Batalha de Campo Grande

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Batalha de Campo Grande
Guerra do Paraguai
Batalha de Campo Grande - 1871.jpg
Batalha de Campo Grande, por Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1877).
Data 16 de Agosto de 1869
Local Eusebio Ayala, Paraguai
Desfecho Vitória da Tríplice Aliança
Combatentes
 Paraguai  Uruguai
 Argentina
 Brasil
Comandantes
Paraguai Bernardino Caballero Brasil Gastão de Orléans, Conde d'Eu
Forças
6.000 paraguaios 20.000 brasileiros e argentinos
Baixas
2.000 mortos
1.200 capturados
46 mortos
259 feridos

A Batalha de Campo Grande (chamada Batalha de Los Niños ou Acosta Ñu pelos paraguaios) foi um conflito que aconteceu durante a Guerra do Paraguai, onde, em 16 de agosto de 1869, 20.000 homens da tríplice aliança lutaram contra forças paraguaias constituídas de 500 veteranos e 3.500 crianças.[1]

Contexto[editar | editar código-fonte]

No ano de 1869, o exército paraguaio estava em retirada e Assunção sob ocupação dos aliados. Francisco Solano López se recusou a se render e fugir, prometendo continuar lutando até o fim. O comandante brasileiro Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, sugeriu que a guerra estava, militarmente, encerrada, mas Dom Pedro II, imperador brasileiro, exigia a rendição de Solano López. O duque se afastou por motivos de saúde e foi substituído pelo genro do imperador, Luís Filipe Gastão de Orléans, o Conde d'Eu. Sob o novo comando, o exército brasileiro continuou a campanha no Paraguai até finalmente matar López em 1870.

Com a maioria dos homens adultos paraguaios mortos ou capturados, López passou a usar crianças e idosos no exército para continuar a luta contra a Aliança. Algumas crianças lutaram com fuzis de madeira e com barbas falsas a fim de esconder a pouca idade.

O início[editar | editar código-fonte]

Conde d'Eu e as principais tropas aliadas avançaram e tomaram Caacupé em 15 de agosto, onde, supostamente, López estava se escondendo (ele, na verdade, havia fugido para Caraguataí dias antes). Para impedir o exército paraguaio de se locomover a Caraguataí, Conde d'Eu enviou uma divisão brasileira da cavalaria para a passagem até Campo Grande. A divisão foi reforçada, mais tarde, pela 2ª unidade tática do exército brasileiro, junto com tropas argentinas comandadas pelo coronel Luís Maria Campos.

A batalha[editar | editar código-fonte]

As tropas aliadas alcançaram a retaguarda das forças paraguaias em San Bernardino em 16 de agosto. A batalha começou às oito e meia da manhã, com seis mil paraguaios comandados pelo general Bernardino Caballero, enfrentando vinte mil soldados brasileiros e argentinos. Campo Grande é uma vasta planície com aproximadamente 12 quilômetros quadrados, ideal para a cavalaria brasileira.

A batalha duraria oito horas, com os paraguaios, em minoria, oferecendo uma feroz resistência. Após os primeiros ataques, as tropas do General Caballero recuaram para o outro lado do rio Juquerí, onde eles tinham oito canhões e cobertura. Eles colocaram fogo na grama para esconder seus movimentos com a fumaça.

A infantaria aliada fez o primeiro avanço para cruzar o rio, mas foi repelida. Conde d'Eu, então, ordenou que sua artilharia abrisse fogo, o que causou grandes perdas no lado paraguaio. Até então, a cavalaria brasileira havia, finalmente, alcançado o campo de batalha e conseguira cruzar o rio e fazer um devastador ataque contra a posição paraguaia. As tropas do General Caballero se defenderam utilizando uma clássica formação em quadrado com baionetas. Ainda assim, suas tropas sofreram grandes baixas.

A infantaria aliada atacou novamente com baionetas, assumindo os oito canhões e a posição paraguaia. No fim, 2.000 paraguaios foram mortos e 1.200 capturados. As forças aliadas tiveram menos de 46 mortos e menos de 259 feridos.[2] General Caballero fugiu com parte de sua tropa.[3]

Segundo alguns historiadores da escola revisionista predominante nos anos 70, após o fim dos combates o Conde d'Eu teria ordenado que o campo fosse incendiado, matando os soldados e familiares que já haviam se rendido e outros que tentavam socorrer os feridos [1] . Essa versão não é corroborada pelas obras mais recentes e nem pelos documentos da época.[4] [5]

O especialista em história militar Reginaldo Bacchi não entendia a menção (ao incendio proposital dos campos). E foi fazer o que poucos leitores fazem: foi à fonte. E Taunay diz o exato oposto: havia balas que ainda explodiam no campo por causa do "incêndio da macega ateado, no princípio da ação, pelos paraguaios, para ocultarem o seu movimento tático". Ainda mais curioso, percebe-se de Taunay que antes de ser um sanguinário matador de crianças, o conde era uma pessoa sensível. Como escreveu Doratioto em sua dissertação: "Depois da batalha de Campo Grande, talvez impressionado com a morte, na batalha, de tantos adolescentes que lutavam nas fileiras paraguaias, o Conde d'Eu mudou de postura. Segundo o Visconde de Taunay, que fez parte do Estado-Maior do comandante das forças imperiais, o Conde deixou de ser ativo e tornou-se 'displicente e caprichoso, falando de contínuo na necessidade de regressar ao Rio de Janeiro', afirmando a cada instante: 'Não tenho mais nada que fazer aqui!'". [6]

A batalha na história[editar | editar código-fonte]

Essa foi a última grande batalha na Guerra do Paraguai, que iria, finalmente, terminar meses depois com a morte de López. Ela está representada no famoso quadro "Batalha de Campo Grande", de Pedro Américo, e no livro "Recordações de Guerra e de Viagem", do escritor Visconde de Taunay, que fez parte da batalha.

Caballero se renderia mais tarde e, como muitos outros oficiais paraguaios nessa situação, foi preso no Rio de Janeiro, onde viveu por alguns anos numa casa de família. Se tornaria, tempos depois, presidente do Paraguai (1880-1886). Manoel Deodoro da Fonseca comandou um dos batalhões da infantaria brasileira e foi, mais tarde, o primeiro presidente do Brasil (1889-1891).

No Paraguai, o Dia da Criança é celebrado em 16 de agosto. É um feriado nacional em memória das crianças que perderam suas vidas nessa batalha.

Referências

  1. a b Universidade Federal Fluminense
  2. Diferentes fontes divergem amplamente sobre as baixas aliadas na batalha. Moacyr Flores (Flores, Moacyr, Dicionário de história do Brasil, 2a. edição, EDIPUCRS, 2001, ISBN 85-7430-209-0, 9788574302096) cita 68 mortos e 389 feridos. A >Revista Folha informa 45 mortos e 431 feridos. A coletânea de Magnoli (Magnoli, Demétrio, HISTORIA DAS GUERRAS, Editora Contexto, 1999 ISBN 85-7244-395-9, 9788572443951) reporta apenas 26 mortos e 259 feridos
  3. Revista Folha
  4. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai; Doratioto, Francisco; Editora Companhia das Letras, 2002, pg. 19, 20 e 411
  5. To the Bitter End: Paraguay and the War of the Triple Alliance; Leuchars, Christopher; ABC-CLIO, 2002; ISBN 0313076855, 9780313076855, pg.223
  6. apud http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/histpar_1.htm