Quintino Bocaiuva

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Quintino Bocaiuva
Presidente do Rio de Janeiro Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg
Período de governo de 31 de dezembro de 1900
a 31 de dezembro de 1903
Antecessor(a) Alberto Torres
Sucessor(a) Nilo Peçanha
Vida
Nascimento 4 de dezembro de 1836
Itaguaí
Morte 11 de junho de 1912 (75 anos)
Rio de Janeiro
Dados pessoais
Partido Partido Republicano Conservador
Profissão advogado e político

Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva[1] (Itaguaí, 4 de dezembro de 1836Rio de Janeiro, 11 de junho de 1912) foi um jornalista e político brasileiro, conhecido por sua atuação no processo da Proclamação da República. Como político, foi o primeiro ministro das relações exteriores da República, de 1889 a 1891, e presidente do estado do Rio de Janeiro, de 1900 a 1903.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 1850 mudou-se para a cidade de São Paulo, iniciando a vida profissional como tipógrafo e revisor. Preparando-se para cursar Direito, foi forçado a abandonar os estudos por falta de recursos. Nesta fase, colaborou no jornal Acaiaba (1851), quando adotou o nome Bocaiuva (nome comum a duas espécies nativas de palmeira[2] ), para afirmar o nativismo.[3]

Defensor ardoroso das ideias republicanas, de volta à cidade do Rio de Janeiro trabalhou no jornal Diário do Rio de Janeiro (1854) e Correio Mercantil (1860-1864), vindo a ser o redator do Manifesto Republicano, que veio a público em 3 de Dezembro de 1870, na primeira edição do A República, e em cujas páginas escreveu até o encerramento, em 1874, quando fundou o jornal O Globo (1874-1883). Em 1884 fundou O Paiz, que exerceu grande influência na campanha republicana.

Maçom, iniciado na Loja Amizade (São Paulo, 1861), era contrário às ideias positivistas. Polemista de discurso agressivo e lógico, no Congresso Republicano (São Paulo, Maio de 1889) prevaleceu a tese de uma campanha doutrinária pela imprensa para o advento gradual da República.

Papel na proclamação da República[editar | editar código-fonte]

Quintino Bocaiuva.

A aproximação de personalidades civis (chamados de casacas) e militares descontentes com o regime monárquico (especificamente junto a Benjamin Constant Botelho de Magalhães e ao Marechal Deodoro da Fonseca), foi decisiva nos acontecimentos que levaram à deposição do Imperador e à Proclamação da República Brasileira (1889).

Foi o único civil a cavalgar, ao lado de Benjamin Constant e do Marechal Deodoro da Fonseca, com as tropas que se dirigiram ao quartel-general do Exército brasileiro, na manhã de 15 de Novembro, quando da proclamação da República.

Atuação como político[editar | editar código-fonte]

Placa da rua com seu nome em Juiz de Fora.

Com esta, participou do Governo Provisório, assumindo a pasta das Relações Exteriores. Nessa qualidade, negociou e assinou o Tratado de Montevidéu (25 de janeiro de 1890) visando solucionar a Questão de Palmas, entre o Brasil e a Argentina. Considerando que o diplomata extrapolou quanto à concessão territorial para a conclusão das negociações, o Congresso Nacional do Brasil rejeitou os termos do Tratado (1891) e Bocaiuva deixou a pasta para continuar como Senador pelo Estado do Rio de Janeiro na Assembleia Nacional Constituinte. Permaneceu no cargo até à votação da Constituição (24 de Fevereiro de 1891), renunciando ao mandato para retornar ao jornalismo, à frente de O Paiz. Pela atuação na imprensa, foi cognominado, pelos contemporâneos como o "príncipe dos jornalistas brasileiros".[4]

Em 1899 foi reeleito Senador, sendo subsequentemente escolhido para o governo do Estado do Rio de Janeiro (1900-1903). De 1901 a 1904, na Maçonaria, ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil, posto mais elevado na hierarquia da Ordem. Em 1909 retornou ao Senado, tendo exercido o cargo de vice-presidente de 1909 a 1912. Nessa função, apoiou a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca à presidência da República (1910) e, nesse mesmo ano, ocupou a presidência do Partido Republicano Conservador do caudilho gaúcho José Gomes Pinheiro Machado.

Quintino Bocaiuva faleceu no bairro do Rio de Janeiro onde morava, e que hoje, em homenagem, leva o nome: Quintino Bocaiuva.

Notas

  1. A grafia original deste seu sobrenome, constante em seus documentos pessoais a partir de 1851, era Bocayuva.
  2. Dicionário Aurélio, verbete bocaiúva: Acrocomia mokayayba e Acrocomia odorata, ambas encontradas nos atuais estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
  3. Em verdade, a prática já era comum desde o movimento da Independência - como se pode ver em Francisco Gê Acaiaba de Montezuma
  4. Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1930.
Precedido por
José Francisco Diana
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
18891891
Sucedido por
Justo Leite Chermont
Precedido por
Lourenço Cavalcanti de Albuquerque
Ministro dos Transportes do Brasil
e
Ministro da Agricultura do Brasil

1889
Sucedido por
Demétrio Nunes Ribeiro
Precedido por
Alberto Torres
Presidente do Estado do Rio de Janeiro
19001903
Sucedido por
Nilo Peçanha
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