Piolho

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Como ler uma caixa taxonómicaPhthiraptera
Piolho humano

Piolho humano
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Phthiraptera
Subordens
Anoplura

Rhyncophthirina
Ischnocera
Amblycera

Os piolhos (ou ftirápteros do nome da ordem Phthiraptera, do grego phthirus=achatado; a=sem; ptera=asas) constituem uma ordem de insetos que contém mais de 3000 espécies. Estes insectos não têm asas e são parasitas externos (ectoparasitas) de mamíferos (com exceção dos monotremados e morcegos) e das aves. Os piolhos são actualmente classificados em quatro subordens:

Em classificações mais antigas, eles eram divididos em duas ordens: Mallophaga (piolhos mastigadores) e Anoplura (piolhos sugadores).

Os piolhos habitam o cabelo ou penas do hospedeiro, onde se alimentam de sangue, resíduos da epiderme ou de penas e secrecções sebáceas. Cada espécie tem uma relação exclusiva com um determinado tipo de hospedeiro, o que significa que, por exemplo, um piolho de ave não afecta humanos e vice-versa. Esta característica torna os piolhos muito dependentes do sucesso da espécie do hospedeiro. Calcula-se que tenham desaparecido três espécies de iscnocerídeos quando os últimos vinte condores da Califórnia foram trazidos para cativeiro e desinfestados.

Os piolhos têm entre 0,5 e 8 mm de comprimento, corpo achatado e garras que lhes permitem a fixação ao hospedeiro. Os ovos do piolho, ou lêndeas, são esbranquiçados e postos na pelagem ou penas dos hospedeiros. Em humanos, a infestação por piolhos é denominada pediculose.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Antigamente, o combate à pediculose dava-se através de xampus (escabin e outros) com agentes antiparasitários e a coleta de lêndeas e piolhos com o uso de pentes finos. Esse tratamento era doloroso, em especial para as crianças. Hoje esse tratamento ainda existe, mas geralmente complementar ao uso da Ivermectina (medicamento "tarja vermelha", ou seja, deve-se usá-lo sob recomendação médica). Também são usados dispositivos que utilizam apenas ar aquecido para desidratar e matar os piolhos e pentes que dão pequenos choques elétricos.

A Academia Americana de Pediatria afirma que o tratamento para piolhos nunca deve ser iniciado a menos que haja um diagnóstico claro para piolhos, porque todos os tratamentos têm alguns efeitos colaterais.

Leia atentamente as instruções antes de usar qualquer produto anti-piolho. Durante o tratamento, é particularmente importante notar a hora de início do tratamento do cabelo, para o período exacto especificado no manual de instruções. Segure uma toalha sobre o rosto para evitar o contato do produto com os olhos da pessoa infestada, e, se o produto entrar em contato com os olhos, lavar bem com água. Enquanto o cabelo ainda está molhado, use um pente para piolhos cada 3-4 minutos, para remover os piolhos e ovos.

Ar aquecido[editar | editar código-fonte]

Dispositivos de sopro de ar quente sobre o couro cabeludo foram testados quanto à eficácia em matar piolhos e seus ovos e demonstraram 98% de mortalidade dos ovos e 80% de mortalidade dos ovos chocados. O piolho perde a umidade do corpo e, dentro do período de tratamento, desidrata-se e morre. [1]

Pente eletrônico[editar | editar código-fonte]

Pente eletrônico usa uma pequena carga elétrica para matar o piolho. Os dentes do pente são de metal e têm dentes carregados alternadamente com corrente positiva e negativa, que são alimentados por uma bateria pequena. Quando o pente é usado no cabelo seco, os piolhos fazem contato com vários dentes do pente, fechando o circuito e recebendo uma carga elétrica.

Pentes eletrônicos são considerados uma maneira segura e eficaz para matar piolhos, o mecanismo de ação é fundamentalmente electrocussão.

Piolho como fonte de alimento para os nativos das Américas[editar | editar código-fonte]

Embora sejam considerados uma praga, os piolhos serviam de alimento para os nativos do Novo Mundo[2] .

Os Makuxi da região dos rio Branco e rio Rupununi, compreendendo Brasil e Guiana, e os Crixaná de Roraima eram grandes apreciadores de piolhos[3] . .

Índias do Rio de Janeiro do século XVI comiam os piolhos à medida que os tirava das cabeças dos seus filhos, como relatou o padre franciscano, cosmógrafo, explorador e escritor francês André Thevet, :

Existe, também a bicharia que nasce sobre os homens, como grandes piolhos vermelhos que têm por vezes na cabeça. Apanham-nos com tamanho desdém, quando mordidos ou picados, que se vingam deles com risadas. Conversando com esses bárbaros, via, certas ocasiões, as mulheres que catavam os insetos na cabeça de suas filhas e demais crianças, tantos quanto podiam encontrar, e os comiam em seguida, além de zombarem de mim quando me punha a rir de tal vilania.”[4] . .


Referências

  1. Goates, Brad M.; Atkin, Joseph S; Wilding, Kevin G; Birch, Kurtis G; Cottam, Michael R; Bush, Sarah E. and Clayton, Dale H. (5 November 2006). "An Effective Nonchemical Treatment for Head Lice: A Lot of Hot Air". Pediatrics (American Academy of Pediatrics) 118 (5): 1962–1970. doi:10.1542/peds.2005-1847. PMID 17079567. Retrieved 2010-08-01.
  2. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  3. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.
  4. THEVET, André (1502-1590). A cosmografia universal de André Thevet, cosmógrafo do Rei. Coleção Franceses no Brasil – Séculos XVI e XVII, vol. II. Rio de Janeiro, Batel; Fundação Darci Ribeiro. 2009, 186p.
  • Gratz, N. (1998). Human lice, their prevalence and resistance to insecticides. Geneva: World Health Organization (WHO).
  • American Academy of Pediatrics. Council on School Health and Committee on Infectious Diseases., BL; Frankowski BL, Bocchini JA Jr (August 2010). "Head Lice (October 1, 2010 Clinical Report)". Pediatrics. 2010 Aug;126(2): 126 (2): 392–403. doi:10.1542/peds.2010-1308. PMID 20660553. Retrieved 11/7/2010.
  • Mumcuoglu, Kosta (2006). "Effective Treatment of Head Louse with Pediculicides". Journal of Drugs in Dermatology 5 (5): 451–452. PMID 16703782.
  • Mumcuoglu, Kosta Y.; Barker CS, Burgess IF, Combescot-Lang C, Dagleish RC, Larsen KS, Miller J, Roberts RJ, Taylan-Ozkan A. (2007). "International Guidelines for Effective Control of Head Louse Infestations". Journal of Drugs in Dermatology 6 (4): 409–414. PMID 17668538.

Ver também[editar | editar código-fonte]