Cambriano

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Período Cambriano
542–542 milhões de anos atrás
Blakey 500moll.jpg
Teor médio de o2 atmosférico durante o período ca. 12.5 Vol %[1]
(63 % do nível atual)
Teor médio do CO2 atmosférico durante o período ca. 4500 ppm[2]
(16 vezes o nível pré-industrial)
Temperatura média da superfície durante o período ca. 21 °C[3]
(7 °C acima do nível atual)
Nível do mar (acima dos dias de hoje) Rising steadily from 30m to 90m[4]


Na escala de tempo geológico, o Cambriano ou Câmbrico é o período da era Paleozoica do éon Fanerozoico que está compreendido entre 542 milhões e 488 milhões de anos atrás, aproximadamente. O período Cambriano sucede o período Ediacarano da era Neoproterozoica do éon Proterozoico e precede o período Ordoviciano de sua era. Divide-se nas épocas Cambriana Inferior, Cambriana Média e Cambriana Superior, da mais antiga para a mais recente. O nome Cambriano vem de Cambria, que é a latinização de Cymru, o nome pelo qual os povos antigos que habitavam o País de Gales chamavam suas terras, onde foram encontrados os primeiros estratos rochosos deste período.

Os locais onde se encontram rochas e fósseis deste período são relativamente raros, sendo os principais o Folhelho Burgess, no Canadá, o Folhelho de Maotianshan (ou biota de Chengjiang), na China e os argilitos de Emu Bay, na Austrália.

O período Cambriano
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Fauna de Orsten
Primeiros Trilobite
Diversificação da SSF: primeiros brachiopoda & archaeocyatha
Vestígios deTreptichnus pedum
Primeiros traços de Treptichnus
Primeiros fósseis mineralizados do esqueleto de Cloudina & Namacalathus
Escala estratigráfica da ICS com a subdivisões russas do Cambriano inferior e a fronteira do superéon Pré-Cambriano/Cambriano.

Paleogeografia[editar | editar código-fonte]

Existiam quatro continentes no Cambriano, três pequenos mais ou menos na região entre os trópicos: Laurentia (parte central da América do Norte), Báltica (parte da Europa) e Sibéria (mesma região no oeste russo); e um supercontinente no sul: Gondwana. Todos esses continentes eram de simples rocha nua e estéril, já que neste período ainda não existiam plantas, ainda que alguns especialistas acreditem que nas regiões mais úmidas poderia crescer um manto composto de fungos, algas e líquens.

Os climas do mundo eram bem mais quentes; não havia nenhuma glaciação. A maior parte dos continentes se colocavam nas latitudes tropicais e temperadas do sul, que suportaram o crescimento de recifes extensivos de espécies do grupo Archaeocyatha na água rasa no Cambriano Inferior.

O hemisfério norte era quase totalmente coberto por um oceano colossal, ao qual os paleontólogos deram o nome de Panthalassa. Também havia oceanos menores separando os continentes no hemisfério sul.

Fauna[editar | editar código-fonte]

Durante o Cambriano, ocorre uma maior diversificação da vida, evento conhecido como explosão cambriana, devido ao período de tempo relativamente curto em que esta diversidade de espécies "surge". Dentre estas espécies, estão os graptólitos dendróides, que surgem no Cambriano Superior, e os arqueociatos, que surgem no Cambriano Inferior e extinguem-se no Cambriano Médio.

O Cambriano marca um ponto importante na história da vida na Terra, é o período de tempo em que a maioria dos grupos principais de animais apareceram no registro do fóssil. Por muito tempo se considerou os fósseis do Cambriano como os mais antigos de nosso planeta, porém, atualmente foram encontrados fósseis mais antigos, que datam do período Vendiano (a última das partes dos chamados tempos Pré-Cambrianos).

Os animais mostraram uma diversificação dramática durante este período da história da Terra. O maior registro de grupos animais ocorreu durante os estágios Tomotiano e de Atdabaniano do Cambriano Superior, em um intervalo de tempo de aproximadamente cinco milhões de anos, o que é extremamente curto para os padrões geológicos, motivo que fazem surgir muitas dúvidas e especulações sobre a explosão cambriana e é constantemente utilizado pelos opositores da teoria da evolução para fundamentar suas criticas a esta. Os principais animais encontrados em todo o mundo são os anelídeos, artrópodes, braquiópodes, equinodermos, moluscos monoplacóforos, onicóforos, esponjas, e priapulídeos.

A primeira subdivisão do Cambriano Inferior, a idade Tomotiana, que recebeu este nome devido a região da Sibéria onde suas rochas foram encontradas, viu a primeira radiação principal dos animais, incluindo a primeira aparência de um grande taxa de animais mineralizados tais como braquiópodes, trilobites, arqueociátos e equinodermos.

O Burgess Shale, na província canadense de Colúmbia Britânica é considerado por muitos como o mais importante sítio fossilífero do período Cambriano. Abaixo algumas espécies descritas no local:

Flora[editar | editar código-fonte]

Embora tenha havido uma variedade de plantas marinhas macroscópicas, é geralmente aceito que não houve plantas terrestres naquela época, embora seja provável que um aglomerado microbiano compreendendo fungos, algas e, possivelmente, líquens cobriram a terra.[5]

Extinção cambriana[editar | editar código-fonte]

Gráfico representando a intensidade das extinções na fauna marinha durante a história geológica da Terra.

Ao final do período cambriano, em torno de 500 milhões de anos atrás, nosso mundo passou pela primeira extinção em massa de sua história. As causas desta extinção, assim como das demais extinções em massa, ainda são desconhecidas, embora muitos cientistas aceitem que o mais provável seria uma queda brusca na temperatura do planeta, ocasionando o primeiro caso de glaciação do éon Fanerozoico, registrado no período subsequente, o Ordoviciano. Outra suposição que também é considerada relevante é a da diminuição dos níveis de oxigênio nos mares, o que também poderia ser consequência de uma mudança climática. De qualquer forma, este evento ocasionou extinção de cerca de 75% das espécies de trilobites e 50% das espécies de esponjas, além de uma grande quantidade de graptólitos, braquiópodes e gastrópodes.

Esta extinção também marcou o fim do domínio dos dinocáridos, e permitiu o maior desenvolvimento dos moluscos e artrópodes, que ocupariam o nicho ecológico deixado por eles nos próximos períodos geológicos, assim como o dos cordados, que só teriam a sua acensão até o topo da cadeia alimentar no Devoniano.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Imagem:Sauerstoffgehalt-1000mj.svg
  2. Imagem:Phanerozoic Carbon Dioxide.png
  3. Imagem:All palaeotemps.png
  4. HAQ, B.U.; SCHUTTER, S.R.. (2008). "A Chronology of Paleozoic Sea-Level Changes". Science 322 (5898): 64–8 pp.. DOI:10.1126/science.1161648. PMID 18832639. Bibcode2008Sci...322...64H.
  5. GRAY, J.; CHALONER, W.G.; WESTOLL, T.S.. (1985). "The Microfossil Record of Early Land Plants: Advances in Understanding of Early Terrestrialization, 1970–1984 [and Discussion]". Philosophical Transactions of the Royal Society of London Series B 309 (1138): 167–195 pp.. DOI:10.1098/rstb.1985.0077. Bibcode1985RSPTB.309..167G.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Pré-Cambriano
Cambriano
550 - 505
milhões de anos atrás
Sucedido por
Ordoviciano
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