Juracy Magalhães
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Nota: Se procura o ex-prefeito de Fortaleza, consulte, veja Juraci Vieira de Magalhães.
| Juracy Magalhães | |
|---|---|
| Juracy Magalhães | |
| 24.º Governador da Bahia |
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| Mandato | 19 de setembro de 1931 até 10 de novembro de 1937 |
| Antecessor(a) | Raimundo Rodrigues Barbosa |
| Sucessor(a) | Antônio Fernandes Dantas |
| 34.º Governador da Bahia |
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| Mandato | 7 de abril de 1959 até 7 de abril de 1963 |
| Antecessor(a) | Antônio Balbino |
| Sucessor(a) | Lomanto Júnior |
| Mandato | 2 de abril de 1954 até 2 de setembro de 1954 |
| Antecessor(a) | nenhum |
| Sucessor(a) | Artur Levy |
| Vida | |
| Nascimento | 4 de agosto de 1905 Fortaleza, Ceará |
| Falecimento | 15 de maio de 2001 (95 anos) Salvador, Bahia |
| Partido | UDN |
| Profissão | Político, militar |
Juracy Montenegro Magalhães[1] (Fortaleza, 4 de agosto de 1905 – Salvador, 15 de maio de 2001) foi um militar e político brasileiro.
Índice |
[editar] Biografia
Era filho de Joaquim Magalhães e de Júlia Montenegro Magalhães. Tendo concluído o segundo grau no Liceu do Ceará, ingressou na carreira militar, já em 1927 torna-se aspirante. Sua carreira militar foi exitosa, tendo em 1933 atingido a patente de Capitão, em 1940 de Major, Tenente-Coronel em 1945, Coronel em 1950 e General em 1957.
Grande beneficiado da proximidade dos militares com o poder, exerceu as seguintes funções: Senador da República, deputado federal, adido militar e embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Ministro da Justiça e Relações Exteriores, tendo sido ainda o primeiro Presidente da Petrobrás e presidiu a Companhia Vale do Rio Doce.
Como Ministro da Justiça, no Regime Militar de 64, encarregou-se da censura aos veículos de comunicação. Célebre tornou-se o episódio em que mandara o empresário Roberto Marinho demitir dois funcionários, ao que este respondera-lhe, negativamente: "Dos meus comunistas cuido eu!". Deste período é a frase que deu o tom de subserviência do Regime:
| O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil. | — Juracy Magalhães
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Apesar de nascido no Ceará, foi na Bahia que encontrou sua morada definitiva: ganhou uma casa de amigos, na capital baiana, no Monte Serrat, a mesma onde cometeu suicídio seu filho, Juracy Magalhães Júnior, também político. Seu filho Jutahy Magalhães também foi político e seu neto Jutahy Magalhães Júnior é deputado federal.
[editar] Governos da Bahia
Magalhães ocupou o governo do Estado da Bahia em três mandatos (o primeiro, iniciado como interventor, foi depois referendado pela Assembléia Legislativa – aqui considerado como mandato único, dado não ter existido solução de continuidade).
[editar] Intervenção
Era Juracy Magalhães Tenente do Exército quando assumiu o governo, nomeado pelo ditador Getúlio Vargas - cargo que o promoveu por ser um dos articuladores do Golpe que acabou, no Brasil, com a República Velha. Assumiu a 19 de setembro de 1931, e ali permaneceu até 25 de abril de 1935, quando assume - desta feita com a eleição indireta promovida pela Assembléia Legislativa - ficando no cargo até 10 de novembro de 1937.
Não foi uma tarefa de início nada fácil: o cargo era pleiteado pelo velho político J. J. Seabra, que apoiara Getúlio e já tinha sido governador. Juracy era então um jovem tenente, de apenas 25, quase 26 anos. A sua condição de "forasteiro" apenas agravou a reação dos velhos caciques da política local, que armaram-lhe grande oposição. Mas desde então revolou grande habilidade para contornar estes desafios, saindo deles ainda mais fortalecido. Juracy levava também uma vida secreta. Juracy fora informante do FBI durante o último governo Vargas e confidenciou a Adolf Berle que conspirara contra ele em 1945.[2] Um fato digno de nota foi que, durante este seu mandato, ocorreu a primeira prisão do futuro líder de esquerda, Carlos Marighella, por haver escrito um poema onde criticava-o.
Dentre suas realizações iniciou as obras de construção do Fórum Rui Barbosa - interrompidas pelo interventor Landulfo Alves, que o seguiu, e finalmente retomadas e concluídas por Otávio Mangabeira.
No local onde fora a casa do tribuno Cezar Zama, na Praça de Piedade, edificou a sede da Secretaria de Segurança Pública - órgão centralizador da repressão, no regime totalitário que então vivia o país.
Inaugurou o Instituto de Cacau da Bahia em 1936, solenidade que contou com a presença do próprio Getúlio Vargas. Apesar de fiel ao regime, o endurecimento do governo com a ditadura implantada em 1937, fez com que Juracy afastasse do novo golpe que se desferia.
A 10 de novembro daquele ano faz um pronunciamento ao povo, na Rádio Sociedade da Bahia. No dia 11 transmite o cargo ao comandante militar no Estado, deixando o Palácio do Governo carregado nos braços da população.
[editar] Segundo mandato
Sem maiores realizações[carece de fontes], cumpriu Juracy Magalhães - Jota-Eme, como era chamado, durante a campanha[carece de fontes] - um governo de oposição ao governo federal[carece de fontes], aliado a Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e outros da UDN, que o colacariam dentre os políticos que tramaram e apoiaram o golpe de Estado militar de 1964[carece de fontes].
No seu segundo mandato, Juracy se celebrizou por ter legalizado o jogo do bicho que passou a ser fonte de recursos para as obras assistenciais do governo. Sebastião Nery que lhe fazia oposição através de seu jornal çpanfletário, escreveu um dia o seguinte artigo: "A VELHA QUE VENDEU O PINICO PARA JOGAR NO BICHO".
[editar] Tratado de Itaipu
No dia 22 de junho de 1966, os ministros de relações exteriores do Brasil (Juracy Magalhães) e Paraguai (Sapena Pastor) assinaram a “Ata do Iguaçu”, firmando uma parceria que visava analisar a viabilidade disposta no recurso hídrico pertencente às duas nações. Em sua autobiografia, Juracy conta o episódio da seguinte forma:
"As conversas não eram fáceis. Pastor insistia na tese da indefinição da nossa fronteira no trecho das Sete Quedas, e eu não podia abrir mão da plena vigência do tratado que definia os limites consagrados na demarcação. Houve um momento de quase ruptura quando o chanceler paraguaio chegou a insinuar em nome de um suposto direito histórico, que nosso tratado tinha de ser revisto. Nessa hora observei, com o máximo de calma, que um tratado entre dois países só poderia ser revisto por outro tratado. Ou por uma guerra. E como o Brasil não estava disposto a aceitar novo tratado, perguntei-lhe se o Paraguai se considerava em condições de promover uma guerra.
Visivelmente surpreso e assustado, o chanceler paraguaio me perguntou se eu lhe estava fazendo uma ameaça, ao que lhe respondi dizendo que apenas pretendia trazer nossa discussão para uma base mais realista. Suspenso nosso encontro nesse clima tenso, quando voltamos a nos reunir já o chanceler mudara por completo sua atitude, graças a isso, pudemos chegar, no dia 22 de junho, em Foz do Iguaçu,a celebrar o acordo, que se chamou Ata das Cataratas".(MAGALHÃES, Juracy. GUEIROS, José Alberto. O último tenente. São Paulo: Editora Record, 1996, p. 349.)
Referências
- ↑ Pelas regras ortográficas vigentes, o nome do biografado deve ser grafado Juraci Montenegro Magalhães. Segundo a onomástica, os nomes de pessoas falecidas devem ser referenciados conforme a regra ortográfica em vigor.
- ↑ Gerard Colby e Charlotte Dennett. Seja feita a vossa vontade. Editora Record, 1998 1
| Precedido por Raimundo Rodrigues Barbosa |
Governador da Bahia 1931 — 1937 |
Sucedido por Antônio Fernandes Dantas |
| Precedido por — |
Presidente da Petrobras de abril até setembro de 1954 |
Sucedido por Artur Levy |
| Precedido por Antônio Balbino |
Governador da Bahia 1959 — 1963 |
Sucedido por Lomanto Júnior |
| Precedido por Luís Viana Filho |
Ministro da Justiça e Negócios Interiores do Brasil 1965 — 1966 |
Sucedido por Mem de Azambuja Sá |
| Precedido por Vasco Leitão da Cunha |
Ministro das Relações Exteriores do Brasil 1966 — 1967 |
Sucedido por José de Magalhães Pinto |