Ctenophora

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Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
(sem classif.) Radiata
Filo: Ctenophora
Eschscholtz, 1829
Classes
Tentaculata

Nuda

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Os ctenóforos ou Ctenophora (do grego ktenes, pente + phoros, portador) são um pequeno filo, conhecidos como "águas-vivas-de-pente" ou "carambolas-do-mar". Os animais que pertencem a esse filo são marinhos ou estuarinos, planctônicos, alguns bentônicos e bioluminescentes.

São superficialmente semelhantes às medusas em sua forma globosa, sua mesogléia gelatinosa e sua transparência. No entanto, as semelhanças com as medusas podem representar mais uma convergência do que um relacionamento evolutivo próximo aos Cnidaria.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O filo Ctenophora está dividido em duas classes de organismos:

  • Tentaculata - Com presença de tentáculos (pentes)
  • Nuda - Tentáculos (pentes) ausentes

A classe Tentaculata abrange as seguintes subdivisões (ordens):

  • Ordem Cydippida
  • Ordem Lobata
  • Ordem Cestida
  • Ordem Ganeshida
  • Ordem Platyctenida
  • Ordem Thalassocalycida

A classe Nuda abrange apenas uma subdivisão (ordem):

  • Ordem Beroida
Quantidade de Espécies:[editar | editar código-fonte]

É formado por cerca de 100 espécies.Todas são marinhas e estão presentes em todos os mares.

Abundantes em águas tropicais.

História Geológica[editar | editar código-fonte]

Há registros fósseis questionáveis conhecidos somente em dois períodos, um no Devoniano e outro no Cambriano Médio. Com pouca informação, pode-se apenas aventar a hipótese de que os ctenóforos são um grupo monofilético que provavelmente surgiu na evolução da condição metazoária.

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Os ctenóforos são animais transparentes e gelatinosos. A parede de seu corpo é composta de uma epiderme externa, com células sensoriais e glandulares mucosas, seguida por uma camada de musculatura lisa e uma mesogléia espessa composta por fibras e amebócitos provenientes do mesoderma. Apresentam uma simetria radial, assemelhando-se aos cnidários, com eixo oral-aboral. Sua musculatura é completamente mesenquimal, separando a ectoderme da endoderme, e não apresentam um esqueleto duro. A maioria dos ctenóforas tem forma esférica ou ovóide, podendo em algumas espécies apresentar um alongamento ou compressão devido a forma como o plano de simetria se desenvolveu. Os indivíduos do filo distinguem-se pela presença de oito fileiras meridionais de pentes ciliares (ou ctenas), responsáveis por sua locomoção. Na maioria das espécies emergem de duas bainhas, situadas em lados opostos, dois longos tentáculos retráteis, com células adesivas denominadas coloblastos, que são utilizados na captura de alimento.

Ctenophore body vert section.png

Sistema Nervoso[editar | editar código-fonte]

O sistema nervoso ocorre na forma de uma rede nervosa subepidérmica, descentralizada e mais especializada em comparação aos cnidários. Nos ctenóforas, abaixo dos pentes, os neurônios formam plexos alongados ou malhas, produzindo uma estrutura semelhante aos cordões nervosos. Na região aboral, está localizado o cerébro rudimentar (primitivo) que controla as placas ciliadas locomotoras.

Sistema Sensorial[editar | editar código-fonte]

Possuem um órgão apical chamado estatocisto que é responsável pelo senso de equilíbrio e orientação do animal em relação ao plano horizontal. Esse é formado por uma cápsula em forma de sino e no seu interior, tufos de cílios sustentam uma estrutura calcária chamada estatólito.

Sistema Digestivo[editar | editar código-fonte]

A digestão é tanto extracelular como intracelular.

Quando a presa é engolida, é liquefeito na faringe por enzimas e por contrações musculares. A pasta resultante é levada através do sistema de canal pela batida do cílios e digerido pelas células nutritivas. As rosetas ciliares nos canais podem ajudar a transportar nutrientes para os músculos do mesogleia.

Sistema Circulatório[editar | editar código-fonte]

Não há nenhum sistema circulatório independente nos ctenóforos, assim como nos cnidários, os sistema de canais gastrovasculares serve este papel, distribuindo os nutrientes para a maioria das partes do corpo.

Sistema Respiratório/Sistema Excretor[editar | editar código-fonte]

A respiração e a excreção dos ctenóforos ocorrem por simples difusão através da parede corporal.

Não há qualquer estrutura especializada para essas funções.

O sistema gastrovascular provavelmente também recolhe os resíduos metabólicos do mesênquima para a eventual eliminação pela boca ou pelos poros anaies. As células da roseta também podem transportar resíduos ao tubo digestivo.

Cor e Bioluminescência[editar | editar código-fonte]

As espécies que vivem perto da superfície são incolores e quase transparentes. No entanto, algumas espécies que vivem em águas mais profundas são fortemente pigmentadas, por exemplo, as espécies conhecidas como "Tortugas vermelho". As linhas de pente, presentes na maioria de ctenóforas planctônicos, produzem um efeito de arco-íris, que não é causada pela bioluminescência mas pela dispersão de luz que ocorre com a movimentação dos pentes.

A bioluminescência é causada pela ativação de uma complexo de proteínas de cálcio denominadas fotoproteínas. As fotoproteínas ficam localizadas em células especializadas, situadas em canais meridionais, que catalizam enzimas e produzem luz. A maioria das espécies são bioluminescentes, e em geral, a luz é azul ou verde, podendo apenas ser vistas na escuridão. Alguns grupos significativos, incluindo todos os Platyctenida conhecidos e o Cydippida - gênero Pleurobrachia, não possuem bioluminescência.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Habitat[editar | editar código-fonte]

Os ctenóforos são encontrados na maioria dos ambientes marinhos. Das águas polares aos trópicos; perto das costas e no meio do oceano, das águas de superfície para as profundezas do oceano.

Características Comportamentais[editar | editar código-fonte]

A locomoção suave despista os predadores e a transparência e pigmentação os auxiliam na camuflagem. A presença da bioluminescência atrai presas e companheiros sexuais, além de ser uma defesa contra os predadores.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Assexuada: Os ctenóforos podem regenerar virtualmente qualquer parte perdida, inclusive órgão apical dos sentidos. Há especulação de que os ctenóforos podem reproduzir-se por brotamento.

Sexuada: A maioria é hermafrodita, mas algumas espécies gonocorísticas são conhecidas. Os pelágicos geralmente liberam seus gametas pela boca na água do mar circunvizinha, ou a fertilização cruzada ocorre. Dutos espermáticos especiais ocorrem ao menos em alguma espécies de platicnídeos. Os zigotos, formados pela fertilização, são liberados para o ambiente através da epiderme.

Ciclo de Vida[editar | editar código-fonte]

Possuem ciclo de vida monomórfico, sem alternância de gerações e sem qualquer tipo de fase de vida fixa ou séssil (o que difere dos Cnidários). E fase larval distinta, a larva epididia é normalmente produzida.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Os ctenóforos são animais carnívoros e alimentam de outros animais planctônicos como:

Presença de células adesivas chamadas coloblastos que auxiliam na captura e para apreender as presas.

Espécies avistadas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em estudo realizado recentemente [1] , as seguintes espécies foram registradas no Canal de São Sebastião, situado entre Ilhabela e o continente:

  • Beroe ovata (Chamisso & Eysenhardt 1821)
  • Bolinopsis vitrea (L. Agassiz 1860)
  • Leucothea multicornis (Quoy & Gaimard 1824)
  • Mnemiopsis leidyi (A. Agassiz 1865)
  • Ocyropsis crystallina (Rang 1828)
  • Vallicula multiformis (Rankin 1956)

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BRUSCA, R.C. & BRUSCA, G.J. 2003. Invertebrates. Sinauer Associates (2nd ed.), 936pp.
  • HARBISON, G.R. & MADIN, L.P. 1982. Ctenophora. In: Parker, S.P. (Ed.), Synopsis and classification of living organisms. Vol. 1. McGraw-Hill, New York. p. 707–715.
  • HYMAN, L.H. 1940. Invertebrates: Protozoa through Ctenophora. McGraw-Hill.
  • MARCUS, E.B.R. 1956. Vallicula multiformis Rankin, 1956, from Brazil. Boletim do Instituto Oceanográfico, 7(1–2): 87–91.
  • MAYER, A.G. 1912. Ctenophores of the Atlantic coast of North America. Carnegie Institution of Washington (Publ. 162), 58pp.
  • MIANZAN, H.W. 1999. Ctenophora. In: Boltovskoy, D. (Ed.), South Atlantic Zooplankton. Backhuys Publishers, Leiden, p. 561–573.
  • RUPPERT, Edward E.; BARNES, Robert D. Zoologia dos Invertebrados. 6a. ed. São Paulo: Roca, 1996.