Revolta dos Malês

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Conflitos na História do Brasil
- Império -
Primeiro Reinado
Guerra da Independência: 1822-1823
Independência da Bahia: 1821-1823
Confederação do Equador: 1824
Guerra contra as Províncias Unidas: 1825-1828
Revolta dos Mercenários: 1828
Período Regencial
Federação do Guanais: 1832
Revolta dos Malês: 1835
Cabanagem: 1835-1840
Farroupilha: 1835-1845
Sabinada: 1837-1838
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Segundo Reinado
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Revolta Praieira: 1848-1850
Guerra contra Oribe e Rosas: 1851-1852
Ronco da Abelha: 1851-1852
Questão Christie: 1863
Guerra contra Aguirre: 1864
Guerra do Paraguai: 1864-1870
Questão Religiosa: 1872-1875
Revolta dos Muckers: 1874
Revolta do Quebra-Quilos: 1874-1875
Questão Militar: década de 1880


A Revolta dos Malês foi uma mobilização de escravos de origem islâmica, a qual registrou-se na noite de 25 para 27 de janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil.

Constituiu numa sublevação de caráter social, de escravos africanos. À etnia nagô (também conhecidos como iorubás) coube o papel preponderante: nagôs islamizados não só constituíram a maioria dos combatentes, como a maioria dos líderes. Mais de 80 por cento dos réus escravos em 1835 eram nagôs, sendo eles apenas 30 por cento dos africanos.[1] Outras etnias africanas presentes em Salvador na época também desempenharam papel no movimento, como a etnia haussá (hauçá).[2] Os negros nascidos no Brasil, e por isso chamados crioulos, não participaram da revolta, que foi feita exclusivamente por africanos.[3]

O movimento organizou-se em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos que fossem muçulmanos, sendo que a tomada do governo constituía um dos principais objetivos dos rebeldes[4] . "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos.[5]

A identidade étnica e religiosa desempenharam papel crucial para deslanchar o movimento. A maioria dos muçulmanos que viviam na Bahia era nagô. Embora outros grupos, como os haussá também fossem islamizados, coube aos nagô o predomínio no movimento.[6] Eram nagôs os seguintes líderes: os escravos Ahuna, Pacifico Licutan, Sule ou Nicobé, Dassalu ou Damalu e Gustard. Também nagô era o liberto Manuel Calafate. Os outros eram o escravo tapa Luís Sanim e o liberto haussá Elesbão do Carmo ou Dandará, que negociava com fumo.[7]

O plano de ação dos malês[editar | editar código-fonte]

Planejada por elementos que possuíam experiência anterior de combate, na África, de maneira geral, os malês propunham o fim do catolicismo - religião que lhes era imposta -, o assassinato e confisco dos bens de todos os brancos e mulatos e a implantação de uma monarquia islâmica, com a escravidão dos não muçulmanos (brancos, mulatos e negros).

De acordo com o plano de ataque, assinado por um escravo de nome Mala Abubaker, os revoltosos sairiam da Vitória (atual bairro da Barra), para Itapagipe(Salvador), onde se reuniriam ao restante das forças. Tinham como objetivo tomar o governo, e com isso professar suas crenças religiosas, conquistando seus direitos. O passo seguinte seria a infiltração dos engenhos do Recôncavo e a libertação dos escravos.

A repressão pelas autoridades e o fim da revolta[editar | editar código-fonte]

Ao mesmo tempo, as autoridades também se organizaram com rapidez, conseguindo repelir os ataques aos quartéis de Salvador, colocando em fuga os revoltosos. Ao procurar sair da cidade, um grupo de mais de quinhentos revoltosos, entre escravos e libertos, foi barrado na vizinhança do Quartel de Cavalaria em Água dos Meninos, onde se deram os combates decisivos, vencidos pelas forças oficiais, mais numerosas e bem armadas.

No confronto morreram sete integrantes das tropas oficiais e setenta do lado dos revoltosos. Duzentos e oitenta e um, entre escravos e libertos, foram detidos no Forte do Mar e levados aos tribunais. Suas condenações variaram entre a pena de morte para quatro dos principais líderes, os trabalhos forçados, o degredo e os tacos.

Entre os pertences dos líderes foram encontrados livros em árabe e orações muçulmanas.

À época, os africanos foram proibidos de circular à noite pelas ruas da capital e de praticar as suas cerimônias religiosas.

Apesar de rapidamente controlada, a Revolta dos Malês serviu para demonstrar às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime vigente, ameaça que esteve sempre presente durante todo o Período Regencial e se estendeu pelo Governo diário de D. Pedro II.

Referências

  1. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf
  2. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf
  3. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf
  4. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf
  5. VÉUS SOBRE A RUA HALFELD: UM ESTUDO SOBRE AS MULHERES MUÇULMANAS DA MESQUITA DE JUIZ DE FORA E O USO DO VÉU (PDF) 39-40 pp. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal de Juiz de Fora (Agosto de 2006). Página visitada em 16 de outubro de 2011. "No Brasil, os escravos muçulmanos ficaram conhecidos como Malês e, segundo Reis (2003), a origem desse termo tem sido muito discutida. Alguns autores sugerem que o termo derivasse de 'má-lei', que seria como os católicos consideravam o Islã; outros associam a palavra malê, com Malan, que significa mestre ou clérigo. Autores como Rodrigues (1982) e Bastide (1971) colocam que o termo malê vem de Mali para identificar os fundadores do Império Mali, reino muçulmano no vale do rio Niger. No Brasil, mas especificamente na Bahia, onde se concentrou a maioria dos escravos muçulmanos, malê denominava o africano que adotasse o Islã. Esses negros são assim descritos por Ramos (1972, p. 45): "Era altos robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como outros negros muçulmanos, um pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros escravos". Os malês procuraram, mesmo que de forma discreta, preservar aqui no Brasil a sua religião. Promoveram secretamente atividades de alfabetização e memorização do Alcorão. Foram esses escravos, agentes de revoltas e de movimentos de libertação na Bahia do século XIX. Para historiadores como Reis (2003), a identidade étnica e uma combativa religião convergiram na mobilização dos escravos malês como líderes rebelados. A insurreição de maior proporção ocorreu, em 1835, na Bahia e ficou conhecida por Levante Malê. Os insurgentes foram subjugados. Muitos muçulmanos foram deportados para a África a fim de diminuir sua influência sobre os outros negros. Muitos foram condenados à morte. Para sobreviver, alguns se mantiveram na clandestinidade. A religião islâmica passou por uma severa repressão, após 1835, diminuindo a possibilidade de difundir-se. Segundo Reis (2003, p. 180), antes da devassa havia um "forte movimento de proselitismo e conversão em curso na Bahia". Depois da supressão das revoltas, os cultos malês foram desestruturados."
  6. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf
  7. http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]