Artrópode

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Como ler uma caixa taxonómicaArthropoda
Artrópodes extintos e artrópodes atuais.

Artrópodes extintos e artrópodes atuais.
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Subreino: Eumetazoa
Superfilo: Protostomia
Filo: Arthropoda
Subfilos e Classes
Subfilo Trilobitomorpha

  Classe Trilobita - Trilobites, extinto
Subfilo Chelicerata
  Classe Arachnida - aranhas, escorpiões, etc.
  Classe Merostomata - Límulo
  Classe Pycnogonida - aranha-do-mar
Subfilo Myriapoda
  Classe Chilopoda - centopeias
  Classe Diplopoda - mil-pés
  Classe Pauropoda
  Classe Symphyla
Subfilo Hexapoda
  Classe Insecta - Insetos: moscas, borboletas, etc.
  Classe Entognatha
     Ordem Diplura
     Ordem Collembola - colêmbolos
     Ordem Protura
Subfilo Crustacea ou Crustaceomorpha
  Classe Remipedia
  Classe Cephalocarida
  Classe Branchiopoda
  Classe Ostracoda
  Classe Mystacocarida
  Classe Copepoda
  Classe Branchiura
  Classe Cirripedia - cracas
  Classe Tantulocarida
  Classe Malacostraca - lagostas, caranguejos, etc.
NOTA: Alguns sistemas de classificação agrupam Myriapoda e Hexapoda num subfilo denominado Uniramia.

Os artrópodes (Arthropoda, do grego arthros (ἄρθρον), articulado e podos (ποδός), pés) são um filo de animais invertebrados, que possuem exoesqueleto rígido e vários pares de apêndices articulados, cujo número varia de acordo com a classe.

Compõem o maior filo de animais existentes, representados por animais como os gafanhotos (insetos), as aranhas (aracnídeos), os caranguejos (crustáceos), as centopeias (quilópodes) e os piolhos-de-cobra (diplópodes). Têm cerca de um milhão de espécies descritas, e estima-se que os representantes deste filo equivalem a cerca de 84% de todas as espécies de animais conhecidas pelo homem.[1] Possuem uma ampla gama de cores e formatos, e no que diz respeito ao tamanho, alguns vão desde as formas microscópicas, como no plâncton (com menos de 1/4 de milímetro), até crustáceos com mais de 3 metros de espessura.[2]

Sua existência é datada nos registros fósseis desde o período Cambriano (cerca de 542 a 488 milhões de anos atrás), onde criaturas como as Trilobitas eram encontradas em abundância nos oceanos.[3] Algumas teorias sobre a origem deste filo sustentam que os ancestrais dos artrópodes podem ter sido os anelídeos (vermes de corpo segmentado em anéis) ou de algum outro ancestral em comum.[4]

Os artrópodes habitam praticamente todos os tipos de ambientes no planeta, sejam eles aquáticos ou terrestres. Mesmo nos lugares mais inóspitos e sob temperaturas baixíssimas, como nas geleiras da Antártida, é possível encontrar a presença dos artrópodes.[5] Alguns dentre a classe dos insetos, representam os únicos invertebrados que possuem a capacidade de voar. Também se encontram alguns que são parasitas e outros que apresentam características simbióticas. Muitos destes animais estão diretamente ligados ao homem, seja por serem utilizados como alimento, como também por causarem prejuízos na saúde e na agricultura.

Anatomia dos artrópodes[editar | editar código-fonte]

Os artrópodes têm apêndices articulados; o corpo segmentado, envolvido num (3) exoesqueleto de quitina (números da imagem acima). Os apêndices estão especializados para a alimentação, para a percepção sensorial, para defesa e para a locomoção. São estas "patas articuladas" que dão o nome ao filo e que o separam dos filos mais próximos, os Onychophora e os Tardigrada[2] .O exoesqueleto é uma camada de cutícula quitinosa que reveste externamente todo o corpo dos artrópodes. Ele apresenta placas articuladas e contínuas. A presença de fenol na placa a deixa mais rígida e com a cor mais escura.

Eles são animais metamerizados, isto é, têm corpo segmentado, mas sua metameria não é tão evidente como a dos anelídeos; isso porque sua metameria heteronôma: os metâmeros (segmentos) diferenciam-se durante o desenvolvimento, alguns deles fundindo-se para a formação de tagmas que, como nos insetos, são tipicamente:

Dentre as diferentes classes de artrópodes há casos em que dois ou mais tagmas se unem formando uma única peça como é o caso de certos grupos de crustáceos em que os tagmas cabeça e tórax se unem formando o cefalotórax e nos quilópodes e diplópodes em que o tórax se une com o abdômen formando o tronco. No subfilo Chelicerata os tagmas denominam-se prossoma (que corresponde ao cefalotórax) e opistossoma (que corresponde ao abdômen)

O primeiro segmento da cabeça é denominado ácron e normalmente suporta os olhos, que podem ser simples ou compostos. O último segmento do abdômen é terminado pelo télson. Cada segmento contém, pelo menos primitivamente, um par de apêndices.

Para poderem crescer, os artrópodes têm de se desfazer do exosqueleto "apertado" e formar um novo, num processo designado muda ou ecdise(é uma troca periódica do exoesqueleto, sendo o tempo e a quantidade de trocas variáveis de acordo com a espécie e as condições ambientais). O ponto de começo da ecdise é na linha de muda.

Por fazerem mudas, eles fazem parte do clado Ecdysozoa, que é um dos maiores grupos do reino animal, incluindo ainda os nematódeos, os Nematomorpha, os Tardigrada, os Onychophora, os Loricifera, os Priapulida e os Cephalorhyncha.

Diferentemente de anelídeos e moluscos, a excreção dos artrópodes é realizada por Túbulos de Malpighi, ou por glândulas especializadas, e não por nefrídeos.

Muitos grupos de artrópodes respiram por um sistema de traqueias, túbulos que abrem para o exterior através de poros na cutícula chamados espiráculos, e que se estendem por todo o corpo, promovendo a troca de gases. Nos aracnídeos, existe também as chamadas filotraquéias ou pulmões foliáceos. Crustáceos respiram por brânquias e insetos aquáticos têm brânquias ligadas ao sistema de traqueias.

O sistema circulatório dos artrópodes consiste numa bateria de corações que se dispõem ao longo do corpo e que bombeiam a hemolinfa (o "sangue" destes animais na maior parte das vezes não contém hemoglobina, baseada em ferro, mas sim hemocianina, baseada em cobre), que se encontra banhando os tecidos. Nos insetos, os pigmentos respiratórios estão ausentes.

O sistema nervoso, de um modo geral, é como o dos anelídeos: gânglios cerebróides anterior dorsal, seguido de um par de nervos ventrais, com um par de gânglios por segmento. Porém nos artrópodes existe um alto grau de cefalização, o cérebro é formado pela fusão dos gânglios cerebróides, e tem três regiões distinguidas: o protocérebro, o deuterocérebro e o tritocérebro.

Os artrópodes são geralmente dióicos, com fecundação interna, utilizando de apêndices modificados para transferência de espermatozóides.

Embora alguns artrópodes tenham um padrão de desenvolvimento embrionário semelhante a dos anelídeos, na maior parte os ovos dos artrópodes são ricos em alimento e centrolécitos, a albummina, que fica no centro do ovo, deixando na periferia citoplasma sem albumina. Ocorre a clivagem superficial do ovo e o embrião desenvolve-se na periferia do ovo.

Os artrópodes são protostômios e possuem um celoma reduzido a um espaço à volta dos órgãos da reprodução e da excreção.

Classificação e filogenia dos artrópodes[editar | editar código-fonte]

Um grupo tão numeroso e diversificado, tanto em espécies atuais como extintas, como os artrópodes teria de ser necessariamente difícil de classificar, assim como de definir as suas relações filogenéticas.

Tradicionalmente, considerava-se que os artrópodes teriam tido origem nos anelídeos, por causa da semelhante segmentação do corpo. No entanto, estudos genéticos recentes mostraram que não é assim e que os filos mais próximos dos artrópodes são os Onychophora e os Tardigrada, formando um grupo monofilético: os Panarthropoda. Além disso, parece aceitável que estes filos e os restantes Ecdysozoa formam um clado monofilético. Os anelídeos, por outro lado, têm características embrionárias em comum com os moluscos e são atualmente classificados no clado Trochozoa (ou Lophotrochozoa, juntamente com os rotíferos e outros animais antes considerados pseudocelomados).

As relações internas de Arthropoda também são controversas. Parece haver consenso de que os animais possuidores de mandíbulas formem um grupo monofilético, os Mandibulata. No entanto, as relações dentro de Mandibulata ainda não estão muito claras, havendo duas hipóteses alternativas: - Atelocerata: (Crustacea, (Myriapoda, Hexapoda)) - Pancrustacea: (Myriapoda, (Crustacea, Hexapoda)). Por esta razão, se adotou aqui a classificação em cinco sub-filos, que é a mais aceita.

A subdivisão dos artrópodes em grupos que possam igualmente ser considerados clados é também contenciosa. Alguns autores consideram que os Hexapoda e os Myriapoda formam o clado Uniramia, com apêndices não divididos e que seriam um "clado-irmão" dos crustáceos, mas a filogenia destes grupos ainda não está bem estabelecida, pelo que se adotou aqui a classificação em cinco sub-filos, que é a mais aceita.

Como já foi referido, foram encontrados fósseis de artrópodes do período Cambriano, mas há indicações de que formas ainda mais antigas, pertecentes à “Biota Vendiana”, como os "Vendiamorfos" e os "Anomalocaridídeos" podem ter sido antepassados dos artrópodes atuais.

Artrópodes marinhos[editar | editar código-fonte]

Estima-se que existam cerca de dois milhões de espécies de organismos já descritos de todos os habitats. Organismos que habitam o ambiente terrestre têm sido amostrados em maior quantidade do que os aquáticos. Entretanto, os mares são muito mais ricos em níveis taxonômicos [6] . Dentre os diversos grupos de organismos que vivem no ambiente marinho destacam-se os artrópodes.

Os artrópodes constituem cerca de 80% de todas as espécies de animais conhecidos. A enorme capacidade adaptativa desde grupo, fez com que estes conseguissem habitar em praticamente todos os ambientes, dentre eles o marinho[7] .

Os Trilobitomorpha foram artrópodes marinhos de grande abundância no paleozóico, hoje já extintos. Eles ocuparam uma diversidade muito grande de habitats, desde recifes até oceanos profundos, bentônicos ou livre-natantes. Possuíam diversos hábitos alimentares, com indivíduos herbívoros, filtradores, necrófagos e até predadores [8] . A diversidade gigantesca desse grupo pode ser bem exemplificada em uma espécie chamada Agnostus pisiformis. Neste o escudo cefálico e o pigídio eram utilizados de forma parecida a das valvas de um ostrácode. Além do mais, levando em conta os hábitos alimentares, já foi levantado que este poderia atuar como parasita [9] .

Os Hexapoda por sua vez compreendem, de longe, o grupo com maior número de espécies. Entretanto, somente alguns poucos representantes são marinhos[10] , sendo que 20 ordens têm representantes marinhos. Existem representantes dos Coleoptera, Hemiptera e Diptera, mas os únicos espécimes de insetos que vivem em mar aberto são os do gênero Halobates, embora eles vivam na interface ar-mar. Esses insetos são conhecidos por se deslocarem por sobre a água. Das 46 espécies pertencentes a esse gênero somente 5 são oceânicas, ou seja, vivem em mar aberto, as demais vivem em proximidade ao litoral [11] . Os demais insetos marinhos são conhecidos assim por ter pelo menos um dos estágios de seu desenvolvimento em ambiente marinho. Pode-se pegar, como exemplo, ninfas de alguns gêneros de Odonata, popularmente conhecidas como libélulas, lagartas de espécies de Lepidoptera, Orthoptera (gafonhotos) e algumas poucas espécies de Hymenoptera, formigas [10] .

O subfilo Chelicerata constitui um grupo que inclui as aranhas, escorpiões, ácaros, carrapatos, opiliões(Classe Arachnida), e ainda outras duas pequenas classes (Merostomata e Pycnogonida). Dentro da classe Arachnida, existe a ordem Acari, representado pelos ácaros. Estes apesar de viverem predominantemente em ambientes terrestres ocuparam com sucesso os ambientes aquáticos. Contudo, a classe Merostomata e Pycnogonida são mais representativos no ambiente marinho[7] .

Os Merostomata, conhecidos popularmente como caranguejos-ferradura ou límulos (da ordem Xiphosura, que inclui espécies viventes), são quelicerados aquáticos caracterizados por cinco ou seis pares de apêndices abdominais modificados como brânquias e um telson articulado em forma de esporão. Podem ser encontrados na costa noroeste do Atlântico, no Golfo do México, ao longo das costas asiáticas do Japão e Coréia até as Índias Orientais e as Filipinas. Estes vivem em águas rasas sobre fundos macios, migrando para a superfície, no período de acasalamento[7] . Os Euripterida, também pertencentes à classe Merostomata, são comumente conhecidos como escorpiões-marinhos, e já foram extintos. Eram bastante diversificados no Paleozóico, possuindo cerca de 200 espécies. Estes eram predominantemente aquáticos, atuando como grandes predadores de sua época, podendo atingir tamanhos próximos a 100 cm. São os maiores artrópodes já conhecidos, tendo exemplares que atingiram até 2,5 metros de comprimento [12] . Os Pycnogonida constituem um grupo de cerca de 1.000 espécies marinhas, conhecidos popularmente como aranhas-do-mar. Vivem estritamente nos oceanos, desde o ártico e a Antártida até os trópicos, em diversas formas litorâneas, como espécies que vivem em regiões abissais[7] .

O subfilo Crustacea, cuja a etimologia vem do latim crusta = crosta, concha, superfície dura + aceus = pertence a, é um grupo representado por animais como caranguejos, siris e camarões. É o único subfilo de artrópodes cujos membros são primariamente aquáticos, sendo a maioria dos grupos marinho. Estudos mostram que muitas espécies são usadas como bioindicadores em vários sistemas aquáticos, pois tem a capacidade de bioacumulação de contaminantes metálicos; são sensíveis a variações de fatores físico-químicos e ambientais. Considerando os estágios de desenvolvimento dos crustáceos, normalmente possuem uma fase larval inicial e a fase adulta. A fase larval é planctônica livre-natante na maioria das espécies marinhas enquanto que na fase adulta, são em geral, bentônicos[7] .

Dentro do subfilo Crustacea, destaca-se a classe Malacostraca, sendo esta a que possui maior número de espécies conhecidas, totalizando 22.651. Entre a grande diversidade dos Malacostraca, os representantes mais comuns fazem parte da ordem Decapoda, com cerca de 10.000 espécies descritas. A maioria dos decápodos é marinha, porém alguns invadiram o ambiente de água doce[7] .

Os crustáceos sempre foram bastante diversificados, compondo grande parte da fauna marinha do período Ordoviciano e da era Mesozoica e Cenozoica, nestas últimas representaram a grande maioria da fauna de artrópodes. Sabe-se que dos 5800 gêneros de artrópodes marinhos destes períodos, 2600 destes são crustáceos, perdendo somente em número para os trilobitas. Os três grupos de artrópodes mais representativos no registro fóssil são: ostrácodes (o grupo com maior registro fóssil entre os crustáceos), cirripédios e malacóstracas (estes foram muito representativos no mesozoico, isso se deve a grande diversificação dos decápodes). Importantes grupos de artrópodes marinhos atuais, como por exemplo os copépodos, o grupo mais abundante em ecossistemas marinhos pelágicos - possuem um registro fóssil bastante pequeno [13] .

Artrópodes do solo[editar | editar código-fonte]

Na fauna dos solos são encontrados os Artrópodes do subfilo Hexapoda, que são os insetos, principalmente com as classes Coleoptera (besouros) e Hymenoptera (formigas), os do subfilo Myriapoda (Diplopoda, Chilopoda, Pauropoda e Symphyla) e os da classe Arachnida (aracnídeos).

Características que se associam a este tipo de vida[editar | editar código-fonte]

São características a presença de peças bucais: (mandíbulas,maxilas,quelíceras,pedipalpos) que estão adaptadas para mastigação,sucção.Respiração feita através de traqueias ou filotraqueias,sistema nervoso ganglionar. Os órgãos dos sentidos são bastante especializados: Antenas que são quimiorreceptoras, olhos que podem ser simples ou compostos, alguns possuem órgãos gustativos e auditivos. Estes animais são encontrados, em sua maioria, na camada mais externa do solo, conhecida como serapilheira ou liteira (espécies edáficas). As espécies que habitam os espaços dos horizontes minerais abaixo da camada de serapilheira são conhecidas como euedáficas.

Artrópodes de grandes profundidades[editar | editar código-fonte]

Em 2010, foram encontradas quatro novas espécies de colêmbolos (pequenos artrópodes com seis patas e parentes próximos dos insetos) na caverna mais profunda do mundo, com mais de dois quilômetros abaixo do solo, Krubera-Voronja (Cáucaso). O artrópode proveniente das maiores profundidades até hoje descrito foi coletado a mais de 1980 m da superfície do solo e nomeado Plutomurus ortobalaganensis. As outras três espécies encontradas são: Anurida stereoodorata, Deuteraphorura kruberaensis e Schaefferia profundísima.

Os quatro artrópodes descritos podem ajudar a perceber como os animais se adaptaram ao longo de milhares de anos, para se adaptar à vida subterrânea. Esses artrópodes não possuem pigmentação no corpo, nem nos olhos, e uma das espécies orienta-se no escuro por antenas capazes de captar informação sobre o seu meio ambiente. Eles se alimentam de um fungo que cresce no solo das cavernas, contribuindo para a reciclagem da matéria orgânica. [14]

Biodiversidade no Pantanal de Poconé: Fauna de Artrópodes de solo[editar | editar código-fonte]

No Pantanal mato-grossense foram feitas coletas na região de Pirizal por Figueiredo (2007), Oliveira-Silva (2007), Tissiani (2009) e Anjos (2009), e em áreas vizinhas por Pinho (2003), Castilho (2005) e Battirola (2007). Nessas áreas do Pantanal há uma ocorrência e desenvolvimento de migrações horizontais e verticais por parte dos artrópodes terrestres, que são estratégias de sobrevivência durante períodos de cheia. E nas coletas acontecidas, em 2007, foram coletados 29.321artrópodes distribuídos entre insetos (Hexapoda), aracnídeos (Arachnida) e miriápodes (Myriapoda). Os insetos somaram 82,2% do total de artrópodes coletados, e os grupos predominantes, ou seja, que mais se locomoveram no solo foram os colêmbolos (Collembola), besouros e himenópteros (Hymenoptera), a maioria formigas, correspondendo, respectivamente, a 39,5%, 20,4% e 17,3% do total de insetos amostrados na grade do Pirizal. Os aracnídeos compreenderam17, 6% dos artrópodes e foram representados por 15,8% de ácaros (Acari) e 0, 9% de aranhas. Alguns táxons de miriápodes comuns na Amazônia, como sínfilos (Symphyla) e paurópodes (Pauropoda), são pouco encontrados no Pantanal e outros como diplópodes (Diplopoda), conhecidos como piolhos-de-cobra ou centopeia, e quilópodes ou lacraias (Chilopoda), apresentaram baixa densidade nesta região.

Artrópodes de água doce[editar | editar código-fonte]

Os artrópodes constituem o grupo mais abundante dos macroinvertebrados aquáticos. Os insetos e os crustáceos representam grande parte dos artrópodes encontrados em rios.Os principais problemas que os insetos aquáticos apresentam no ambiente aquático são o suprimento de O2 deficitário e o movimento da água dificulta permanência num só ponto e movimentar-se dentro da água é difícil.Os insetos tiveram que se adaptar ao meio aquático através de modificações no sistema respiratório como: • Sistema respiratório fechado – Respiração cutânea e respiração por pigmentos respiratórios. • Sistema respiratório aberto – Respiração através de sifão e respiração através de brânquia física. Os insetos também apresentaram outras adaptações para o ambiente aquático, como as adaptações lóticas, onde os insetos que vivem nestes sistemas tendem a ser dorsoveltralmente achatados, algumas vezes com pernas lateralmente projetadas. Insetos aquáticos podem ser bioindicadores no meio ambiente e conseguem se desenvolver em ambiente aquático temporário através da deposição de ovos resistentes a desidratação e a um ciclo de vida rápido.

Ordens dos insetos aquáticos encontrados em rios[editar | editar código-fonte]

  • Ordem Odonata ( libélulas e libelinhas ) – As ninfas podem ser encontradas nas águas de rios e os adultos em suas proximidades.São benéficas para os seres humanos porque,são vorazes predadores aquáticos e ajudam no controle de pragas de insetos.

Ordem Ephemeroptera – O nome efêmera está relacionado com o fato do adulto viver apenas poucas horas,sem se alimentar,dedicadas apenas a reprodução e a postura dos ovos da geração seguinte.Ocorrem em ambientes aquáticos lênticos e lóticos,sendo a maior diversidade encontrada em rios de cabeceira.

  • Ordem Coleoptera ( Besouros ) – São encontrados numa grande variedade de ambientes,representando o maior grupo de artrópodes de água doce,ocupam riachos,lagos,poças d’água,estuários e pântanos.Ocupam diversos níveis da cadeia trófica e um grande numero é consumido por peixes e aves aquáticas.Os coleópteros verdadeiramente aquáticos são aqueles que apresentam um ou mais estágios exclusivamente em ambientes aquáticos.Entre as principais adaptações estão o corpo hidrodinâmico, as patas em forma de remos para natação.
  • Ordem Diptera ( Moscas e Mosquitos ) – É um dos grupos de insetos mais diversos são encontrados praticamente em qualquer habitat entre eles rios e riachos de todo tamanho e velocidade.Algumas espécies possuem discos adesivos como adaptação para viver em riachos conforme a correnteza.

Ordem Hemiptera ( Percevejos,barbeiros ou barata d’água ) –Alguns barbeiros aquáticos podem chegar a 100mm, podem ser predadores e com patas dianteiras raptoriais e costuman se alimentar de girinos,salamandras,caramujos,lesmas e pequenos peixes.

  • Ordem Lepidoptera ( borboletas ) – Existem espécies com larvas que se alimentam de plantas aquáticas em ambientes lóticos.
  • Ordem Trichoptera ("moscas d’água") – São animais que se assemelham mais ou menos com as mariposas,todas as famílias ocorrem em ambientes lóticos,a maioria das espécies exige água de boa qualidade.
  • Ordem Plecoptera – Possui ninfas que podem ser encontradas em águas correntes limpas,vivem em rios e riachos, apresentando preferência por águas rápidas.
  • Ordem Collembola – No ambiente aquático, encontram-se na superfície da água e associados a plantas emergentes.

Crustáceos encontrados em rios[editar | editar código-fonte]

Os aeglídeos ( caranguejos ) constituem um grupo ecológico de decapodos anomuros que vive embaixo de pedras e folhas do substrato dos cursos de águas continentais como rios,riachos,lagos e cavernas.São importantes nas cadeias tróficas dos cursos d’água servindo de alimento para peixes,aves e jacarés.São considerados eficazes predadores de larvas aquáticas de insetos,especialmente dos simulídeos hematófagos,popularmente conhecidos como borrachudos.Os Cladoceros ( pulgas d’água ) e Copepodos,importantes na composição da fauna de invertebrados aquáticos,podem ser encontrados em curso d’água mais lentos,geralmente nas margens associados a macrofitas aquáticas,algumas espécies podem ser parasitas de peixes.

Chelicerados encontrados em rios[editar | editar código-fonte]

Dentro os Chelicerata, a ordem Acari ( ácaros ) tem o maior número de representantes associados a ambientes aquáticos.Os adultos atingem geralmente um tamanho de 0,5mm até 2mm.Ocorrem em todos os corpos d’água,em cavidades de arvores,nascentes quentes e cascatas.

Artrópodes dos lagos e lagoas[editar | editar código-fonte]

Crustáceos[editar | editar código-fonte]

Cladocera são os filópodes mais bem sucedidos; a maioria é de água doce, são de pequeno porte, conhecidos também como pulgas–d'água. A maioria das espécies vive preferencialmente na região litorânea de ecossistemas lacustres. Nem todos os cladóceros de água doce são planctônicos (por exemplo, a família Macrothricidae não tem representante no plâncton). Os cladóceros planctônicos mais frequentes em água doce pertencem às famílias: Sididae, Daphniidae, Bosminidae e Chydoridae, sendo que os representantes da última família frequentemente são encontrados fazendo parte dos bentos.

Copépodos formam com os cladóceros os organismos mais típicos do chamado plâncton de rede. Mesmo sem equipamento, podem ser facilmente reconhecidos pelo seu corpo alongado. Os copépodes habitam os mais diferentes ambientes aquáticos, tais como água doce, salobra, salgada e mesmo terras úmidas. As formas planctônicas são, na grande maioria, de pequeno tamanho. As principais ordens de copépodes com representantes no plâncton de água doce são: Calanoida, que são essencialmente planctônicas, Cyclopoida, que têm representantes planctônicos e bentônicos, e Harpacticoida cuja maioria é bentônica.

Anostraca (artêmias) são relativamente pequenos e habita regiões interiores, mas não necessariamente só ambientes de água doce. As 200 espécies conhecidas de anóstracos ocorrem em lagos salgados e lagoas e alagados temporários de ambientes úmidos.

Notostraca contém apenas 10 espécies bentônicas pertencentes aos gêneros Triops e Lepidurus, encontrados e águas interiores, calmas e livre de peixes.

Ostrácodes são microcrustáceos diminutos encontrados na maioria dos hábitats tanto de água doce como marinhas. Na água doce ocorrem em lagos, lagoas e fontes termais, são espécies cavadoras e intersticiais, podendo também viver em algas e plantas aquáticas.

Decápodes são muito frequentes em águas continentais brasileiras; são representados por várias espécies do gênero: Euryrhynchus, Macrobrachium, Palaernonetes e Pseudopalaemon (KENSLEY & WALKER, 1992); os decápodes representam os chamados camarões de água doce.

Os Misidáceos são peracáridos pequenos, encontrados em hábitats de água doce, salobro e marinho, têm maior importância em lagos de regiões temperadas, uma vez que habitam preferencialmente águas frias.

Anfípodes são pequenos frequentemente encontrados em grande número e alta diversidade em ambientes aquáticos; os Gammaridea são os únicos anfípodes em hábitats de água doce, nos quais são bentônicos e ecologicamente importantes, em especial na vegetação.

Os Isópodes são, na sua maioria, terrestres e marinhas e somente poucas espécies são de águas continentais. Muito pouco é conhecido sobre a ecologia e o papel destes organismos na dinâmica de águas continentais.

Insecta[editar | editar código-fonte]

Os insetos planctônicos são muito raros. Somente alguns grupos de Diptera na fase larval têm representantes no plâncton, dentre estes a larva de Chaoborus (=Comethma) é a mais importante. O gênero Chaoborus da família Chaoboridae é encontrado em todos os tipos de ambientes lacustres, desde pequenas lagoas temporárias, até grandes lagos permanentes. Uma de suas características mais importantes é a alternância diária de hábitat: à noite são planctônicos e durante o dia são bentônicos. Grande número de insetos são aquáticos ou têm parte de seu ciclo de vida na água. Em ambos os casos, a grande maioria das larvas destes organismos é bentônica. Dentre os grupos de insetos que têm representantes nos bentos continentais (principalmente sob a forma larval), destacam-se os dípteros, ephemerópteros, plecópteros, odonata, hemípteros, coleópteros, neurópteros, tricópteros e lepidópteros. De todos estes grupos, os dípteros são os que têm maior importância, visto que os seus principais representantes aquáticos quironomídeos e caoborídeos, são encontrados, via de regra, em grande número.

Chelicerata[editar | editar código-fonte]

Araneae – São encontradas na maioria dos ambientes terrestres, mas existe uma única espécie que vive em água doce, abaixo da superfície, a Argyroneta aquática (Argyronetidae) da Eurásia, é cursória; vive e caça abaixo da superfície da água.

Referências

  1. "Athropods, no artigo "Arthropod na Enciclopédia Britânica". Acessado em 6 de Janeiro de 2012 (em inglês)
  2. a b Madeira, Alda Maria Backx Noronha “Introdução ao estudo dos artrópodes” notas do curso BMP-0222 – Introdução à Parasitologia Veterinária no site do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, Brasil acessado a 2 de julho de 2009
  3. Arthropod: Evolution and paleontology da Enciclopédia Britânica (em inglês) Acessado em 6 de Janeiro de 2012
  4. Evolução dos Artrópodes na BioRede.pt. Acessado em 6 de Janeiro de 2012.
  5. "Nasa encontra vida a 200 metros sob camada de gelo da Antártida" no jornal "Estadão". Acessado em 6 de Janeiro de 2012.
  6. KAISER, Michel J. et al. Marine ecology: processes, systems, and impacts. New York: Oxford University Press Inc., 2005.
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  8. Gon III, Sam. A guide to the orders of Trilobites. Trilobite feeding habits. Disponível em: < http://www.trilobites.info/feeding.htm>. Acesso em: 12 abr. 2012.
  9. FORTEY R. A.; OWENS, R. M. Feeding habits in trilobites. Palaeontology. v. 42, part. 3, p. 429-465, 1999.
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  11. ANDERSEN, Nils M.; CHENG, Lanna, The marine insect Halobates (Heteroptera:Gerridae): biology, adaptations, distribution, and phylogeny. Oceanography and Marine Biology: an annual review. v. 42, p.119-180, 2004.
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  14. "Artrópode terrestre que vive a dois quilometros de profundidade e usa antena para ver na escuridão" no blogs.estadao.com.br

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • BENETTI, Cesar João & FIORENTIN,Gelson Luiz. Bionomia e Ecologia de Coleópteros aquáticos, com ênfase em hydradephaga. 2003.
  • BARNES, R. D., 2005. Zoologia dos Invertebrados. 7ª edição. Ed. Roca. São Paulo.
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  • PINHO, Luiz Carlos. Ordem Diptera(Arthropoda: Insecta).2008.
  • SILVA, Rodolfo Mariano Lopes da. Ordem Ephemeroptera(Arthropoda: Insecta).2007.
  • SOARES, José Luís. Biologia no terceiro milênio. 1.ed. São Paulo. Scipione.1999.
  • http://www.ebah.com.br/content/ABAAAevZQAE/artropodes
  • Manual de identificação de Macroinvertebrados aquáticos do estado do Rio de Janeiro.

Autores Riccardo Mugnai,Jorge Luiz Nessimian e Darcilio Fernandes Baptista. Editora Technical Books Editora.

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