Nemertea

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Parborlasia corrugatus, no Mar de Ross

Parborlasia corrugatus, no Mar de Ross
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Nemertea
Schultze, 1851
Classes
Anopla

Enopla

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Nemertea (Do grego Nemertes, uma ninfa marinha) também designado Nemertina, Nemertinea, Nemertini, ou ainda Rhynchocoela (do grego rhynchos, Focinho + koilos, Cavidade), é um filo que contém animais invertebrados vermiformes de corpo não-segmentado. [1] São animais tipicamente aquáticos, havendo alguns poucos terrestres vivendo em locais úmidos. São tipicamente de vida livre, com algumas espécies parasitárias. Triblásticos, com parênquima em adultos parcialmente gelatinoso, epiderme ciliada e com células glandulares. [2] São tipicamente bentônicos, vivendo em baixo de rochas ou conchas ou em buracos revestidos por um muco produzido por eles. Algumas espécies ainda vivem como ectossimbiontes em caranguejos, na cavidade do manto de moluscos ou no átrio de tunicados. [3] A sinapomorfia desse grupo é a presença de probóscide eversível, estrutura de defesa utilizada na captura de presas, alojada em uma cavidade chamada de rincocele, semelhante à cavidade celomática de outros indivíduos.

Bauplan[editar | editar código-fonte]

Esse filo é composto por animais que tem um corpo semelhante ao de vermes, porém, um corpo mais comprido, alongado e espesso. A maioria dos indivíduos são pálidos, mas existem alguns marinhos com cores brilhantes (amarelo, vermelho, laranja), daí serem chamados também de rainbow worms (vermes arco-íris). [4]

Parede do Corpo e Locomoção[editar | editar código-fonte]

A parede corporal é formada por três camadas: epiderme, tecido conjuntivo e musculatura espessa. A epiderme é ciliada e não apresenta cutícula, apoiada sob uma lâmina basal subjacente que está ligada ao tecido conjuntivo e esse ao tecido conjuntivo geral do corpo. Após o tecido conjuntivo encontra-se a musculatura lisa circular e longitudinal, havendo alguns que apresentam, músculos dorsoventrais e radiais. Esses animais deslizam sobre o substrato num movimento ciliar, secretando um muco pelas glândulas cefálicas que auxilia no deslizamento. Espécies escavadoras, como o Cerebratulus, não utilizam cílios para sua locomoção e sim o peristaltismo muscular, podendo ser capazes realizar um nado rudimentar para fugir de uma presa.[5]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A reprodução é assexuada por fragmentação, possuindo espécies de sexos separados (com gônadas simples), hermafroditas e alguns apresentam larva pilídio. A fertilização pode ser externa ou interna, com algumas espécies ovovivíparas. [6]

Sistema Nervoso e Órgãos Sensoriais[editar | editar código-fonte]

Apresenta um sistema nervoso mais elaborado que de seus predecessores, com quatro gânglios nervosos que rodeam a rincocele anterior, podendo ainda haver um cordão dorsal. Em condições ambientais anatóxicas, utilizam o oxigênio armazenado na hemoglobina presente na região cefálica para suprir o seu sistema nervoso. Possuem órgão cerebrais, sendo esses um par de canais ciliados associados ao cérebro, que parecem ativar os cílios na presença de alimento, além de possuir uma função associada à osmorregulação. Apresentam ainda como estrutura sensorial, fendas sensoriais laterais e buracos presentes ao longa da epiderme, bem como ocelos em algumas espécies. [7]

Nutrição e Sistema Digestivo[editar | editar código-fonte]

Sendo animais heterotróficos carnívoros, alimentam-se de pequenos invertebrados, utilizando a probóscide para captura dos mesmos. Tal estrutura enrola-se ao redor da presa, sendo lançadas secreções neurotóxicas pegajosas que auxiliam na apreensão e morte da presa. Os representantes da classe Enopla apresentam ainda estiletes na ponta, que servem como arpões que furam a superfície do corpo da presa, auxiliando também na entrada das neurotoxinas no interior do corpo delas. A força para o lançamento da probóscide vem de uma pressão muscular no fluido rincocélico e a retração é causada pelo músculo retrator. A digestão é inicialmente extracelular, sendo concluída dentro de células fagocitárias(mesênquima). Apresentam sistema digestório completo.[8]

Transporte Interno e Excreção[editar | editar código-fonte]

A rincocele apresenta uma dupla função nesses seres: além de funcionar como mecanismo de ejeção da probóscide, também funciona como um sistema circulatório, em associação à um sistema sanguíneo, formado por dois vasos laterais, reunidos anterior e posteriormente. Esses vasos, apesar de contráteis, contam com o auxílio da musculatura da parede corporal para impulsionar o sangue para a diversas regiões do corpo, sem sentir um fluxo definido. A cavidade rincocélica comunica-se com a sanguínea através de tampões vasculares. A excreção se dá através de células especializadas chamadas células-flama.[9]


Diversidade e Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Foram descritas cerca de 1149 espécies no mundo e 43 espécies no Brasil[10] .O filo é subdividido em duas classes:

  • Classe Anopla: Possui probóscide sem estiletes e sua boca abre-se embaixo do encéfalo ou posteriormente a ele. Exemplos: Cerebratulus, Tubulanus, Lineus. Tal classe é controversa, já que alguns autores consideram tal grupo como sendo parafilético.[11]
    • Ordem Palaeonemertea. [11]
    • Ordem Heteronemertea. [11]
  • Classe Enopla: Possui probóscide armada com estiletes(exceto a ordem Bdellonemertea). A boca abre-se em frente ao encéfalo. Exemplos: Amphiporus, Prostoma. [12]
    • Ordem Hoplonemertea. [12]
      • Subordem Monostilifera. [12]
      • Subordem Polystilifera. [12]
    • Ordem Bdellonemertea. [12]



História Fóssil[editar | editar código-fonte]

Fósseis de Nemertinos são extremamente raros e com classificação incerta.

Referências

  1. Brusca, R.C. & Brusca, G.J. 2007. Invertebrados. 2a.ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. p.331
  2. Hickman Jr. C.P.; Roberts, L.S.; Larson, A. Princípios Integrados de Zoologia. 15ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. p. 323
  3. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p. 260
  4. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p. 260-261
  5. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p.262
  6. Hickman Jr. C.P.; Roberts, L.S.; Larson, A. Princípios Integrados de Zoologia. 15ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. p. 323
  7. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p.265
  8. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p.262-265
  9. Ruppert, E. E.; Fox, R. S.; Barnes, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. Roca LTDA: São Paulo, 2005. p. 265-267
  10. Lewinsohn, T. M.; Prado, P. I. Quantas espécies há no Brasil? Megadiversidade. v.1, n.1, p. 39. jul. 2005
  11. a b c Brusca, R.C. & Brusca, G.J. 2007. Invertebrados. 2a.ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. p.333
  12. a b c d e Brusca, R.C. & Brusca, G.J. 2007. Invertebrados. 2a.ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. p.334