Carnaval de Salvador

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Carnaval de Salvador
Bloco da capoeira circuito Campo Grande Salvador.jpg
Bloco da Capoeira no circuito Campo Grande, Salvador.
Tipo Feriado, Carnaval
Seguido por Mundial
Ano de 2013 12 de Fevereiro
Ano de 2014 4 de Março
Ano de 2015 17 de Fevereiro

O Carnaval de Salvador, ou imprecisamente Carnaval da Bahia, é uma festa popular de rua que é organizada anualmente em Salvador, no estado brasileiro da Bahia. Começou a evoluir a partir da diferença entre as classes sociais - carnaval de rua contra carnaval em clubes privados - resultando em uma inversão da ordem social, tornando uma celebração utópica de igualdade em que a divisão social está temporariamente suspensa. O Carnaval de Salvador começa 6 dias antes da quarta-feira de cinzas ou numa noite de quinta-feira. Em 2005, foi considerado o maior carnaval de rua do mundo pelo Guinness Book.[1] [2] [3] Os foliões festejam em três principais circuitos: Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Campo Grande-Avenida Sete) e Batatinha (Centro Histórico). Em 2013, foi criado o Afródromo,[4] dedicado exclusivamente aos blocos afros e afoxés e formará um novo circuito no carnaval soteropolitano a partir de 2014, partindo do bairro do Comércio. Há também Carnaval nos bairros da cidade como em Cajazeiras, Itapuã, Periperi, Plataforma e Pau da Lima.[5] [6] Durante o evento, dezenas de cantores famosos desfilam nos trios elétricos, caminhões grandes, com luzes e som, acima do qual os artistas cantam e dançam . Dentre eles, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Chiclete com Banana, Asa de Águia, etc. Também tem os tradicionais blocos carnavalescos como o Olodum, Timbalada, Filhos de Gandhy e Ilê Aiyê. Cerca de dois milhões de pessoas participam das festividades anuais que duram quase uma semana, mergulhando na música e na dança. Durante dezesseis horas por dia a cultura popular brasileira atinge a sua máxima expressão e economia local e Salvador recebe um impulso de proporções inequívocas.

História[editar | editar código-fonte]

Ilustração do primeiro trio elétrico - a "fobica" de Dodô e Osmar.
Estátua de Dodô e Osmar em Salvador, na Bahia.

Em 1950, Adolfo Dodô Nascimento e Osmar Álvares Macêdo, mais conhecidos como Dodô e Osmar, respectivamente, criaram a Fobica, um calhambeque aberto adaptado para apresentações musicais na qual decidiram sair pelas ruas de Salvador com um motorista, para tocarem suas músicas e a partir daí o trio elétrico nasceu. Em 1952, o termo trio elétrico tornou-se genérico, em referência a um caminhão ou um ônibus que transportava os dois músicos ao redor das ruas durante o carnaval baiano. Em 1969, a canção de Caetano Veloso, chamada “Atrás do trio elétrico” acabou por popularizar o som do trio elétrico em todo o país. Hoje, a presença de caminhões de trio elétrico é uma das principais atrações do Carnaval da Bahia.[7]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1950 - o primeiro trio elétrico passava em Salvador, este era chamado de Clube Vassourinhas. Originária do Recife, deixou como lembrança a dança do Frevo[8] ;
  • 1961 - primeiro desfile em homenagem ao Rei Momo;
  • 1962 - Os Internacionais, foi o primeiro bloco carnavalesco do Carnaval de Salvador;
  • 1969 - Caetano Veloso canta a canção: “Atrás do Trio Elétrico Só Não Vai Quem Já Morreu” (apenas para aqueles que estavam em marcha fúnebre, e não os que caminhavam depois da música);
  • 1970 - o Carnaval em Salvador acontece na Praça Castro Alves, entrando definitivamente em uma era de libertação cultural, social e sexual;
  • 1972 - é feito uma homenagem do “Trio Tapajós” para Caetano Veloso, que foi preso pelo governo militar brasileiro;
  • 1974 - Dodô e Osmar comemoram as “Bodas de prata” do Carnaval de Salvador;
  • 1976 - criada na Bahia, o “Trio Tapajós” chega nos Carnavais de Belo Horizonte e Santos;
  • 1978 - morre Adolfo Nascimento (Dodô);
  • 1980 - o caminhão de música “Traz Os Montes” revoluciona o Carnaval de Salvador trazendo um novo sistema de som;
  • 1998 - inauguração de um monumento em honra aos fundadores do Carnaval de Salvador, Dodô e Osmar.[9]

Características[editar | editar código-fonte]

Abaixo estão as principais características do Carnaval de Salvador que não só é conhecida em todo Brasil como também é conhecida em outros países no mundo.[10] [11]

Abadá[editar | editar código-fonte]

Foliões vestidos com o abadá do Bloco Pra Ficar durante a apresentação do Tribahia.

O abadá é geralmente branca e era vestimenta dos muçulmanos. Na Bahia, os abadás são usados principalmente por capoeiristas. No Carnaval de Salvador, o abadá simboliza a união de cores diferentes e, os padrões e logotipos pertence à um Bloco carnavalesco e deve ser adquirido. Somente através da aquisição de um abadá que se pode participar de um dos blocos.[12]

Pau elétrico[editar | editar código-fonte]

Instrumento musical criado por Dodô para evitar a microfonia existente no violão elétrico utilizando o cêpo maciço que possibilitava a reprodução do som de forma perfeita. Inspirado no violão elétrico do carioca Benedito Chaves, o pau elétrico ou guitarra baiana possibilitou o desenvolvimento de uma nova forma de “fazer carnaval”.

Trio elétrico[editar | editar código-fonte]

Trio elétrico Estrelar fora da folia.

Criado por Dodô e Osmar a famosa fobica, remodelação de um velho Ford Bigode 1929, tornou-se o primeiro trio elétrico. Totalmente mudado e pintado para a festa, a fobica virou o palco perfeito para à guitarra baiana. Esta invenção transformou o carnaval de rua de Salvador. Que hoje em dia é agitado por vários cantores famosos na Bahia. Os shows dados em cima do trio elétrico passam pelas ruas dos bairros como Barra, Ondina e Campo Grande. Atraindo uma grande multidão de pessoas, tanto anônimas quanto outros artistas e personalidades.

Axé[editar | editar código-fonte]

O Axé é um ritmo baiano que nasce da mistura de ritmos no carnaval de Salvador. Fruto principalmente da fusão do frevo e do afoxé. Durante o Carnaval de Salvador é o ritmo mais tocado nos trios elétricos.

Folião[editar | editar código-fonte]

Os foliões, quem brinca a festa de Momo soteropolitana, têm várias opções. Eles podem se divertir nos blocos carnavalescos após pegar o abadá, ou ver os desfiles a partir dos camarotes ou das arquibancadas da Prefeitura, ou ainda brincar na pipoca, fora das cordas dos blocos.

Blocos[editar | editar código-fonte]

Bloco Pra Ficar na Avenida.
Bloco Nana Banana em 2007.

Os blocos, é um grupo de pessoas que pagam uma quantia em dinheiro para poder participar. Em troca, recebem um Abadá, que permite aproveitar o evento de perto do trio elétrico, em uma corda ou cordão. Os blocos são abertos ao público. Enquanto isso, os blocos de carnaval começaram a evoluir e se ramificar em várias correntes estéticas, manifestações musicais, e até mesmo religiosa. Enquanto os afoxés, cujos membros trouxeram sua cosmologia religiosa afro-brasileira para a procissão caranavalesca, mantendo suas raízes africanas com a puxada do ijexá (um ritmo tocado em homenagem aos orixás ou divindades afro-brasileiras). Os blocos de classe média baseou-se principalmente nos samba-enredos do Rio de Janeiro onde adotou o estilo de música do carnaval carioca.

Em seguida, os blocos afro surgiram com uma proposta estética inferida a partir de blocos indiano, com a introdução de algumas inovações fundamentais no processo: os desfiles girava em torno de temas e a música foi adaptada para se ajustar à ocasião. Durante esta fase, o carnaval nas ruas da Bahia foi infundida com o glamour e o elitismo propagada por clubes de carnaval, iniciando uma ligeira inversão do ideal igualitário.

Afoxé[editar | editar código-fonte]

Apresentação do Ilê Aiyê.

No Estado da Bahia, o afoxé é formado principalmente por pessoas ligadas aos preceitos do candomblé. Tendo como a sua manifestação carnavalesca o resgate da herança cultural africana em seu ritmo, língua e vestimenta.

Bloco afro[editar | editar código-fonte]

O bloco afro é um grupo carnavalesco que traz em suas músicas, vestimentas e origem étnica a herança africana. Exemplos são os malê debalê, Cortejo Afro e Ilê Aiyê.

Camarote[editar | editar código-fonte]

Armação dos camarotes no circuito Barra-Ondina em 2008.

Os camarotes são uma espécie de associações carnavalescas que ocorrem juntos aos blocos e aos trios elétricos.[13] Através da aquisição de um abadá, estrangeiros podem fazer parte de camarotes também. Os camarotes no sentido estrito são suportes ou stands que cobrem ao longo das avenidas, dos quais o carnaval de rua pode ser observado. Além disso, os camarotes geralmente oferecem open bar, comida dos mais variados tipos, e salão de música ao som de DJs, assemelhando-se a uma discoteca.

Pipoca[editar | editar código-fonte]

Se não quiser pagar por qualquer uma dessas opções, pode-se desfrutar do Carnaval de Salvador como folião pipoca (“pipoca”, sempre pulando). As pessoas que fazerem parte da pipoca não pertencem a nenhum bloco, mas acompanham o trio elétrico através de um cordão.

Circuitos[editar | editar código-fonte]

Carnaval do Circuito Batatinha.

O desfile dos blocos é feito através dos dois principais circuitos (Circuito Dodô e Circuito Osmar), paralelamente. As duas principais atrações musicais são Chiclete com Banana e Ivete Sangalo[carece de fontes?]. Chiclete comanda os blocos Nana Banana, Camaleão e Voa Voa, enquanto que Ivete comanda o Coruja e Cerveja & Cia. Outras importantes atrações musicais que participam do Carnaval são Asa de Águia, Daniela Mercury, Banda Eva, Timbalada, Olodum, Araketu, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, entre outros.

  • Campo Grande-Praça Castro Alves, também chamado de Circuito Osmar: começou em 1950 e percorre as principais ruas de Salvador. O circuito dura cerca de 6 horas e o desfile de blocos começa ao meio-dia.
  • Pelourinho ou Batatinha: aqui não há nenhum trios elétricos, apenas desfila os blocos para crianças.
  • Circuito Sérgio Bezerra: desfiles de blocos de bandas de sopro e de percussão na Avenida Oceânica, na Barra, do Farol ao Morro do Cristo. O circuito foi estabelecido em 2013 para a folia na quarta-feira anterior ao Carnaval dos blocos ligados à Associação Carnavalesca de Entidades de Sopro e Percussão (Acesp).[14]

Músicos[editar | editar código-fonte]

Chiclete com Banana (esq.) e Ivete Sangalo (dir.) em cima de seus trios em 2007.

Com o surgimento de novos talentos baiano que continuou a popularizar ritmos regionais, o Carnaval tornou-se mais um caso em particular embora de alguma forma manteve a sua informalidade e espontaneidade contagiante. O sucesso de Luiz Caldas, Sarajane, e Chiclete com Banana, juntamente com a evolução do Ilê Ayê, e a emergência do Olodum desempenharam um papel importante na transformação do Carnaval de Salvador no que é hoje, sendo mais longo, mais itinerante e aberto ao mundo. As classes média e alta, finalmente sucumbiram ao ideal do Carnaval em inspiração da harmonia racial e, no final dos anos 80, a celebração pré-Quaresma entrou em um processo irreversível de “deboche”. O carnaval de rua passou a representar uma identidade coletiva do Carnaval baiano.

Até o início de uma nova década, o Carnaval da Bahia tornou-se uma fábrica de talentos institucionalizada. O sucesso de precursores como Luis Caldas, Chiclete com Banana, o Ilê Ayê, Margareth Menezes, Olodum anunciava a convergência da música comercial do Carnaval. Lentamente, os mercados de música nordestina e nacional começaram a abrir.

Daniela Mercury[editar | editar código-fonte]

Daniela Mercury durante a festa.

Entre 1992 e 1993, o Carnaval baiano tornou-se o palco para o maior sucesso no cenário musical do Brasil e, ainda: Daniela Mercury conseguiu o número um em músicas tocana nas rádios de todo Brasil com seu samba-reggae de sucesso: O Canto da Cidade. Seus shows bateram recordes de público do “Oiapoque ao Chuí” (expressão utilizada para dimensionar alguma coisa) e ela se tornou a primeira expoente do novo som tocada na Bahia a ter um especial de televisão contando sua carreira musical transmitido nacionalamente, a Rede Globo foi o responsável por isso. O sucesso estrondoso de Mercury radicalmente derrubou preconceitos e barreiras de epicentros musicais brasileiros e impuseram à música baiana com origens entrincheirados no carnaval.

Ironicamente, o sucesso enorme de Mercury em escala nacional transformou-a em artista principal do Carnaval baiano. Ela chegou a essa distinção muito tempo depois de ter conquistado um nicho na Bahia e de ter participado de muitos carnavais.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Praia do Farol da Barra cheia de banhistas, um dia antes da abertura do Carnaval de 2008.

O Carnaval traz um acentuado aumento econômico nas noites de Salvador e consequentemente agride ao meio ambiente todos os anos. Em 2006, cerca de meio milhões de turistas veio a Salvador para celebrar o Carnaval. Isso significa um aumento de 30% em relação aos turistas que visitam durante os meses de Verão de Salvador e da Bahia.[15] É o lema do Carnaval: “Bahia: maior explosão de alegria”.[16] Salvador em uma área de 25 km é transformado interaimente em uma “Cidade de Carnaval” e oferece segurança e postos de primeiros socorros para os visitantes dessa grandiosa festa e recebe a prontidão da polícia, que têm de lidar com a carga adicional na infra-estrutura montada para o evento na cidade. O Carnaval é o maior empregador na cidade. 200.000 pessoas estão diretamente ligados às atividades do Carnaval. 86 000 delas são chamados de “Cordeiro”, que tem a tarefa de proteger os blocos que desfilam durante a festa.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Guinness Book 2005
  2. Carnaval de rua do Rio deve ultrapassar Salvador em 2012 Bahia Notícias. Visitado em 17 de julho de 2012.
  3. RIVALIDADE: Rio quer tirar título de Salvador!!! Universo Axé (28 de fevereiro de 2012). Visitado em 17 de julho de 2012.
  4. Henrique Brinco. Afródromo vai estrear no Circuito Osmar durante o Carnaval 2013. Página visitada em 15 de janeiro de 2013
  5. Carnaval nos bairros é opção para o folião www.carnaval.salvador.ba.gov.br (15 de fevereiro de 2012). Visitado em 17 de julho de 2012.
  6. Carnaval nos bairros contará com 120 atrações em Salvador Terra (15 de fevereiro de 2012). Visitado em 17 de julho de 2012.
  7. Trio Elétrico - A máquina de fazer alegria IBahia.com. Visitado em 17 de julho de 2012.
  8. Dodô, Osmar e a história do Trio Elétrico (28 de fevereiro de 2011). Visitado em 17 de julho de 2012.
  9. Monumentos. Visitado em 17 de julho de 2012.
  10. Carnaval de Salvador: características, carnaval de rua, blocos, trios elétricos, afoxé, axé music Sua Pesquisa.com. Visitado em 18 de julho de 2012.
  11. História do Carnaval intranet.meioambiente.ba.gov.br (28 de fevereiro de 2011). Visitado em 18 de julho de 2012.
  12. AbadáWeb. Visitado em 17 de julho de 2012.
  13. Camarote Salvador 2012. Visitado em 17 de julho de 2012.
  14. SECOM/Prefeitura de Salvador (5 de fevereiro de 2013). Circuito Sérgio Bezerra antecipa início da folia em Salvador. Visitado em 23 de fevereiro de 2014.
  15. Carnaval de Salvador atrai mais de 470 mil turistas Jornal da Mídia (20 de fevereiro de 2012). Visitado em 17 de julho de 2012.
  16. „Bahia: major explosão de alegria“, ZEIT ONLINE, Acessado em: 17 de julho de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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