Inhame

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Como ler uma caixa taxonómicaInhame
Inhames à venda no Mercado de Brixton, em Londres, na Inglaterra

Inhames à venda no Mercado de Brixton, em Londres, na Inglaterra
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Dioscorea sp.
MHNT

Inhame é o nome comum dado a várias espécies de plantas dos gêneros Alocasia, Colocasia (família Araceae) e Dioscorea (família Dioscoreaceae) e aos seus respectivos tubérculos amiláceos[1] . São herbáceas perenes cultivadas para o consumo de seus tubérculos na África, América Latina, Ásia e Oceania. Existem centenas de cultivares entre as espécies do gênero Dioscorea.

Etnobotânica[editar | editar código-fonte]

A palavra "inhame" é utilizada para designar plantas de vários gêneros que produzem tubérculos ou cormos comestíveis. A confusão deve-se ao fato que estes tubérculos ou cormos são preparados na culinária de modo semelhante.

Há uma confusão de nomes populares das plantas do gênero Dioscorea nas regiões sudeste e nordeste do Brasil. No nordeste do Brasil, os tubérculos produzidos pela Dioscorea spp. são chamados de inhame enquanto os cormos comestíveis produzidos pela Alocasia e a Xanthosoma (ambos da família Araceae) são chamados de cará. Em sentido oposto, no sudeste do Brasil, os tubérculos produzidos pela Dioscorea spp. são comumente chamados de cará, enquanto os cormos comestíveis Alocasia e a Xanthosoma são chamados de inhame.

Nos Açores, chama-se de inhame (ou coco, na ilha de São Jorge), o taro (Colocasia esculenta), que é extensamente cultivado nestas ilhas. Daí que o taro também seja chamado de inhame-coco ou inhame-dos-açores.

A batata-doce, tubérculo comestível produzido pelas plantas do gênero Ipomoea, também é chamado em alguns lugares do Brasil de inhame.

Características[editar | editar código-fonte]

O gênero Dioscorea compõe-se de plantas trepadeiras anuais ou perenes cuja porção subterrânea produz tubérculos em geral comestíveis, das quais existem mais de 150 espécies e cerca de 600 cultivares usados para fins agrícolas. O género Dioscorea é originário das regiões tropicais e subtropicais de ambos os hemisférios.

As maiores espécies maiores do género Dioscorea atingem até 1,7 metros de altura; têm folhas largas, de interessante efeito decorativo.

Os tubérculos variam em tamanho desde pequenas "batatas" de alguns centímetros de diâmetros até gigantes com mais de 1,5 metros de comprimento e 40 kg de peso, ou até 2,5 metros de comprimento[2] e 70 kg (150 libras) de peso. A pele do tubérculo é áspera e difícil de descascar, mas suaviza após aquecimento. As peles variam em cor do castanho escuro ao rosa claro. Dependendo da espécie e variedade, a porção comestível do inhame pode ter polpa com cores que vão do esbranquiçado ao amarelo, rosado ou ao roxo, com casca mais ou menos rugosa com coloração que vai do esbranquiçado ao castanho-escuro. A textura da polpa varia entre o tenro e aguado e o seco e fibroso, dependendo da espécie e variedade e do seu estado vegetativo.

O inhame cultivado costuma ser uma planta rústica, dispensando tratos sofisticados. A espécie de inhame preferida para o cultivo é a Dioscorea cayenensis, cujas raízes têm coloração tendendo ao roxo.

Outras espécies extensivamente cultivadas são a Dioscorea rotundata, a Dioscorea alata, a Dioscorea batatas e a Dioscorea purpurea (esta última em Taiwan e no sueste asiático).

A Dioscorea esculenta é a espécie mais utilizada no subcontinente indiano, no sul do Vietname e nas ilhas do Pacífico Sul. Esta espécie é uma das mais nutritivas.

A espécie com maior expressão nas regiões subtropicais é a Dioscorea bulbifera, conhecida como air-potato yam na América do Norte.

Devido à sua excelente palatabilidade para os humanos, valor nutricional e diversidade de composições culinárias em que pode ser incorporado, o inhame é considerado uma cultura de alto valor, sendo hoje cultivado em todas as regiões tropicais e subtropicais e em algumas regiões temperadas não sujeitas a geadas.

A cultura do inhame[editar | editar código-fonte]

As principais condicionantes à produção do inhame são a disponibilidade de plantio, a competição com ervas daninhas, a disponibilidade de estacaria para construção de suportes para o desenvolvimento da planta (que é uma liana trepadeira) e as pragas, com destaque para os fungos, vírus e algumas espécies de escaravelhos e de nemátodos.

Em geral, o inhame é cultivado tendo, como único aporte externo, a utilização de pequenas quantidades de fertilizante, ou mesmo sem outro fertilizante do que a adição de material orgânico ou de cinzas resultantes de queimadas.

O plantio de inhame pode ser lançado à terra na estação seca, quando o solo está seco e a disponibilidade de trabalho das populações é maior. O custo do plantio representa cerca de 50 por cento do investimento na cultura, já que são necessários cerca de 10 000 inhames de semente por cada hectare a cultivar. Tal representa um grande volume de material, a que se associa a dificuldade de manter a viabilidade dos propágulos dado que são rapidamente perecíveis. Caso não adquiram o material, os agricultores necessitam em média de reservar 30 por cento da colheita para plantio no ano seguinte.

Uma vez semeadas, as sementes esperam em dormência pela chuva ou podem despontar um abrolho que aguarda o aumento da humidade do solo para desenvolver folhas.

Durante os primeiros 4 meses de crescimento a planta é vulnerável à competição com ervas daninhas, estando demonstrado que elas podem levar a perdas de rendimento superiores a 40% se não forem eliminadas por sacha adequada.

As melhores produções conseguem-se quando é instalada estacaria que permite à planta manter-se erecta trepando pelos suportes (pode chegar aos 4 m de altura). Tal representa um grande investimento, em particular em regiões pobres em material vegetal adequado.

Os tubérculos têm uma grande capacidade de armazenamento, continuando a crescer enquanto a disponibilidade de água no solo o permite.

Nas regiões mais húmidas, o inhame pode ser cultivado em associação com o milho e com outros vegetais.

Dada a sua importância económica o inhame é uma das produções agrícolas estudadas pelo International Institute of Tropical Agriculture (IITA), o qual mantém, em Ibadan, na Nigéria, um centro de investigação científica especializado nesta cultura.

Distribuição geográfica da produção[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a produção global de inhame atingiu, no ano 2000, cerca de 37,5 milhões de toneladas, cultivadas em cerca de 4 milhões de hectares de terra arável. A África tropical contribui com 96 por cento desta produção, com a restante a ser produzida nas Caraíbas, na América Central e do Sul, com destaque para o nordeste brasileiro, na Nova Guiné e no sueste da Ásia.

O inhame é a segunda mais importante cultura para consumo humano em África, representando, em peso, cerca de 30 por cento da produção da mandioca, o vegetal mais cultivado para alimentação humana naquele continente.

Em Trinidad e Tobago, no Caribe, há um festival de inhame chamado "Blue Food Festival" (Tobago). O nome, em português, "Festival da Comida Azul", vem da possibilidade de a raiz adquirir tons de azul durante seu cozimento. Na ilha, é chamado de dasheen.

Dos 600 cultivares usados em todo o mundo, três (o inhame-branco, o inhame-amarelo e o inhame-de-água) assumem importância fundamental na África Ocidental, região onde a Nigéria, isoladamente, contribui com 26 milhões de toneladas, ou seja, cerca de 70 por cento da produção mundial. Outros grandes produtores são o Gana (3 milhões de toneladas), a Costa do Marfim (2,9 milhões de toneladas), Camarões, o Benim e o Togo.

Naquela região de África, o inhame é o principal alimento e o seu cultivo assume um papel sócio-cultural central na vida das populações rurais, ocupando 2,8 milhões de hectares de terrenos agrícolas (95 por cento do total mundial), com rendimentos anuais da ordem das 10 toneladas por hectare.

Nas zonas tropicais, o mercado doméstico do inhame está bem desenvolvido, representando, a sua cultura, uma das mais importantes fontes de rendimento para os pequenos agricultores tradicionais. Nalgumas regiões, a cultura do inhame é um trabalho maioritariamente feminino, sendo a sua produção a principal fonte de rendimento para as mulheres.

Outra das grandes vantagens do inhame é a sua capacidade de permanecer armazenado de 4 a 6 meses à temperatura ambiente sem degradação apreciável das suas propriedades nutricionais. Esta resistência, muito maior do que a da batata-doce e a da mandioca, fazem, do inhame, uma componente importante da segurança alimentar dos países onde é cultivada, já que pode ser armazenada para uso no início da estação húmida, período em que é escassa a disponibilidade de alimentos frescos.

O tempo máximo de armazenamento do inhame é limitado pelo seu período de dormência, já que, quando inicia o abrolhamento, perde rapidamente o seu valor nutritivo.

Com 70 a 80 por cento de água na sua composição, os inhames são muito susceptíveis ao ataque de fungos e bactérias durante o armazenamento, podendo apodrecer rapidamente se contaminados.

Utilização e valor nutricional[editar | editar código-fonte]

A quase totalidade da produção de inhame é utilizada para alimentação humana, em geral consumido directamente sob a forma de vegetal cozido. A cozedura é essencial dado que os inhames contém, em quantidade que depende da espécie, compostos que lhe dão um sabor acre que é destruído pelo calor.

Os inhames são em geral vendidos a peso, sendo comum serem cortados nos mercados para serem comercializados em porções.

Os respectivos tubérculos, cujo uso para fins alimentares está muito difundido nos trópicos (pantropical), principalmente na África Ocidental, nas Caraíbas e na Região Nordeste do Brasil. Os tubérculos dos inhames são usados como acompanhamento de carnes, sopas e saladas, geralmente em pratos salgados, e com menos frequência em bolos e doces. O seu uso como alimento também é crescentemente apreciado nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na França, onde seu consumo é associado a benefícios medicinais tais como a redução do mau colesterol.

Em alternativa, o inhame cozido pode ser macerado, formando purés que podem ser utilizados directamente ou adicionados a alimentos sólidos ou sopas.

Os purés de inhame podem ser secos para produzir uma farinha destinada a consumo em fresco, como aditivo na confecção de outros alimentos ou como base para papa. Na África Ocidental, a farinha pode ser preparada a partir de inhames frescos, sendo, depois, usada na confecção de uma massa (a amala ou telibowo) que só depois é cozinhada.

Nas Filipinas, os inhames são conhecidos como ube e são consumidos como sobremesa (chamada halaya) e, frequentemente, com frutas e leite (no chamado halo-halo).

O inhame tem um elevado valor calórico, sendo rico em proteínas e em elementos tais como o fósforo e o potássio, tendo na estrutura alimentar das regiões tropicais a mesma posição que a batata ocupa nas regiões temperadas.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

O vocábulo "inhame" origina-se das línguas do oeste da África. A palavra yam, do inglês, vem do Wolof nyam, que significa "a amostra" ou "sabor"; em outras línguas Africanas, a palavra utilizada para inhame também pode significar "comer", como, por exemplo, yamyam e nyama, em Hausa.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.947
  2. Huxley, 1992

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]