Menés

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Menés
Africano: Mênês
Eusébio: Mênês
Faraó do Egito
Sucessor Hórus Aha?

Menés (Arábico: مينا; Grego: Μήνης;[4] egípcio: Meni) foi um faraó do Antigo Egito da Época Tinita, creditado pela tradição clássica como o unificador do Alto e Baixo Egito, e como o fundador da primeira dinastia.[5] [6]

A identidade de Menés é um tema de debate em curso, embora o consenso geral dos egiptólogos[1] [2] [3] identifica Menés como o faraó protodinástico Narmer (também creditado como unificador do Egito) como o primeiro faraó, evidenciado por diferentes titularias reais nos registros históricos e arqueológicos, respectivamente.

Nome e identidade[editar | editar código-fonte]

Menés em hieroglifos é
<1
Y5
N35
M17
2>

O comumente usado Menés deriva de tipos de carinha Manetão,[6] um historiador egípcio e sacerdote que viveu durante o período ptolomaico. Manetão usou o nome na forma Μήνης (transliterado: Mênês).[4] [7] Na forma grega alternativa, Μιν (transliterado: Min) foi citado pelo historiador Heródoto no século V a.C.,[8] [9] uma variante não muito considerada em resultado da contaminação a partir do nome do deus Min.[10] Eusébio de Cesareia identifica o Min de Heródoto com o Menés de Manetho.[6] A forma egípcia, Meni, é tomado pela listas reais de Turim e Abidos (datadas da XIX dinastia).[7]

O nome, Menés, significa "Aquele que persevera", que, Edwards (1971) sugere, pode ter sido cunhado como "um mero epíteto descritivo denotando um semi-legendário herói [...] cujo nome havia sido perdido".[4] Em vez de uma pessoa em particular, o nome pode ocultar coletivamente os faraós protodinásticos Ka, Escorpião II e Narmer.[4]

Menés e Narmer[editar | editar código-fonte]

A quase completa ausência de qualquer menção de Menés no registro arqueológico,[4] e a comparável riqueza de evidências de Narmer, uma figura protodinástica creditada por descendentes e no registro arqueológico como um firme reivindicador[2] da unificação do Alto e Baixo Egito, tendo dado origem para a teoria de que identifica Menés como Narmer.

A principal referência arqueológica de Menés é uma placa de marfim de Naqada que mostra o nome Hórus real Aha (o faraó Hórus Aha) próximo a um edifício, dentro do qual está o nome nebty real mn,[11] geralmente tomado como sendo Menés.[4] [12] Disto, várias teorias sobre a natureza do edifício (uma cabine funerária ou um santuário), o significado da palavra mn (um nome ou um verbo perdura) e a relação entre Hórus Aha e Menés (como uma pessoa ou um faraó sucessor) tem surgido.[1]

As listas reais de Turim e Abidos, geralmente aceitas como sendo corretas,[1] listam os nomes nebty dos faraós, não seus nomes de Hórus,[2] e são vitais para a reconciliação de vários registros: os nomes nebty na listas reais, os nomes de Hórus nos registros arqueológicos e o número de faraós da I dinastia de acordo com Manetão e outras fontes históricas.[2]

Petrie fez a primeira tentativa para esta tarefa,[2] associando Iti com Djer como o terceiro faraó da I dinastia, Teti (Turim) (ou outro Iti [Abidos]) com Hórus Aha como segundo faraó, e Menés (um nome nebty) com Narmer (um nome Hórus) como primeiro faraó da I dinastia.[1] [2] Lloyd (1994) achou esta sucessão "extremamente provável",[2] e Cervelló-Autuori (2003), categoricamente afirma que "Menés é Narmer e a Primeira Dinastia começou com ele".[3]

História[editar | editar código-fonte]

A antiga tradição atribui a Menés a honra de ter unido o Alto e Baixo Egito em um único reino[7] [13] e tornando-se o primeiro faraó da I dinastia.[14] No entanto, seu nome não aparece existentes peças dos Anais Reais (Pedra do Cairo e Pedra de Palermo), que é uma lista real fragmentada que foi esculpida em uma estela da V dinastia. Ele tipicamente aparece fontes mais tardias como o primeiro humano a governar o Egito, diretamente herdando o trono do deus Hórus.[15] Ele também aparece em outra, muito mais tardia, lista real, sempre como o primeiro faraó humano do Egito. Menés também aparece em romances demóticos do período greco-romano, demonstrando que, mesmo que tardiamente, ele foi considerado uma figura importante.[16]

Menés foi visto como uma figura fundadora por grande parte da história do Antigo Egito, similar a Rômulo na Roma Antiga.[17] Manetão registra que Menés reinou por 30 (ou 60) anos, levou o exército transversalmente na fronteira e ganhou grande glória, e foi morto por um hipopótamo.[6] [14] Ele foi sucedido por seu filho Atótis, que construiu o palácio de Mênfis.[6]

Capital[editar | editar código-fonte]

Manetão associou a cidade de Tinis com as primeiras dinastias (Dinastia I e II) e, em particular, Menés, um "tínita" ou nativo de Tinis.[6] [14] Heródoto contradiz Manetão ao afirmar que Menés fundou a cidade de Mênfis como sua capital[9] após desviar o curso do rio Nilo através da construção de um dique.[18] Manetão atribui a construção de Mênfis para o filho de Menés, Atótis,[14] e chama os faraós da III dinastia como "menfitas".[19] No entanto é pouco provável que apenas durante o reinado do sucessor de Menés, a capital tenha sido transferida para Mênfis, pois, sua localização possibilitaria um mais eficiente controle sobre o recém-incorporado Baixo Egito assim como das rotas comerciais com o Oriente Próximo.[20]

Eusébio de Cesareia, ao comentar a cronologia de Manetho, observa que a duração total dos reinos egípcios é muito longa, e sugere que as várias dinatias de Manetho poderiam ter reinado ao mesmo tempo, em diversas partes do Egito, com reis em Tinis, Mênfis, Saís e na Etiópia.[6]

Locais como Hieracômpolis e Naqada, por sua importância durante o período pré-dinástico, receberam templos.[20] Da mesma forma, Abidos foi mantida como necrópole da I dinastia.[20]

Influência cultural[editar | editar código-fonte]

Diodoro Sículo afirma que Menés introduziu a adoração dos deuses e a prática de sacrifícios[21] tão bem quanto um mais elegante e luxuoso estilo de vida.[21]

Por esta última invenção, a memória de Menés foi desonrada pelo faraó da XXIV Dinastia Tefnacte, e Plutarco menciona um pilar de Tebas sob o qual foi inscrito uma maldição contra Menés como o introdutor da ostentação.[21]

Episódio do crocodilo[editar | editar código-fonte]

Diodoro Sículo recorda uma história de Menés,[22] relatada pelos sacerdotes do deus crocodilo Sobek de Crocodilópolis, em que o faraó Menés, atacado por seus próprios enquanto caçava,[23] fugiu atravessando o lago Moeris nas costas de um crocodilo e, em agradecimento, fundou a cidade de Crocodilópolis.[23] [24] [25]

Edwards (1974) afirma que "a lenda, que está, obviamente, cheia de anacronismos, é manifestamente desprovida de valor histórico",[25] mas Mastepo (1910), embora reconhecendo a possibilidade de que as tradições relativas a outros reis podem ter-se misturado com essa história, rejeita a sugestão de alguns comentadores[26] de que a história deve ser transferida para o faraó Amenemés III da XII dinastia e não vê nenhuma razão para duvidar de que Diodoro não registrou corretamente uma tradição de Menés.[23]

Joseph (2004) interpreta a história como uma alegoria para a vitória de Menés e seus aliados em sua guerra de unificação, e em que os inimigos de Menés são simbolizados insultuosamente como os cães.[24]

Faber (1816), tendo a palavra campsa o significado tanto de crocodilo como arca e preferindo este último, identifica Menés como Noé e toda a história como um mito do dilúvio.[27]

Morte[editar | editar código-fonte]

Segundo Manetão, Menés reinou por 30 (ou 60 anos) e foi morto por um hipopótamo.[6] [14] [28]

Outros usos[editar | editar código-fonte]

Alguns estudiosos afirmam que o nome do rei Minos quem governou a Antiga Creta é derivado de Menés assim como os nomes Tsar, Cáisere "Czar" são derivados de César.[29] Como não há nenhuma menção de Menés nos registros arqueológicos egípcios, é também possível que seu nome foi derivado de Minos.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Alexander Dow (1735/6-1779), um dramaturgo e orientalista escocês, escreveu a tragédia Sethona, situada no Antigo Egito, em que o personagem principal, Menés, é descrito na dramatis personæ como "próximo herdeiro masculino para a coroa" agora usada por Serápis, e foi interpretado por Samuel Reddish em uma produção de 1774 por David Garrick no Teatro Drury Lane.[30]

Referências

  1. a b c d e Edwards 1971: 13
  2. a b c d e f g h Lloyd 1994: 7
  3. a b c Cervelló-Autuori 2003: 174
  4. a b c d e f g Edwards 1971: 11
  5. Beck et al. 1999
  6. a b c d e f g h Manetho, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, A partir dos registros de Manetho, que compôs um trabalho em três volumes sobre os deuses, semi-deuses, espíritos e reis mortais que governaram o Egito, até o persa Dario, 45, 1a Dinastia, Menés de Tinis e seus sete descendentes [em linha]
  7. a b c Etheredge 2008
  8. Heródoto, Histórias, Livro II, Euterpe, 4 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  9. a b Heródoto, Histórias, Livro II, Euterpe, 99 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  10. Lloyd 1994: 6
  11. Gardiner 1961: 405
  12. Originalmente, o título real completo de um faraó era nome de Hórus "x" nome nebty "y". Para abreviar, apenas um elemento pode ser usado, mas a escolha varia entre as circunstâncias e o período. Na I dinastia, o nome de Hórus foi usado por um faraó vivo, o nome nebty por um morto. (Lloyd 1994: 7)
  13. Maspero 1903: 331
  14. a b c d e Verbrugghe and Wickersham 2001: 131
  15. Shaw and Nicholson 1995: 218
  16. Ryholt 2009
  17. Manley 1997: 22
  18. Herodotus: 2.109
  19. Verbrugghe and Wickersham 2001: 133
  20. a b c Narmer II
  21. a b c Elder 1849: 1040
  22. Diodorus (n.d.): 45
  23. a b c Maspero 1910: 235
  24. a b Joseph 2004: 99
  25. a b Edwards 1974: 22
  26. e.g. Elder 1849: 1040: in defiance of chronology
  27. Faber 1816: 195
  28. Sayce and Gibbon 1906: 15
  29. R.Wunderlich.The secret of Creta".Efstathiadis group. Athens 1987 p. 171
  30. Dow 1774

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Narmer
Faraó
Sucedido por
Hórus Aha