- Primeiros-ministros do Brasil
- Ministros do Império do Brasil
- Ministros das Relações Exteriores do Brasil (Império)
- Ministros da Fazenda do Brasil (Império)
- Ministros da Agricultura do Brasil (Império)
- Ministros dos Transportes do Brasil
- Governadores de Alagoas (Império)
- Governadores da Bahia (Império)
- Deputados do Império do Brasil
- Senadores da Bahia (Império)
- Naturais de Inhambupe
