Carnaval do Rio de Janeiro

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  • Durante todo o período colonial as diversões que aconteciam na cidade do Rio de Janeiro durante o carnaval não diferenciam daqueles presentes em outros centros urbanos brasileiros.

Toda uma série de brincadeiras reunidas sob o termo Entrudo podiam ser encontradas nas ruas e nas casas senhoriais da cidade.

Após a Independência do Brasil, a elite carioca decide se afastar do passado lusitano e incrementar a aproximação com as novas potências capitalistas. A cidade e a cultura parisienses serão os parâmetros a guiar as modas e modos a serem importados.

Atualmente, seu carnaval é oficialmente considerado o maior do mundo, pelo Guinness Book, com aproximadamente 2 milhões de pessoas por dia nos blocos de rua.[1] [2]

Os bailes[editar | editar código-fonte]

O carnaval da capital francesa será um dos elementos de influência, fazendo com que a folia do Rio de Janeiro rapidamente apresente bailes mascarados aos moldes parisienses. Inicialmente promovidos ou incentivados pelas Sociedades Dançantes que existiam na cidade (como a Constante Polka, por exemplo) esses bailes acabariam por ser suplantados pelos bailes públicos, como o famoso baile público do Teatro São Januário promovido por Clara Delmastro[3] .

O grande sucesso dos bailes acabaria por incentivar outras formas de diversão, como os passeios ou promenades aos moldes do então já quase extinto carnaval romano. A idéia de se deslocar para os bailes em carruagens abertas seduzia a burguesia, que via, aí, uma oportunidade de exibir suas ricas fantasias ao povo e "civilizar" o carnaval de feição 'entruda'[3] .

O povo carioca assistia deslumbrado a esses cortejos sem, entretanto, se furtar a saudar com seus limões de cheiro os elegantes mascarados. A tensão decorrente desse embate carnavalesco faria com que a elite procurasse organizar cada vez mais seus passeios através da reunião de uma grande número de carruagens e da presença ostensiva de policiamento incorporado aos desfiles[3] .

As sociedades carnavalescas[editar | editar código-fonte]

Aos poucos essas promenades acabariam por adquirir uma certa independência em relação aos bailes até que, em 1855, um grupo de cidadãos notáveis organizaria aquele que ficou conhecido como o primeiro passeio de uma sociedade carnavalesca por uma cidade brasileira: o desfile do Congresso das Sumidades Carnavalescas.O sucesso desse evento abriria as portas para o surgimento de dezenas de sociedades carnavalescas que, em poucos anos, já disputariam entre si o exíguo espaço do centro da cidade durante os dias de carnaval[4] .

O carnaval das ruas[editar | editar código-fonte]

Entretanto, o fabuloso carnaval proposto pela burguesia não reinaria sozinho nas ruas do Rio de Janeiro. Paralelamente ao movimento de implantação de uma festa civilizada, outras diversões tomavam forma na cidade. O entrudo, com sua alegria desorganizada e espontânea não era a única diversão carnavalesca popular. Muitos grupos negros de Congadas (ou Congos) e Cucumbis aproveitavam-se da relativa liberalidade reinante para conseguir autorização policial para se apresentarem. Além disso, outros grupos, reunindo a população carente de negros libertos e pequenos comerciantes portugueses (mais tarde conhecidos como Zé Pereiras), sentiram-se incentivados a passear pelas ruas[5] .

A mistura desses diferentes grupos acabaria por forçar uma espécie de diálogo entre eles. Em pouco tempo as influências mútuas se fazem notar através da adoção pelo carnaval popular, das fantasias e da organização características da folia burguesa. As sociedades carnavalescas por sua vez, passaram a incorporar boa parte dos ritmos e sonoridades típicos das brincadeiras populares. O resultado de tudo isso é que as ruas do Rio de Janeiro veriam surgir toda uma variedade de grupos, representando todos os tipos de interinfluências possíveis. É essa multiplicidade de formas carnavalescas, essa liberdade organizacional dos grupos que faria surgir uma identidade própria ao carnaval carioca. Uma identidade forjada nas ruas, entre diálogos e tensões.

Essa forma de classificação perduraria até os anos 1930, quando o prefeito/interventor do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto, oficializaria a festa carioca. A partir daí, os concursos promovidos pelos jornais, os textos jornalísticos publicados na imprensa e as obras dos primeiros folcloristas acabariam por separar as brincadeiras populares em categorias estanques, cada qual com uma história e um formato próprios, tais como blocos, ranchos, cordões, Zé Pereiras, corso e sociedades[6] . Coroando esse movimento é publicado, em 1958 o livro História do carnaval carioca, da pesquisadora Eneida de Moraes que estabelece o texto fundador da folia carioca, e, por extensão, brasileira[7] .

Escolas de samba[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 1920 o Brasil buscava criar uma identidade capaz de diferenciá-lo dentro da nova ordem mundial estabelecida após a Primeira Grande Guerra. O conceito de negritude se destacava mundialmente valorizando as produções culturais negras como a Arte africana e o jazz. A festa carnavalesca e o novo ritmo de base negra recém surgido, o samba, seriam as bases para a formulação de um sentido de brasilidade. A valorização do samba e da negritude acabariam aumentando o interesse da intelectualidade nos novos "grupos de samba" que surgiam nos morros cariocas. Esse grupos passaria a se apresentar "no asfalto", ou seja, longe dos guetos dos morros, sendo chamados de escolas de samba.

Tratados, inicialmente, como uma espécie de curiosidade "folclórica", esses grupos foram, pouco a pouco, cativando a sociedade carioca com seu ritmo marcado, com a sonoridade inesperada de suas cabrochas e com os temas populares de suas letras.

Mantidas por décadas como elementos secundário da folia carnavalesca carioca, as escolas de samba adquiririam grande proeminência a partir da década de 1950, com a incorporação da classe média aos desfiles, consequência da aproximação entre as escolas e intelectuais de esquerda. A partir daí elas galgariam os degraus do sucesso até se tornarem o grande evento carnavalesco nacional.

O carnaval carioca contemporâneo[editar | editar código-fonte]

Estandarte do bloco carnavalesco Simpatia é Quase Amor, Carnaval de rua do Rio de Janeiro, 2007.

O Carnaval de rua dos blocos e bandas[editar | editar código-fonte]

O Monobloco invade a Avenida Atlântica em Copacabana durante o carnaval do Rio de Janeiro de 2007.

A partir das duas semanas anteriores ao carnaval, as ruas do Rio de Janeiro, são tomadas por um grande número de blocos e bandas que carregam á milhares de mulas e fazem da cidade um grande baile popular sem cordas e aberto a quem quiser chegar. O carnaval de rua da cidade figura desde 2004 no Guinness book como o maior carnaval de rua do mundo, atraindo cerca de 2 milhões de foliões a cada dia[8] .

O carnaval dos bailes e clubes[editar | editar código-fonte]

Durante o carnaval diversos bailes são realizados nos clubes da cidade, alguns mais voltados para a classe alta, outros para as classes mais baixas[3] . A prefeitura da cidade também realiza bailes populares, abertos ao público em determinadas áreas tradicionais da cidade, como a Cinelândia e em bairros do subúrbio como Madureira. Também é famoso o baile do Gala Gay[9] , na terça-feira de carnaval, voltada para a comunidade GLS e o do Copacabana Palace, que recebe muitas celebridades[3] [10] .

Os ensaios das Escolas de Samba[editar | editar código-fonte]

Apesar de iniciado "oficialmente" na sexta-feira gorda, o carnaval de rua carioca começa já em dezembro quando as escolas de samba da cidade passam a realizar os chamados "ensaios técnicos" no Sambódromo. Verdadeiros desfiles onde o canto, a evolução e o ritmo são os elementos principais, esses eventos vêm atraindo a população da cidade e arredores que enche as arquibancadas, torce e canta com suas escolas. Uma verdadeira festa popular que captura cada vez mais o interesse dos turistas desejosos de assistir e participar de um carnaval essencialmente popular. em 2013, os ensaios até então misturados com as escolas do Grupo Especial e acesso. passam a ser separados, por grupo[11] . se repetindo em 2014[12] .

Palcos dos desfiles
Centro do Rio Campinho Bonsucesso
Sambódromo da Marquês de Sapucaí Avenida Rio Branco Estrada Intendente Magalhães Rua Cardoso de Moraes
Sambódromo.jpg Bola Preta.jpg Unidos do Cabral - comissão de frente - Carnaval 2009.JPG Unidos do Cabral - comissão de frente - Carnaval 2009.JPG

Corte real[editar | editar código-fonte]

Rei-momo[editar | editar código-fonte]

Rainha do carnaval[editar | editar código-fonte]

A Rainha do Carnaval do Rio de Janeiro é a passista que tem o dever de cortejar a folia, junto com o Rei Momo, na referida cidade. onde fazem parte, a 1ª e 2ª princesas, diferente de algumas cidades, na cidade do Rio de Janeiro. as Rainhas do Carnaval não veem de uma determinada escola de samba. Nestes mesmos concursos as princesas são geralmente as segundas e terceiras colocadas, podendo ser 1ª Princesa e 2ª Princesa, respectivamente. Algumas delas após o reinado se tornam rainhas ou madrinhas de bateria.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Clovis rio de janeiro.jpg

Ver também[editar | editar código-fonte]

Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.
  • AUGRAS, Monique. O Brasil do samba-enredo. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998.
  • CABRAL, Sérgio. As escolas de samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar, 1996.
  • COUTINHO, Eduardo Granja. Os cronistas de Momo: imprensa e carnaval na Primeira República. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006.
  • CUNHA, Maria Clementina Pereira. Ecos da folia: uma história social do carnaval carioca entre 1880 e 1920. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.
  • FERREIRA, Felipe. Inventando carnavais: o surgimento do carnaval carioca no século XIX e outras questões carnavalescas. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.
  • KAS, Leonel e LODDY, Nigge. Meu carnaval Brasil. Rio de Janeiro: Editora Aprazível, 2009.
  • MORAES, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record, 1987.
  • PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. O Carnaval das letras. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1994.
  • QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Carnaval brasileiro: o vivido e o mito. São Paulo: Brasiliense, 1992.
  • SOIHET, Rachel. A subversão pelo riso: estudos sobre o carnaval carioca da Belle Époque ao tempo de Vargas. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998.

Referências

  1. Largest Carnival Guinness World Records.
  2. Rio de Janeiro aqui. Carnaval no Rio de Janeiro. Página visitada em 09/11/2013.
  3. a b c d e Rio de Janeiro aqui. Bailes de Carnaval no Rio de Janeiro. Página visitada em 09/11/2013.
  4. Rio de Janeiro aqui. As Grandes Sociedades Carnavalescas. Página visitada em 09/11/2013.
  5. Carnaxe. Zé Pereira anima carnaval carioca. Página visitada em 09/11/2013.
  6. Scripta Nova. ESCOLAS DE SAMBA, IDENTIDADE NACIONAL E O DIREITO À CIDADE. Página visitada em 09/11/2013.
  7. Centro de Referência do Carnaval. HISTÓRIA DO CARNAVAL CARIOCA de Eneida de Moraes. Página visitada em 09/11/2013.
  8. Rio de Janeiro aqui. Blocos e Bandas Carnavalescas no Rio de Janeiro. Página visitada em 09/11/2013.
  9. Rio Carnaval. Gala Gay - Baile do Rio Scala. Página visitada em 09/11/2013.
  10. G1 (22/02/2009). Natália Guimarães brinca com tamanho da coroa: 'Está à altura de uma rainha'. Página visitada em 09/11/2013.
  11. SRZD-Carnaval (12/11/2012). Confira o calendário completo dos ensaios técnicos para o Carnaval 2013 20h44. Página visitada em 09/11/2013.
  12. Carnavalesco (30/10/2013). Ensaios técnicos do Grupo Especial no Sambódromo só em fevereiro 18:43. Página visitada em 09/11/2013.
  13. Terra (20/02/2004). Rei Momo magro inicia reinado no Rio de Janeiro. Página visitada em 19/09/2013.
  14. [http://web.archive.org/web/20090201005400/http://obatuque.com/artistas/priscila/priscila.htm Rainha Priscila Uma médica a serviço do samba] OBatuque.com. Página visitada em 19/11/2013. Cópia arquivada em 01/02/2009.
  15. a b IG. Ana Paula Evangelista: sambista internacional. Página visitada em 19/09/2013.
  16. SóSamba (02/12/2005). Alex é Rei Momo pela oitava vez e Rainha é bi. Página visitada em 19/11/2013.
  17. China Daily (05/02/2005). 'Lord of Misrule' kicks off Brazil's Rio carnival (em inglês) 9:56. Página visitada em 19/11/2013.
  18. G1 (11/11/2006). RIO CONHECE OS NOVOS REI MOMO E RAINHA DO CARNAVAL 2007 04h35. Página visitada em 14/09/2013.
  19. SRZD-Carnaval (27/10/2007). Rio já tem Rei Momo e nova Rainha do carnaval 19h00. Página visitada em 14/09/2013.
  20. G1 (29/09/2008). Rio conhece os novos Rei Momo e Rainha do Carnaval 2009 04h35. Página visitada em 14/09/2013.
  21. Terra (12/10/2009). Rio escolhe princesas e rainha do Carnaval de 2010. Página visitada em 14/09/2013.
  22. UOL (18/01/2011). Após desistência de mais uma princesa, Rio apresenta nova corte do Carnaval 19h31. Página visitada em 14/09/2013.
  23. G1 (21/11/2011). De tamborim nas mãos, dançarina é eleita Rainha do carnaval carioca 2012 12h36. Página visitada em 14/09/2013.
  24. G1 (04/11/2012). Rei Momo e Rainha do Carnaval 2013 são eleitos na Cidade do Samba 07h45. Página visitada em 14/09/2013.
  25. Carnavalesco (04/11/2012). Conheça o rei momo, rainha e princesas do Carnaval 2013. Página visitada em 14/09/2013.
  26. SRZD-Carnaval (09/11/2013). Carnaval de 2014 já tem sua Corte Oficial 00h07. Página visitada em 09/11/2013.
  27. G1 (09/11/2013). Rainha e Rei Momo do carnaval 2014 do Rio são eleitos 00h15. Página visitada em 09/11/2013.
  28. G1 (09/11/2013). 'Em êxtase', Rainha do Carnaval do Rio 2014 comemora coroação 8h59. Página visitada em 09/11/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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