Questão Christie

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Victor Meirelles - Estudo para a Questão Christie, 1864.JPG
Estudo para a Questão Christie, de Victor Meirelles (1864)
Conflitos na História do Brasil
- Império -
Primeiro Reinado
Guerra da Independência: 1822-1823
Independência da Bahia: 1821-1823
Confederação do Equador: 1824
Guerra contra as Províncias Unidas: 1825-1828
Revolta dos Mercenários: 1828
Período Regencial
Federação do Guanais: 1832
Revolta dos Malês: 1835
Cabanagem: 1835-1840
Farroupilha: 1835-1845
Sabinada: 1837-1838
Balaiada: 1838-1841
Segundo Reinado
Revoltas Liberais: 1842
Revolta Praieira: 1848-1850
Guerra contra Oribe e Rosas: 1851-1852
Ronco da Abelha: 1851-1852
Questão Christie: 1863
Guerra contra Aguirre: 1864
Guerra do Paraguai: 1864-1870
Questão Religiosa: 1872-1875
Revolta dos Muckers: 1874
Revolta do Quebra-Quilos: 1874-1875
Questão Militar: década de 1880


A Questão Christie, em termos de Relações Internacionais do Brasil, constituiu-se num contencioso entre os governos do Império do Brasil e do Reino Unido, que teve lugar de 1862 a 1865.

Esta questão diplomática foi fruto de um conjunto de incidentes envolvendo ambas as nações, culminando, pela atuação do embaixador britânico creditado no Brasil, William Dougal Christie, no rompimento das relações diplomáticas por iniciativa do Brasil (1863).

História[editar | editar código-fonte]

A aplicação do chamado "Bill Aberdeen" (8 de agosto de 1845) e a aprovação da Lei Eusébio de Queirós (4 de setembro de 1850), legislações destinadas a proibir o tráfico de escravos para o Brasil, tiveram como consequências, na prática, uma intensificação desse mesmo tráfico[carece de fontes?], e o estímulo de um sentimento anti-britânico no Brasil.[carece de fontes?]

Sérgio Buarque de Holanda, em sua clássica obra de 1936, Raízes do Brasil, contradiz essa informação (de que houve aumento no tráfico), assim dispondo:

"Não é para admirar se, com esse aparelhamento, puderam os interessados no tráfico promover, mesmo, e principalmente, depois de 1845 - o ano do Bill Aberdeen -, um comércio cada vez mais lucrativo e que os transformaria em verdadeiros magnatas das finanças do Império.
Pode-se bem estimar a importância do golpe representado pela Lei Eusébio de Queiros, considerando que, naquele ano de 1845, o total dos negros importados fora de 19.363; em 1846, de 50.354; em 1847 de 56.172; em 1848, de 60 mil; em 1849, de 54 mil e em 1850, de 23 mil.

A queda súbita que se assinala neste último ano resulta, aliás, não só da aprovação da Lei Eusébio de Queirós, que é de 4 de setembro, como da intensificação das atividades britânicas de repressão ao tráfico. A eficiência das medidas adotadas reflete-se no fato de, já em 1851, terem entrado no país apenas 3.287 negros, e setecentos em 1852. Depois disso só se verificaram pequenos desembarques, entre eles os de Serinhaém, em Pernambuco, e o de São Mateus, no Espírito Santo, que resultaram na apreensão, por parte das autoridades, de mais de quinhentos africanos.

O naufrágio do "Principe de Gales"[editar | editar código-fonte]

O veleiro mercante britânico HMS Prince of Wales, com quatro anos de idade, zarpou de Glasgow, na Escócia, com destino a Buenos Aires, na Argentina, em 2 de abril de 1861. A sua carga era constituída por carvão de pedra, louças, lenços e fazendas, azeite e vinho.

Entre os dias 5 e 8 de junho, na costa da então província do Rio Grande do Sul, em uma região deserta e de praias perigosas na altura do farol do Albardão, a 87 quilômetros da barra do arroio Chuí, a embarcação encalhou e começou a adernar.

Diante disso, a tripulação abandonou o navio e um grupo dirigiu-se à cidade de Rio Grande, para avisar à capitania do porto o sucedido e solicitar auxílio. Nesse meio-tempo, alguns populares em terra, ao tomarem conhecimento do que perceberam como um naufrágio, e dando a carga como perdida, resolveram apoderar-se dela. Quando os marinheiros britânicos retornaram para tentar rebocar a embarcação encalhada, encontraram na praia os corpos sem vida de dez dos seus companheiros e constataram a perda da carga. Diante da gravidade da situação, os sobreviventes apresentaram uma reclamação ao embaixador britânico acreditado no Rio de Janeiro, então capital do Império, William Dougal Christie. Este, no exercício das suas funções, transmitiu-a ao imperador Pedro II do Brasil, acompanhada de um pedido de indenização e de desculpas, tendo recebido resposta negativa.

A detenção dos marinheiros[editar | editar código-fonte]

No ano seguinte (1862), no Rio de Janeiro, dois marinheiros da Marinha Real Britânica, tripulantes da fragata HMS Emerald, em trajes civis, envolveram-se em luta corporal com marinheiros brasileiros por causa das mulheres que estavam em companhia destes, provocando tumulto nas ruas da capital. A polícia portuária recolheu o grupo embriagado à prisão, soltando-o no dia seguinte.

A Questão Christie[editar | editar código-fonte]

Dois dias após o incidente com os marujos, o então ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, enviou uma nota diplomática ao embaixador britânico, solicitando que os responsáveis pela agressão aos brasileiros fossem colocados à disposição das autoridades nacionais. Recorde-se que os súditos britânicos, à época no Império do Brasil, respondiam apenas à Justiça de seu país. Desse modo, um indignado William Christie retornou à presença do imperador, com a ameaça de que, se a indenização pela carga do Prince of Wales não fosse paga, os marujos brasileiros envolvidos na recente arruaça na capital detidos, os policiais brasileiros responsáveis pela detenção inicial demitidos, além da apresentação de um pedido formal de desculpas do governo imperial ao Reino Unido, a Marinha Real bloquearia a entrada da baía de Guanabara. Christie, acerca do naufrágio do navio britânico afirmou ainda que os seus tripulantes foram assassinados por brasileiros antes do afundamento, que teriam procedido o saque da carga.

Christie recebeu como resposta a informação de que o Império do Brasil estaria pronto para a guerra. Diante disso, em abril de 1862, o Reino Unido enviou uma canhoneira que ameaçou atacar a cidade gaúcha de Rio Grande. Oito meses depois, uma esquadra de guerra comandada pelo almirante Warren, bloqueou o porto do Rio de Janeiro, apreendeu cinco navios brasileiros que ali estavam fundeados, e exigiu do governo uma indenização de 3,2 mil libras esterlinas. Esse incidente enfureceu a população da capital, que promoveu diversas manifestações de protesto e ameaçou praticar represálias contra propriedades de britânicos no país.

Diante da escalada das tensões, a questão diplomática foi submetida por comum acordo ao arbitramento do rei Leopoldo I da Bélgica. Complementarmente, o governo brasileiro, através da sua representação em Londres, encaminhou um pedido de indenização em função da apreensão de embarcações feita pelo almirante Warren no início do ano de 1863, além da exigência de um pedido formal de desculpas pela violação do território nacional. Em virtude da resposta negativa, o Imperador D. Pedro II decidiu romper relações diplomáticas com a Grã-Bretanha em maio daquele ano.

Em relação ao arbitramento internacional, acreditando que o veredicto seria contrário aos interesses nacionais, D. Pedro II decidiu pagar antecipadamente a indenização pleiteada pelos ingleses, por considerar que a discussão não envolvia questões de dinheiro, e sim o desrespeito inglês à soberania nacional do Brasil. Entretanto, o rei belga deu parecer favorável ao Brasil. O resultado foi comunicado ao representante do governo brasileiro em Bruxelas quando este foi recebido na Corte em 21 de junho de 1863. Diante disso, o Imperador passou a exigir a devolução do dinheiro pago e a apresentação de desculpas por parte do embaixador inglês, mas não conseguiu receber nem uma coisa, nem outra.

Somente quando o governo britânico apresentou desculpas formais ao imperador brasileiro (1865), é que se reataram as relações diplomáticas entre as duas nações. Enquanto isso a Guerra do Paraguai já havia começado em 1864

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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