Bouba

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Bouba
Nódulos resultantes de infecção por Treponema pertenue. Fase inicial da doença.
Classificação e recursos externos
CID-10 A66
CID-9 102
Star of life caution.svg Aviso médico

Bouba também conhecida como yaws(inglês), frambesia(alemão), pian(espanhol e francês) parangi, patek e piã) é uma doença tropical infecciosa da pele, ossos e cartilagens causada pela bactéria espiroqueta Treponema pallidum pertenue[1] .

A origem do nome frambesia origina-se do termo "framboesa" já que algumas lesões da pele assemelham-se à sua forma, com pápulas agrupadas em forma de cacho, seguidas de prurido.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Faz parte do grupo de doenças causadas por treponemas junto com bejel (Treponema pallidum endemicum), pinta (Treponema pallidum carateum) e sífilis (Treponema pallidum pallidum). A maioria dos exames de laboratório não consegue diferenciá-las.

Causa[editar | editar código-fonte]

A doença é transmitida aos primatas (humanos, gorilas, chimpanzé e babuínos) pelo contato pele-a-pele com uma lesão infecciosa. A bactéria que entra através de um corte pré-existente, morder ou arranhar. Faltam estudos sobre casos de transmissão de primatas a humanos, mas um experimento indica que é possível. [2] Não é considerada uma doença sexualmente transmissível como a sífilis, pois não é necessário contato sexual para a transmissão.

O ciclo de desenvolvimento da doença é semelhante a do Treponema pallidum (Sífilis) tendo um estágio primário com um ou mais "verrugas" indolores pouco contagiosas, um estágio secundário onde lesões surgem e regridem por todo o corpo sendo muito contagiosa, algumas vezes acompanhadas de pus, e um estágio terciário onde regiões da pele, ossos e cartilagens são progressivamente deformados e pouco contagiosa, mas muito mais incapacitante.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Fase secundária da doença em criança de 12 anos em Java.

Assim como outras enfermidades causadas por Treponemas tem três fases distintas[3] :

  • Fase I: Entre 30 e 90 dias depois da infecção aparece um nódulo "mãe" indolor, que cresce até parecer uma verruga parecida com uma amora. Perto desse nódulo "mãe" também podem aparecer simultaneamente vários nódulos "filhos". Dentro de seis meses as verrugas desaparecem fazendo o portador achar que está curado.
  • Fase II: Ocorre meses ou anos depois, com lesões de pele por todo o corpo que variam na aparência, incluindo nas palmas das mãos e solas dos pés com descamação. Estas lesões secundárias freqüentemente ulceram e são altamente contagiosa, mas desaparecem mesmo sem tratamento depois de seis meses ou mais e podem voltar a aparecer nos próximos anos.
  • Fase III: Após cinco a dez anos, cerca de 10% das pessoa começam a sofrer com destruição dos ossos, articulações e tecidos moles, que causam deformações cada vez piores no corpo e no rosto. As amplas deformações do rosto e nariz são conhecidas como gangosa. Ao contrário de outras doenças por Treponema, bouba nunca afeta o sistema nervoso.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que seja mais comum em mulheres, talvez devido ao costume ocidental das mulheres tocarem-se mais. O maior grupo de pessoas afligidas pela bouba são crianças com idade entre 6 e 10 anos nas regiões tropicais da América, África, Ásia e Oceania. Durante o período de 1954 a 1963 a Organização Mundial da Saúde lançou campanhas mundiais para a redução da enfermidade, alcançando resultados significativos, embora alguns casos passaram a surgir novamente.[4]

Era endêmico no Brasil e África portuguesa, mas há muitos anos não há dados sobre sua prevalência e incidência. Não há registros de casos em Portugal. No diagnóstico é facilmente confundida com sífilis, bejel e pinta.[5]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Os principais fármacos utilizados para tratar a doença são a penicilina, a eritromicina ou a tetraciclina, com raras recorrências após o tratamento. Sem tratamento, 10% dos casos terminam com deformações ósseas e na cartilagem.[6]

Trabalhos de erradicação[editar | editar código-fonte]

A bouba, assim como a sífilis, foram quase erradicadas com o programa conduzido pela Organização Mundial da Saúde na década de 1950. Em 1964 estima-se que os casos de bouba foram reduzidos de 50 milhões para 500 mil. O número de casos seguiu caindo, entretanto, em 1995, a Organização Mundial da Saúde reportou um aumento dos casos de novo para cerca de 500.000 pessoas, principalmente em países pobres e em áreas rurais.[7] .

Em abril de 2012, a OMS iniciou uma nova campanha mundial para a erradicação da bouba. De acordo com o roteiro oficial, a eliminação deve ser alcançada até 2020. Até agora, este parece ter tido sucesso na Ásia, uma vez que não há casos foram vistos na Índia desde 2004. Apenas partes da África seguem com a doença.[8]

References[editar | editar código-fonte]

  1. Bouba. Visitado em 2008-01-19.
  2. Mitjà O; Asiedu K; Mabey D (2013). "Yaws". Lancet 381 (9868): 763–773. doi:10.1016/S0140-6736(12)62130-8. PMID 23415015.
  3. http://www.webconsultas.com/salud-al-dia/pian/sintomas-del-pian-13762
  4. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs316/es/
  5. http://apps.who.int/gho/data/node.main.NTDYAWSEND?lang=en
  6. "Yaws Fact sheet N°316". World Health Organization. February 2014. Retrieved 27 February 2014.
  7. WHO: Flesh-Eating Disease Making Comeback Associated Press (January 25, 2007). Visitado em 2007-01-25.
  8. Maurice, J (2012). "WHO plans new yaws eradication campaign". The Lancet 379: 1377–78. doi:10.1016/S0140-6736(12)60581-9.
  • McNeill, Katie H. "Plagues and People." Bantam Doubleday Dell Publishing Group, Inc., New York, NY, 1976, ISBN 0-385-12122-9.