Senaqueribe

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Senaquerib ou Senaqueribe, cujo nome significa O Deus da Lua Multiplicou os Seus Irmãos, foi rei da Assíria de 705 a 681 a.C.


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Biografia[editar | editar código-fonte]

Subiu ao trono quando seu pai, Sargão II, foi morto, em 704 a.C..

Em 701 a.C. invadiu o Reino de Judá, tendo tomado 46 cidades. O rei de Judá, Ezequias, enviou-lhe mensagem de submissão, acompanhada de valiosos presentes, mas o monarca assírio não se satisfez, exigindo a rendição de Jerusalém, o que foi recusado. Senaqueribe, porém, desistiu do cerco da cidade, retirando-se para sua capital, Nínive.

O resto de seu reinado ele o passou em campanhas militares contra rebeldes no seu império, sendo assassinado em 681 a.C. por dois de seus filhos.

Senaqueribe nas fontes bíblicas[editar | editar código-fonte]

Nos livros de II Reis, II Crônicas e do profeta Isaías, que compõem o Antigo Testamento bíblico são narradas histórias sobre a invasão da Assíria em Judá e Israel.

Ezequias clamou a Deus para que protegesse o seu reino de seus adversários e recebeu a confirmação de livramento profetizada por Isaías.

Assim, o exército dos assírios foi destruído (II Reis 19:35) e os hebreus foram salvos daquela invasão estrangeira que ameaçava destruir Jerusalém.

Sucedeu, pois, que naquela mesma noite, saiu o anjo do SENHOR e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles; e levantando-se pela manhã cedo, eis que todos eram corpos mortos.

Então, Senaqueribe retornou a Nínive e, quando se encontrava no templo de seu deus Nisroque, seus filhos, Adrameleque e Sarezer, mataram-no com um golpe de espada, fugindo depois para a região do Ararate.

Senaqueribe foi o pai de Assaradão, rei da Assíria entre 681 a.C. e 669 a.C..

Senaqueribe segundo Heródoto[editar | editar código-fonte]

Heródoto, ao escrever sobre a história do Egito, relata que um faraó pacifista foi poupado de ser invadido pela Assíria porque uma peste atacou o exército assírio [1] . Este relato é interpretado como sendo a versão egípcia do ataque de Senaqueribe a Judá, já que a região era passagem entre a Assíria e o Egito. [carece de fontes?]

A invasão de Judá[editar | editar código-fonte]

Enquanto a narrativa bíblica enfatiza a suspensão do cerco a Jerusalém como um triunfo, as fontes assírias e as descobertas arqueológicas retratam um outro cenário nada animador para os hebreus. O relato de Senaqueribe sobre sua campanha contra Judá é conciso e objetivo:

"Quanto a Ezequias, o judaico, ele não se submeteu ao meu jugo. Eu montei cerco em 46 de suas cidades fortificadas e em incontáveis pequenas aldeias; a tudo conquistei usando rampas de acesso que nos colocaram perto das muralhas (...). Eu expulsei 200.150 pessoas, jovens e velhos, homens e mulheres, cavalos, mulas, jumentos, camelos, gado grande e pequeno além da conta, e a tudo considerei como pilhagem de guerra. Ele mesmo eu o fiz prisioneiro em Jerusalém, na sua residência real, como um pássaro numa gaiola. (...) Suas cidades que eu saqueei, eu as tomei de seu país e as dei todas a Motinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Eglon, e a Sillibel, rei de Gaza. Dessa maneira, eu reduzi seu país, mas ainda aumentei meu tributo".

Mesmo que possa haver algum exagero no número apresentado pelo rei, as escavações arqueológicas demonstram que os assírios promoveram uma campanha sistemática de cerco e pilhagens, iniciada através das áreas agrícolas nos contrafortes do Shephelah, e depois em direção à região montanhosa, até alcançar a capital do reino, Jerusalém. Vestígios desenterrados pelos arqueólogos confirmam os sombrios relatos assírios como, por exemplo, na importante cidade judaica de Azekah, que foi tomada de assalto, pilhada e, em seguida, devastada. Pior para Ezequias foi a tomada de Laquis, situada na área agrícola mais fértil de Judá, de vital importância para a economia do reino. A cidade foi completamente destruída, após um cerco cujos detalhes estão ilustrados no grande relevo de parede encontrado no palácio de Senaqueribe, em Nínive. Escavações realizadas pelos britânicos, na década de 1930, e por pesquisadores israelenses, na década de 1970, revelaram a dramática batalha ali travada e os esforços desesperados dos defensores de Laquis para deter o feroz assalto assírio. Nas cavernas próximas à cidade, foram encontradas sepulturas coletivas com cerca de 1.500 corpos de homens, mulheres e crianças. Porém por incrível que pareça Jerusalém não foi invadida, relatos Egípcios afirmam que os Assírios perderam boa parte de seus soldados em uma tentativa de invadir a capital de Judá. A Estela de Senaqueribe nada consta os reais motivos pela não invasão da Capital, no entanto, isso não é de se admirar, pois todos os reis da antiguidade não costumavam relatar suas derrotas militares.

Duas testemunhas contemporâneas, os profetas Isaías e Miqueias descrevem os horrores que se abateram sobre o povo de várias cidades, atribuindo-os à punição divina:

"Nada digam em Gate, não chorem absolutamente; em Bet-Leafra, rolem no pó. Passem os habitantes de Safit em nudez e vergonha; os habitantes de Saanã de lá não sairão; o lamento de Bet-Esel será tirado dos que lá ficarão; os habitantes de Marot esperam pelo bem, porque o mal lhes foi enviado pelo Senhor" (Miqueias 1,10-11).

O sofrimento humano e as perdas materiais dos hebreus foram resultantes da decisão do rei Ezequias de se rebelar contra a Assíria, de quem Judá se tornara tributária desde a destruição do Reino de Israel. Ainda que Jerusalém não tenha caído, amplas regiões do reino foram devastadas, a valiosa terra agrícola de Shephelah foi entregue por Senaqueribe às cidades da Filisteia (Palestina), muitos hebreus foram aprisionados e deportados, e o tributo devido à Assíria tornou-se bem mais alto do que era pago antes da rebelião.

Ezequias recebera de seu antecessor um reino próspero. O que ele legou ao seu filho e sucessor, Manassés, diminuíra consideravelmente de tamanho e de poder. Foi um desastre do qual o Reino de Judá jamais se recuperou plenamente.

Referências

  1. História II,141
  • II Crônicas
  • Ezequias
  • Assaradão
  • Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, The Bible unearthed: Archaeology´s new vision of Ancient Israel and the origin of its Sacred Texts, Free Press, New York, 2001
  • H. R. Hall, História Antiga do Oriente Próximo, Rio de Janeiro, CEB, 1948.
  • Joan Comay, Quem é quem no Antigo Testamento, Rio de Janeiro, Imago Ed, 1998.
Antecessor:
Sargão II
Rei da Assíria:
12 anos
Sucessor:
Assaradão
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