Jamaica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Jamaica
Jamaica
Flag of Jamaica.svg
Coat of Arms of Jamaica.svg
Bandeira Brasão
Lema: Out of many, one people
("A partir de muitos, um só povo").
Hino nacional: Jamaica, Land We Love
("Jamaica, Terra que Amamos")
Gentílico: Jamaicano(a)

Localização da

Capital Kingston
17°59′N 76°48′W
Língua oficial Inglês
Governo Monarquia constitucional
 - Monarca Isabel II do Reino Unido
 - Governador-geral Patrick Allen
 - Primeira-ministra Portia Simpson-Miller
Independência do Reino Unido 
 - Declarada 6 de agosto de 1962 
Área  
 - Total 10.991 km² (166.º)
 - Água (%) 1,5
População  
 - Estimativa de 2010 2 804 332[1] hab. (125.º)
 - Densidade 252 hab./km² (49.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2011
 - Total US$ 24,750 bilhões (71.º)
 - Per capita US$ 4.856 [carece de fontes?] (63.º)
IDH (2012) 0,730 (86.º) – elevado[2]
Moeda Dólar jamaicano (JMD)
Fuso horário (UTC-5)
 - Verão (DST) -6
Cód. ISO JAM
Cód. Internet .jm
Cód. telef. +1-876
Website governamental www.cabinet.gov.jm

Mapa da

A Jamaica é uma nação insular localizada no mar das Caraíbas (mar do Caribe), extensa 234 quilômetros de leste a oeste e 80 quilômetros de norte a sul. Situa-se a cerca 145 quilômetros ao sul de Cuba e a 190 quilômetros a oeste da ilha de Hispaniola (onde se localizam o Haiti e a República Dominicana.[3] É o terceiro país anglófono mais populoso das Américas, superada apenas pelos Estados Unidos e Canadá. Sua capital e maior cidade é Kingston.

História[editar | editar código-fonte]

Estudos etnológicos mostram que o nome Xamayca (terra dos mananciais) foi dado à ilha caribenha pelos aruaques, devido à abundância de fontes existentes em suas luxuriantes florestas.

A Jamaica foi descoberta pela Espanha depois de Cristovão Colombo ter chegado em 1494. Colombo usou a ilha como propriedade privada da sua família. Os ingleses conquistaram-na em 1670. Durante os primeiros 200 anos de domínio britânico, a Jamaica tornou-se o maior exportador mundial de açúcar, o que se conseguiu pelo uso maciço de trabalho escravo africano.

O excesso de zelo britânico no uso de escravos voltou-se contra eles, e no início do século XIX o número de negros era quase 10 vezes maior do que o de brancos. Seguiu-se uma série de revoltas e, em 1838, a escravatura foi formalmente abolida.

Ao longo dos anos que se seguiram, o grau de autonomia da Jamaica foi aumentando e, em 1958, a Jamaica passou a ser uma província de uma nação independente chamada Federação das Índias Ocidentais. A Jamaica saiu da federação em 1962 e é hoje uma nação soberana.

A deterioração das condições económicas durante a década de 1970 levou a um estado de violência endémica e à queda do turismo. Uma das antigas capitais da Jamaica era Port Royale, onde se acoitava o pirata e posteriormente governador Henry Morgan. Foi destruída por uma tempestade e um tremor de terra, e Spanish Town, na paróquia de St. Catherine, que foi o local da antiga capital colonial espanhola e da capital inglesa durante os séculos XVIII e XIX.

Política[editar | editar código-fonte]

A Jamaica é uma monarquia parlamentarista e o chefe de estado é o monarca, atualmente, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido. O representante da monarca na Jamaica é o Governador-Geral, que tem como papel a aprovação de leis e outras funções do estado. Em grande medida, a monarca (através do seu representante, o Governador-Geral) é uma figura cerimonial, e o pouco poder real que tem está reservado para tempos de crise. O parlamento jamaicano divide-se em duas câmaras: a câmara dos representantes (house of representatives) e o senado. Os membros da câmara são eleitos diretamente, e o líder do partido maioritário na câmara torna-se primeiro-ministro. O senado é nomeado pelo primeiro-ministro e pelo líder da oposição parlamentar. A Jamaica tem um sistema bipartidário, com o Partido Nacional do Povo (People's National Party) e o Partido Trabalhista Jamaicano (Jamaican Labour Party) a alternar no poder com frequência.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Administrativamente, a Jamaica está dividida em 14 paróquias (parishes). As paróquias estão agrupadas em 3 condados históricos, que não possuem relevância administrativa. Os condados com as respectivas capitais tradicionais entre parênteses:

Geografia[editar | editar código-fonte]

Paróquias da Jamaica aprupadas em condados.

A Jamaica é parte do arquipélago das Grandes Antilhas, no Mar do Caribe. Está separada de Hispaníola pelo canal da Jamaica. As suas terras são os picos emersos de uma cadeia de montanhas submarinas. O clima tropical alcança índices pluviométricos de até 5000 mm. A hidrografia é rica em cursos de água e cachoeiras. São rios importantes: o Rio Grande, o Wag Water, o Black River, estes ao norte dos Montes Santa Cruz, e o rio Cabarita. Seu ponto culminante é o Blue Mountain, no leste da ilha com mais de 2.000 metros. O relevo é composto principalmente de montanhas baixas e planaltos. A flora é exuberante com suas florestas tropicais e paisagens do litoral, com praias emolduradas pela vegetação de palmeiras e ervas rasteiras. Além da capital, Kingston, são cidades importantes: Port Antonio, Montego Bay e as litorâneas White Horses e Port Morant.

Clima[editar | editar código-fonte]

É uma Ilha de clima temperado, com ocorrência de ciclones e pequenas oscilações sazonais. Os ventos oceânicos aliviam o calor e a umidade. A estação chuvosa vai de maio a outubro. Os ventos fortes são frequentes, pois a ilha situa-se entre áreas de baixa e alta pressão, ocorrendo furacões. O clima tropical alcança índices pluviométricos de até 5000 mm.

Economia[editar | editar código-fonte]

James Bond Beach.

Em termos de economia, a Jamaica destaca-se pelas seguintes riquezas:

A descoberta de jazidas de bauxita na década de 1940 mudou a economia do território, até então baseada apenas no cultivo de cana-de-açúcar e banana. O país possui muitas facilidades para investidores, incluindo facilidades para repatriar o capital, a postergação do pagamento de impostos por vários anos, além da isenção de impostos e taxas para a importação de bens de capital destinados a empreendimentos aprovados. Mas, apesar destes benefícios, a indústria de vestuário têm sofrido redução em suas receitas de exportação e também com o fechamento de fábricas.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A Jamaica é um país que teve, em 2007, sua população estimada em 2,7 milhões de habitantes. Segundo dados de 2001, os jamaicanos residem principalmente na capital Kingston com 651.880 habitantes. Destacam-se também as cidades de Spanish Town (131.515), Portmore (175.000) e Montego Bay (120.000). A composição étnica da população total é acreditado para ser

  • 80% são de origem africano, enquanto a maioria dos jamaicanos são descendentes de africanos, os estudos do genoma testei que apenas 20% dos jamaicanos são de puro para quase puro sangue africano e os outros 60% são compostos de mulatos. Os grupos étnicos africanos mais comuns trazidos para a Jamaica foram os Akan, provenientes da atual Gana, assim como africanos da etnia Igbo, oriundos da Nigéria.[4]
  • 20% são de ascendência principalmente europeu, também estão incluídos os indianos e sangue chinês ou pessoas e que representam cerca de 5% (cerca de 2,5% cada) de jamaicanos.
  • acredita-se que a composição dos povos indígenas de 0,04% para 3,8% da população jamaicana.

O país tem uma densidade demográfica média-alta com 245,66 hab./km². A população jamaicana vive na área urbana, com cerca de 54% da população.

Religião[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados de 2010, divulgados pelo Pew Forum, a larga maioria do povo da Jamaica é seguidor do Cristianismo, sendo esta a religião de 77,1% da população.

As denominações protestantes apresentam a maior percentagem de aderentes, com 72,8% dos jamaicanos a considerarem-se protestantes.

Existem 70 000 fiéis do Catolicismo na Jamaica, o que corresponde a 2,6% da população, menos de 0,1% são ortodoxos e e 1,6% seguem outras vertentes do Cristianismo.[5]

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura jamaicana é caracterizada pelo sincretismo resultante da mistura dos vários povos que habitam a ilha desde os primórdios de sua descoberta pelos espanhóis, no século XVII. Aos nativos aruaques (aruwak) juntaram-se os latinos espanhóis, os negros africanos, os ingleses, que dominaram a ilha posteriormente além imigrantes que para lá se transferiram após a extinção do regime escravista. Destes, os imigrantes hindus são os mais notáveis pela influência que exerceram sobre vários aspectos do comportamento local, em especial, no âmbito da religião. Isto porque as coisas que dizem respeito à religiosidade despertam profundo interesse naquela comunidade, essencialmente mística apesar de oficialmente ser majoritariamente anglicana. O anglicanismo da ilha não pôde evitar a miscigenação das idéias e a teologia do jamaicano médio abriga tradições variadas que vão do cristianismo aos rituais tradicionais africanos, como o Vodoo, por exemplo.

Bob Marley, ícone musical e cultural jamaicano.

Religião e música são os elementos culturais mais emblemáticos da Jamaica. O país é berço do Rastafarianismo e da Reggae-music, duas expressões de subjetividade identitária que são intimamente ligadas. A religião rastafari representa uma reação original local contra os padrões de espiritualidade impostos pela religião européia. A população negra jamaicana é descendente de levas de escravos que foram aprisionados em diferentes regiões da África, mas sobretudo, a maioria pertencia a culturas refinadas do norte do continente que floresceram em países como Sudão, Somália e Etiópia. Nestas regiões, as populações negras do século XVII, há muitas gerações tinham contato com crenças variadas. As mais importantes eram: judaísmo, islamismo e cristianismo ortodoxo. Estes povos negros falavam línguas "exóticas" como o árabe e o aramaico, além das africana ioruba e kwa, entre outras.

Estas diferentes linhas de pensamento aparecem nas Congregações rastafari que se inclinam mais ou menos para o Cristianismo Ortodoxo, adotam mandamentos do Antigo Testamento (judaico) e costumes evidentemente islâmicos. A Proibição de cortar os dreadlocks, cabelos trançados, e a barba, é uma influência judaica, como consta no Antigo Testamento, (Levitico 19:27), e também de quem se submetia a um voto como Nazireu, onde se ficava sem cortar os cabelos e a barba, como o profeta Samuel consagrado como Nazireu desde e útero, e também Sansão, que como menciona no antigo Testamento a origem da sua força: "pois uma navalha nunca passou pela minha". (Jz 16,13.19). Algumas congregações prescrevem conduta e indumentária femininas de inspiração muçulmana e as "liturgias" ou encontros místicos, incluem performances com tambores que resgatam ritmos africanos. O uso dos tambores em ofícios religiosos chegou a ser adotado por Igrejas Cristãs Jamaicanas de orientação Ortodoxa. Essa percussão está na raiz da criação do gênero de música denominado reggae-raiz, que combina a cadência hipnótica dos tambores com harmonias simples e arranjos que utilizam guitarras e outros instrumentos com sonoridades do blues e do rock norte americano. Além da música e da religião, a cena cultural da Jamaica se completa com a coexistência harmônica de produtos industriais com artesanais. Roupas e acessórios coloridos e objetos de arte em madeira são combinados com o plástico e o alumínio da pós-modernidade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Jamaica

Referências

  1. CIA World Factbook - Jamaica Acessado em 2007-06-27.
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de março de 2013). Página visitada em 15 de março de 2013.
  3. Taíno Dictionary (em spanish). Página visitada em 2007-10-18.
  4. Richardson, David; Tibbles, Anthony; Schwarz, Suzanne (2007). Liverpool and Transatlantic Slavery. Liverpool University Press. p. 141. ISBN 1-84631-066-0
  5. http://features.pewforum.org/global-christianity/population-number.php