Coevolução

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A coevolução (AO 1945: co-evolução) pode ser definida como a evolução simultânea de duas ou mais espécies que têm um relacionamento ecológico próximo. Através de pressões seletivas, a evolução de uma espécie torna-se parcialmente dependente da evolução da outra. É uma influência recíproca, onde as mudanças evolutivas de cada espécie influenciam as mudanças evolutivas da outra espécie.

As coadaptações que ocorrem entre algumas espécies provavelmente acontecem devido a coevolução entre elas, mas é necessário que seus ancestrais tenham evoluído juntos, ou seja, que desde os ancestrais das duas ou mais espécies já ocorriam adaptações mutuas que foram evoluindo reciprocamente levando às espécies atuais. Pode ocorrer que duas espécies evoluam independentemente e quando se encontram já estão coadaptadas, mas nesse caso não ocorreu uma coevolução entre elas.

Um exemplo de coadaptação interespecífica é o caso das formigas Formica fusca que se alimentam do líquido adocicado do órgão de Newcomer da larva da borboleta licenídea Glaucopsyche lygdamus. As lagartas fornecem alimento para as formigas e em troca as formigas oferecem proteção às lagartas contra parasitas, como as vespas braconídeas e moscas taquinídeas. Formam uma relação de mutualismo, onde ambas espécies se beneficiam. Várias evidências sugerem que a coadaptação entre as Formica fusca e Glaucopsyche ligdamus surgiu por coevolução, onde as mudanças adaptativas que aconteciam com os ancestrais destas espécies eram favorecidas pela seleção natural.

A coevolução pode acontecer com um benefício mútuo entre as espécies, que é quando ocorre a relação de mutualismo, ou pode acontecer por um processo antagônico, como na relação parasita-hospedeiro.

Coevolução inseto-planta[editar | editar código-fonte]

A orquídea Angraecum sesquipedale sendo polinizada pela mariposa esfingídea

A coevolução inseto-planta pode ocorrer principalmente pela dieta, entre insetos fitófagos e as plantas que servem de alimentos para eles, ou pela polinização, entre o inseto polinizador e a planta polinizada por ele.

No caso dos insetos fitófagos, ocorre a coevolução entre mecanismos de desintoxicação dos insetos e os inseticidas naturais das plantas. Ao mesmo tempo que a seleção natural favorece o surgimento nas plantas de produtos químicos mais venenosos contra os insetos, também favorece o surgimento de insetos mais resistentes aos venenos das plantas, fazendo com que os insetos resistentes sejam capazes de se alimentarem de plantas que possuem o grupo bioquímico na qual possuem a resistência, aumentando as possibilidades de plantas para se alimentarem. Deste modo, ocorre uma corrida armamentista entre insetos fitófagos e plantas, onde as plantas evoluem para se defenderem dos insetos, potencializando seu veneno, e os insetos evoluem para predarem as plantas, desenvolvendo resistência.

Na coevolução entre insetos polinizados e angiospermas, a seleção natural favorece as relações que ocorrem com polinizadores especializados, ou seja, as relações em que o inseto é adaptado à sugar o néctar de uma determinada espécie e transportar o pólen para outra flor da mesma espécie. Neste caso, as plantas evoluem para serem visitadas por insetos com estruturas cada vez mais adaptadas à elas, para que a recompensa dos insetos seja maior, encontrando mais néctar, visto que apenas os insetos especializados o alcançarão. Com isso, esses insetos voltarão à procurar outras flores da mesma espécie, em busca da recompensa, beneficiando a planta com o transporte de pólen entre as flores da mesma espécie. A orquídea Angraecum sesquipedale é um exemplo de planta que guarda seu néctar em longos esporões de até 45 cm de comprimento e apenas as mariposas esfingídeas, que possuem a língua bem longa, são capazes de obter o seu néctar e polinizá-la.

Coevolução parasita-hospedeiro[editar | editar código-fonte]

Este é um tipo de coevolução antagônica. A seleção natural favorece o parasita que evolui para penetrar no hospedeiro, enquanto o hospedeiro evolui para impedir a ação do parasita. A virulência parasítica reduz o valor adaptativo do hospedeiro. A virulência pode ser alta, se matar o hospedeiro rapidamente, ou baixa, se matar uma porção menor de hospedeiros e de forma mais lenta. A coevolução acontece na virulência parasítica e na resistência do hospedeiro. Esta coevolução pode ser observada no caso do mixomavírus que causa mixomatose nos coelhos australianos da espécie Oryctolagus cuniculus. O mixomavírus foi introduzido na Austrália e era transmitido de coelho para coelho através de mosquitos. Possuía alta virulência e matou 100% dos hospedeiros infectados. Porém, a taxa de mortalidade dos coelhos diminuiu devido a diminuição da virulência do mixomavírus e ao aumento da resistência dos coelhos, mostrando a evolução tanto na virulência do vírus quanto na resistência do hospedeiro.

A seleção natural geralmente favorecerá a diminuição da virulência do parasita, pois o parasita precisa do hospedeiro vivo para sobreviver. O aumento da virulência do parasita será favorecido pela seleção natural quando hospedeiro for infectado por parasitas não relacionados que competirão entre si pelo hospedeiro.

A transmissão dos parasitas para os hospedeiros pode ser feita de duas maneiras: verticalmente, quando o parasita é transmitido do hospedeiro para sua prole; ou horizontalmente, quando o parasita é transmitido entre hospedeiros não relacionados.

A seleção natural irá favorecer o aumento ou a diminuição da virulência do parasita de acordo com a transmissão do mesmo. Se a transmissão for vertical, a virulência deve ser diminuída pois o parasita necessita que o hospedeiro fique vivo e se reproduza para produzir recursos para prole do parasita. Haverá um limite máximo de virulência. Se a transmissão for horizontal, a prole do parasita não depende da reprodução do hospedeiro para ter sucesso. Mesmo assim a virulência terá um limite, mas será bem maior que na transferência vertical.

Corrida armamentista[editar | editar código-fonte]

Na corrida armamentista coevolutiva ocorre uma pressão de seleção tanto na presa quanto no predador. O predador evolui para pegar a presa e mutuamente a presa evolui para escapar do predador. Essa corrida armamentista pode ser observada nos mamíferos do Cenozóico onde o tamanho dos cérebros dos predadores e das presas aumentaram relativamente ao longo do tempo. Enquanto o tamanho do cérebro dos predadores cresciam para ficarem mais inteligentes para capturarem as presas, o tamanho do cérebro das presas também ficava maior para ficarem mais inteligentes e conseguirem escapar dos predadores. Esse processo é chamado de coevolução em escalada, onde as adaptações dos predadores são neutralizadas pelas adaptações das presas, não ocorrendo nenhum avanço. Com isso, os predadores atuais não são melhores em capturar suas presas que os predadores ancestrais. Diferente do que ocorre no processo evolutivo, onde a evolução gera organismos mais bem adaptados que os outros.

Rainha Vermelha[editar | editar código-fonte]

De acordo com Van Valen (1973), a evolução não é progressiva, pois as curvas de sobrevivência taxonômicas em escala logarítmica são lineares. Também mostrou que a macroevolução é moldada por um modo de coevolução chamado Rainha Vermelha. A coevolução em escalada é um exemplo de coevolução Rainha Vermelha. Essa log-linearidade mostrou que a probabilidade de uma espécie ser extinta independe de há quanto tempo ela existe.

Na coevolução Rainha Vermelha, o nível de adaptação de uma espécie que está competindo com outra não muda, pois enquanto uma espécie investe em armamentos, a outra investe em defesa, mantendo sempre uma competição estável. Assim as espécies se mantém em equilíbrio Rainha Vermelha, sempre que possível evoluem para alcançar um melhoramento adaptativo.

Essa hipótese Rainha Vermelha é devido à Rainha Vermelha em Alice Através do Espelho do livro de Lewis Carrol: "aqui, veja você, é preciso correr tanto quanto se consegue para ficar no mesmo lugar". Na coevolução Rainha Vermelha, as espécies sofrem pressão seletiva para que seja capaz de enfrentar as espécies competidoras, melhorando em uma taxa constante.

Referências[editar | editar código-fonte]

RIDLEY, M.. Evolução. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 752 p.

http://www.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/coevol/aula12coevol.html http://scienceblogs.com.br/marcoevolutivo/2008/12/07/coevolucao-e-selecao-sexual-no-caso-da-vespa-tarada/