Medos

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Império Medo no século VI a.C.

Os medos foram uma das tribos de origem ariana que migraram da Ásia Central para o planalto Iraniano, posteriormente conhecida como Média, e, no final do século VII a.C., fundaram um reino centrado na cidade de Ecbátana. Sua língua pertencia ao tronco indo-europeu.

Os medos destacaram-se pela administração de seu reino, especialmente organizada em comparação aos grandes reinos da época, como a Assíria, a Lídia e a Fenícia. Também mantinham um exército baseado em infantaria armada com espadas de ferro e escudos, arqueiros e cavaleiros com lanças. As demais tribos arianas, como os persas e os partos, permaneceram tributários dos medos por vários séculos. Atualmente os curdos declaram ser os atuais descendentes dos medos.[1]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Embora suas fronteiras sem dúvida flutuassem, a antiga região da Média ficava ao oeste e ao sul do mar Cáspio, separada da costa daquele mar pela cordilheira do Elburz. No noroeste, se estendia além do lago Úrmia até o vale do rio Araques, ao passo que no seu termo oeste os montes Zagros serviam de barreira entre a Média e a terra da assíria, e as baixadas do rio Tigre; ao leste ficava uma grande região desértica, e ao sul o país de Elam.

A terra dos medos era um planalto montanhoso com a altitude média de 900 a 1.500 m acima do nível do mar. Uma parte considerável desta terra é uma estepe árida, onde há pouca precipitação pluvial, embora haja planícies férteis muito produtivas. A maioria dos rios flui para o grande deserto central, onde suas águas se dissipam em brejos e pântanos que secam no verão quente e deixam depósitos de sal. As barreiras naturais tornavam a defesa relativamente fácil. A cordilheira ocidental é a mais elevada, com numerosos picos de mais de 4.270 m de altitude, mas o cume mais elevado, o monte Demavend (5.771 m) se encontra na cordilheira do Elburz, perto do mar Cáspio.

Principais ocupações[editar | editar código-fonte]

A maioria das pessoas viviam em pequenas aldeias ou eram nômades, e a principal ocupação era a criação de gado. A excelente raça de cavalos criada pelos medos era um dos principais prêmios procurados pelos invasores. Rebanhos e manadas de ovelhas, cabras, jumentos, mulas e vacas também pastavam nos pastos dos altos vales. Em relevos assírios, os medos são às vezes representados usando o que parece serem capas de pele de ovelhas sobre as suas túnicas, e com botas altas com cordões. Esse era o equipamento necessário para o trabalho pastoril nos planaltos, onde os invernos traziam neves e intenso frio. A evidência arqueológica mostra que os medos possuíam hábeis trabalhadores em bronze e ouro.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Os medos não deixaram fontes escritas, razão pela qual a sua língua e as suas estruturas sociais, econômicas e políticas são desconhecidas. O que se sabe deles deriva do registro bíblico, de textos assírios e também dos historiadores gregos, clássicos. As informações disponíveis acerca dos medos são, por vezes, contraditórias. Heródoto, por exemplo, não faz diferença entre os medos e os persas, chamando as guerras entre gregos e persas de Guerras Médicas, como se os dois povos fossem apenas um.

Os medos parecem ter-se constituído em numerosos pequenos reinos sob chefes tribais, e os jactanciosos relatos dos imperadores assírios Shamshi Adad V, Tiglate-Pileser III e Sargão II referem-se às suas vitórias sobre certos chefes de cidade da distante terra dos medos. Depois da vitória sobre o reino de Israel, em 740 AC, os israelitas foram enviados ao exílio em lugares na Assíria e "nas cidades dos medos", algumas delas sendo então vassalas da Assíria.

Os esforços dos assírios de subjugar "os insubmissos medos" continuaram sob o rei assírio Assaradão, filho de Senaqueribe, e evidentemente contemporâneo do Rei Manassés, de Judá (716-662 AC). Numa das suas inscrições, Assaradão fala de

um distrito na borda do deserto de sal, que jaz na terra dos distantes medos, na beirada do monte Bikni, o monte de lápis-lazúli (possivelmente jazidas afegãs antigas que já abasteciam as elites egípcias - vide que usavam em mortuários e para reproduzir egípcios minóricos de íris clara em obras de arte), [...] poderosos chefes que não se haviam submetido ao meu jugo, — eles mesmos, junto com seu povo, seus cavalos de montaria, seus bois, suas ovelhas, seus jumentos e seus camelos (bactrianos), — enorme despojo, eu levei para a Assíria [...] Meu tributo e meu imposto reais eu lhes impus, anualmente.[2] .

Segundo o historiador grego Heródoto (I, 96), os medos tornaram-se um reino unido sob um governante chamado Dêioces. Alguns historiadores modernos acreditam que Dêioces seja o governante chamado Daiaukku nas inscrições. Ele foi capturado e deportado para Hamate, por Sargão II, em resultado duma incursão assíria na região da Média. Todavia, a maioria dos peritos acha que foi só no tempo de Ciaxares (ou Kyaxares, neto de Dêioces, segundo Heródoto [I, 102, 103]) que os reis da Média começaram a se unir sob determinado governante. Mesmo então talvez fossem apenas como os pequenos reis de Canaã, que às vezes lutavam sob a direção de determinado rei, embora ainda mantivessem um considerável grau de independência.

Os medos haviam aumentado em força apesar das incursões assírias, e começaram a ser então os rivais mais perigosos da Assíria. Quando Nabopolasar, de Babilônia, pai de Nabucodonosor, se rebelou contra a Assíria, Ciaxares, o medo, juntou suas forças às dos babilônios. Depois de os medos capturarem Assur, no décimo-segundo ano de Nabopolassar (634 AC), Ciaxares (chamado Ú-ma-kis-tar nos registros babilônicos) reuniu-se com Nabopolasar junto à cidade capturada, e eles “estabeleceram uma entente cordiale [entendimento cordial],[3] " Beroso (conhecido através de Polistor e Abideno, ambos citados por Eusébio) diz que o filho de Nabopolasar, Nabucodonosor, casou-se com a filha do rei medo, o nome dela sendo Amitis (ou Amuhea, segundo Abideno).[4] Os historiadores discordam, porém, quanto a se Amitis era filha de Ciaxares, ou do filho deste, Astíages.

Os medos exerceram pressão sobre a Assíria, com ataques e invasões às terras ao norte da Mesopotâmia. Alguns arqueólogos concordam que o desgaste causado pelas disputas de terras com os medos tenha contribuído para a rápida dissolução do império assírio e a ascensão do Império Neobabilônico de Nabucodonosor. Os medos ainda travaram um longo conflito com a Lídia pelo controle da Anatólia, até que, em meados do Século VI a.C., Ciro, o Grande, rei dos persas, rebelou-se contra o seu avô, o rei medo Astíages, derrotando-o e capturando-o. Os medos viram-se então sujeitos a seus parentes próximos, os persas. No novo império que se seguiu à derrocada dos medos, estes mantiveram-se em posição proeminente, considerados como iguais aos persas na guerra e nas honrarias. O cerimonial da corte meda foi adotado pelos novos soberanos persas, os quais residiam em Ecbátana nos meses de verão. Muitos nobres medos eram empregados como funcionários, sátrapas e generais.

Hipótese Bíblica[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Tabela das Nações esposada por intérpretes literalistas da Bíblia, Madai foi o terceiro filho de Jafé, filho de Noé.[5] Madai foi o ancestral dos Medos;[6] a palavra Madai [Nota 1] é utilizada em monumentos assírios para designar os medos. Porém isso se baseia na tradição bíblica e não na história.[7]

Conquistados por Alexandre, o Grande[editar | editar código-fonte]

No tempo do Rei Assuero (que se acredita ter sido Xerxes I), ainda se fazia referência à "força militar da Pérsia e da Média", sendo o conselho privado do rei formado por "sete príncipes da Pérsia e da Média", e as leis ainda eram conhecidas como "as leis da Pérsia e da Média". Em 334 AC, Alexandre, o Grande obteve suas primeiras vitórias decisivas sobre as forças persas, e em 330 AEC ocupou a Média. Após a sua morte, a parte meridional da Média passou a fazer parte do Império Selêucida, ao passo que a parte setentrional tornou-se um reino independente. Embora a Média fosse dominada ora pelos partos, ora pelo Império Selêucida. Estrabão, geógrafo grego, indicou que uma dinastia dos medos continuou no primeiro século DC.[8] Em Jerusalém, em Pentecostes do ano 33 DC, estavam presentes medos, junto com partos, elamitas e pessoas de outras nacionalidades. Visto que são chamados de "judeus, homens reverentes, de toda nação", talvez fossem descendentes dos judeus exilados em cidades dos medos, após a conquista assíria de Israel, ou talvez alguns fossem prosélitos da crença judaica.

A grande guerra contra a Cítia[editar | editar código-fonte]

De acordo com Heródoto, a causa de a Média ter perdido a supremacia da região é sua guerra contra os Cimérios, que acabaram avançando sobre território meda. Como os medos não podiam sustentar duas frentes de combate contra persas e citas acabaram sendo conquistados por década pelos citas e suas hordas equestres que dominavam vastas áreas da Ásia central e bacia do Mar Negro. Ao absorver os medos posteriormente, Dário invadiu a Cítia antes da Grécia. A volta dos Citas precocemente para casa pode ter facilitado o avanço do poder persa na região e principalmente na direção do Bósforo a oeste. Isso possivelmente deu tempo aos gregos, mas os atenienses acabaram intervindo em zonas da Ásia em que os persas consideravam como seus, o que fez Xerxes focar a Grécia e aceitar a derrota na Cítia.[carece de fontes?]

Notas e referências

Notas

  1. Ou, mais precisamente, MDY

Referências

  1. http://www.espada.eti.br/n2150.asp
  2. Ancient Records of Assyria and Babylonia (Registros Antigos da Assíria e de Babilônia), de D. D. Luckenbill, 1927, Vol. II, pp. 215, 216
  3. Assyrian and Babylonian Chronicles [Crônicas Assírias e Babilônicas], de A. K. Grayson, 1975, p. 93
  4. Eusébio, Chronicorum liber prior, editado por A. Schoene, Berlim, 1875, col. 29, linhas 16-19, col. 37, linhas 5-7
  5. Gênesis 10:2
  6. Salomão, Bispo de Baçorá, Livro da Abelha, Capítulo XXII, Sobre as gerações de Noé [em linha]
  7. Easton's Bible Dictionary, Madai [em linha]
  8. Geografia, 11, XIII, 1