Disenteria bacteriana

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Disenteria bacteriana
Shigella é uma bactéria gram negativa.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 A03
CID-9 004
DiseasesDB 12005
MedlinePlus 000295
eMedicine med/2112
MeSH D004405
Star of life caution.svg Aviso médico

Shigelose, Síndrome de Marlow (forma mais grave) ou disenteria bacilar refere-se às infecções alimentares, cujo sintoma mais característico é diarreia sanguinolenta, causadas pelas bactérias do gênero Shigellas. Raramente ocorrem em primatas não humanos, como os macacos e chimpanzés.[2] A OMS estima que por ano ocorrem cerca de 120 milhões de casos de disenteria grave e 1,1 milhões de mortes por shigelose, com 60% das mortes ocorrendo em crianças menores de 5 anos de idade.[3]

Causa[editar | editar código-fonte]

Crianças em países pobres são as principais vítimas da shiguelose.[3]

Bactérias 'Shigella freqüentemente são encontrados em águas infectadas com fezes humanas. Ingerir alimentos irrigados com essa água ou bebê-la diretamente é a via mais comum de infecção. Também pode ser transmitida por contato direto com a pessoa contaminada no caso de falta de higiene adequada, especialmente entre as crianças.[4]

Bactérias gram negativas do gênero Shigella, podem ser classificadas em quatro espécies[5] :

  • S. dysenteriae (grupo A);
  • S. flexneri (grupo B);
  • S. boydii (grupo C) e;
  • S. sonnei (grupo D).

Shigella[editar | editar código-fonte]

S. sonnei é o agente causador de 77% dos casos em países industrializados.

As Shigella são bacilos não-móveis Gram-negativos anaeróbios facultativos, pertencentes à família Enterobacteriaceae. Há várias espécies que podem causar disenteria, como S.dysenteriae (sintomas mais graves), S.flexneri, S.boydii e S.sonnei (menos grave). Ao contrário de outros patogênicos intestinais, as Shigella são altamente invasivas.

As Shigella produzem a Exotoxina ShT1 (no caso da S. dysenteriae, esta produz a Exotoxina Shiga) que destroem os ribossomas das células hospedeiras, impedindo a síntese proteica e matando a célula.

Elas são endocitadas pelas células M da mucosa intestinal, invadindo a submucosa, sendo depois fagocitadas por macrófagos. São resistentes à fagocitose, e induzem a apoptose (morte) do macrófago. Então produzem proteínas extra-celulares especificas, as invasivas, que lhes permitem acoplar e invadir os enterócitos, onde se multiplicam até destruírem as células.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A desidratação por diarreia sanguinolenta pode causar desidratação fatal caso não haja água limpa suficiente disponível, especialmente em crianças menores de 5 anos.[3]

Bactéria do gênero Shigella produzem toxinas que podem atacar o revestimento do intestino grosso, provocando inchaço, úlceras na parede intestinal e diarreia aquosa volumosa e dolorosa. Outros sintomas incluem[4] :

O tempo de latência (ou seja, sem sintomas), é de 12 a 96 horas, e a recuperação leva de 5 a 7 dias.[6]

Complicações

Sinais e sintomas de complicações [4] :

Outras complicações mais raras:

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Investigar a fonte de água da região pode esclarecer a causa do surto e prevenir novos casos fornecendo água filtrada aos habitantes.

É clínico (análise dos sintomas), epidemiológico (análise dos fatores de risco locais) e laboratorial (exame de fezes). O exame de fezes permite identificação das colônias suspeitas por meio de provas bioquímicas e sorológicas, destacando-se a excelência dos métodos imunoenzimáticos e o PCR para realização do RX.[5]

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Outras causas de diarreia grave são[5] :

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Shiguelose é uma endêmica em todo o mundo, e responsável por cerca de 120 milhões de casos de disenteria grave, com sangue e muco nas fezes. Quase sua totalidade ocorre em países em desenvolvimento, com saneamento inadequado, e envolvem crianças menores de cinco anos de idade.[3]

Brasil

Em 2010 no Brasil, 8 a 10% das crianças com menos de um ano de idade e de 15 a 18% dos maiores de 2 anos sofreram com a doença em algum momento de suas vidas. As áreas do interior sem tratamento adequado de água são as mais afetadas.[7]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Em locais sem água tratada o risco de re-infecção é elevado, por isso é recomendado água engarrafada e soro fisiológico nas áreas onde há surtos da doença.[3]

Semelhante ao tratamento de outros tipos de diarreia o mais importante é manter o paciente hidratado e bem nutrido enquanto o próprio corpo elimina a doença. Basicamente um copo de água, soro ou leite materno com frequência conforme a sede e repouso até a diarreia e vômitos pararem. Inicialmente, a criança deve receber de 50 a 100ml/Kg, no período de 4 a 6 horas; as crianças amamentadas devem continuar recebendo leite materno, junto com reidratação oral. [8]

A sociedade brasileira de infectologia só recomenda o uso de sonda nasogástrica-SNG em casos de perda de peso significativo com diarreia e vômitos persistentes, distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão. Nesses casos, administrar 20 a 30ml/Kg/hora de soro. Hidratação parenteral é recomendada em caso de alteração da consciência, vômitos persistentes (mesmo com uso de sonda nasogástrica) e íleo paralítico. Nos casos graves são indicados antimicrobianos. [8]

Referências

  1. http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=1013
  2. Clemens, John (May 1999). Generic protocol to estimate the burden of Shigella diarrhoea and dysenteric mortalit. World Health Organization: Department of Vaccines and Biologicals. Página visitada em 10 February 2012.
  3. a b c d e http://www.who.int/vaccine_research/diseases/diarrhoeal/en/index6.html
  4. a b c http://kidshealth.org/parent/infections/bacterial_viral/shigella.html
  5. a b c http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=1013
  6. Symptoms Of Shigella Infection. About Shigella. Marler Clark. Página visitada em 10 February 2012.
  7. DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]. MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica, 8ª edição revista. BRASÍLIA / DF – 2010
  8. a b http://www.infectologia.org.br/publicoleigo/default.asp?siteAcao=mostraPagina&paginaId=9&acao=guia2&guiaId=48