Baía de Guanabara
| Baía de Guanabara | |
|---|---|
| Baía de Guanabara vista de satélite da NASA. | |
| Localização | Rio de Janeiro |
| Oceanos | Atlântico |
| Países | |
| Comprimento máximo | 31 km |
| Largura máxima | 28 km |
| Área superficial | 380 km² |
| Profundidade média | 3-8 m |
| Profundidade máxima | 17 m |
| Referências e notas de rodapé | |
A baía de Guanabara localiza-se no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
Índice |
Aspectos históricos [editar]
Habitada pelos índios temiminós, foi descoberta pela expedição exploradora portuguesa de 1501 (cujo comando é atribuído por alguns autores a Gaspar de Lemos) em 1 de Janeiro de 1502. Os portugueses a confundiram com a foz de um grande rio, ao qual denominaram "Rio de Janeiro", por ter sido descoberto no mês de janeiro. Os indígenas locais, entretanto, tinham já uma designação tupi para a mesma: Iguaá-Mbara (iguaá = enseada do rio, e mbará = mar), ou então guana ("seio") bara ("mar"), "mar do seio", em referência a seu formato arredondado e à fartura de pesca que proporcionava, ou ainda kûárana pará ("mar do que se assemelha a enseada", pela junção de kûá, "enseada"1 , rana, "semelhança"2 e pará, "mar"3 . O nome é uma alusão ao fato de, na época, a baía não ter a entrada tão estreita como tem hoje, pois o conjunto dos morros Cara de Cão, Pão de Açúcar e Urca formavam uma ilha chamada Ilha da Trindade e não uma península, como ocorre hoje, fruto de um aterramento realizado no século XVI4 .)
Foi assim descrita por alguns de seus primeiros observadores:
- "Toda a terra deste rio he de montanhas e serras muy altas. As melhores águas há neste rio que podem ser". (Pero Lopes de Sousa. Diário de Navegação. 1531)
- "...dentro da barra tem uma baía que bem parece que a pintou o supremo pintor arquiteto do mundo, Deus Nosso Senhor". (Padre Fernão Cardim, fins do século XVI)
O relevo que a enquadra, de contornos irregulares, conforma um porto de abrigo natural, favorável à actividade económica humana, da qual são exemplos as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói.
Principal acesso à cidade do Rio de Janeiro durante séculos, acabou tragada pelo crescimento urbano a partir da segunda metade do século XX.
Atualmente, conta com um tráfego intenso de navios, sendo significativa também a circulação das balsas, catamarãs e aerobarcos que ligam o centro do Rio de Janeiro à Ilha de Paquetá, à Ilha do Governador, ao centro de Niterói e a Charitas (Niterói). O trajeto para Niterói pode ser feito, desde 1974, pela Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como "Ponte Rio-Niterói".
Aspectos físicos [editar]
A baía é a resultante de uma depressão tectônica formada no Cenozoico, entre dois blocos de falha geológica: a chamada Serra dos Órgãos e diversos maciços costeiros, menores.
Constitui a segunda maior baía, em extensão, do litoral brasileiro, com uma área de aproximadamente 380 km².
Considerando-se a sua barra como uma linha imaginária que se estende da ponta de Copacabana até à ponta de Itaipu, esta sofre um estreitamento entre a ponta da Fortaleza de São João, na cidade do Rio de Janeiro, e a ponta da Fortaleza de Santa Cruz, na de Niterói, com uma largura aproximada de 1.600 metros. Relativamente a meio dessa passagem, ergue-se uma laje rochosa (ilha da Laje), utilizada desde os colonizadores como ponto de apoio à defesa da barra, o atual Forte Tamandaré (antigo Forte da Laje).
As profundidades médias na baía são de 3 metros na área do fundo, 8,3 metros na altura da Ponte Rio-Niterói e de 17 metros no canal de entrada da barra. Na área do fundo, onde desaguam a maior parte dos rios, o acúmulo de sedimentos constituiu manguezais, envoltos pela vegetação própria da Mata Atlântica.
Rios que deságuam na baía [editar]
- Canal do Cunha
- Canal do Mangue
- Rio Acari
- Rio Alcântara
- Rio Bomba
- Rio Caceribu
- Rio Carioca
- Rio Estrela
- Rio Guapi
- Rio Guaxindiba
- Rio Iguaçu
- Rio Imboaçu
- Rio Inhomirim
- Rio Irajá
- Rio Macacu
- Rio Magé
- Rio Maracanã
- Rio Marimbondo
- Rio Méier, com 3.470 metros de extensão
- Rio Meriti
- Rio Pavuna
- Rio Piraque
- Rio Quitungo, com 3.560 metros de extensão
- Rio Roncador
- Rio Saracuruna
- Rio Sarapuí
- Rio Suruí
- Rio Timbó
- Rio Trapicheiros
- Rio Iriri
- Rio Guaraí
- Rio Guapimirim
Ilhas na baía [editar]
No interior da baía concentra-se uma grande quantidade de ilhas e ilhotas, entre as quais se relacionam:
- Ilha d'Água
- Ilha da Boa Viagem
- Ilha do Bom Jesus da Coluna
- Ilha do Boqueirão
- Ilha do Brocoió
- Ilha do Caju
- Ilha da Conceição
- Ilha das Cobras
- Ilha das Enxadas
- Ilha Fiscal
- Ilha das Flores (ilhas do Engenho, Ananases, Mexinguira e Carvalho)
- Ilha do Fundão
- Ilha do Governador
- Ilha da Laje
- Ilha de Mocanguê
- Ilha de Paquetá
- Ilha do Pinheiro
- Ilha de Pombeba
- Ilha do Rijo
- Ilha de Santa Bárbara
- Ilha do Sol
- Ilha de Villegagnon
Aspectos naturais [editar]
A baía abriga dezenas de espécies botânicas, zoológicas e ictiológicas. Entre as espécies que habitam ou procuram a baía de Guanabara para se alimentar ou se reproduzir, destacam-se:
A baía integrava a rota migratória das baleias francas que buscavam as suas águas quentes para procriar, no inverno austral. Até ao século XVIII, a armação (pesca) de baleias foi uma atividade expressiva na baía de Guanabara.
Aspectos de meio ambiente [editar]
Diante da perda secular de áreas de manguezal, exploradas sob os mais variados aspectos, a baía atualmente agoniza, vítima da poluição dos esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo e da crescente presença de metais pesados em suas águas. À época do Descobrimento, estima-se que essas áreas cobriam 300 km²; dados da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, em 1997, indicavam que elas se encontravam reduzidas a apenas cerca de 60 km².
Embora as águas da baía se renovem em contato com as do mar, ela é a receptora final de todos os efluentes líquidos gerados nas suas margens e nas bacias dos 55 rios e riachos que a alimentam. Entre as fontes potenciais de poluição contam-se 14 000 estabelecimentos industriais, quatorze terminais marítimos de carga e descarga de produtos oleosos, dois portos comerciais, diversos estaleiros, duas refinarias de petróleo, mais de mil postos de combustíveis e uma intrincada rede de transporte de matérias-primas, combustíveis e produtos industrializados permeando zonas urbanas altamente congestionadas.
A bacia que drena para a Baía de Guanabara tem uma superfície de 4 000 km², integrada pelos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, São Gonçalo, Magé, Guapimirim, Itaboraí, Tanguá e partes dos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Petrópolis, a maioria localizada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Esta região abriga cerca de dez milhões de habitantes, o equivalente a 80 por cento da população do estado do Rio de Janeiro e apresentou, no período 1980-1991, a maior taxa de crescimento do País. Mais de 2/3 dessa população, 7,6 milhões de habitantes, habitam na bacia da Baía de Guanabara.
A partir da década de 1990, começou a ser objeto de um grande projeto de recuperação ambiental, com verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Governo do Japão. O projeto, no entanto, encontra-se atualmente paralisado.
Causas da degradação ambiental [editar]
Aterros e assoreamento [editar]
Alguns trechos de suas margens foram aterrados para a construção de cais e de vias públicas, como o Aterro do Flamengo, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Rodovia Niterói-Manilha, entre outros.
Destruição de manguezais [editar]
Dos 260 km² originalmente cobertos por manguezais no entorno da baía, restam hoje apenas 82 km². A destruição desta formação vegetal causa a redução da capacidade de reprodução de diversas espécies de vida aquática e intensifica o processo de assoreamento que, ao longo do tempo, resulta na progressiva redução de profundidade da Baía.
Poluição industrial [editar]
Cerca de 400 indústrias, do total de 14 000, são responsáveis pelo lançamento de quantidades expressivas de poluentes na Baía de Guanabara e nos rios da sua bacia.
Uma estimativa da carga diária de poluentes despejada na baía, consideraPredefinição:Fact:
- 400 toneladas de esgoto doméstico
- 64 toneladas de resíduos orgânicos industriais
- 7 toneladas de óleo
- 300 quilos de metais pesados como: chumbo, mercúrio e etc.
Acidentes ambientais [editar]
Somam-se, ainda, os acidentes ambientais como vazamentos de óleo, que ocorrem com certa frequência nas refinarias, portos comerciais, estaleiros e postos de combustíveis. Como exemplo, ocorreu em janeiro de 2000 um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, causando grandes danos aos manguezais, praias e à população de pescadores, ou em março de 2006, diante de uma mortandade de peixes e óleo invadindo a praia de Ramos, os moradores da região acusando o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim por lavar os aviões e deixar óleo escoar para as águas da baía. Mas o maior vazamento registrado ocorreu em março de 1975 por ocasião do acidente de navegação protagonizado pelo N/T Tarik Ibn Zyiad, quando 6 milhões de litros de óleo contaminaram as águas da baía. 5
Notas
- ↑ http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
- ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 449.
- ↑ http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
- ↑ http://www.urca.net/historia.htm
- ↑ Envinronment Brazil: Government grapples with major oil spill