Peste bubônica

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A Bubônica (português brasileiro) ou Bubónica (português europeu), também chamada simplesmente de peste negra, é uma doença pulmonar ou septicêmica, infectocontagiosa, provocada pela bactéria Yersinia pestis, que é transmitida ao homem pela pulga através do rato-preto. A pandemia mais conhecida da doença ocorreu no fim da Idade Média, ficando conhecida como Peste Negra, quando dizimou 1/3 da população europeia na época.

Estudos sobre a doença[editar | editar código-fonte]

Yersinia pestis vista em uma ampliação de 200x. Esta bactéria, transportada e espalhada por pulgas, é geralmente considerada a causa de milhões de mortes.[1]

O primeiro investigador a considerar a peste negra uma doença infecciosa foi Rhases, um médico árabe no século X. As primeiras medidas eficazes de saúde pública foram tomadas nos portos mediterrânicos europeus. A quarentena permitia aos portuários verificar a presença da peste e conter a sua disseminação eficazmente, sequestrando os ocupantes de um navio durante um período superior ao da incubação da doença.

No entanto foi quando da Terceira Pandemia que começou a investigação científica mais séria sobre a doença, por investigadores trabalhando na Ásia nos anos de 1890. O francês Paul Louis Simond identificou a pulga dos roedores como principal vector de transmissão. Em 1894, em Hong Kong, o bacteriologista suíço Alexandre Yersin isolou pela primeira vez a Yersinia pestis, e determinou o seu modo de transmissão, tendo sido homenageado com a nomeação da espécie responsável a partir do seu nome.

Também em 1894 o médico japonês Shibasaburo Kitasato identificou independentemente o bacilo responsável. A última epidemia de peste na Europa ocorreu na Ucrânia e Rússia em 1877-1889, nas regiões da estepe (Urais e Cáspio). Graças às medidas de contenção, morreram apenas 420 pessoas. A localização da última epidemia é reveladora já que é na estepe que se situa o reservatório de roedores que albergam a bactéria endemicamente.

Hoje em dia a peste não é um problema maior de saúde.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Rattus rattus, a espécie de ratazana responsável pela disseminação da peste durante a Idade Média

A peste bubónica é uma doença primariamente de roedores: (ratos, ratazanas, coelhos, marmotas, esquilos). Espalha-se entre eles por contacto directo ou pelas pulgas, e é-lhes frequentemente fatal.

A peste nos humanos é uma típica zoonose, causada pelo contacto com roedores infectados. As pulgas dos roedores recolhem a bactéria do sangue dos animais infectados, e quando estes morrem, procuram novos hospedeiros. Entretanto a bactéria multiplica-se no intestino da pulga. Cães, gatos e seres humanos podem ser infectados, quando a pulga liberta bactérias na pele da vítima. A Y. pestis entra então na linfa através de feridas ou microabrasões na pele, como a da picada da pulga.

Outra forma de infecção é por inalação de gotas de líquido de espirros ou tosse de indivíduo doente.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A amarelo: países com casos de peste; a vermelho, países com comunidades de roedores selvagens infectados com peste

Recebia esse nome porque um dos sintomas da peste era o aparecimento de manchas negras - pretas, da cor do rato, e inchaços nas axilas, virilhas e pescoço, áreas sensíveis do organismo; e estas manchas eram chamados de "bubões". Pela não existência de "defesas orgânicas", ou seja, de se ter um organismo resistente e/ou "vacinado" (conforme a terminologia utilizada no mar pelas antigas companhias de navegação marítimas), o aparecimento do chamado "bubão" era certeza de morte da pessoa enferma. O capelão de bordo costumava administrar a Extrema Unção nos enfermos. Porém, algumas vezes o paciente milagrosamente se recuperava, segundo os diários de bordo das companhias anglo-brasileiras que operavam no Brasil e em Portugal.

A peste foi uma epidemia extremamente mortífera na Europa, China, Médio Oriente, Ásia e África durante várias épocas, principalmente durante a baixa Idade Média. A última epidemia significativa ocorreu no fim do século XIX, na China e Índia, mas ainda hoje se registam casos em vários países, principalmente naqueles em que há populações de roedores selvagens infectados. Há cerca de 2000 casos por ano em todo o mundo, nas regiões em que há roedores infectados.

Há hoje populações de roedores com peste endémica no ocidente dos Estados Unidos, sopé dos Himalaias, planícies da Eurásia setentrional (Mongólia, Manchúria na China, Ucrânia), região dos grandes lagos na África oriental e algumas regiões do Brasil e dos Andes. A transmissão da peste é rara e devida a contacto directo com os animais infectados e não através de pulgas.

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

Ilustração dos principais sintomas da peste pneumônica.

Sintomas: O sintoma mais conhecido da peste bubônica é uma infecção das glândulas linfáticas as quais se tornam inchadas e dolorosas. São conhecidas como bubões. Depois da transmissão pela mordida de uma pulga infectada, a bactéria Y. pestis se instala em um nódulo linfático inflamado onde começa sua colonização e reprodução. Os bubões associados com a peste bubônica são mais comummente encontrados nas axilas, virilhas e regiões do pescoço. A gangrena periférica ( ex.: dedos das mãos e pés, lábios e nariz ) também é um outro sintoma.

Devido à forma de infecção através da mordida da pulga, a peste bubônica é a primeira causa de um série progressiva de doenças. Os sintomas da doença aparecem repentinamente, geralmente de dois a cinco dias após a exposição à bacteria. Os sintomas são:

Necrose causada pela peste
  • Gangrena periférica ( falecimento das extremidades do corpo, tais como dedos, nariz e lábios)
  • Calafrios
  • Mal-estar em geral
  • Febre alta (39°C)
  • Dores musculares
  • Convulsões
  • Inchaço das glândulas linfáticas acompanhado de dores locais nas axilas, virilhas, pescoço e região da mordida da pulga. As dores podem aparecer mesmo antes do inchaço.
  • Alteração da cor da pele para um tom rosado.

Outros sintomas incluem: dificuldade respiratória, vômito contínuo de sangue, dores nos membros superiores e inferiores e tosse. As dores são geralmente devido à decomposição da pele enquanto a pessoa ainda está viva. Cansaço extremo, problemas gastroinstestinais, manchas escuras pelo corpo, delírio e coma podem também ser sintomas da doença.

A bactéria entra por pequenas quebras invisíveis da integridade da pele. Daí espalha-se para os gânglios linfáticos, onde se multiplica.

Após no máximo sete dias, em 90% dos casos surge febre alta, mal estar e os bubos, que são protuberâncias azuladas na pele. São na verdade apenas gânglios linfáticos hemorrágicos e inchados devido à infecção. A cor azul-esverdeada advém da degeneração da hemoglobina. O surgimento dos bubos corresponde a uma taxa média de sobrevivência que pode ser tão baixa como 25% se não for tratada. As bactérias invadem então a corrente sanguínea, onde se multiplicam causando peste septicémica.

A peste septicémica caracteriza-se pelas hemorragias em vários órgãos. As hemorragias para a pele formam manchas escuras, de onde vem o nome de peste negra. Do sangue podem invadir qualquer órgão, sendo comum a infecção do pulmão.

A peste pneumónica pode ser um desenvolvimento da peste bubónica ou uma inalação directa de gotas infecciosas expelidas por outro doente. Há tosse com expectoração sanguinolenta e purulenta altamente infecciosa. A peste inalada tem menor período de incubação (2-3 dias) e é logo de início pulmonar, sem bubos. Após surgimento dos sintomas pulmonares a peste não tratada é mortal em 100% dos casos.

Mesmo se tratada com antibióticos, excepto se na fase inicial, a peste tem ainda uma mortalidade de 15%.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito por recolha de amostras de líquido dos bubos, pus ou sangue e cultura em meios de nutrientes para observação ao microscópio e análise bioquímica.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Evitar o contacto com roedores e erradicá-los das áreas de habitação é a única protecção eficaz. O vinagre foi utilizado na Idade Média, já que as pulgas e as ratazanas evitam o seu cheiro.

A peste é de comunicação obrigatória às autoridades. Contactos de indivíduos afectados ainda hoje são postos em quarentena durante seis dias.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Os antibióticos revolucionaram o tratamento da peste, tornando-a de agente da morte quase certa em doença facilmente controlável. São eficazes a estreptomicina, tetraciclinas e cloranfenicol. Tratamentos mais recentes vêm utilizando também a gentamicina e a doxiciclina com resultados eficazes.

Notificação[editar | editar código-fonte]

A peste é uma doença de notificação compulsória internacional e deve ser comunicada imediatamente, pela via mais rápida, às autoridades sanitárias. A investigação é obrigatória.

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Referências

  1. Plague Backgrounder Avma.org. Página visitada em 2008-11-03.