Gaza

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Gaza
Gaza City.JPG
Vista da Cidade de Gaza em 2007.
Hebraico עזה
Árabe غزة
Significado "o forte", "o poderoso" ou "o violento"
Fundada em 6.000 a.C
Governo Cidade
Coordenadas 31° 31′ N 34° 27′ E
População 409,680 (2006)
Jurisdição 45,000 dunams (45 km²)
Prefeito Rafiq Tawfiq al-Makki

Gaza (em árabe: غزة Ġazzah, IPA: [ɣazza]), também conhecida como Cidade de Gaza, é uma cidade palestina localizada na Faixa de Gaza, com uma população de cerca de 450.000 habitantes, o que a torna a maior cidade dos territórios palestinos. Habitada desde pelo menos o século XV a.C, Gaza tem sido dominada por vários povos e impérios diferentes ao longo de sua história. Os filisteus fez parte de sua pentápolis depois de os antigos egípcios terem governado a região por quase 350 anos. Sob o Império Romano e mais tarde sob os bizantinos, a cidade experimentou uma relativa paz e o seu porto floresceu comercialmente. Em 635 d.C., tornou-se a primeira cidade da Palestina a ser conquistada pelo exército Rashidun e rapidamente evoluiu para um centro da lei islâmica. No entanto, no momento em que os cruzados invadiram a cidade no final do século XI, ela ficou em ruínas. Nos séculos posteriores, Gaza experimentou várias dificuldades, desde invasões mongóis, inundações e pragas de gafanhotos que reduziram-na a uma aldeia por volta do século XVI, quando foi incorporada ao Império Otomano. Durante a primeira metade do governo otomano, a dinastia Ridwan controlava Gaza e sob eles a cidade passou por uma época de grande fluxo comercial e paz.

Gaza caiu diante das forças britânicas durante a Primeira Guerra Mundial, tornando-se parte do Mandato Britânico da Palestina. Como resultado da guerra árabe-israelense de 1948, o Egito administrou o recém-formado território da Faixa de Gaza e várias melhorias foram realizadas na cidade. Gaza foi anexada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas em 1993, a cidade foi transferida para a Autoridade Nacional Palestina conforme os Acordos de Oslo. Após as eleições parlamentares de 2006, o conflito estourou quando o partido Fatah não pareceu disposto a transferir o poder para o Hamas, resultando na tomada do poder na Faixa de Gaza pela força. O Egito e Israel impuseram um bloqueio à Faixa de Gaza, depois de 2006. Israel aliviou o bloqueio permitindo a entrada de bens de consumo em junho de 2010 e o Egito reabriu a fronteira de Rafah em 2011, mas apenas para pedestres.[1] [2]

As principais atividades econômicas de Gaza são de indústrias de pequena escala e a agricultura de subsistência. No entanto, a economia foi devastada pelo bloqueio e pelos conflitos recorrentes. A maioria dos habitantes de Gaza são muçulmanos, embora haja uma minoria cristã. A cidade tem uma população muito jovem, com cerca de 75% com idade em torno de 25 anos, além de ter uma das maiores densidades populacionais do mundo.

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Tendo sido habitada desde o século XV aC, a história de Gaza remonta a 4.000 anos durante os quais esta cidade foi governada e habitada por diversos povos e governada por várias dinastias.[3] Originariamente um assentamento cananeu caiu sob o controle dos antigos egípcios por uns 350 anos antes de ser conquistada pelos filisteus, que a converteram em uma das suas principais cidades de sua pentápolis no século XII a.C..

Em 730 a.C. Gaza caiu sob o domínio do Império Assírio e subseqüentemente do Império sassânida persa e após foi conquistada por Alexandre o Grande que sitiou a cidade por cinco meses antes de capturá-la em 332 a.C.. A maior parte de seus habitantes foi assassinada no assalto à cidade. Depois de re-povoada por árabes beduínos da região tornou-se um centro de irradiação da civilização helenística, sofrendo mais um sítio ainda, em 96 a.C., por parte dos asmoneus.

Período romano[editar | editar código-fonte]

Com sua incorporação ao Império Romano no ano de 63 a.C., Gaza foi reconstruída sob a direção de Cneu Pompeu Magno e concluída por Herodes I o Grande trinta anos mais tarde. Durante o período romano e posterior , Gaza experimentou relativa paz e manteve sua prosperidade; seu porto floresceu e recebeu subvenções de vários imperadores. Um senado de 500 membros governava a cidade. O povo que a habitava então era constituído de uma ampla gama de filisteus, gregos, romanos, cananeus , fenícios, judeus, egípcios, persas e árabes. A conversão ao cristianismo se deu sob o governo de Porfírio de Gaza, que destruiu seus oito templos pagãos entre 396 e 420 d.C.

Domínio árabe[editar | editar código-fonte]

Em 635 dC, Gaza foi a primeira cidade de Palestina conquistada pelo exército Rashidum dos Califas bem guiados e logo se tornou um centro da Lei Islamica. A chegada dos governantes muçulmanos trouxe consigo drásticas mudanças. A maior parte de suas igrejas foi transformada em mesquitas, a população logo adotou o islamismo como sua religião e o Idioma árabe se converteu na língua oficial. Sob os árabes muçulmanos a cidade passou por períodos de prosperidade e declive.

Os Cruzados arrancaram o controle de gaza do Califado Fatímida em 1100 e governaram a cidade até 1187, quando a cidade foi conquistada por Saladino e os Aiúbidas. Gaza esteve em mãos dos Mamelucos em fins do século XIII e se converteu na capital de uma província que abarcava desde o Sinai até Cesareia Marítima. Em 1799, Gaza foi ocupada pelos franceses, e logo após, quando foi incorporada ao Império otomano a cidade já não era mais que uma pequena povoação.

Mandato Britânico e os dois Estados[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, a cidade de Gaza, como o restante da Palestina, foi tomada pelas forças britânicas e ficou sob seu poder desde 1917, no denominado "Mandato Britânico da Palestina", que perdurou até pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, quando, com o advento da ONU foi preconizada a divisão da palestina em dois Estados, um para os judeus e outro para os árabes das demais religiões que viviam na região. Em 1948, após a guerra perdida pelos palestinos, foi entregue com toda a faixa costeira, à administração do Egito que a manteve até 1962.

Domínio israelense[editar | editar código-fonte]

Na Guerra dos Seis Dias de 1967, Gaza foi capturada por Israel, que se manteve no controle direto da região.

O levante popular chamado "Primeira Intifada" eclodiu em 1987 com centro das ações em Gaza. Durante a revolta as condições econômicas da cidade pioraram e em setembro de 1993 o Estado de Israel e líderes da Organização de Libertação da Palestina (OLP) assinaram os Acordos de Oslo transferindo a administração da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jericó, para os palestinianos. Em cumprimento do acordo, em maio de 1994 a Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Yasser Arafat, passou a administrar a cidade.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Vista da região central de Gaza em 2009
Explosão em Gaza, em 12 de janeiro de 2009, depois de um ataque aéreo da Força Aérea Israelense durante a Operação Chumbo Fundido.
Uma casa palestina em ruínas após um bombardeio israelense durante a Operação Margem Protetora, em 2014

Em 2005, Israel decide entregar Gaza ao povo palestino e retirou, de forma forçada, os judeus que ali viviam. Uma das exigências americanas para que Israel se retirasse seria a organização de eleições para decidir de forma democrática quem governaria o território. Nas eleições de 25 de janeiro de 2006 o braço político do grupo fundamentalista islâmico Hamas obteve a maioria das cadeiras no Conselho Legislativo da Palestina (CLP), órgão legislativo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), com 74 dos 132 eleitos, enquanto o Fatah conquistou 43 assentos.

Diante da oposição dos países do "Quarteto" (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU), o Fatah, a que pertence o presidente da ANP Mahmoud Abbas, recusou-se transmitir o poder ao primeiro-ministro da maioria vitoriosa. O Hamas acusou o Fatah de estar promovendo um golpe e após uma série de conflitos sangrentos, que seriam chamados de "Batalha de Gaza", o Hamas conquistou o poder em toda a Faixa de Gaza, expulsando o Fatah[4] e assassinando os membros que se recusassem sair.

Entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009, as Forças de Defesa de Israel realizaram uma série de operações militares na Faixa de Gaza, em resposta aos constantes lançamentos de foguetes contra cidades da região sul de Israel. Como esses lançamentos eram realizados no meio de zonas urbanas densamente povoadas por civís, a Operação Chumbo Fundido deixou 1314 mortos e cerca de cinco mil feridos no território palestino. No mesmo período, 13 israelenses morreram – quatro atingidos por foguetes lançados por militantes do Hamas contra o sul de Israel, sendo três civis e dez soldados mortos em ação[5] . Israel afirmou ter matado mais de 500 ativistas do Hamas durante a ofensiva, enquanto que o grupo palestino anunciou 48 baixas de militantes[5] [6] . Grande parte da infraestrutura da Cidade de Gaza foi seriamente danificada nos ataques.

Uma escalada de violência israelense ocorreu após a morte de três adolescentes israelenses na Cisjordânia no final de junho de 2014. Como “vingança”, um jovem palestino foi queimado vivo e assassinado em Jerusalém. Logo após a descoberta dos corpos dos três jovens, Israel iniciou uma ofensiva contra o Hamas . Aviões de guerra passaram a bombardear Gaza destruindo casas e instituições e foram realizadas execuções extrajudiciais. Os ataques israelenses causaram a morte de 600 palestinos — entre eles 147 crianças e 74 mulheres —, 74% dos quais eram civis. Também 27 soldados e dois civis israelenses morreram durante estes ataques.

Em 23 de julho de 2014, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou que os ataques do Exército israelense contra Gaza poderiam constituir crimes de guerra. Ela disse: "Os exemplos que acabo de mencionar [ataques israelenses contra civis indefesos] mostram que a lei humanitária internacional foi violada até um alcance que poderiam constituir crimes de guerra". Navi falou perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que na mesma data realizou uma sessão especial sobre a incursão israelense. Navy destacou que civis e suas casas não devem ser alvos militares, argumento que já havia sido usado pela ONG humanitária Human Rights Watch, e qualificou como "inaceitável" o lançamento de foguetes de áreas densamente povoadas, como presumivelmente faz o grupo islamita Hamas, "no entanto, a lei internacional é clara: as ações de uma parte não absolvem à outra de sua responsabilidade de respeitar suas obrigações sob a lei internacional". A alta comissária fez um especial alerta sobre a morte de crianças nestes ataques. Navy reiterou a todas as partes do conflito "Israel, Hamas e outros grupos armados palestinos" que apliquem a lei internacional e deixem de ter como alvo os civis. Ela lembrou que desde 12 de junho Israel deteve mais de 1.200 palestinos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, e que muitos deles foram postos em detenção administrativa, ou seja, estão presos sem qualquer acusação. "Na Cisjordânia, Israel continua expandindo assentamentos, demolindo casas palestinas, usando excessivamente a força, abusando de forma contínua e violando constantemente os direitos humanos da população", informou a alta representante.[7]

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou em 23 de julho de 2014 uma resolução que condena Israel por sua ofensiva militar contra Gaza e também cria uma comissão própria para investigar crimes e violações do direito internacional na empreitada. Entre os 47 países-membros do conselho, a resolução foi aprovada por 29 votos favoráveis — todos os países latino-americanos, incluindo o Brasil, apoiaram a proposta — e 17 abstenções (Alemanha, Itália, França e Reino Unido permaneceram neutros). Os Estados Unidos foram os únicos a se opor à proposta, assinalando que o conteúdo do documento é "destrutivo" e que em nada contribui para o fim das hostilidades. Em termos gerais, o documento pede que Israel detenha imediatamente sua operação na Faixa de Gaza, especialmente os ataques contra os civis. Além disso, reivindica a suspensão do bloqueio contra Gaza, para que seja possível a entrada segura de ajuda humanitária e comércio de bens no território. Sobre a comissão investigadora, o documento destaca que terá personalidade independente e internacional, e que deve viajar de forma urgente aos territórios palestinos para realizar sua investigação. Suas indagações deverão cobrir o período desde o dia 13 de junho, além de incluir a identificação dos responsáveis dos crimes e recomendar medidas para que sejam julgados por seus atos. "Tudo isto com o propósito de evitar e pôr fim à impunidade, e garantir que os responsáveis prestem contas", indica a resolução.[8]

Localização de Gaza.

Administração[editar | editar código-fonte]

Bloqueio militar[editar | editar código-fonte]

A vitória do Hamas, grupo considerado terrorista por Canadá, União Europeia, Israel, Japão e Estados Unidos[9] , possibilitou a decretação de um bloqueio econômico à Faixa de Gaza, cuja manutenção é exercida pelas forças armadas de Israel e do Egito. O bloqueio permite apenas que suprimentos humanitários cheguem à região, após um controle minucioso de seu conteúdo[10] .

Os efeitos do bloqueio têm consequências graves para a economia da Cidade de Gaza e de toda a Faixa de Gaza. Os oponentes do bloqueio afirmam que a medida gera desabastecimento e pune apenas a população civil. Diversas entidades de defesa dos direitos humanos qualificam o bloqueio à Faixa de Gaza como “desumano” e “cruel”. A Anistia Internacional chamou o bloqueio de "punição coletiva", que resulta em uma "crise humanitária"[11] ; funcionários da ONU descreveram a situação como "preocupante". O governo israelense nega tais afirmações e diz que não há carência de itens básicos em Gaza[12] .

Ainda assim, o Hamas tem um braço armado que consegue contrabandear arsenal bélico que é usado contra a população civil israelense e palestina.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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