Cólquida
A Cólquida é a região ao sul do Cáucaso e a leste do mar Negro, na atual República da Geórgia. Na mitologia grega, era o país onde se encontrava o Velo ou Velocino de ouro, presente dos deuses que atraia a prosperidade a quem o possuísse. Jasão, a bordo do seu navio Argo, viajou até ali para o roubar ao rei.
Pelas descrições dos autores clássicos gregos, a Cólquida era uma cidade estado colonizada pelos gregos às margens do Mar Negro, onde hoje é a Geórgia. O primeiro reino Cólquida teria sido dominada pelos Cimérios e pelos citas por volta de 720 a.c, tendo sido integrado ao Império Aquemênida em meados do século VI a.C. Medo, depois rei dos Medos, conquistou o país, vindo da Ásia em socorro a seu avô Eates, que fora destronado pelo irmão. Com a morte de Eates, a Cólquida foi anexada ao reino de Medo, a Média.
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[editar] História
[editar] Origens
Ao final do século II a.C., na Ásia Menor, a leste do Ponto Euxino, (mar Negro) e a sudoeste da Transcaucásia, floresciam dois reinos, Diauehi e Colca (em grego Κολχίς / Kolquís).
Cólquida foi um reino originado de uma confederação de povos cólquidas formada por volta do século IX a.C. Os cólquidas destruiram o reino Diaoji no século VIII a.C., o que colocou os cólquidas em contato como o reino Urartu. Fontes de origem Urartu mencionam numerosas cidades reais na Cólquida, parecendo que essa nação apresentavas elevado grau de civilização nessa época. Havia um único rei cólquida e um governador em cada província.
Esse reino é o cenário da lenda da feiticeira Medeia e a de Jasão e os Argonautas que foram buscar o Velocino de Ouro. Ésquilo e Píndaro foram os primeiros autores a mencionar o país, ao qual às vezes chamavam de Ea. Nessa ilha de Ea vivia o rei Eates (cujo nome identificou a ilha) da Cólquida e sua irmã Circe. Sua localização era na foz do rio Fasis (atual rio Rioni), curso d'água que faria, segundo os gregos, a separação entre Ásia e Europa e que permitia aos navegadores cursar a leste do Mar Negro.
Entre 750 e 748 a.C., o rei Sardur II de Urartu invadiu e devastou o sul da Cólquida. Entre 747 a.C. e 741 a.C. Sardur retornou e conquistou o palácio de Ildamuche, sede principal do governo. Pouco depois, iniciaram-se as escamuças dos Cimérios, chamados Ghmir pelo georgianos, causando destruição e mortes. Mais uma vez o país foi então assolado, então pelos Citas.
Os georgianos se deslocaram para as planícies, a economia ficou muito afetada, mas a autoridade real se manteve. Os governadores, chamados Sceptuchs, mandavam nas províncias. Em 590 a.C., os Citas e os Medos destruiram o reino e o local de Urartu foi ocupado por tribos Armênias, ficando a Cólquida e Armênia como nações vizinhas.
Entre os séculos V e VI, esse povo pagou tributo aos reis persas, tributo que consistia em enviar aos novos senhores, a cada cinco anos, cem rapazes e cem moças jovens como escravos. Em 330 a.C., o reino foi liberado do domínio persa por Alexandre Magno.
[editar] Dos gregos aos romanos
Desde o século VIII os milésios iniciaram uma colonização grega do litoral leste da Cólquida, tendo fundado Fásis (Poti), Guienos (Otxamtxira), Dioscúria (depois Sebastópolis), atual Sujumi e uma cidade de nome desconhecida, hoje na Adjara.
Kutaisi, importante centro desse reino tido como local do nascimento de Medeia. Foram encontrados restos arqueológicos de outras cidades, dentre as quais Vani.
No século V a.C., nasceu uma economia monetária da Cólquida. No século IV a.C., a área do leste caiu sob o domínio da Ibéria caucasiana, ficando a Cólquida sendo chamada Egrisi, sempre governada por um único rei. Com o nascimento da dinastia dos Pharnavazide, que durou até 93 a.C., passou a ser o reino Kartli, também chamado pelos gregos de Ibéria. O reino passou a fazer parte da dinastia Arsácida (93 a 32 a.C.), que depois retornou aos Pharnavazides (Egrisi).
Mitrídates VI do Ponto Euxino (111 a.C. a 63 a.C.), incorporou o teritório e fez seu filho Macares governador. Esse filho buscou a independência de seu território e foi morto por ordem do pai, Mitrídates. Alguns aristocratas do Reino do Ponto dominaram a região e em 66 a.C. o exército romano expulsou Mitrídates, que fugiu para a Cólquida e depois para o Bósforo Cimério.
Em 65, Oltac, um governador local da Cólquida, que resistia à invasão romana, foi expulso por esses, mas outros governadores locais resistiram aos invasores romanos. O romano Pompeu fez de Aristarco, um aristocrata local e dominador da Cólquida (conforme consta de moedas), o governador local. A Cólquida a partir daí passou a ser apenas pela parte central. A capital era Fasis (Poti). Com a queda de Pompeu, Farnaces II do Ponto, filho de Mitrídates, aproveitado que Julio César estava envolvido em conflitos com a dinastia Ptolomaica do Egito, tomou a Cólquida, a Armênia e parte da Capadócia (49 a.C.), ao derrotar Gneo Domicio Calvino, numa vitória, porém, volátil. O mesmo Calvino foi mandado de volta por Júlio César e derrotou Farnaces em 47 a.C. Polemon, sucessor de Farnaces, foi rei do Ponto, Bósforo e Cólquida. Com o fim do Reino do Ponto, esse foi incorporado ao Império Romano como a grande província de Galácia, com guarnições romanas ocupando as vilas litorâneas.
A capital Sujumi (Dioscuria), que era nas costas de Eusio, tomou o nome de Sebastópolis sob o dominio romano. Outras cidades eram Sarapana (hoje Scharapani), Surium (possivelmente a atual Vani, na Geórgia1 ), Arqueópolis, Macheiresis, Cyta (ou Cutatisium, hoje Kutaisi).
Em 69, houve uma revolução interna comandada por Anicetes e os rebeldes chegaram a Trebizonda, onde derrotaram os romanos, tendo queimado seus navios. O imperador romano mandou Virdio Geminio com um exército, que foi derrotado Anicetes. Anicetes se refugiou com príncipe de Sedokhez, que, porém, o entregou aos romanos. A presença romana se reforçou e o país ficou sob seu domínio até século II, quando os príncipes locais dos Lacios (Lazes), Apxiles o Apsides, Abasgues (ou Abascis), Samiges e outros menores praticamente obtiveram suas independências. Os de Lazes conquistaram os demais entre os séculos III e IV, originando o reino Lazika. A presença romana se extinguiu por volta do ano 300.
[editar] Origens da Geórgia
Durante o reinado do imperador Trajano, parte da província romana do Ponto passa a ser chamada de Geórgia depois da conquista pela Dinastia Sassânida. O cristianismo aí apareceu em 311, graças a Santa Nina "a Iluminadora" (escrava mártir). Em 337 com a conversão do rei Mirvano III (265-342) e de sua esposa Nana, o cristianismo se tornou a religião oficial do reino.
Por volta de 460 a 466, Waktang I, o "cabeça de lobo" (446-502), fundou a Dinastia dos Bagrátidas e escolheu Tbilisi como capital, um local de águais termais. Waktang I libertou o país dos Sassânidas e estendeu seu domínio sobre toda a Transcaucásia (hoje Geórgia, Armênia, Azerbaijão). Além disso, proclamou a Igreja Ortodoxa Georgiana como única. Foi derrotado pelos Persas, e em 502 a Geórgia foi dividida em duas, Oriental, anexada pelo reino de Kartli, e Ocidental, antes a 'Cólquisa, que passou a ser o Reino de Lazika.
No século VI o Império Persa aboliu a monarquia Kartlia, porém foi expulso com a ajuda do Império Bizantino, os aznauris (nobres) restabeleceram a administração e o poder do reino. No ano 654, persas e bizantinos entraram em nova disputa e, por fim, a região foi conquistada pelos georgianos no fim do século VIII.