Rugby league

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Final de 2006 da National Rugby League (o campeonato australiano), em Sydney.

Rugby League, também chamado de rugby de 13, é um esporte criado no século XIX na Inglaterra, derivado do rugby union (o código de rugby mais difundido no mundo).

É considerado um jogo mais dinâmico, aberto e de contato físico mais intenso do que o rugby union.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Jogadores de Batley Bulldogs e St Helens antes da final de 1897 da Challenge Cup, competição mais antiga de rugby league no mundo.
Jogo entre as seleções dos estados australianos de Queensland e Nova Gales do Sul na década de 1920. A competição entre ambos, o State of Origin, é considerado o maior evento esportivo da Austrália.

A existência de duas versões de rugby deve-se às divergências existentes no final do século XIX no Reino Unido entre os praticantes do rugby acerca do profissionalismo. O esporte surgira na elite, que, entendendo que o rugby deveria ser praticado por prazer e não por dinheiro, não admitia remuneração aos jogadores; casos assim eram comparados a prostituição. Todavia, essa percepção vinha prejudicando jogadores oriundos da classe operária, que precisavam afastar-se de seus empregos para jogarem. As reivindicações por uma compensação financeira eram mais intensas no norte da Inglaterra, onde a consciência da classe estava mais desenvolvida e onde as cidades de Liverpool e Manchester, antigos bastiões do rugby, rendiam-se ao futebol, que já vinha permitindo o profissionalismo e ameaçava conquistar o restante de Lancashire e Yorkshire.[1] Os clubes de rugby contestadores ainda não visavam um profissionalismo propriamente dito, mas uma recompensa pelas horas de trabalho perdidas pelos jogadores.[2]

Em 29 de agosto de 1895, então, 22 clubes de rugby dissidentes se reuniram no George Hotel de Huddersfield e, rompendo com a Rugby Football Union, fundaram a Northern Rugby Football Union, que inicialmente remuneraria os jogadores com seis xelins por dia perdido no emprego - um vínculo empregatício "de boa fé" fora do clube ainda foi requisito por dez anos para quem quisesse jogar. Em 1905, então, o profissionalismo sem maiores condições foi liberado. Foi também a partir daquele ano que a NRFU, que em 1922 renomearia-se como Rugby Football League, passou a implementar mudanças nas regras do jogo, até então as mesmas do Union.[1]

Com o tempo, essas mudanças da NRFU, hoje RFL, foram criando um novo esporte.[3] [4] Uma dessas alterações, que o aproximou do futebol americano,[5] posteriormente, seria implementada também no Union: a maior valoração dos tries em relação aos gols, que até então eram o objetivo principal.[1] Dois anos depois, em 1907, o esporte da então NRFU foi introduzido no futuramente principal país da modalidade, a Austrália, ainda que espalhando-se lá de forma autônoma em face das grandes distâncias do território australiano. Ali, também começou como o código de rugby preferido das camadas sociais mais pobres.[4]

A adoção do profissionalismo deixou o League livre de barreiras ideológicas a uma grande competição internacional mais cedo que o Union. Já em 1935, a ideia de uma Copa do Mundo fora proposta pela França. O torneio, enfim, passaria a ser realizado a partir de 1954, ainda que atravessando diversas periodicidades e formatos e inicialmente reunindo somente quatro seleções, por conta da pequena difusão global em alto nível da modalidade: Austrália, Grã-Bretanha, Nova Zelândia (as únicas já campeãs, respectivamente com nove, três e um títulos) e França foram as únicas competidoras das edições realizadas até 1977, com exceção da de 1975, em que as seleções de Inglaterra e Gales competiram no lugar da britânica. A competição receberia a Papua-Nova Guiné (único país que considera o League como esporte nacional) na década de 1980 e, a partir de 1995, no centenário do esporte, ela enfim foi expandida em escala maior, contando atualmente com quatorze seleções na fase final.[6]

Hoje, ambos os códigos de rugby aceitam o profissionalismo.[3] [4] O Union passou a admiti-lo em 1995, exatamente cem anos depois da separação, e hoje apenas a Argentina, dentre os países do seu alto escalão, ainda mantém ferrenhamente a obrigação do amadorismo.[7] Até então, o jogador que praticasse o League em qualquer nível, mesmo que de forma amadora, ficava banido de jogar o Union.[8] A tensão na relação entre os dois códigos diminuiu a partir daí, arrefecendo preconceitos mútuos e acarretando inclusive na evolução técnica por meio de intercâmbio entre els.[9]

1951 French national rugby league team.JPG
France XIII 2008.jpg
Jogadores de 1951 (acima) e 2008 (abaixo) da seleção francesa. Os franceses foram quem propuseram a criação da Copa do Mundo, iniciada em 1954.

O esporte pelo mundo[editar | editar código-fonte]

Jogadores da seleção australiana, a principal do rugby league, antes da final da Copa do Mundo de 2008. Os Kangaroos são os maiores vencedores do torneio, com 10 títulos em 14 já disputados.

O rugby league é jogado principalmente na Austrália, Inglaterra, Nova Zelândia, França e Papua-Nova Guiné. Os três primeiros disputavam o Três Nações (campeonato anual ampliado em 2009 para Quatro)[10] e os quatro primeiros disputam a Copa do Mundo de Rugby League desde a primeira edição do evento, a de 1954, idealizada pelos franceses.[6] O mundial de League foi o primeiro de rugby, uma vez que a primeira Copa do Mundo de Rugby Union só viria a ocorrer em 1987.[7]

Na própria França, porém, é a modalidade menos popular, tendo alguma força apenas em algumas cidades do sul do país;[6] é em uma delas, Perpinhã, na Catalunha Francesa, que há o Dragons Catalans, que compete no campeonato inglês.[11] No passado, contudo, o League chegou a ter perto da metade dos clubes franceses de rugby. Foi na década de 1930.[12] O declínio veio na França de Vichy, em que o League foi perseguido pelo regime pró-nazista [13] por sua vinculação ao esquerdista governo francês pré-guerra.[14]

Na Nova Zelândia, tradicionalmente a maior potência do rugby union, o League também é secundário ao Union,[15] com seu principal clube, o New Zealand Warriors, precisando competir no campeonato australiano; o Warriors é da cidade de Auckland,[3] onde o League tem certa popularidade.[16] Ainda assim, sua seleção, conhecida como Kiwis, é, ao lado da inglesa, uma das únicas que consegue fazer frente à mais poderosa seleção de League, justamente a da Austrália - os Kangaroos, que são os maiores vencedores da Copa do Mundo, com dez títulos (incluindo o mais recente, na Copa do Mundo de 2013).[4] [17] Já os neozelandeses conseguiram seu primeiro título na Copa de League exatamente sobre os australianos,[15] dentro de Brisbane.[18] Na anterior, de 2000, chegaram a competir com duas seleções: a tradicional e uma só com descendentes de maoris.[18]

Jogo entre as seleções de Papua-Nova Guiné, único país em que o rugby league é considerado esporte nacional, e Nova Zelândia, campeã da Copa do Mundo de 2008.
Neozelandeses realizando o haka antes de jogo contra a Inglaterra, a outra seleção de alto patamar, junto de Nova Zelândia e Austrália.
Franceses aplicando a regra play the ball, inexistente no rugby union.

Na Austrália, o Union é mais popular apenas no Território da Capital, Canberra.[4] Já o League chega a ser o esporte mais popular nos estados de Queensland e Nova Gales do Sul (cujas seleções se enfrentam naquele que é considerado o principal evento esportivo do país, o State of Origin [3] ), superando o outro esporte dominante no país, o futebol australiano, mais popular na Austrália Meridional, Austrália Ocidental, Tasmânia e Vitória - estes quatro estados, porém, têm juntos menos população que a soma dos habitantes de Queensland e Nova Gales do Sul.[4]

Além da Austrália, o outro único país onde o League é mais popular que o Union é a vizinha Papua-Nova Guiné,[18] onde o League é considerado o esporte nacional;[6] é de lá que vem Neville Costigan, único jogador de rugby, considerando ambos os códigos, que chega a ser o atleta mais bem assalariado de um país, em levantamento com os de outros 132 feito pela Revista ESPN, em 2011.[19] A seleção papuásia começou a disputar as Copas do Mundo a partir da edição de 1985-88.[18] Já na Inglaterra, é o código de rugby mais popular nas regiões de Yorkshire, Lancashire, Humber e Cumbria,[10] no norte inglês, onde foi criado - o nome original da Rugby Football League era Northern Rugby Football Union, até 1922.[3]

Em 2011, onze dos quatorze clubes participantes do campeonato inglês vinham do norte, onde o rugby union têm públicos escassos e perde na concorrência também para o futebol, que tem na região os populares Liverpool, Everton, Manchester United, Manchester City, Newcastle United, Sunderland e Leeds United.[20] Na Copa do Mundo, os ingleses inicialmente competiam pela Grã-Bretanha, ganhando três títulos. A seleção inglesa foi usada no mundial pela primeira vez no de 1975.[18]

A principais ligas de clubes de rugby league são a National Rugby League, da Austrália, que também conta com o New Zealand Warriors e é sondada pela seleção papuásia;[3] e a Super League, na Inglaterra, que também tem ocasionalmente representantes de Gales e França (um destes chegou a ser o Paris Saint-Germain).[11] São os únicos campeonatos de League totalmente profissionais no mundo.[18] Seus vencedores (e dos campeonatos antecessores equivalentes) enfrentam-se desde 1976 no chamado World Club Challenge para definir o melhor clube do mundo no ano.[21]

O rugby league é praticado remotamente no Brasil, mas alguns canais transmitem torneios estrangeiros: a NRL é coberta pelo Sports+, da Sky;[3] o Bandsports transmitiu a Copa do Mundo de 2008 [6] e o Quatro Nações de 2011.[10] Portugal tem uma associação, baseada em Sydney, na Austrália.[22]

Diferenças com o Rugby Union[editar | editar código-fonte]

As diferenças básicas consistem no número de jogadores (são 13 no League), na pontuação (o try vale quatro pontos, a conversão e a penalidade valem dois pontos, e o drop goal vale um ponto) e em algumas regras básicas que diferem do rugby union, como no scrum, nos laterais, a ausência de rucks e na aplicação da regra play the ball (a qual não é aplicada no rugby union).[3]

O campo[editar | editar código-fonte]

O campo do rugby league é similar ao do rugby union, com a diferença que ele é dividido em dez partes de 10 metros de comprimento cada.

Posições[editar | editar código-fonte]

As posições dos jogadores do rugby league são similares aos do rugby union, devido ao número de jogadores reduzido e a ausência de rucks foram retiradas as posições de asa direito e asa esquerdo, também diferentemente do rugby union, a contagem do número na camisa dos jogadores começa pelos backs.

Posições no rugby league
8 Prop forward 9 Hooker 10 Prop forward
11 Second row 12 Second row
13 Loose / lock forward

7 Scrum-half / Halfback
6 Stand-off / Five-eight
4 Left centre 3 Right centre
5 Left wing 2 Right wing
1 Fullback


Pontuação[editar | editar código-fonte]

  • Try ou ensaio (4 pontos)
    • Conversão (2 pontos)
  • Drop goal (1 ponto)
  • Penalty goal (2 ponto)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. a b c d OLALQUIAGA, Fernando (fevereiro de 2013). Cisma en el rugby football, o el nacimiento de un deporte. Jot Down Cultural Magazine. Página visitada em 11/03/2013.
  2. RAMALHO, Victor (08/10/2010). Manchester: entre Warriors e Saints na grande final da Super League inglesa. Portal do Rugby. Página visitada em 21/03/2013.
  3. a b c d e f g h RAMALHO, Victor (05/03/2013). Fique por dentro da NRL 2013!. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  4. a b c d e f RAMALHO, Victor (28/07/2010). O esporte na Austrália: rugby union, rugby league, futebol australiano e críquete. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  5. LEAL, Ubiratan (janeiro de 2009). Um nome, vários esportes. Trivela n. 35. Trivela Comunicações, pp. 47-49
  6. a b c d e RAMALHO, Victor (11/10/2011). Outra Copa do Mundo de Rugby. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  7. a b BRANDÃO, Caio (14/09/2012). História dos Pumas – Parte IV: As primeiras Copas. Futebol Portenho. Página visitada em 11/03/2013.
  8. BRANDÃO, Caio (24/10/2013). Entre o rugby union e o rugby league. Portal do Rugby. Página visitada em 25/11/2013.
  9. RAMALHO, Victor (22/07/2013). Rugby Union x Rugby League em números. Portal do Rugby. Página visitada em 25/11/2013.
  10. a b c RAMALHO, Victor (03/11/2011). Rugby League Four Nations. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  11. a b RAMALHO, Victor (01/02/2013). Conheça a Super League, o Campeonato Inglês de Rugby League. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  12. RAMALHO, Victor (23/10/2013). Dia 26 tem a Copa do Mundo de Rugby League. Portal do Rugby. Página visitada em 25/11/2013.
  13. RAMALHO, Victor (25/10/2013). Vai começar a Copa do Mundo de Rugby League. Portal do Rugby. Página visitada em 25/11/2013.
  14. SHEMILT, Stephen (25/10/2013). Rugby League World Cup 2013: Ten reasons why you should watch. BBC. Página visitada em 25/11/2013.
  15. a b PICCINI, Renato (setembro de 2011). Obsessão. Revista ESPN n. 23. Editora Spring, pp. 78-81
  16. RAMALHO, Victor (02/10/2011). Fim do sonho neozelandês na NRL. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  17. RAMALHO, Victor (30/11/2013). Austrália é decacampeã mundial de Rugby League. Portal do Rugby. Página visitada em 30/11/2013.
  18. a b c d e f RAMALHO, Victor (06/12/2010). Rugby League e sua Copa do Mundo. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  19. Salário máximo (maio de 2011). Revista ESPN n. 19. Editora Spring, pp. 24-25
  20. RAMALHO, Victor (05/05/2011). Rugby union morrendo no norte da Inglaterra?. Portal do Rugby. Página visitada em 21/03/2013.
  21. RAMALHO, Victor (22/02/2013). League: Melbourne é campeão mundial de clubes. Portal do Rugby. Página visitada em 11/03/2013.
  22. Portuguese Rugby League Association. Portuguese Rugby League. Página visitada em 11/03/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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