Alfabeto grego

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Alfabeto grego
Tipo Alfabeto
Línguas faladas Língua grega
Período ~800 a.C. até o presente[1]
Sistemas Alfabeto fenício
 → Alfabeto proto-sinaítico
  → Alfabeto grego
Sistemas filhos Alfabeto gótico

Alfabeto glagolítico
Alfabeto cirílico
Alfabeto copto
Alfabeto armênio
Alfabeto etrusco
Alfabeto latino

Faixas de códigos Unicode U+0370–U+03FF Greek and Coptic,
U+1F00–U+1FFF Greek Extended
ISO 15924 Grek, 200
Greekalphabet.svg
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Greek alphabet alpha-omega.svg
Alfabeto grego
Αα Αlfa Νν Nu
Ββ Beta Ξξ Csi
Γγ Gama Οο Ómicron
Δδ Delta Ππ Pi
Εε Épsilon Ρρ
Ζζ Zeta Σσς Sigma
Ηη Eta Ττ Tau
Θθ Teta Υυ Úpsilon
Ιι Iota Φφ Fi
Κκ Capa Χχ Qui
Λλ Lambda Ψψ Psi
Μμ Mu Ωω Ômega
Letras obsoletas
Digamma uc lc.svg Digamma Qoppa uc lc.svg Qoppa
San uc lc.svg San Sampi uc lc T-shaped.svg Sampi
Outros caracteres
Stigma uc lc.svg Stigma Sho uc lc.svg Sho
Heta uc lc.svg Hetá

O alfabeto utilizado para escrever a Língua grega teve o seu desenvolvimento por volta do século IX a.C., utilizando-se até aos nossos dias, tanto no grego moderno como também na Matemática, Física, Astronomia etc.

Anteriormente, o alfabeto grego (Ελληνικό αλφάβητο) foi escrito mediante um silabário, utilizado em Creta e zonas da Grécia continental como Micenas ou Pilos entre os séculos XVI a.C. e XII a.C. e conhecido como linear B. O Grego que reproduz parece uma versão primitiva dos dialectos Arcado-cipriota e Jónico-ático, dos quais provavelmente é antepassado, e é conhecido habitualmente como grego micênico.

Crê-se que o alfabeto grego deriva duma variante do semítico, introduzido na Grécia por mercadores fenícios. Dado que o alfabeto semérico não necessita de notar as vogais, ao contrário da língua grega e outras da família indo-europeia, como o latim e em consequência o português, os gregos adaptaram alguns símbolos fenícios sem valor fonético em grego para representar as vogais. Este fato pode considerar-se fundamental e tornou possível a transcrição fonética satisfatória das línguas Europeias.

Letra Nome Som clássico Som moderno Valor Alfabeto Semítico HTML
Α α Alfa /a, aː/ (a longo ou breve) /a/ 1 Aleph (') /a/ (Álefe) α
Β β Beta /b/ /v/ 2 Beth /b/ β
Γ γ Gama /g/→/ɣ, j/ (ga,gue,gui,go,gu) /ɣ, j/ 3 Gimel /g/ γ
Δ δ Delta /d/→/ð/ /ð/ 4 Daleth /d/ δ
Ε ε Épsilon /e/ (e sempre breve) /e/ 5 He (h) /h/ ε
(Ϝ) Digama /w/ - 6 Waw (Vav) /w/ ϝ
Ζ ζ Zeta /dz/→/z/ (ds, z italiano) /z/ 7 Zain /dz/ ζ
Η η Eta /ɛː/→/i/ (e sempre longo) /i/ 8 Heth (h*) η
Θ θ Teta /tʰ//θ/ /θ/ 9 Thet (t*) θ
Ι ι Iota /i/ → /i/ /i/ 10 Yodh (y) /j/ ι
Κ κ Capa /k/ /k/ 20 Kaph /k/ κ
Λ λ Lambda /l/ /l/ 30 Lamed /l/ λ
Μ μ Mu/Mi /m/ /m/ 40 Mem /m/ μ
Ν ν Nu/Ni /n/ /n/ 50 Nun /n/ ν
Ξ ξ Csi/Xi /ks/ /ks/ 60 Samekh (s) ξ
Ο ο Ômicron /o/ (o sempre breve) /o/ 70 Ain () ο
Π π Pi /p/ /p/ 80 Pe /p/ π
(Ϻ) San /s/ - Sade (s*) /ts/
(Ϟ) Qoppa /k/ - 90 Qoph /q/
Ρ ρ /r/ /r/ 100 Resh /r/ ρ
Σ σ,ς Sigma /s/ /s/ 200 Shin (sh) /S/ σ
Τ τ Tau /t/ /t/ 300 Taw /t/ τ
Υ υ Úpsilon /u/→/y/→/i/(u francês ou ü alemão) /i/ 400 De Wau υ
Φ φ Fi /pʰ/→/f/ /f/ 500 origem incerta φ
Χ χ Qui/Chi /kʰ/→/x/ /x/ 600 origem incerta χ
Ψ ψ Psi /ps/ /ps/ 700 origem incerta ψ
Ω ω Ômega /ɔː/→/o/(o sempre longo) /o/ 800 origem incerta ω
(Ϡ) Sampi /ss/ /ks/ - 900 origem incerta

As letras Digamma, San, Qoppa e Sampi desapareceram do alfabeto nos seus primeiros tempos, antes do denominado período clássico. Dado que a aparição das letras minúsculas é bastante posterior, não existem minúsculas das ditas letras, exceto como símbolos numéricos (Digamma ϛ, Qoppa ϟ, Sampi ϡ).

Originariamente existiram variantes do alfabeto grego, sendo as mais importantes a ocidental (Calcídica) e a oriental (Jónica). A variante ocidental originou o alfabeto etrusco e daí o alfabeto romano. Atenas adoptou no ano 403 a.C. a variante oriental, dando lugar a que pouco depois desaparecessem as demais formas existentes do alfabeto. Já nesta época o grego escrevia-se da esquerda para a direita, enquanto que a princípio a maneira de o escrever era alternadamente da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, de maneira que se começava pelo lado em que se tinha concluído a linha anterior, invertendo todos os caracteres em dito processo.

O factor inovador introduzido com o alfabeto grego são as vogais. As primeiras vogais foram Alfa, Épsilon, Iota, Ómicron e Upsilon. Se contempla o processo de criação do alfabeto grego como resultado de um processo dinâmico baseado na adopção de vários alfabetos semíticos através do tempo, encontrando inclusive influências do linear-B, poder-se-ia dar uma explicação mais satisfatória da sua origem do que as teorias que postulam uma adaptação única de um alfabeto determinado num momento dado.

História[editar | editar código-fonte]

Variações do antigo alfabeto grego

O alfabeto grego surgiu em meados do século VIII a.C.,[2] séculos após a queda da Civilização Micênica e consequente abandono de sua escrita Linear B, um dos primeiros sistemas de escrita gregos. Linear B é descendente do Linear A, que foi desenvolvido pelos minoicos, cuja linguagem não tinha, provavelmente, relação com o grego e, por conseguinte, o silabário minóico não fornece um meio ideal para a transliteração dos sons da língua grega.

O alfabeto grego reconhecemos hoje surgiu após a Idade das Trevas grega, ou seja, o período entre a queda de Micenas (cerca de 1200 a.C.) e a ascensão da Grécia Antiga, que começa com o surgimento dos épicos de Homero, cerca de 800 a.C., e a instituição do Jogos Olímpicos antigos em 776 a.C. Sua mudança mais notável, como uma adaptação do alfabeto fenício, é a introdução das vogais, sem as quais o grego seria ilegível.[3]

Heródoto atribui a origem do alfabeto grego aos fenícios (que vieram para a Grécia com Cadmo, o fundador de Tebas)[4] . Ele descreve várias inscrições em Tebas, datadas na época dos reinados de Laio, Édipo e Laodamante, que estariam nos caracteres "cadmeus"[5] .

Sinais representando vogais não eram originalmente utilizados em alfabetos semitas. Nas antigas famílias de escrita semitas ocidentais (fenício, hebraico, moabita etc.), uma letra sempre representou uma consoante, em associação com uma vogal indeterminada ou sem vogal. Isso não reduz a legibilidade, porque as palavras de línguas semíticas são baseadas em raízes triliterais que fazem sentido claro com apenas as consoantes presentes, sendo as vogais claras a partir do contexto. Em contrapartida, o grego é uma língua indo-europeia, e, portanto, as diferentes vogais fazem enormes diferenças de significados. Assim, o alfabeto grego dividiu as letras em duas categorias, consoantes ("coisas que soam bem") e vogais, onde as consoantes tinham sempre que ser acompanhadas de vogais para criar uma unidade pronunciável. Embora o antigo alfabeto ugarítico tivesse desenvolvido matres lectionis, ou seja, o uso de consoantes para indicar as vogais, elas nunca foram utilizadas de forma sistemática.

As primeiras vogais foram Α (alfa), Ε (epsilon), Ι (iota), Ο (ômicron), e Υ (upsilon), modificações das glóticas, faríngeas ou semivocálicas consoantes semitas que eram em sua maioria supérfluas em grego: /ʔ/ ('aleph), /h/ (he), /j/ (yod), /ʕ/ (ʿayin), e /w/ (vav), respectivamente. No leste da Grécia, onde faltava totalmente ambição, a letra Η (eta), da consoante glotal semita /ħ/ (het) também foi utilizada para a vogal longa /ɛː/ e, eventualmente, a letra Ω (ômega) foi introduzida por um longo /ɔː/. A razão para a introdução de letras que facilitavam os abertos longos e e o encontra-se na morfologia verbal da língua. O grego clássico tinha uma distinção entre indicativo e subjuntivo feita por alternância /e/ com /ɛː/ e /o/ com /ɔː/, que foi explicitada por esta inovação. As outras vogais não precisavam de uma distinção gráfica no comprimento.

Idiomas que utilizam o alfabeto grego[editar | editar código-fonte]

Atualmente, somente o grego moderno e o tsacônio são escritos usando o alfabeto grego. Além desses idiomas, a língua bactriana, já extinta, e o copta, atualmente em uso somente na liturgia da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria, também adotaram o alfabeto grego, com algumas modificações.

As letras gregas são também utilizadas na linguagem científica e matemática. Assim, temos o Pi ≈ 3,1415 na matemática, raios gama e as variações que são representadas pelo delta na física.

Referências

  1. Swiggers, Pierre (1996). "Transmission of the Phoenician Script to the West". In Daniels; Bright. The World's Writing Systems.
  2. A data dos objectos inscritos mais antigos; A.W. Johnston, "The alphabet", in N. Stampolidis and V. Karageorghis, eds, Sea Routes from Sidon to Huelva: Interconnections in the Mediterranean 2003:263-76
  3. Coulmas, Florian. The Blackwell Encyclopedia of Writing Systems. Oxford: Blackwell Publishers Ltd., 1996. ISBN 0-631-21481-X.
  4. Heródoto, Histórias, Livro V, Terpsícore, 58 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. Heródoto, Histórias, Livro V, Terpsícore, 59 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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