Seti I

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Pintura de Seti I

Seti I (ca. 1323 a.C.1278 a.C.) foi o segundo faraó da XIX dinastia egípcia, ou dinastia Ramséssida. Filho de Ramsés I e da rainha Sitré, governou o Antigo Egipto entre cerca de 1291 a.C. e 1278 a.C. O seu reinado de pouco mais que uma década ficaria celebrado na história pelas numerosas e frutuosas campanhas militares e pelo esplendor artístico alcançado. É o pai do famoso Ramsés II, o Grande.

Família[editar | editar código-fonte]

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Seti era filho do primeiro rei Ramséssida: Ramsés I. Ramsés I era vizir e confidente do anterior faraó Horemheb. Este último é muitas vezes considerado como o primeiro faraó da XIX dinastia, contudo as ligações familiares de Horemheb colocam-no como último faraó da XVIII dinastia egípcia. De facto, a sua ascensão ao trono foi legitimada pelo casamento com Mutnedjmet, filha de anterior faraó-sacerdote Ay e irmã de Nefertiti, Grande Esposa Real de Aquenáton. Ramsés I conseguiu o trono do Egipto porque Horemheb não deixou descendência e o indicou a ele, seu fiel amigo, como seu sucessor. Seti provem, assim, de uma linhagem nobre, de grandes comandantes militares. O seu avô, Seti, era um comandante oriundo do Delta. Seu pai, antes de se tornar faraó, fora um grande comandante. A mãe de Seti, Sitré (Filha de Ré) era também uma nobre de nome Tia.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Baixo-relevo do tempo de Seti I em Abidos.

Seti casou no seio da sua proveniência familiar. A sua Grande Esposa Real foi Toya, filha do tenente Raia. Conhecem-se quatro filhos deste casamento:

1 - Um rapaz que morreu muito jovem (Chenar)

2 - Tia-Sitre

3 - Ramsés II, sucedeu a seu pai

4 - Hanutmiré, futura esposa de seu irmão Ramsés II

A família de Seti I, os Ramséssidas, continuaria no poder por mais 93 anos, até à morte da rainha-faraó Tauseret em 1185 a.C., quando uma nova dinastia se apodera do trono.

As Guerras[editar | editar código-fonte]

Seti esforçou-se, durante o seu reinado, por igualar os feitos militares dos primeiros faraós da XVIII dinastia: Tutmés III e Amenófis III; de forma a restaurar a glória do Egipto perdida com o período de Amarna e a legitimar a nova dinastia. A memória das suas campanhas militares encontra-se bem ilustrada nas paredes do Templo de Karnak.

Kadesh[editar | editar código-fonte]

A maior glória de Seti foi a conquista da cidade síria de Kadesh e da província vizinha de Amurru ao Império Hitita. Estes territórios tinham sido perdidos no tempo de Aquenáton e malgrado as tentativas de Tutancâmon e Horemheb os hititas conseguiram conserva-los. Contudo, pouco tempo durou o domínio egípcio, pois a cidade voltou a cair pouco depois. Uma última tentativa de a tomar tomou lugar com o filho de Seti I, Ramsés II, na famosa Batalha de Kadesh. Curto foi também este último domínio egípcio e no 8º ano do reinado de Ramsés II os hititas tomaram definitivamente o controle da cidade.

Médio Oriente[editar | editar código-fonte]

Anteriormente à conquista de Kadesh, Seti preconizou seis anos gloriosos de ataques à Palestina, impondo o domínio egípcio naquela zona. Na mesma campanha que capturou Kadesh, Seti voltou a conquistar os territórios do Líbano e Síria, igualmente perdidos durante a instabilidade dos reis de Amarna.

Líbia e Núbia[editar | editar código-fonte]

Durante a primeira década do seu reinado também foram lançadas algumas incursões vitoriosas contra os líbios do deserto ocidental e alguns revoltosos núbios. Crê-se que a principal função de tais campanhas fosse a de manter as fronteiras do Império.

O Reinado[editar | editar código-fonte]

Durante o seu reinado importantes obras de arquitectura e de desenvolvimento artístico tomaram lugar. Seti iniciou a construção da famosa Sala Hipostila do Templo de Amon em Karnak, que seria depois concluída pelo seu filho Ramsés II. Numa provável tentativa de se associar á divindade mais popular do Egipto e às origens distantes da Monarquia Egípcia do Império Antigo, Seti mandou construir um magnífico Templo dedicado a Osíris. É considerado um dos mais belos espécimes da arte egípcia e os seus relevos não têm par. O templo possuía sete santuários: Ptah, Ré-Horakhti, Amon-Ré, Osíris, Ísis, Horus e o do próprio Seti. Existe neste templo a chamada Sala dos Registos onde os relevos mostram Seti acompanhado do jovem Ramsés perante um interminável lista de faraós do Egipto. De notar que de Amenófis III a lista salta para Horemheb, eclipsando os faraós de Amarna e, nomeadamente, o inconveniente Aquenáton. Está aqui patente a grande linha directora do reinado de Seti, comum aos dos seus antecessores Horemheb e Ramsés I, reabilitar a glória do Egipto e apagar os vestígios da heresia de Amarna. Ao lado do Templo encontra-se uma estrutura curiosa de que se desconhece a função: o Osirion. Seti construiu ainda um Templo dedicado a seu pai, Ramsés I, também em Abidos e o seu Templo Mortuário em Tebas.

Templo de Seti I em Abidos

O Túmulo[editar | editar código-fonte]

O último marco do seu reinado é a construção do seu túmulo no Vale dos Reis (KV 17), sendo considerado até agora como o maior e mais soberbamente decorado de todo o Vale. O túmulo, descoberto por Giovanni Belzoni o 16 de Outubro de 1817, testemunha o auge e esplendor artístico alcançados durante o reinado do monarca. Os baixos-relevos são de um requinte único e a utilização de cores vibrantes dá-lhes uma vida inesperada. É ainda notório pelas artimanhas usadas na sua defesa contra ladrões e saqueadores, embora estas se tenham revelado infrutíferas.

A Morte[editar | editar código-fonte]

Seti I morreu ainda novo, com pouco mais de 40 anos. A sua múmia, considerada a mais bela e bem preservada até hoje encontrada, não se encontrava no seu túmulo no Vale dos Reis. Repousava num esconderijo de múmias reais em Deir el-Bahari descoberto em 1881. Foram encontrados registos na múmia que nos indicam que esta foi restaurada no reinado do Sumo Sacerdote de Amon, Heithor (1080-1074 a.C.) e depois, novamente, no ano 15 de Smendes (1054 a.C.). Finalmente, foi escondida juntamente com a do seu filho Ramsés II no ano 10 de Siamon (968 a.C.). Na atualidade está preservada no Museu Egípcio do Cairo.

Titulatura[editar | editar código-fonte]

Nome de Sa-Rá1
Hieroglifo
G39 N5
Z1
<
p
t
H C7 i i U7
n
>
Transliteração swtḫ Mr(y)-Ptḥ
Transliteração (ASCII) swTX mri.n-ptH
Transcrição Sethy Merenptah
Tradução "Nascido de Seth, amado de Ptah."
Nome de Nesu-bity1
Hieroglifo
M23
X1
L2
X1
<
ra mAat mn
>
Transliteração Rˁ-Mȝˁ.t-Mn
Transliteração (ASCII) Ra-mAat-mn
Transcrição Menmaat-rá
Tradução "Eterna é a justiça de ."
Nome de Hórus
Hieroglifo
G5
E2
D40
N28 G17 R19 S29 S34 N17
N17
Srxtail.jpg
Transliteração '
Transliteração (ASCII) (Hr) kA-nxt xai-m-wAst sanx-tAwi
transcrição (Hor) Kanekhet Kaimwaset Sankhtawi
Tradução "Hórus touro poderoso, que surge radioso em Tebas. Aquele que faz viver as Duas Terras (o Alto e Baixo Egito."
Nome de Hórus de Ouro
Hieroglifo
G8
F25 F31 s G43 t
Z2
S42 Aa1 p
O39
F23
D46
r
D44
T10
t
Z2
Z2
Z2
Transliteração '
Transliteração (ASCII) '
Transcrição Uhem Messut Sekhemkhepesh Derpedjetpesdjet
Tradução "Aquele que renasce e cujo braço valoroso empunha os nove arcos."

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CLAYTON, Peter A.; Crónicas dos Faraós. Lisboa: Verbo, 2004.
  • KENNETH A. Kitchen; Pharaoh Triumphant: The Life and Times of Ramesses II. Warminster, 1982. ISBN 0-85668-215-2

Notas e referências

  1. a b Grandes Impérios e Civilisações - O Mundo Egípcio, Vol. 1, pg. 37 - tradução:Maria Emília Vidgal, 1996 Edições Del Prado (Portugal e Brasil), ISBN 87-7838-736-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Ramsés I
Faraó
XIX Dinastia
Sucedido por
Ramsés II