Brancos

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Brancos ou caucasianos são termos que geralmente se referem aos seres humanos caracterizados, em certo grau, pelo fenótipo claro da pele. Em vez de uma simples descrição da cor da pele, o termo "branco" funciona como uma terminologia racial, muitas vezes referindo-se restritamente às pessoas que reivindicam ascendência exclusivamente europeia.

A definição de uma "pessoa branca" difere de acordo com o contexto geográfico e histórico, várias construções sociais de brancura tiveram implicações em termos de identidade nacional, consanguinidade, ordem pública, religião, estatísticas demográficas, segregação racial/ação afirmativa, eugenia, marginalização racial e cotas raciais. O conceito tem sido aplicado com diferentes graus de formalidade e de consistência interna em disciplinas como: sociologia, política, genética, biologia, medicina, biomedicina, linguagem, cultura e direito.

Uma definição comum de uma pessoa "branca" é uma pessoa principalmente, ou totalmente, de ascendência europeia.[1] No entanto, o termo é usado às vezes de forma mais ampla, de modo que se torna semelhante ao conceito da raça branca ou de pessoas caucasóides, que incluem as pessoas com ascendência do Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia Central e Meridional, que compartilham certas características fisiológicas e genéticas com os europeus, além da cor da pele.

Pele Caucasiana[editar | editar código-fonte]

Pessoas Caucasianas são arquetipicamente distinguidas pela pele clara. Os europeus têm a pele mais clara (como medido pela média de reflectância da pele da população lida pelo espectrofotômetro a A685) do que qualquer outro grupo racial analisado. Europeus do sul (medidas tomadas a partir de espanhóis) mostram uma pigmentação da pele em partes do corpo não expostas ao sol semelhante ao de europeus do norte e, em alguns casos, ainda mais leve.[2] Apesar de todos os valores médios de reflectância de pele em populações não-europeias serem mais baixos do que os dos europeus para os grupos representados neste estudo, há uma considerável sobreposição entre as populações.[3] A epiderme de pessoas com pele clara não é Caucasianas e nem livre de pigmento. As camadas subjacentes de colágeno e tecido adiposo são Caucasianas em pessoas de todas as raças. Em pessoas levemente pigmentadas, a epiderme é uma camada quase transparente. Consequentemente, a epiderme permite que os tecidos subjacentes brancos se tornem visíveis.[4] Os vasos sanguíneos entrelaçados entre o tecido adiposo produzem a cor rosa pálido associada com a pele clara. Pigmentos conhecidos como carotenos, encontrados na gordura, produzem um efeito mais amarelo. Em pessoas de pele mais escura a epiderme é repleta de melanossomos que obscurecem as camadas subjacentes.[5] [6] [7]

Origem[editar | editar código-fonte]

Distribuição da cor da pele de grupos étnicos indígenos, antes das colonizações, no mundo, baseado na escala cromática de Von Luschan.

As principais hipóteses que tentam explicar a pele Caucasiana sugerem que ela foi uma adaptação inadequada à radiação ultravioleta. Como seres humanos migraram para fora dos trópicos, um conspícuo gradiente de latitude de tons de pele seguiu a diáspora africana, argumenta-se que a seleção natural para a penetração ultravioleta suficiente para permitir a produção de vitamina D deu origem à evolução da pigmentação da pele pelo mecanismo da evolução por seleção natural. Efeitos deletérios da carência de vitamina D também são apontados como confirmação de que clareamento da pele foi uma resposta à forte pressão da seleção natural para maximizar a vitamina D.[8] [9] [10] Uma variação do argumento da vitamina D é de que os seres humanos viveram na Europa durante milhares de anos sem o clareamento da pele e que só se tornaram Caucasianos depois que eles adotaram agricultura.[8] [11] Sugere-se que na Europa a latitude permitia uma síntese suficiente de vitamina D combinada com a caça para a saúde, apenas quando a agricultura foi adotada houve uma necessidade de mutação para uma pele mais clara para maximizar a síntese de vitamina D, portanto, sugere-se a eliminação da carne proveniente da caça, pesca e algumas plantas da dieta resultou na pele Caucasiana, milhares de anos depois dos assentamentos humanos modernos na Europa.[12] [13]

A cor da pele é uma característica quantitativa que varia continuamente em um gradiente de escuro para claro, pois é uma característica poligênica, sob a influência de vários genes. KITLG[14] e ASIP[15] foram apontados como os responsáveis ​​pela variação da cor da pele entre os africanos subsaarianos e em populações não-africanas. SLC45A2,[16] TYR[17] e SLC24A5[18] têm sido apontados como representantes de uma fração substancial da diferença em unidades de melanina entre europeus e africanos, enquanto DCT,[19] MC1R[20] e ATRN[16] foram estatisticamente indicados como possíveis fontes das diferenças no tom de pele em populações do leste asiático.

Um estudo de 2006 concluiu que a pigmentação clara em populações europeias e asiáticas evoluíram de forma independente uma da outra através de diferentes mecanismos genéticos, o que significa que a pele clara, provavelmente, surgiu algum tempo após a migração inicial para fora da África após a separação dos haplogrupos M e N mtDNA.[21] A mutação resultou na versão de pele clara do gene SLC24A5, que estima-se que se originou na Europa entre 6.000 e 12.000 anos atrás, indicando que pelo menos um dos genes responsáveis ​​pela cor da pele pálida em europeus surgiu há relativamente pouco tempo.[22]

Mutações no gene MC1R foram apontadas como a causa das variações na cor do cabelo e nos tons de pele humanos, tais como o cabelo vermelho e pele pálida. Estudos não mostraram evidências de seleção positiva para estes alelos em seres humanos modernos e eles não parecem estar associados com a evolução da pele clara nas populações europeias atuais.[16] [23]

História[editar | editar código-fonte]

Através das grandes navegações e a expansão territorial europeia, os europeus tiveram contato com outros povos e o termo "branco" surgiu para definir os diferentes povos, tendo em vista a característica fenotípica mais evidente: a cor da pele. Como foram os europeus que cunharam essa definição, o termo acabou sendo mais relacionado com a Europa e toda a civilização ocidental.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Brancos por país
População total
Regiões com população significativa
 Estados Unidos 229.773.131[24]
 Rússia 125.000.000[25]
 Brasil 105.000.000[26]
 Alemanha 81.000.000[27]
 Itália 56.000.000[28]
Línguas
Religiões

Definições de cor branca têm mudado ao longo dos anos, incluindo as definições oficiais utilizadas em muitos países, como Estados Unidos e Brasil.[29] Algumas pessoas desafiam os regulamentos oficiais, muitas delas tornando-se pessoas brancas, de forma temporária ou permanentemente, através de seu status sócio-econômico. Através de meados do século XX, muitos países desenvolveram normas formais e legais ou procedimentos que definem as categorias raciais (ver: apartheid e hipodescendência). No entanto, desde o surgimento de críticas de racismo e de argumentos científicos contra a existência de raças humanas, uma tendência para a auto-identificação do status racial surgiu.

Os locais que possuem população predominantemente branca são as regiões da Europa (95%), Rússia (90%), África do Norte, Oriente Médio; e países como Estados Unidos[30] (75%), Canadá (80%), Austrália (92%),[31] Nova Zelandia (70%),[31] e a porção meridional da América do Sul: Brasil[32] (55%), Argentina [33] (88%), Uruguai[34] (90%) e Chile[35] (52%). Também há populações consideráveis na África do Sul (9%), na Índia e outros países na América Latina, como Costa Rica (77%)[36] e Porto Rico[35] (74%).

O conceito acerca da determinação de quem é branco ou não varia entre um país e outro. No Brasil por exemplo, as pessoas declaram-se ao censo do IBGE como quiserem.[37] De acordo com o último censo do IBGE, um pouco mais da metade da população brasileira (55%) se declara como branca.

Brasil[editar | editar código-fonte]

   – Estados com maioria da população branca.
   – Estados com maioria da população parda.

Uma pesquisa realizada com mais de 34 milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. A maior parte apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe.[38]

Os números condizem fortemente com o passado imigratório no Brasil. Entre o final do século XIX e início do século XX, sobretudo após a Abolição da Escravatura, o Estado brasileiro passou a incentivar a vinda de imigrantes para substituir a mão-de-obra africana. Entre 1870 e 1951, de Portugal e da Itália chegaram números próximos de imigrantes, cerca de 1,5 milhões de italianos e 1,4 milhões de portugueses. Da Espanha chegaram cerca de 650 mil e da Alemanha em torno de 260 mil imigrados. Os números refletem as porcentagens das origens declaradas pelos brancos brasileiros.[39]

É notório, porém, que quase metade dos brancos pesquisados declararam ser de origem brasileira. É explicável pelo fato de a imigração portuguesa no Brasil ser bastante antiga, remontando mais de quinhentos anos, fato que muitos brasileiros brancos desconhecem tais origens por já terem suas famílias enraizadas no Brasil há séculos.[40]

Se considerar os brancos que se afirmaram de origem brasileira como descendentes remotos de portugueses, 60,03% da população branca do Brasil é de origem portuguesa. Em suma, vivem em Portugal 10 milhões de portugueses e no Brasil 26 milhões de pessoas que se consideram etnicamente portuguesas e outras 41 milhões que são, provavelmente, de remota origem lusitana. Observando os muitos milhões de mestiços e negros brasileiros que também possuem antepassados portugueses, é clara a extrema importância dos portugueses na formação étnica do povo brasileiro.

Apenas 4,80% dos brancos brasileiros pesquisados afirmaram ter antepassados indígenas, enquanto somente 1,88% declararam ter antepassados negros africanos. Tais números, porém, não condizem com a suposta realidade genética dos brancos brasileiros que possuem, na maioria dos casos, significante contribuição genética de índios e africanos, devido a séculos de miscigenação entre europeus, nativos e escravos negros.

De acordo com um estudo feito em 2010 pela Universidade Católica de Brasília e publicado no American Journal of Human Biology, a herança genética europeia é a predominante no Brasil, respondendo por volta de 80% do total, sendo que no Sul esse percentual é mais alto e chega a 90%.[41]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Bonnett, Alastair (2000) White Identities. Pearson Education. ISBN 058235627X
  2. NG, Chaplin G. 2000 The evolution of skin coloration, p. 19.
  3. American Anthropological Association, "The Human Spectrum", Race: Are we so different? website.
  4. Introduction to Skin Histology
  5. Skin Color Adaptation
  6. Light and the 4 skin color components
  7. The 3 skin layers: epidermis, dermis, subcutaneous fat
  8. a b PMID 19481954 (PubMed)
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  9. PMID 20445093 (PubMed)
    Citation will be completed automatically in a few minutes. Jump the queue or expand by hand
  10. Vitamin D: In the evolution of human skin color, A.W.C. Yuena, N.G. Jablonski doi:10.1016/j.mehy.2009.08.007
  11. AMERICAN ASSOCIATION OF PHYSICAL ANTHROPOLOGISTS MEETING: European Skin Turned Pale Only Recently, Gene Suggests Science 20 April 2007: Vol. 316. no. 5823, p. 364 DOI: 10.1126/science.316.5823.364a
  12. Frank W Sweet The Paleo-Etiology of Human Skin Tone
  13. R. Khan, B.S. Razib Khan Diet, disease and pigment variation in humans Volume 75, Issue 4, Pages 363-367 (October 2010)
  14. Miller, et al. (2007), Cis-regulatory changes in Kit ligand expression and parallel evolution of pigmentation in sticklebacks and humans, http://www.ncbi.nlm.nih.gov/sites/ppmc/articles/PMC2900316/ 
  15. Valenzuela, et al. (2010), Predicting Phenotype from Genotype: Normal Pigmentation, http://www.hmc.psu.edu/pathology/residency/experimental/cheng%20pdf%20files/JForensicSci55-2010.pdf 
  16. a b c Norton, H.L.; Hammer, M.F. (2006), "Sequence variation in the pigmentation candidate gene SLC24A5 and evidence for independent evolution of light skin in European and East Asian populations.", Program of the 77th Annual Meeting of the American Association of Physical Anthropologists: 179, http://mbe.oxfordjournals.org/content/24/3/710.full 
  17. Stokowski, et al. (2007), A Genomewide Association Study of Skin Pigmentation in a South Asian Population 
  18. Ginger RS, Askew SE, Ogborne RM, Wilson S, Ferdinando D, Dadd T, Smith AM, Kazi S, Szerencsei RT, Winkfein RJ, Schnetkamp PP, Green MR. (February 2008). "SLC24A5 encodes a trans-Golgi network protein with potassium-dependent sodium-calcium exchange activity that regulates human epidermal melanogenesis". J. Biol. Chem. 283 (9): 5486–95. DOI:10.1074/jbc.M707521200. PMID 18166528.
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  21. Heather L. Norton, Rick A. Kittles, Esteban Parra, Paul McKeigue, Xianyun Mao, Keith Cheng, Victor A. Canfield, Daniel G. Bradley, Brian McEvoy and Mark D. Shriver (December 11, 2006) Genetic Evidence for the Convergent Evolution of Light Skin in Europeans and East Asians Oxford Journals [1]
  22. Gibbons A. (2007). "American Association of Physical Anthropologists meeting. European skin turned pale only recently, gene suggests". Science 316 (5823). DOI:10.1126/science.316.5823.364a. PMID 17446367.
  23. Shriver, Mark D.; Parra, Esteban J.; Dios, Sonia; Bonilla, Carolina; Norton, Heather; Jovel, Celina; Pfaff, Carrie; Jones, Cecily et al. (2003), "Skin pigmentation, biogeographical ancestry and admixture mapping", Human Genetics 112: 387–399, doi:10.1007/s00439-002-0896-y, http://backintyme.com/admixture/shriver01.pdf 
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  27. www.dw-world.de Predefinição:Or
  28. en.istat.it/ Predefinição:Or
  29. Adams, J.Q.; Pearlie Strother-Adams. Dealing with Diversity. Chicago, IL: Kendall/Hunt Publishing Company, 2001. ISBN 0-7872-8145-X
  30. U.S. Census Bureau; [2]; Data Set: 2008 American Community Survey 1-Year Estimates; Survey: American Community Survey. Retrieved 2009-11-07
  31. a b - The World Factbook;
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  37. Brazil Separates Into Black and White, LA Times, September 3, 2006.
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  39. http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/povoamento/tabelas/imigracao_nacionalidade.htm
  40. http://www1.ibge.gov.br/brasil500/portugueses.html
  41. Folha Online. DNA de brasileiro é 80% europeu, indica estudo. Página visitada em 26 de maio de 2010.