Nagôs

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Iorubás
COLLECTIE TROPENMUSEUM Een Yoruba moeder met kind TMnr 20016858.jpg
População total
Regiões com população significativa
Togo, Benim e sudoeste da Nigéria
Línguas
iorubá
Religiões
Commons
O Commons possui multimídias sobre Nagôs

Os nagôs, iorubas, iorubanos ou iorubás são um povo que vive no sudoeste da Nigéria, no Benim e no Togo.[1] Durante o século 18 e até 1815, foram escravizados e trazidos em massa para o Brasil durante o chamado "Ciclo da Costa da Mina", ou "Ciclo de Benin e Daomé.[2]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os Nago ou Anago são um povo do reino de Ketu, na África ocidental (atual República do Benim). Em Pernambuco, "nagô"([nota 1] [3] ). É o nome de uma nação ligada a uma religião afro-brasileira denominada xangô de pernambuco ou do Recife ("nagô-egbá"). No Rio Grande do Sul, "nagô" sinaliza o nome de uma nação de orixá ligada ao ritual de Batuque. Na Bahia, o candomblé de caboclo é chamado de "nagô" por ter semelhança com o xangô de pernambuco, e cultuarem, na mesma casa, orixás, voduns e nkisis.

Cquote1.svg "Nagô", nome pelo qual se tornaram conhecidos, no Brasil, os africanos provenientes da Iorubalândia. Segundo R. C. Abrahams, o nome nàgó designa os Iorubás de Ipó Kiyà, localidade na província de Abeokutá, entre os quais vivem, também, alguns representantes do povo popo, do antigo Daomé. O termo proviria do fon anago, usado outrora com o significado pejorativo de "piolhento". Isso porque, segundo a tradição, os iorubás, quando chegaram à fronteira do antigo Daomé, fugindo de conflitos interétnicos, vinham famintos, esfarrapados e cheios de piolhos. Segundo W. Bascom, o nome nàgó ou nago se refere ao subgrupo iorubá Ifo-nyin. Na Jamaica, o nome nago designa o culto de origem iorubá. Cquote2.svg
Nei Lopes na Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana.

Termos étnicos como "nagôs", "jejes", "angolas", "congos" e "fulas" representavam identidades criadas pelo tráfico de escravos, onde cada termo continha um leque de tribos escravizadas de cada região.

Com relação ao termo "nagô", muito usado no Brasil, Yeda Pessoa de Castro fala em uma entrevista:
Cquote1.svg De que níveis socioculturais de linguagem a senhora fala?[4]

- Falo dos cinco níveis que identificamos no processo de integração dos aportes africanos em direção ao português do Brasil, tomando, como ponto de partida e como modelo, a linguagem litúrgica dos candomblés, um sistema lexical baseado em diferentes línguas africanas que foram faladas no Brasil e, por sua própria natureza, mais resistente à mudança e à integração sob a influência do português. Nesse nível, tratamos dos casos de glossolalia, ou seja, do falar em transe dos pretos velhos e erês, dos caboclos e dos "santos". Já no nível 2 - a linguagem do povo de santo - discutimos a questão do conceito de "nação de candomblé" e o significado do termo "nagô", confundido com o iorubá moderno, e que muita gente pensa que é a língua africana falada no candomblé da Bahia, como se o continente africano fosse um país singular, uma África única, de língua e cultura iorubá. Os níveis seguintes - 3,4 e 5 - abordam a questão da linguagem popular, do português regional da Bahia e da integração dos aportes africanos no português brasileiro.

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Yeda Pessoa de Castro em uma entrevista sobre falares africanos na Bahia - Um vocabulário afro-brasileiro

"Nagô" é o nome que se dá ao iorubano ou a todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o iorubá. Migeod assinala que "nagô" é nome dado no Daomé pelos franceses ao yorubano: do efé anagó.[5]

Entre os grupos mais importantes foi o yoruba, também conhecido no Brasil como nagô (pensado ser uma corruptela do efe anago, um termo que designa os povos de língua yoruba da costa da África Ocidental)[6] .

Os portugueses construíram, em 1498, o forte São Jorge da Mina, ou Feitoria da Mina, ou Mina, no Gana, um posto estratégico na rota dos europeus ao litoral da África Ocidental, onde os cativos eram mantidos à espera de transporte para o Novo Mundo.

O tratado de paz de 1657 assinado pela rainha Nzinga Mbandi Ngola e a coroa portuguesa através da mediação do papa Alexandre VII encerrou a guerra no Reino do Kongo e o tráfico escravista europeu na região.

No que se refere ao Brasil, o tráfico irá paulatinamente se deslocar em direção à chamada Costa da Mina, onde se localizava o Império do Daomé e o reino de Ardra, vinculados ao império Oyo - Ioruba ou Nagô, segundo Verger,[7] no final do século XVII e início do século XVIII. Entre os anos de 1681 a 1710 um grande número de embarcações carregadas de fumo foram para Costa da Mina e Angola.

O fumo (tabaco) da Bahia era muito apreciado pelos africanos. Esse fumo era rejeitado pelos europeus, que o achavam de má qualidade, e era destinado aos traficantes de escravos e tornaria Salvador capital mundial do tráfico de escravos.

Introduzidas no Brasil com a escravidão, as culturas africanas imprimiram, cada uma com suas peculiaridades e em diferentes graus, marcas profundas em quase toda a extensão da alma e do território brasileiro. E na Bahia essa presença - que se recria hoje em importantes instituições como as comunidades terreiro - é devida basicamente à cultura dos nagôs, que vinda da África Ocidental, foi entre o fim do século XVIII e o fim do século XIX, das últimas a serem escravizadas no Brasil.

Kètu, Egba, Egbado e Sabé são alguns dos segmentos nagôs que vieram para a Bahia provenientes da grande área yoruba que compreende sul e centro da atual República de Benim, ex-Daomé; parte da República do Togo: e todo sudoeste da Nigéria. E todos eles - com destaque para os Kètu - contribuíram decisivamente para e implantação da cultura nagô naquele Estado, reconstituindo suas instituições e procurando adaptá-las ao novo meio, com o máximo de fidelidade aos padrões básicos de origem, fidelidade essa em parte facilitada pelo intenso comércio que se desenvolveu entre a Bahia e a costa ocidental da África durante todo o século XIX até os primeiros anos que se seguirem à Abolição.

Para entender o predomínio da etnia yorubá-nagô na Bahia é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes.

Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico “Candomblés da Bahia”: "Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor à massa escrava a sua religião". E complementa: "Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos(rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca". A própria Mãe Aninha Obá Biyi era filha de um casal de africanos da etnia grunci, os negros Aniyó e Azambiyó, mas fora iniciada no candomblé pelos nagôs da Casa Branca do Engenho Velho. A presença de Xangô, seu orixá, solidificou ainda mais as tradições yorubas em sua trajetória.

Notas

  1. O termo "nagô" é mais usado na região do nordeste onde se localizam os xangôs e não muito usado para se referir aos candomblés da Bahia. Luís Felipe Rios: "Como o candomblé e o xangô são referidos como de modelo nagô, em termos das matrizes míticas africanas (as nações), no Recife – talvez para que não restem dúvidas das diferenças entre o nagô baiano e o nagô pernambucano – o termo "nagô" é utilizado apenas para o xangô: para o modelo baiano, a denominação utilizada é o candomblé de nação"

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 966.
  2. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 115.
  3. Luís Felipe Rios A fluxização da umbanda carioca e do candomblé baiano em Terras Brasilis e a reconfiguração dos campos afro-religiosos locais.
  4. Entrevista com Yeda Pessoa de Castro
  5. Migeod - The Langs, of West Afri. II, 360.
  6. PRAHLAD, A. The Greenwood Encyclopedia of African American Folklore: A-F.
  7. Os Orixás pequisar Nagô

Ver também[editar | editar código-fonte]

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