Hicsos

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Imagem representando o faraó egípcio Amósis I derrotando os hicsos em combate.
Divindade Ba'al dos hicsos.

Os hicsos (do egípcio heqa khasewet, "soberanos estrangeiros"; em grego: Ὑκσώς ou Ὑξώς; em árabe: الملوك الرعاة, "reis pastores") foram um povo asiático que invadiu a região oriental do Delta do Nilo durante a décima segunda dinastia do Egito, iniciando o Segundo Período Intermediário da história do Antigo Egito. São mostrados na arte local vestindo os mantos multicoloridos associados com os arqueiros e cavaleiros mercenários mitanni (ha ibrw) de Canaã, Aram, Kadesh, Sídon e Tiro.

Origem[editar | editar código-fonte]

O termo grego Hicsos deriva do egípcio Hik-khoswet, e significa "governantes de países estrangeiros". Flávio Josefo, historiador judeu do Século I d.C., preferiu verter por "pastores cativos", em vez de "reis pastores". O único relato pormenorizado sobre os Hicsos em qualquer antigo escritor é uma passagem não fidedigna duma obra perdida de Manetão (sacerdote egípcio e historiador do Século III a.C.), citada por Flávio Josefo em sua réplica a Apião. É interessante que Josefo, afirmando citar Manetão palavra por palavra, apresenta o relato de Manetão como associando os Hicsos directamente com os israelitas, talvez pelo fato de que ambos os grupos eram invasores estrangeiros e hostis; porém um grupo era sul-semitóide e o outro não.

Presença na História Egípcia[editar | editar código-fonte]

O "Período dos Hicsos" ainda obscuro da história do Egipto, é entendido muito imperfeitamente. É consensual que os Hicsos foram uma vaga de povos asiáticos do corredor sírio-palestino e dos desertos limítrofes que ocupou gradualmente o Delta do Nilo, em busca de alimentos. O período consistiu essencialmente na mudança de governantes e na forma de administração.

Provavelmente a interface comercial era de semitas e a interface tecno-militar, de indoeuropeus migrantes do vale do Indo; os hicsos na origem eram mais uma aliança de povos e um evento cultural e tecnológico, mais do que invasores militares propriamente ditos. Em copta, Hakasu: estrangeiros, pastores, nómades.

A morte do Faraó Sebekneferu (aprox. 1780 a.C.) e a tomada de poder por Amósis (aprox. 1570 a.C.) podem ser determinadas com uma certa segurança. O Segundo Período Intermédio teve uma duração não superior a cerca de 220 anos.

Os historiadores modernos acreditam que as citações de Antonio não são exactas ao associarem o termo Hicsos exclusivamente ao povo israelita. Mas, eles aceitam a ideia de uma conquista pelos Hicsos. Isto se deve principalmente a que podem achar pouca ou nenhuma informação nas antigas fontes egípcias para encher os registros do Segundo Período Intermédio que supostamente abrange da 14.ª Dinastia a 17.ª Dinastia. Por este motivo, os eruditos presumem que houve uma desintegração de poder egípcio. Os vestígios arquelógicos atualmente disponíveis conhecidos não confirmam e nem negam a ideia que os Hicsos tenham conquistado militarmente o Delta do Nilo; é certo que houve um sistema de fortalezas no Levante nos anos finais do período.

Muitos comentadores bíblicos situam a entrada de José no Egipto, a sua ascensão a segundo governante do Egipto ou Vizir, a entrada de Jacó e sua família, no "Período dos Hicsos", no Segundo Período Intermediário. O livro bíblico de Génesis mostra que o Egipto era bem receptivo aos estrangeiros desde o tempo do nômade Abraão. Mas é bem possível que o relato de Manetão sobre os Hicsos seja a versão egípcia oficial dos sacerdotes no esforço de justificar a permanência do povo israelita no Egipto durante 215 anos e no destaque que José e Moisés obtiveram (José, como Vizir, e Moisés, como um príncipe da Casa Real).

Conquistas[editar | editar código-fonte]

Manetão, segundo Flávio Josefo, apresenta os Hicsos como conquistando o Egipto sem batalha, destruindo cidades e "os templos dos deuses", e provocando matança e devastação. São apresentados como se fixando na região do Delta. Por fim, diz-se que os egípcios se sublevaram, travaram uma longa e terrível guerra, com 480 mil homens, cercaram os Hicsos na sua cidade principal, Aváris, e então, de modo estranho, chegaram a um acordo que permitiu que os Hicsos deixassem o país sem sofrer danos, junto com suas famílias e seus bens, e daí, esses foram para a Judeia e construíram Jerusalém. (Contra Apião, Vol. I, pág. 73-105 § 14-6; pág. 223-232 § 25-6). Numa referência adicional, Manetão supostamente aumenta a narrativa com uma história que Josefo chama de história fictícia. Menciona um grande grupo de 80 mil leprosos e doentes receber permissão para se estabelecer em Aváris, depois da partida dos pastores. Esses mais tarde se rebelaram, chamaram de volta os "pastores" [os Hicsos], destruíram cidades e aldeias, e cometeram sacrilégio contra os deuses egípcios. Por fim, foram derrotados e expulsos do país. (Contra Apião, Livro I, Cap. 26, 28)

Evolução histórica[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1800 a.C., iniciou-se uma onda migratória pacífica para o Egipto, oriunda da Ásia Ocidental; as regiões do Oriente passavam por um período de seca e fome. Os povos nômades asiáticos não eram pessoas bem-vindas ao Egipto, pois os egípcios desprezavam os asiáticos até então, referiam-se a estes como "vagabundos das areias". Todos os povos oriundos da Ásia eram instalados na região do Delta do Nilo, para evitar o acesso dos estrangeiros à parte mais civilizada e rica do país, e também evitar a miscigenação com a população natural. Nessas vagas de povos semitas ao Egipto, estariam os filhos de Jacó - os israelitas.

No final do reinado do Faraó Amenemés III (1843 a 1797 a.C.), iniciou-se uma lenta e constante decadência do poderio do Império Egípcio. Eles derrotaram a fraca 13.ª Dinastia, cuja capital se situava perto de Mênfis, e governaram o médio e baixo Egipto por volta de 1700 AC por um período de cerca de 100 anos.

A invasão iniciou com um banho de sangue na região do Delta, seguido pelos saques às cidades: "Havia então um rei nosso chamado Timaios. Foi no seu reinado que isso aconteceu. Não sei por que os deuses estavam descontentes conosco. Surgiram de improviso, homens de nascimento ignorado, vindos das terras do Oriente. Tiveram a audácia de empreender uma campanha contra nossa terra e a subalugaram facilmente sem uma única batalha. Depois de haver submetido nossos soberanos ao seu poder, incendiaram barbaramente nossas cidades, destruíram os templos, os deuses, e todos os habitantes foram tratados barbaramente; mataram uma parte e levaram os filhos e as mulheres de outros como escravos. Por fim, elegeram rei um dos seus; o nome dele era Salatis; vivia em Mênfis e cobrava tributo ao Alto e Baixo Egipto; instalou guarnições em lugares convenientes... Escolheram no Distrito de Saís (no Baixo Egipto) uma cidade adequada para seus fins, que ficava à leste dos braços do Rio Nilo, junto a Bubástis, e chamaram-na de Aváris" - segundo o relato de Manetão. Esse sacerdote e historiador foi exilado em sua época por registrar essa história em uma estela de pedra. Após a ocupação, coexistiram com a 13.ª Dinastia Tebana. Nesse tempo, a Síria e Canaã (a terra de Retenu) estavam sob domínio do Egipto. Era o início do período histórico conhecido como Segundo Período Intermediário.

Em 1704 a.C., tem início do reino do Faraó Aya (Merneferre). Desse ano até o ano de 1640 a.C., sucederam-se outros 43 Faraós no trono, mas, não sem oposição. Os vizires do Alto Egipto e Baixo Egipto adquiriram forças política cada qual em suas regiões administrativas e iniciaram a descentralização do país aproveitando a desordem que começou gradativamente com a chegada dos imigrantes asiáticos; o aumento das riquezas nivelou as famílias mais importantes, fragmentando em diversos nomos as quatro divisões em que Sesóstris III (1879 a 1843 a.C.) havia estabelecido no ano de 1878, agindo de forma independente. Os asiáticos se agrupavam cada vez mais no delta do Rio Nilo, chegaram a superar a população egípcia, muitos deles foram absorvidos pelas camadas mais pobres da sociedade, alguns alcançaram elevados postos na administração local; um dele, cujo nome era Khendjer (do semita hanzir que significa "javali") chegou a ser Faraó por 1 ano. Os Hicsos permitiram a princípio que a 13.ª e 14.ª Dinastia (que foram faraós remanescentes da 13.ª Dinastia, sem importância) se manter no Alto Egipto, desde que pagassem o tributo anual.

Guerras entre egípcios e hicsos[editar | editar código-fonte]

Em 1640 a.C., no Baixo Egipto, teve início a 15.ª Dinastia Hicsa com Salitis (Swoserenre), o 1.º Faraó não-egípcio. Seus domínios se estendiam do Delta do Nilo (Baixo Egipto) até a cidade de Meir (Alto Egipto). Dessa cidade até à 1.ª catarata, estavam os egípcios divididos em diversas unidades políticas tributárias dos governantes hicsos; da 1.ª até a 4.ª catarata estava o Reino da Núbia (Sudão), sediado na cidade de Kerma, aliados dos Hicsos.

Entre os anos de 1640 e 1585 a.C., sucederam-se 3 governantes hicsos no trono de Aváris: Salatis, Sheshi e Khian. Em 1585 a.C., passou a reinar Apófis (Awoserre). Apóphis provocava os egípcios com os motivos mais banais, tentando-os à guerra. Em xxxx AC, deu-se a primeira guerra entre o hicso Apófis e o Faraó Seqenenré Tao II (de cogonome "o Bravo") da 17.ª Dinastia. Exame da sua múmia mostrou que ele morrera violentamente, seu crânio apresenta uma perfuração, talvez tenha tombado em combate.

Em 1573 a.C., o sucessor do Faraó Seqenenré Tao II foi Kamósis (Wadjkheperre). Diz-nos um Papiro, que Apófis terá mandado um mensageiro à Nô-Amom (Tebas), ordenando-lhe que matassem os hipopótamos que viviam no Rio Nilo próximo à Nô-Amom, pois o barulho feito por eles impedia o seu descanso; caso não fossem tomadas as devidas providências, ele mesmo invadiria o Alto Egipto para dar cumprimento às suas ordens. Kamósis I conclamou o Alto Egipto em levante contra o governante hicso; este se aliou com os Núbios no Sul, para conter a revolta. Os egípcios lutaram em duas frentes de batalhas, ao norte contra os hicsos e no sul contra os núbios e venceram ambas, levando a luta até as proximidades de Aváris no Norte, e Buhen no Sul. Mas, nada se sabe sobre ele depois dos três anos que durou o levante contra os invasores. Não sabemos como morreu e quandos anos reinou. A sua múmia, em mau estado de conservação, ficou reduzida a pó antes de poder ser examinada. Foi sepultado num sarcófago dos mais simples, o que parece indicar morte permatura e falta de tempo de realizar um funeral solene.

Em 1570 a.C., o faraó Amósis (Nebpehtire), filho de Kamósis, inaugura a 18.ª Dinastia. No Sul do Egipto, Amósis I derrotou os núbios, levando a fronteira até a 3.ª catarata, voltando à mesma posição da época da 13.ª Dinastia. Khamudi assume o trono de Aváris, e dá continuade à guerra contra os egípcios. Em 1532 a.C., sucede Amósis I. Este continuou a guerra de expulsão dos Hicsos, iniciada por seu pai conseguindo seu objectivo após 10 anos de guerra contra Khamudi. Termina os combates com vitória de Amósis I. Ele expulsou os Hicsos do Egipto, perseguindo-os pela Canaã, Fenícia e Síria, até a cidade de Carquemis (Karkemish) junto do Rio Eufrates, onde se deteve militarmente perante os hurritas do Reino de Mitanni.

Razões para invasão[editar | editar código-fonte]

As principais razões que atraíram os Hicsos foram:

  1. Escassez de alimentos na Ásia Ocidental, enquanto no Egipto abundava alimentos;
  2. A desordem resultante da presença de estrangeiros e a falta de coesão;
  3. O atraso técnico e militar do Egipto em comparação com alguns povos asiáticos; os exércitos egípcios eram formados essencialmente pela infantaria a pé. Como não dispunham de cavalos e não usavam carros de combate puxados a cavalo (pois, a roda não era "muito útil" no deserto), seriam uma presa fácil para qualquer exército que tivesse cavalaria.

Consequências para o Egito[editar | editar código-fonte]

O período da ocupação Hicsa trouxe algumas vantagens para o Egipto:

  1. Vulgarizaram o uso do bronze até então raramente empregado no país;
  2. Substituíram a liga de bronze importada, pela de cobre-arsênico;
  3. Introduziram a roda de oleiro aperfeiçoada;
  4. O tear vertical;
  5. O boi indiano (Zebu), mais resistente que o boi egípcio;
  6. Novas culturas de hortaliças e frutas até então desconhecidas no Egipto;
  7. Uso do cavalo e do carro de guerra;
  8. A roda mais leve de arcos compostos;
  9. Novas formas de cimitarras - sabre oriental de lâmina curva;
  10. Novas armas e táticas militares;
  11. Forma de dançar modificada em relação aos períodos anteriores.

Outras contribuições dos Hicsos:

  1. Abalo ao complexo de superioridade dos Egipcios;
  2. Com a insegurança provocada, os egipcios voltam-se mais a religião, solicitando às divinidades que não houvesse mais ameaças de fora, no caso os próprios Hicsos.

Hipótese Eurasiano-Cretense[editar | editar código-fonte]

Os hicsos assim como os filisteus seriam povos asiáticos de origem européia, que por sua vez teriam origem no eixo Ásia Central-Mar Negro, só que ao invés de aportarem na atual Palestina como fizeram os filistóides, estes teriam aportado bem nos limes entre a península do Sinai e a Cirenaica Líbia, tendo então fugido da escassez do deserto para adentrar no Baixo Egito se aproveitando da expansão civilizacional egípcia para o Centro e Sul (Alto Egito).