Proteobacteria

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Como ler uma caixa taxonómicaProteobacteria
Escherichia coli

Escherichia coli
Classificação científica
Domínio: Bacteria
Filo: "Proteobacteria"
Garrity, Bell & Lilburn 2005
Classes
Sinónimos
Proteobacteria Stackebrandt, Murray & Truper 1988 (classe)
Wikispecies
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Proteobacteria (do grego: Proteus, deus do oceano capaz de mudar de forma; + bakterion, pequeno bastão) é um filo composto por bactérias gram-negativas e é definido principalmente pela sequência genética 16S rRNA. Popularmente seus representantes são designados de proteobactérias.

A primeira descrição do termo Proteobacteria por Stackebrandt, Murray e Truper, em 1988, referia o grupo como uma classe. Entretanto, na segunda edição do Bergey's Manual of Systematic Bacteriology, o termo foi classificado como um filo. O filo "Proteobacteria" é um dos maiores filos do domínio Bacteria, incluindo mais de duzentos gêneros.

Incluem uma grande variedade de agentes patogénicos, tais como Escherichia, Salmonella, Vibrio e Helicobacter.[1] Outras são de vida livre, e incluem muitas das bactérias responsáveis pela fixação de azoto.

Características[editar | editar código-fonte]

Todas as proteobactérias são gram negativas, com uma parede celular formada principalmente de lipopolissacarídeos. Muitas movem-se utilizando flagelos, mas algumas fazem-no por deslizamento. Entre estas encontram-se as Myxobacteria, um grupo único de bactérias que podem agrupar-se para formar corpos frutíferos.

Têm também uma grande variedade de tipos de metabolismo. A maioria das proteobactérias são anaeróbias, mas há muitas excepções. As mitocôndrias que permitem A respiração nas células eucariotas, são derivadas de proteobactérias, provavelmente similares às rickettsias.

A nutrição e normalmente heterotrófica, mas existem dois grupos que realizam fotossíntese, denominadas bactérias púrpureas. As bactérias púrpuras sulfurosas usam enxofre do sulfeto de hidrogénio como doador de electrões. As bactérias púrpuras não-sulfurosas utilizam hidrogénio. Posto que esta função não é realizada pela água, como é comum nas plantas e cianobactérias, não se produz oxigénio.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O filo "Proteobacteria" é definido principalmente em termos de sequências de RNA ribossômico (16S rRNA). Está dividido em cinco seções baseadas na análise de sequências de 16S rRNA, denominadas segundo as cinco primeiras letras do alfabeto grego. Estas seções são muitas vezes tratadas como classes. Embora tenha sido sugerido anteriormente que a Gammaproteobacteria é parafilética com relação a Betaproteobacteria, dados moleculares recentes sugerem que os grupos são monofiléticos.

Proteobactérias alfa[editar | editar código-fonte]

As proteobactérias alfa incluem a maioria dos géneros fototróficos, mas também vários géneros que metabolizam componentes C1, simbiontes de plantas (por exemplo, os rizóbios) e de animais e também um grupo de agentes patogénicos (Rickettsiaceae). Pensa-se que os precursores das mitocôndrias das células eucariotas originaram-se a partir deste grupo bacteriano (ver teoria endossimbiótica).

Proteobactérias beta[editar | editar código-fonte]

As proteobactérias beta incluem vários grupos de bactérias aeróbias ou facultativas que são versáteis nas suas capacidades de degradação, mas também contém géneros quimiolitotróficos (por exemplo, o género Nitrosomonas que oxida o amoníaco) e alguns fototróficos (géneros Rhodocyclus e Rubrivivax). As proteobactérias beta desempenham um papel importante na fixação de azoto em vários tipos de plantas, oxidando a amónia para produzir nitrito, um produto químico importante para a função das plantas. Muitas delas encontram-se em amostras ambientais, tais como águas residuais ou no solo. Espécies patogénicas dentro desta classe são as Neisseriaceae (que causam a gonorreia e a meningoencefalite) e as espécies do género Burkholderia. Outra bactéria que se destaca neste grupo é a Ralstonia, um agente patogénico vegetal que ataca as solanáceas (tomate, batata, entre outras).

Proteobactérias gama[editar | editar código-fonte]

Vibrio cholerae.

As proteobactérias gama incluem vários grupos de bactérias importantes para a ciência e para a medicina, tais como as Enterobacteriaceae, Vibrionaceae e Pseudomonadaceae. Este grupo inclui vários agentes patogénicos importantes, como por exemplo, Salmonella (enterite e febre tifóide), Yersinia (peste), Vibrio (cólera), Pseudomonas aeruginosa (infecções pulmonares em pacientes hospitalizados ou com fibrose cística).

Proteobactérias delta[editar | editar código-fonte]

As proteobactérias delta incluem um grupo de géneros predominantemente aeróbios, mixobactérias , que formam corpos frutíferos, e um grupo de géneros estritamente anaeróbios que contêm a maior parte das bactérias redutoras de sulfato (Desulfovibrio, Desulfobacter, Desulfococcus, Desulfonema, etc.) e das bactérias redutoras de enxofre (por exemplo, Desulfuromonas) juntamente com outras bactérias anaeróbias com diferente fisiologia (por exemplo, redutoras de ferro férrico como o género Geobacter e os géneros sintróficos Pelobacter e Syntrophus).

Proteobactérias ípsilon[editar | editar código-fonte]

Helicobacter pylori Helicobacter pylori.

As proteobacterias ípsilon são constituídas por poucos géneros, principalmente Wolinella, Helicobacter e Campylobacter, que têm forma helicoidal. A maior parte das espécies conhecidas habitam en o trato digestivo de seres humanos e animais, e proporcionam funções como simbiontes (Wolinella, no gado vacuum) ou são patogénicos (Helicobacter no estômago, Campylobacter no duodeno).

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Madigan M; Martinko J (editors).. Brock Biology of Microorganisms. 11th ed. ed. [S.l.]: Prentice Hall, 2005. ISBN 0131443291

Ligações externas[editar | editar código-fonte]