Tradução

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Tradução é uma atividade que abrange a interpretação do significado de um texto em uma língua — o texto fonte — e a produção de um novo texto em outra língua, mas que exprima o texto original da forma mais exata possível na língua destino; O texto resultante também se chama tradução.

Quem desconhece o processo de tradução quase sempre trata o tradutor como mero conhecedor de dois ou mais idiomas. Traduzir vai além disso. Há um famoso jogo de palavras em italiano que diz "Traduttore, Traditore" (em português, "Tradutor, traidor"), pois todo tradutor teria de trair o texto original para conseguir reescrevê-lo na língua desejada.

Primeiramente, a tradução envolve dois idiomas, mas não pára aí. As áreas ou tipos de textos traduzidos são muitos, e por isso um bom tradutor de romances não é obrigatoriamente um bom tradutor de textos científicos, e vice-versa.

Tradicionalmente, a tradução sempre foi uma atividade humana, embora haja tentativas de se automatizar e informatizar a tradução de textos em língua natural — tradução automática — ou usar computadores em auxílio à tradução (Tradutores on-line).

Segundo Marcello Novaes de Amorim[carece de fontes?], de um ponto de vista ontológico, a tradução pode ser entendida como o ato de mapear um texto, transportando-o de um domínio a outro.

Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas[carece de fontes?], os tradutores não são apenas tradutores de livros. A tradução de livros ou editorial, erroneamente chamada de "tradução literária", é um segmento minoritário do mercado de tradução em todo o mundo. Outros segmentos mais volumosos são os de tradutores jurídicos (entre eles os tradutores juramentados), os tradutores de manuais de equipamentos industriais, os tradutores de artigos jornalísticos, os tradutores de textos de medicina, entre outros.[1]

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras traduções importantes no ocidente foram da Bíblia. Os judeus haviam passado muito tempo sem falar hebraico, que se perdeu, e as escrituras tiveram de ser traduzidas para que fossem entendidas pelos judeus. De acordo com um documento chamado "Cartas de Aristéas, no século III, sob o reinado Ptolemeu II Filadelfo,[2] no Egito, 72 sábios traduziram, do hebreu para o grego, as Sagradas Escrituras. Essa versão da Bíblia se conhece como a versão alexandrina ou a versão dos 70. No século II, a Bíblia foi traduzida do grego para o latim, originando a versão conhecida como Vetus Latina Que mais tarde originou a tradução em português por Padre João Ferreira de Almeida.[3]

Poesia e Música[editar | editar código-fonte]

Talvez a forma literária de mais difícil tradução seja a poesia[carece de fontes?]. Não só é necessário manter o significado, mas também o ritmo, as rimas e outras características típicas da poesia. Mais difícil, ainda, é a tradução da poesia ou mesmo da prosa, quando se trata de um texto de uma música (letra), pois este deve-se submeter à prosódia musical, ou seja, os acentos tônicos das palavras devem, preferencialmente, coincidir com os acentos musicais (arsis e thesis). Por exemplo: imagine se a conhecida melodia do "Happy birthday to you" (Parabéns pra você) fosse traduzida por "Feliz aniversário". A palavra "feliz" teria uma acentuação errada (fêliz). Isso pode até mesmo originar cacófonos e cacófatos.

Tradutores[editar | editar código-fonte]

Um tradutor competente tem as seguintes qualidades[carece de fontes?]:

  • um bom conhecimento da língua, escrita e falada, da qual ele está traduzindo (o idioma de origem);
  • um excelente domínio da língua em que ele está traduzindo (a língua-alvo);
  • familiaridade com o assunto do texto a ser traduzido;
  • uma profunda compreensão da etimologia e das expressões idiomáticas correspondentes entre as duas línguas.

Preconceitos[editar | editar código-fonte]

Supõe-se geralmente que qualquer indivíduo bilíngue é capaz de produzir traduções de documentos satisfatórias, ou mesmo de alta qualidade, simplesmente por serem fluentes numa segunda língua, o que na verdade independe. A capacidade, habilidade e até mesmo os processos mentais básicos necessários para o bilinguismo são fundamentalmente diferentes daqueles necessários para a tradução[carece de fontes?].

Indivíduos bilíngues são capazes de usar seus próprios pensamentos e ideias, expressá-las oralmente em duas línguas diferentes, com sua língua nativa e com sua segunda língua, às vezes bem o suficiente para falantes nativos dessa segunda língua. Os tradutores devem ser capazes de ler, entender e manter ideias entre as duas línguas e, em seguida, produzir traduções fiéis, completas e sem exclusões, de uma maneira que transmita o significado original de forma eficaz e sem distorções no outro idioma[carece de fontes?].

Em outras palavras, os tradutores devem ser minuciosos quanto à pureza da ideia e de sua conotação ao passá-las do texto original para a tradução, o que o conhecimento profundo dos mecanismos linguísticos específicos torna possível. Entre os tradutores, é geralmente aceito que as melhores traduções são produzidos por pessoas que estão traduzindo a partir de sua segunda língua para sua língua nativa, pois é raro alguém ter total fluência na segunda língua. [4]

Computação[editar | editar código-fonte]

Em computação, tradutor é um programa que traduz um programa ou algo específico (textos principalmente) em outra linguagem ou em atividades, sendo dividido em compiladores e interpretadores.

Norma europeia de qualidade para Serviços de Tradução[editar | editar código-fonte]

A norma de qualidade UNE-EN 15038:2006 é uma norma europeia específica para serviços de tradução que “abrange o processo central da tradução, bem como todos os demais aspectos relacionados com a prestação do serviço, incluindo a gestão da qualidade e a rastreabilidade”. Da mesma forma, estabelece e define os requisitos que deve cumprir um prestador de serviços de tradução (PST) no que diz respeito a recursos humanos e técnicos, a gestão da qualidade, a gestão de projetos, as relações contratuais com os seus clientes e os procedimentos de serviço.[5]

Podem ser encontrados na norma EN 15038 requisitos para recursos humanos, recursos tecnológicos, gestão da qualidade, gestão de projeto, bases para estabelecimento de contratos e procedimentos de serviços. Esse escopo, contudo, refere-se somente a serviços de tradução e não inclui os serviços de interpretação.[6]

Referências

  1. SAID, Fabio M. Fidus interpres: a prática da tradução profissional. 2a ed. São Paulo: edição do autor, 2011. ISBN 978-85-910098-7-9
  2. Septuagint - What is It?.
  3. Vetus Latina Introduction.
  4. Agenor Soares dos Santos, Guia Prático de Tradução Inglesa, 2a. Edição, 1995, Editora Cultrix São Paulo
  5. EN-15038 Norma Europeia especificamente para o sector da tradução..
  6. SAID, Fabio M. Fidus interpres: a prática da tradução profissional. 2a ed. São Paulo: edição do autor, 2011. ISBN 978-85-910098-7-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]